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quarta-feira, 12 de março de 2014

Um ano Franciscano!



Completa-se neste 13 de março um ano do solene Habemus Papam que anunciava a eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio para a Sé de São Pedro. Após o grande Pontífice que foi Bento XVI, o Paráclito conduziu o Sacro Colégio de Cardeais a eleger para o Papado o primeiro latino-americano da história, vindo das terras argentinas. 

Era por volta das 20 horas e 30 minutos no horário de Roma, quando o Cardeal Proto-Diácono da Igreja Romana, Jean-Louis Tauran, surgiu no balcão da monumental Basílica, construída nas Colinas Vaticanas sobre os restos mortais de São Pedro, para anunciar a eleição de seu 265° sucessor dele. O locutor, um francês de 69 anos, debilitado pelo mal de parkison, com o qual luta desde 2012, possuía uma voz fraca e aparência frágil. Seu anúncio em nada se comparou com o vigor e a solenidade do Habemus Papam de 2005, quando o chileno Jorge Arturo Medina, depois de saudar os fiéis em diversos idiomas, anunciou a eleição de Joseph Ratzinger. 

O "Dominum Georgium Marium [...] Cardinalem Bergoglio" ressoou tão tímido que demorou para que nos déssemos conta da eleição de um Pontífice do terceiro mundo. Fora escolhido o primeiro Papa argentino da história; um fato inédito que marcaria para sempre a vida eclesial. Inusitado também era o fato que pela primeira vez o "Papa branco e o 'papa negro'" eram, ambos, jesuítas. A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola, legava seu primeiro filho a Sé Petrina.


Ao som da Hino Pontifício, sem murça ou estola, surgiu o novo Papa. Ele parecia mais assustado que a própria nação católica que acolhia a sua inesperada eleição. No primeiro discurso, ladeado pelo brasileiro Cláudio Hummes, ele falou da necessidade da oração, da fraternidade e rezou pelo seu antecessor, Bento XVI. 

Irmãos e irmãs, boa noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. 
Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! 
E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo Emérito Bento XVI. 
Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. 
Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. 

Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. 

Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.


Depois ele se inclinou e permaneceu em silêncio por alguns segundos. Concedeu a todos a bênção Urbi et Orbe e despediu a todos dizendo:

"Boa noite, e bom descanso!"

Ao ouvir suas primeira palavras, lembrávamos da caridade pastoral de João XXIII, quando do balcão de seu apartamento pontifício proferiu o famoso "discurso da lua", no qual dizia: "ao voltar para casa, encontrareis as criançinhas; fazei-lhes um carinho e dizei-lhes que este é o carinho do Papa".

Mas nos interrogávamos ainda acerca do sugestivo nome escolhido pelo Romano Pontífice: Francisco. Seria o santo de Assis, a quem Deus mandou "reformar a Sua Igreja"? Ou seria o seu confrade Xavier, missionário incansável? A questão não demorou a ser respondida. O Papa alegou que quando foi eleito, estava ao seu lado o antigo Prefeito da Congregação para o Clero e Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Claudio Hummes, O.F.M., gaúcho de Salvador do Sul, que disse: "não se esqueça dos pobres". O recém eleito, movido pelo Espírito Santo, decidiu chamar-se Francisco, que através da radicalidade do Evangelho viveu a pobreza, sendo o "mínimo dos mínimos". 



Apesar da brevidade do seu pontificado, é esta marca que tem predominado: "uma Igreja pobre para os pobres". O Papa tem um estilo pessoal de vida bastante austero e simples. Se percebe que ele não gosta dos ditos "formalismos" e "protocolos" vaticanos. Desde os primeiros dias, não fez uso do apartamento pontifício, mas, de um quarto na Casa Santa Marta, onde celebra missa "pública" todas as manhãs. 

Aumentaram neste período visitas pastorais às paróquias romanas. Francisco, que quer ter "cheiro das ovelhas", tem marcado presença junto a seus diocesanos e tem frisado com veemência que ele é o Bispo de Roma. Em 5 de julho do ano passado, ao lado do Papa Emérito, ele consagrou a Cidade Eterna à proteção do Arcanjo São Miguel.

O Papa, supremo pastor da Igreja, tem governado com sabedoria a sua grei. No que tange a liturgia e os hábitos pessoais, vemos sua simplicidade e simpatia, vindas de sua própria personalidade, razão pela qual, como dissemos anteriormenteele não é nenhum terrorista litúrgico, como se poderia imaginar. Antes, é um homem fiel, que tem guiado com caridade pastoral a Igreja de Cristo. 

Francisco é um homem que tem palavras objetivas e claras, sem maiores "rodeios". Lamentamos, porém, que seus discursos e falas sejam instrumentalizados por alguns, em favor de ideologias e de vertentes teológicas que não correspondem às verdades evangélicas e as necessidades do mundo e da Igreja na sociedade contemporânea.

Pedro, nosso pai comum, tem se mostrado um verdadeiro artífice de uma nova cultura, onde brilhará as riquezas do Evangelho e da salvação, longe de carreirismos e extremismos. O Papa nos governa na caridade e no amor, na proximidade e na "cultura do encontro".



Somos gratos a Deus por tão grande dom de Sua providência à Igreja. "Omnes cum Petrus, ad Iesum, per Mariam". Que o Santo Padre Francisco nos governe por longos anos, e que viva tanto ou mais que Pedro!

Obrigado, Santo Padre!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Bento, homem da Caridade Pastoral

O Bispo de Roma é também Pastor Universal, pois nos governa na caridade. O Papa é a cabeça do colégio do Bispos. Seu papel é o de quem mantém a unidade, a fé e a sã doutrina. Entre o colégio apostólico, o próprio Cristo escolheu Pedro e lhe confiou uma missão singular: “Apascenta minhas ovelhas”.

O apóstolo Simão Pedro recebeu uma especial precedência entre os demais, que fez dele a superior autoridade na Igreja primitiva. A Sé na qual ele estava quando recebeu o glorioso martírio tornou-se ponto de referência para a Igreja nascente e seus legítimos sucessores tornaram-se, segundo o mandato do próprio Cristo, os homens que apascentaram o rebanho do Senhor.

Roma é, desde o princípio, um sinal norteador para a vida de fé do povo cristão. O grande Santo Irineu de Lyon (135-202) dela já dizia: “fundada e organizada pelos dois mais gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo [...] mercê de sua especial primazia teve de estar em consonância com esta Igreja cada uma das Igrejas, isto é, os crentes de todo o mundo porque nela fora sempre guardada a Tradição dos Apóstolos”. 

Com o passar dos tempos e o evoluir da Igreja tomou-se cada vez mais consciência desta realidade divina do primado de Pedro e de sua solicitude pastoral para com a Igreja em todo o Orbe. O Papa Clemente I, terceiro sucessor de São Pedro como Bispo de Roma, que viveu entre 35d.C e 97d.C., escreveu a célebre carta aos cristãos da diocese de Corinto, com a qual, através de sua autoridade, reestabelecia a paz ameaçada internamente naquela porção do povo de Deus. Trata-se de um documento de grande relevância apologética, porque demonstra que, já naqueles tempos, se entendia que o Papa possuía uma verdadeira e efetiva autoridade sobre os demais bispos e suas dioceses, e não apenas um posição honorífica de precedência. 

Muito se discutiu sobre o papel exercido pelo Bispo de Roma sobre as demais dioceses. Ao longo dos séculos, alguns tomaram posições fortemente favoráveis a isso, como Santo Tomás de Aquino na Idade Média e o Beato John Henry Newmann mais recentemente, e muitos outros posicionaram-se contra a interferência petrina. Todavia, percebe-se que desde o princípio o Papa não é apenas uma figura de honra, mas, um personagem ativo no que tange a fé, a moral e a vida pastoral de toda a Igreja de Cristo.

O alvorecer da modernidade, sobretudo dos meios mediáticos, fez do papa um cidadão não apenas romano, mas, universal. Devemos às inúmeras viagens apostólicas do Beato João Paulo II a compreensão de que o papa é “nosso pai comum”. Bento XVI ao assumir o sólio petrino, recebeu essa carga de seu antecessor, depois de mais de duas décadas do seu profícuo pontificado. Coube a ele dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo papa polonês, mas, também de Paulo VI, que muito fez pela imagem do Papa como pastor da Igreja Universal.

Sob Bento XVI recaiu a responsabilidade de levar adiante uma grei que reconhecia no seu ministério a pessoa do Pai e do Pastor. E em nada o Papa deixou a desejar:

Em 2009, durante a semana santa, um terremoto atingiu a cidade italiana de Áquila. A região ficou destruída e o sismo de 6,3 graus na escala Richter vitimou cerca de 300 pessoas. Era sexta-feira santa, quando segundo a tradição e a regra não se celebra nenhum sacramento - muito menos a missa - e o Papa concedeu uma autorização canônica permitindo que lá se celebrasse uma missa de corpo presente, em sufrágio das vítimas, e para tal, enviou seu secretário de Estado, Cardeal Tarcísio Bertone. Era o "antigo inquisidor" furando a regra por uma necessidade pastoral.

Bento se mostrou mais próximo do povo e de suas necessidades dos que seus críticos poderiam imaginar. Quando visitou o Brasil, na sua única viagem Apostólica a Terra de Santa Cruz, em 2007, ele surpreendeu a todos com seu sorriso inocente e um pouco tímido. Na Fazenda da Esperança, a imagem do abraço coletivo correu o mundo. O pastor alemão tinha coração, e ele estava aberto as necessidades dos homens e mulheres de nosso tempo. Rompia-se o véu do "poderoso chefão". 


O papa passou a ser encarado como um pai, um "bom velhinho", que falava firme quando necessário, mas, sabia abrandar o coração para os pobres e pequenos, acolhendo-os como um verdadeiro Pai e Pastor. Sua benevolência e seu carisma iam mais longe do que simples gestos externos, que enchem tabloides e jornalecos de quinta. Sua caridade pastoral revelou-se também na acolhida dos irmãos separados e na fortaleza com os desgarrados. 

Suas iniciativas contra os padres que cometeram pedofilia e suas lágrimas, durante a visita Apostólica a ilha de Malta em 2010, comoveram o mundo. O papa se fez próximo e solidário com as vítimas, assumindo a dor delas e tomando para si a vergonha dos criminosos. 

Por outro lado, acolheu os antigos Anglicanos, desgostosos das reformas empregadas naquela comunidade eclesial, separada de Roma no século XVI quando da iniciativa do Rei inglês, Henrique VIII, de fundar uma "Igreja estatal" que não contrariasse seu novo casamento com Ana Bolena, em detrimento de Catarina de Aragão. Desde 2009 centenas de "ex-anglicanos" vem sendo acolhidos em ordinariatos pessoais, que lhes permitem voltar a comunhão plena com a Santa Sé. A Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus norteia os tramites de acolhida e estruturação desta nova realidade pastoral.

Outros que devem e muito à Bento são os lefevristas. É sabido que o próprio Papa, depois de ter levantado a excomunhão dos quatro ordenados de 1988, filhos da Sociedade Sacerdotal São Pio X, criada pelo Bispo espiritano Marcel Lefrebve, tentou com esforços reais fazer com que o grupo voltasse a comunhão. A Comissão Ecclesia Dei, criada ainda pelo beato João Paulo II, teve muito trabalho e noites intensas de insônia para realizar o diálogo. O Arcebispo Guido Pozzo, responsável pelos diálogos tentou, mas, a discussão segue empacada.

O Papa agiu como um verdadeiro um Pastoralista. O seu Motu Proprio Summorum Pontificum, de julho de 2007, que legislava sobre a forma extraordinário do Rito Romano, ou seja, a Missa de São Pio V, revelou ao mundo que Bento XVI estava disposto a acolher a todos. Houve quem julgou que o Pontífice estava privilegiando os ditos "tradicionalistas e tradicionais". Já o sínodo sobre a África, em meados de 2009, encerrou a discussão sobre as  possibilidades de inculturação do Papa alemão. Ao final da Santa Missa, na Basílica de São Pedro, após a execução do hino mariano Ave Regina Caelorum, africanos cantaram, ao som de instrumentos típicos, uma saudação a Maria Santíssima, enquanto o papa deixava o altar da confissão.

De todos os lados o Bispo de Roma exerceu sua solicitude pastoral para com todos os povos. Nas três jornadas mundiais da juventude que participou como Papa, ele se mostrou próximo dos jovens. Em 2011, em meio a chuva torrencial que caiu sobre Madrid, tentaram tira-lo do palco montado para seu discurso durante a vigília, mas, Bento disse: "se eles ficam aqui, eu permaneço com eles".



O Doce Cristo na terra nos deixou um verdadeiro legado de amor a Jesus Cristo, sua Igreja e todo seu povo. Ensinou-nos como devemos dar a vida em favor das ovelhas, nos tempos modernos. Bento, um verdadeiro pai e pastor de almas. 


Bento, homem de Relação

Quando da eleição de Bento XVI, em abril de 2005, a revista Veja ostentou na sua capa a seguinte manchete: “A Igreja congelada”, seguida de uma grande foto do novo Pontífice dentro de um cubo de gelo. 


Assim começava o papado de Ratzinger: com a imagem de um homem severo, intransigente, músico autista e alemão turrão. O povo brasileiro, mas também os demais, assumiram essa visão do Doce Cristo na terra. Demorou e muito para que o novo Papa roubasse um sorriso e um olhar de apreço dos mais desconfiados. 

Bento XVI carregava sobre si o peso de suceder o grande e carismático Beato João Paulo II. O papa polonês foi artista, era poeta e durante anos foi Bispo Diocesano. Sua imagem foi feita para as massas. Já Ratzinger era frágil, naturalmente mais introspectivo – que justifique sua natureza alemã – e ainda foi, desde o começo de sua vida, um apaixonado pelos livros. Bento fazia e faz o tipo “rato de biblioteca”, “de escritório” e “de sacristia”, acostumado a lidar com escaninhos cheios e com papeis amontoados. 

Da noite pro dia ele se torna o líder de todos católicos e passa a ser vigiado pelo mundo inteiro. Custaria um pouco para dar-se conta da missão e do papel que desempenharia diante de toda a sociedade, seja ela católica ou não. 

Joseph Ratzinger deveria ser papa e o papa deve ser um homem de relação. Relação com Deus, com seu povo, com os ministros ordenados, com a Cúria Romana, com os cristãos e não-cristãos, com as autoridades de diversos países. 


Bento nunca foi diplomata, como foi o Papa Pio XII, mas, não deixou a desejar no que tangia as relações com as diversas nações e com autoridades distintas. Em 13 de novembro de 2009, através da Nunciatura Apostólica no Brasil, o Santo Padre assinou com o então Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva um acordo entre Brasil e Santa Sé, no qual norteava e regulamentava as relações diplomáticas e institucionais. 

Na sede da ONU, em 18 de abril de 2008, ele foi o terceiro Papa a discursar. Defendeu o direito à vida, a família, os direitos humanos e a Igreja. Os diplomatas pararam para ouvir um senhor octogenário, monarca do menor país do mundo.

A presença do sucessor de Pedro é naturalmente impactante. Bento soube aproveitar a repercussão de suas palavras também para promover a paz entre as nações, como vimos em tantas locuções após a recitação mariana do Angelus ou em suas catequeses semanais.

Bento relacionou-se de maneira singular com o mundo, mas, também com as demais igrejas e comunidades eclesiais. Tão logo assumiu sua cátedra, o primeiro Papa alemão após o holocausto, fez questão de visitar a sinagoga de Roma. Tempos depois, ainda atravessou, solitário, o portão do campo de concentração de Auschwitz, na mesma atitude de silenciosa oração que repetiria também diante do muro das lamentações, em Jerusalém. Para Ratzinger os judeus “são nossos irmãos mais velhos na fé”. Ele empenhou esforços grandiosos para dar envergadura ao diálogo judaico-cristão.







Foi ele também o primeiro papa e ingressar na Abadia de Westminster, em 17 de dezembro de 2010, que desde a rompimento de Henrique VIII em 1534 passou a ser propriedade da Igreja da Inglaterra, os anglicanos. Lá o Papa discursou, durante um ato ecumênico, sobre a Trindade, a fé que nos une. Além disso, o primeiro papa alemão desde a Reforma, falou de forma cortês sobre Martim Lutero, em uma celebração ecumênica no ex-convento agostiniano onde o monge reformador celebrou sua primeira missa, sendo ouvido atentamente por seus conterrâneos, tanto católicos como luteranos.


Ratzinger foi corajoso também para ir à Turquia, mesmo envolto na polêmica com os mulçumanos. Sua viagem chegou a ser considerada de “alto risco”, mas, as relações são feitas e provadas a ferro e fogo. Em sua primeira viagem oficial a um país de maioria islâmica, o Papa tirou os sapatos para entrar na Mesquita Azul, onde rezou com os muçulmanos, virado para Meca. Também lá, em Istambul, estavam os apóstolos Pedro e André, em seus sucessores Bento XVI e Bartolomeu I, reunidos na fé e no amor. 




Bento XVI foi verdadeiramente um homem de relação. Soube relacionar-se com diplomacia, com brio e santidade. Relacionar-se com os mais fortes e com os mais fracos, com os mais ricos e com os mais pobres, com os crentes e com não crentes. Seu legado nos mostra da importância de darmos respostas seguras e um testemunho fiel de nossa fé e de nossa vida, conformada a Cruz de Cristo.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Bento, homem da Arte e da Cultura

Por Henrique Zimmer* 
Seminarista da Arquidiocese de Porto Alegre-RS 




Nascido entre aquele povo de onde saíram alguns dos mais célebres e aclamados compositores clássicos, como Bach, Mozart e Beethoven, o jovem Joseph Ratzinger logo cedo tomou gosto pela arte, e pela música de câmara – a música clássica, em especial. Crescendo em um lar muito cristão, onde a religiosidade era, obviamente, aliada a um grande apreço pela cultura, Joseph teve amplo espaço para desenvolver as suas habilidades artísticas. Além de tocar piano, interessou-se também, desde muito jovem, pela literatura e pelas línguas - Bento XVI domina uma dúzia de idiomas, entre os quais o grego antigo e o hebraico.

Sabe-se que dentre as coisas para as quais o nosso amado Papa Emérito tem procurado dar mais atenção desde sua renúncia, em 28 de fevereiro de 2013, está o antigo hábito de tocar suas peças prediletas ao piano. Temos acesso às declarações oficiais do Vaticano, ou de seu próprio secretário particular, Dom Georg Gaenswein, e a algumas imagens muito belas, que incluem o encontro com seu irmão, Monsenhor Georg Ratzinger, o antigo regente do coro da Catedral de Ratisbona, quando este celebrava seus 90 anos de vida ao lado de Bento XVI.



Tudo isso nos atesta o bem que essa nova rotina, baseada em música, leitura, estudo e oração, tem feito a Bento XVI. E ele compreende os benefícios e valores da cultura e da arte, não só para sua própria saúde física e espiritual, ou a de terceiros, mas procurou, também, promover a arte enquanto algo maior, que é para Deus. 

Bento XVI soube, como poucos, dar o devido valor ao belo. E aqui falamos não só em beleza estética, mas também no que toca aos valores históricos do que constitui a cultura da sociedade cristã, em especial no ocidente. Exemplo disso foi a criação da Pontifícia Academia Latinista, a fim de buscar uma verdadeira compreensão da importância da língua latina, seja quanto ao seu uso litúrgico, ou mesmo ao recordar-nos que é este o idioma que deu origem a tantos outros e que, em si, carrega a fonte de inúmeras obras literárias do mundo latino.


Há quem diga que todo esse apreço de Bento XVI pela beleza, em especial na liturgia, ao retomar alguns paramentos e dar destaque ao latim, ao Canto Gregoriano e à Polifonia Sacra, seria como que uma ruptura com aquilo que nos é ensinado pelo Concílio Vaticano II. Mas a verdade é que nenhuma postura poderia ser mais centrada na fidelidade ao Concílio, do que a postura tomada por Joseph Ratzinger ao assumir a Cátedra de São Pedro. 

  

Já nos dizia o Papa Paulo VI em sua mensagem aos artistas, quando da conclusão do Concílio: “O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração”.

Falando a artistas, com os quais se reuniu em 2009 – 10 anos depois da carta que o Papa João Paulo II lhes havia dirigido, Bento XVI chamava-os a atentar justamente para essa percepção do belo à luz da fé, que fora defendida na visão conciliar. Dizia ele: “Não tenhais medo de relacionar-vos com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história, rumo à Beleza infinita!”




Enquanto homens e mulheres de nosso tempo, temos visões sobre o belo que podem variar. Aquilo que para um é a obra mais perfeita e digna, para outro pode não apresentar valor algum. Mas devemos nos valer, também, dessa herança que o Papa Emérito nos deixou. Como ele sabiamente nos ressaltou, devemos rumar à Suprema Beleza, à Beleza infinita, que é o nosso Deus!

  
Que saibamos, como Bento XVI, dar o devido valor e dedicar tudo aquilo de belo, em nós, na Igreja e no mundo, Àquele que tudo merece.


                                                    
Henrique Zimmer é seminarista da Arquidiocese de Porto Alegre, Músico e Compositor graduado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS).

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Bento, homem da Fé e da Razão

Por Pe. Anderson Alves*
Sacerdote do Clero da Diocese de Petrópolis-RJ





Um dos temas centrais da obra de J. Ratzinger é a relação entre fé, verdade e amor. Ele o tratou durante toda a sua vida, inclusive são os assuntos principais das suas Encíclicas. A recente Encíclica Lumen Fidei, escrita por Bento XVI e Francisco, trata fundamentalmente da fé que ilumina toda a existência humana, inclusive a inteligência e a vontade, ou seja, as capacidades humanas de conhecer a verdade e de amar o bem.

Um dos textos mais importantes do magistério de Bento XVI foi certamente o discurso dele na Universidade de Regensburg, na Alemanha em 2006, entitulado “fé, razão e Universidade”. Naquela ocasião encontramos uma ótima síntese do seu pensamento, que vale a pena lembrar aqui.


Bento XVI parte da afirmação de que, para o cristianismo, não agir segundo a razão é contrário à natureza de Deus. E nisso o cristianismo coincide com a filosofia grega e esse acordo não pode ser jamais anulado. Para o cristianismo, diferentemente da doutrina muçulmana, a vontade e o agir divinos estão vinculados com a sua razão. O Papa cita o pensador muçulmano Ibn Hazm que dizia que Deus, por ser absolutamente transcendente, não seria vinculado a nada, nem mesmo à sua palavra. Se ele quisesse, poderia inclusive mandar praticar a idolatrina.

Para o cristianismo bíblico, porém, Deus age sempre com o Lógos. De fato, o início do Evangelho de São João é uma modificação do primeiro versículo da Bíblia e afirma que “no princípio era o Lógos”. E “Lógos” significa razão e palavra, de modo que Deus age sempre com a sua razão e com sua palavra (o Filho). A razão divina é criadora e comunicável como razão. Para J. Ratzinger, essa é a palavra conclusiva sobre o conceito bíblico de Deus. No princípio era o Lógos divino e o Lógos era Deus. De modo que Deus é sempre racional e não pode jamais agir contra a sua natureza.

Essa compreensão bíblica nasce de um encontro providencial: o da Revelação bíblica com a filosofia grega. No Antigo Testamento, na passagem da sarça ardente, Deus tinha se revelado com o nome “Eu sou”, ou seja, o ser por excelência. Esse nome supera toda categoria e seria uma constestação dos mitos antigos sobre os deuses. O mesmo teria feito Sócrates na Grécia. O homem, então, rejeita os mitos e procura a Deus e a explicação de todas as coisas racionalmente. Aquele texto bíblico foi escrito na época em que Israel estava no exílio, ou seja, longe da sua terra e do seu culto. E para os povos antigos, os deuses eram locais, isto é, defendiam uma cidade ou um território. No exílio, Israel comprende que o seu Deus não é o deus de um lugar, mas o Deus Criador e trascendente é o Deus de pessoas: “Eu sou o Deus de Abraão, Isaque, Jacó”.

Com a rejeição do mítico e a afirmação da unicidade e racionalidade de Deus, nasce uma espécie de “iluminismo”. Na época da dominação grega sobre Israel (começando cerca do ano 300 a. C.), a fé bíblica assimilava o que havia de melhor no pensamento grego, como é expresso na literatura sapiencial tardia. Dá-se então o encontro entre a fé de Israel e o “iluminismo autêntico”: a razão filosófica. E a afirmação de que não agir com o Lógos é contrário à natureza de Deus é fruto da fusão da fé cristã e do pensamento grego, algo que não pode ser dissolvido, uma vez que ocorre já no final do Antigo Testamento e em todo o Novo Testamento, escrito em língua e segundo a mentalidade grega.

Na doutrina muçulmana e no final da Idade Média ocorre, porém, a convergência na afirmação de que a vontade de Deus pode ser independente da verdade e do bem. Isso é o chamado voluntarismo. A transcendência de Deus vem então excessivamente afirmada de modo que a natureza humana deixa de refletir a natureza de Deus. Nosso conhecimento da verdade e do bem não seria então um meio de se chegar ao conhecimento da natureza divina.


Contra isso, porém, a doutrina tradicional da Igreja afirma que nossa razão criada acede ao conhecimento da natureza racional de Deus. Ou seja, entre a criatura e Deus ocorre verdadeira analogia. Pela perfeição das criaturas pode-se conhecer a Deus. Ele não é um gênio maligno que se regozija em iludir a nossa razão e em dar-nos ordens arbitrárias. «O Deus verdadeiramente divino é aquele Deus que se mostrou como lógos e, como lógos, agiu e age cheio de amor em nosso favor». Como consequência, o culto cristão deve ser um culto com a razão “logike latreía” (Rm. 12, 1), ou seja, um culto realizado de acordo com o Verbo divino e com razão humana.

E o encontro da fé bíblica com a filosofia grega foi algo único na história da humanidade. A esse patrimônio comum uniu-se o de Roma (especialmente o Direito) e esses três elementos – fé bíblica, filosofia grega, e Direito Romano – iriam formar o mundo ocidental. Desse encontro nasce e se nutre a Europa.

Na modernidade, entretanto, pretende-se romper a dita síntese. Procura-se a partir de então “deselenizar” o cristianismo. Para os reformadores havia uma sistematização da fé excessivamente condicionada pela filosofia e por isso a fé não se apresentava mais na sua pureza bíblica, mas como parte de um sistema filosófico. O adágio sola scriptura representa o ideal de purificar a fé, ou seja, libertá-la do seu vínculo com o pensamento metafísico grego.

Esse programa foi seguido pelo filósofo alemão I. Kant, que procurou limitar o alcance da razão para dar espaço à fé. Com isso a teologia deixava de ser considerada uma ciência, visto que a autêntica ciência ocuparia apenas da matéria matematizada e organizada pelas categorias do pensamento. Assim a fé estaria livre de todo vínculo racional e a razão auto-reduz o limite do seu atuar. A fé estaria baseada não na razão pura e científica, mas apenas na ciência prática, sem nenhum acesso à realidade.

Assim se deu uma auto-limitação moderna da razão. A razão ocupa-se apenas duma síntese de platonismo (cartesianismo) e empirismo, ou seja, da estrutura matemática da matéria, que a faz manipulável, e a sua utilização em vistas de resultados técnicos. Desse modo, a razão não mais se preocuparia em âmbito científico de Deus, objeto que não pode ser medido quantitativamente, nem manipulado.

Com isso o próprio homem vem reduzido. Torna-se incapaz de responder às questões últimas da sua vida, às que ultrapassam o âmbito quantitativo: “de onde venho”, “para onde vou”, “quem é Deus” e “como devemos nos comportar”. Se por um lado, o homem torna-se a única medida de si mesmo, por outro, se faz incapaz de encontrar um sentido pra sua vida e regularizar a vida social.

A conclusão de Bento XVI é que se deve alargar o conceito moderno de razão e do seu uso. A fé e a razão devem voltar a estar unidas de uma forma nova. Isso significa que não se pode voltar a uma época pré-iluminista, rejeitando as justas convicções da Idade Moderna. Tudo o que é válido em cada época deve ser reconhecido e aceito. O cristianismo fez isso sempre e a fé cristã não é algo do passado, mas do presente e do futuro. A teologia, por sua vez, não é apenas uma disciplina história, objeto de uma espécie de arqueologia do saber, mas é a ciência da razão humana que investiga os conteúdos da fé. Assim ela deve ter lugar nas Universidades e colaborar para o diálogo entre as ciências e culturas.

                                                                                            
* Padre Anderson Machado Rodrigues Alves é sacerdote do clero da Diocese de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Doutorou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma. Atualmente é Vice-Reitor do Seminário Diocesano de Nossa Senhora do Amor Divino e Colaborador dos sites Presbíteros e Zenit

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Bento, homem da Comunicação Social


Há um ano estávamos todos atônitos com a surpreendente notícia da renúncia do Santo Padre Emérito Bento XVI. No intuito de prestar uma singela homenagem a esse grande homem, teólogo e pastor, pensamos em contemplar diversos aspectos de sua vida e de seu magistério, enfatizando elementos que por vezes se nos passam despercebidos. Desta maneira, contrariando o que muitos propagam injustamente a respeito de Bento XVI, desejamos neste artigo tratar da sua preciosa contribuição e da sua influência no que concerne aos meios de comunicação social.


Já o Beato João XXIII, quando convocara o Concílio Vaticano II (1962 – 1965), propusera um “aggiornamento”, isto é, uma atualização no modo de proceder da Igreja. Efetivamente, se podia perceber que a Igreja necessitava anunciar com maior propriedade a missão sublime e árdua deixada por Cristo: torná-lo conhecido, amado; batizar em seu nome (cf. Mt 28, 19). Isto significa que a missão de anunciar é mais que pura e simplesmente uma tarefa a ser cumprida. Faz parte da natureza da Igreja. Eis a verdade “tão antiga e tão nova” (cf. Sto. Agostinho in “Confissões”): “Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai” (cf. Fl 2, 11). 



Esse tesouro, entretanto, nós o carregamos em vasos de barro (cf. 2 Cor 4, 7). Ciente das limitações próprias deste “barro” que somos nós, a Igreja precisa periodicamente avaliar os métodos utilizados, com vistas a um sempre mais profundo e eficaz anúncio de Cristo.

Hoje dispomos de preciosas ferramentas para levar a cabo a evangelização. Temos os meios de comunicação social: o rádio, a televisão, a internet, etc.. Bento XVI deu-nos uma verdadeira lição de como utilizar tais meios sem, contudo, imiscuir-se de anunciar a verdade de Cristo na sua mais genuína expressão. Trata-se sem dúvida nenhuma de um homem que viveu com seriedade o seu lema: “Cooperatores Veritatis”. O conteúdo é o mesmo, é invariável, inviolável. Os métodos, porém, variam, adaptam-se às novas circunstâncias. 

Para exemplificar, basta trazer à memória a entrevista concedida por Bento XVI a Peter Seewald na Residência Apostólica de Castel Gandolfo. Foi o primeiro Papa a deixar-se entrevistar livremente, não fugindo às questões polêmicas e traçando um perfil para a Igreja no Novo Milênio, na superação dos desafios, na purificação das incoerências e no diálogo com o diferente. Dessa entrevista originou-se o livro “Luz do Mundo”, publicado em 2010. Além disso, Bento XVI foi o primeiro Papa a ter uma conta nas redes sociais, através da qual pôde levar ao conhecimento do público pequenos ensinamentos, inaugurando oficialmente uma nova forma de se fazer presente no cotidiano das pessoas.



É de particular beleza o diálogo que Bento XVI engendrou no dia 15 de Outubro de 2005, na Praça de São Pedro, com crianças que faziam sua Primeira Eucaristia. Soube ser simples e profundo, assemelhando-se a um avô com os seus netos. As crianças, curiosas, apresentavam suas questões, suas inquietudes e dúvidas, e Bento as respondia com delicadeza e compreensão.


Por fim, deixemos que ele próprio nos ajude a compreender a importância dos meios de Comunicação Social na perspectiva da fé mediante um trecho da Mensagem para o Dia da Comunicação Social de 2013: “Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial” (...) “A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo” (...) “A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social”.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Oito anos com Bento XVI

Fumaça branca na Capela Sistina: um dos mais breves conclaves da história da Igreja era finito. O sacro colégio cardinalício cumpriu a sua função mais ilustre: eleger o sucessor de São Pedro. 


No balcão da monumental basílica surge o Cardeal Protodiácono, o chileno Jorge Arturo Medina Estévez, a quem cabe anunciar o "Habemus Papam". Joseph Ratzinger, um alemão quase romano, era eleito para ser o Bispo de Roma e governar com solicitude pastoral a porção do Povo de Deus, grei confiada a ele pela própria ação do Espírito na Igreja de Cristo.

Era 19 de abril de 2005 quando vimos um senhor quase octogenário surgir timidamente e definir-se "simples e humilde trabalhador da Vinha do Senhor". Ele abençoou a todos e deu as costas ao mundo. Estava eleito o sucessor de Pedro, o sucessor do grande João Paulo II a quem vimos governar por mais 25 anos.


Oito anos mais tarde, nos arredores da mesma basílica, com o mesmo colégio cardinalício uma surpresa: Bento XVI, o pastor alemão, estava renunciando. O papa anunciou em 11 de fevereiro que deixaria a Cátedra de São Pedro em 28 de fevereiro, às 20 horas do horário de Roma.

Ratzinger abandonou o timão da barca de Pedro para terminar sua existência terrena no silêncio da oração. Desde então reside no Mosterio Mater Ecclesiae, onde permanece rezando pela Igreja e por seu sucessor, o Papa Francisco.

Querendo fazer jus ao seu breve, mas, profícuo Pontificado escrevemos oito matérias sobre diversos aspectos da vida e da ação pastoral que Bento teve ao longo dos seus quase oito anos de serviço à Igreja, como sucessor de São Pedro e Bispo de Roma.

Confira:

21 de fevereiro: Bento, homem da Comunicação Social;
22 de fevereiro: Bento, homem da Teologia;
23 de fevereiro: Bento, homem da Fé e da Razão;
24 de fevereiro: Bento, homem da Arte da Cultura;
25 de fevereiro: Bento, homem de Relação;
26 de fevereiro: Bento, homem da Caridade Pastoral; 
27 de fevereiro: Bento, homem da Liturgia;
28 de fevereiro: Bento, homem da Humildade e da Renúncia. 

Esperamos que nosso leitores possam fazer uma boa leitura e aprendam do pontificado deste grande homem, dom da providência para a Igreja no século XXI. 

sábado, 20 de abril de 2013

Seminário da Administração Apostólica


Atualmente é o único seminário na América Latina, em comunhão com o Papa que oferece uma formação espiritual e intelectual orientada para a forma extraordinária do Rito Romano. A formação do mesmo tem como meta fazer os seminaristas desenvolverem as virtudes cristãs, especialmente a caridade. A formação espiritual é centrada na "liturgia da Santa Igreja, sobretudo a Santa Missa, em torno da qual tudo se faz no Seminário". O Seminário também dá ênfase especialmente a devoção mariana, praticando os exercícios devocionais tradicionais, tais como o Rosário, e celebrando no "Ano da Espiritualidade", a Consagração dos seminaristas a Maria, segundo o método de São Luís de Montfort. O Seminário da Imaculada Conceição pertence a Administração Pessoal São João Maria Vianey, situada em Campos dos Goytacazes,Província eclesiástica de Niterói- Rio de Janeiro,têm por Administrador Apostólico o Sua Excedência Reverendíssima Dom Fernando Rifan e Reitor Pe. Gaspar Pelegrini.


Assistam o vídeo vocacional:


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Ordinariate Militaris Ad Brasilli



O Ordinariado Militar do Brasil é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, subordinada diretamente à Santa Sé, participa do Conselho Episcopal Regional Centro-Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A sé episcopal está na Catedral Militar Santa Maria dos Militares Rainha da Paz, na cidade de Brasília, no Distrito Federal.

 Catedral Militar Rainha da Paz - DF

O Ordinariado Militar do Brasil organiza e coordena os serviços de todas as capelanias militares católicas do Brasil.

Capelão

Capelão é um ministro religioso autorizado a prestar assistência religiosa e a realizar cultos religiosos em comunidades religiosas, conventos, colégios, universidades, hospitais, presídios, corporações militares e outras organizações. Ao longo da história, muitas cortes e famílias nobres tinham também o seu capelão.


Capelania militar

Também chamada de capelania castrense. O capelão militar é um ministro religioso encarregado de prestar assistência religiosa a alguma corporação militar (exército, marinha, aeronáutica, Polícias Militares e aos Corpos de Bombeiros Militares). Nas instituições militares existem as capelania católicas e evangélicas, as quais desenvolvem suas atividades buscando assisitir aos integrantes das Forças nas diversas situações da vida. O atendimento é estendido também aos familiares. A atividade de capelania é importante no meio militar, pois contribui na formação moral, ética e social dos integrantes das Unidades Militares em todo o Brasil. Para se tornar um Capelão Militar, o interessado deve ser Ministro Religioso - Padre, Pastor, etc., com experiência comprovada no Ministério Cristão, e ainda ser aprovado em concurso público de provas e títulos. Ao ser aprovado no concurso específico, o militar capelão é matriculado em curso militar de Estágio e Adaptação de Oficial Capelão.

Legislação brasileira

A Constituição Federal de 1988 prevê em seu art. 5º, inciso VII que «é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.» A lei 6.923, de 29/6/1981, alterada pela lei 7.672, de 23/9/1988, organizou o Serviço de Assistência Religiosa nas Forças Armadas. A partir desta legislação temos definido que: 1) «O Serviço de Assistência Religiosa tem por finalidade prestar assistência religiosa e espiritual aos militares, aos civis das organizações militares e às suas famílias, bem como atender a encargos relacionados com as atividades de educação moral realizadas nas Forças Armadas.» (Lei 6.923, art. 2º) 2) «O Serviço de Assistência Religiosa será constituído de Capelães Militares, selecionados entre sacerdotes, ministros religiosos ou pastores, pertencentes a qualquer religião que não atente contra a disciplina, a moral e as leis em vigor.» (Lei 6.923, art. 4º) 3) «Cada Ministério Militar atentará para que, no posto inicial de Capelão Militar, seja mantida a devida proporcionalidade entre os Capelães das diversas regiões e as religiões professadas na respectiva Força.» (Lei 6.923, art. 10)


Capelania Militar Católica

A Capelania Militar Católica no Brasil é garantida por força do acordo diplomático celebrado entre o Brasil e a Santa Sé, assinado no dia 23/10/1989. Por força deste acordo a Santa Sé criou no Brasil um Ordinariato Militar para assistência religiosa aos fiéis católicos, membros das Forças Armadas. Este Ordinariato Militar é canonicamente assimilado às dioceses, e é dirigido por um Ordinário Militar. Este prelado goza de todos os direitos e está sujeito a todos os deveres dos Bispos diocesanos. O Ordinário Militar deve ser brasileiro nato, tem a dignidade de Arcebispo e está vinculado administrativamente ao Estado-Maior das Forças Armadas, sendo nomeado pela Santa Sé, após consulta ao Governo brasileiro. O Estatuto do Ordinariato Militar foi homologado pelo decreto Cum Apostolicam Sedem, de 02/01/1990, da Congregação dos Bispos.

Normas católicas

A assistência religiosa aos militares católicos é prevista no Concílio Ecumênico Vaticano II no Decreto Christus Dominus, de 28 de outubro de 1965, que assim definiu: «A assistência espiritual aos militares exige cuidados especiais. Por isso, deve-se estabelecer um vigário castrense para toda a nação. Vigário e demais capelães cooperem com os bispos diocesanos na árdua tarefa a que se dedicam. Os bispos devem ceder ao vigário castrense um número suficiente de sacerdotes aptos ao exercício dessas funções e favorecer as iniciativas em favor do bem espiritual dos militares.» O Código de Direito Canônico em seu cânon 569 limitou-se a determinar que «os Capelães militares regem-se por leis especiais». Este assunto foi regulamentado pela Santa Sé através da Constituição Apostólica Spirituali Militum Curae, de 21 de abril de 1986. Nesta Constituição Apostólica foram estabelecidas «certas normas gerais, válidas para todos os Ordinariatos Militares - chamados até agora de Vicariatos Castrenses - que devem depois ser completadas, no quadro desta lei geral, com os estatutos instituídos pela Sé Apostólica para cada Ordinariato.»

Ordinariado Militar Católico do Brasil

No Brasil, o Ordinariado Militar do Brasil foi ereto canonicamente em 6 de novembro de 1950 como Vicariato Castrense do Brasil.

Ordinários militares do Brasil

Dom Osvino José Both: 2006 - Atual Arcebispo. (foto ao lado)
Dom Geraldo do Espírito Santo Ávila: 1990-2005
Dom José Newton de Almeida Baptista: 1963–1990
Dom Jaime de Barros Cardeal Câmara: 1950–1963












Dom José Francisco Falcão de Barros (Bispo Auxiliar): 2011 – Atual Bispo Auxiliar. (foto ao lado).
Dom Augustinho Petry (Bispo auxiliar) 2000-
Dom Alberto Trevisan (Bispo auxiliar) 1964–1966












Padroeira









A padroeira do Ordinariado Militar no Brasil é Santa Maria dos Militares Rainha da Paz.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Motu Proprio Normas nonnullas de Bento XVI



Motu Proprio Normas nonnullas

Carta Apostólica
em forma de Motu Proprio
sobre algumas mudanças nas normas sobre
a eleição do Romano Pontífice


Com a Carta Apostólica De aliquibus mutationibus in normis de electione Romani Pontificis, como Motu Proprio em Roma no dia 11 de Junho de 2007,  terceiro ano do meu Pontificado, estabeleci algumas normas que, revogando aquelas prescritas no número 75 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis promulgada no 22 de fevereiro de 1996 pelo meu predecessor, o Beato João Paulo II, re-estabeleceram a norma,  sancionada pela tradição, segundo a qual para a válida eleição do Romano Pontífice é sempre necessária a maioria dos dois terços dos votos dos Cardeais eleitores presentes.
Considerada a importância de garantir o melhor desempenho do que compete, embora com ênfase diferente, à eleição do Romano Pontífice, em particular uma mais certa interpretação e atuação de algumas disposições, estabeleço e prescrevo que algumas normas da Constituição apostólica Universi Dominici Gregis e tudo o que eu mesmo dispus na referida Carta apostólica sejam substituídas pelas normas a seguir:
n. 35. “Nenhum Cardeal eleitor poderá ser excluído da eleição seja ativa que passiva por nenhum motivo ou pretexto, permanecendo firme o prescrito no n. 40 e no n. 75 desta Constituição.”
n. 37. “Além do mais Ordeno que, a partir do momento em que a Sé Apostólica esteja legitimamente vacante, espere-se por quinze dias inteiros os ausentes antes de começar o Conclave; deixo, no entanto, ao Colégio dos Cardeais a faculdade de antecipar o começo do Conclave se consta a presença de todos os Cardeais eleitores, como também a faculdade de protelar, se existem motivos graves, o começo da eleição por alguns outros dias. Passados, porém, no máximo, vinte dias do começo da Sé Vacante, todos os Cardeais eleitores presentes devem proceder à eleição”.
n. 43. “A partir do momento em que se dispor o começo dos procedimentos da eleição, até o anúncio público da eleição do Sumo Pontífice ou, pelo menos, até quando assim o ordenar o novo Pontífice, os lacais da Domus Sanctae Marthae, como também, e sobretudo a Capela Sistina e os ambientes destinados para as celebrações litúrgicas, deverão permanecer fechados, sob a autoridade do Cardeal Camerlengo e com a colaboração externa do Vice Camerlengo e do Substituto da Secretaria de Estado, às pessoas não autorizadas, como estabelecido nos números seguintes.
Todo o território da Cidade do Vaticano e também a atividade ordinária dos Escritórios que têm sua sede dentro do âmbito deverão ser regulados, por certo período, a fim de garantir a privacidade e o livre desenvolvimento de todas as operações relacionadas com a eleição do Sumo Pontífice. Em particular, se deverá prover, também com a ajuda de Prelados Clérigos da Câmara, que os Cardeais eleitores não sejam abordados por ninguém no percurso da Domus Sanctae Marthae até o Palácio Apostólico Vaticano”.
n. 46, parágrafo 1. “Para atender as necessidades pessoais e de ofício relacionadas com a realização das eleições, deverão estar disponíveis e portanto convenientemente alojados em locais adequados, dentro dos limites referidos no n. 43 da presente Constituição, o Secretário do Colégio dos Cardeais, que atua como secretário da assembleia eleitoral; o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias com oito cerimoniários e duas Religiosas encarregadas da Sacristia Pontifícia; um eclesiástico escolhido pelo Cardeal Decano ou pelo Cardeal que lhe substitui, para que o ajude no próprio ofício.”
n. 47. “Todas as pessoas listadas no n. 46 e n. 55, § 2 º da presente Constituição Apostólica, que por qualquer motivo e em qualquer tempo tomassem conhecimento por meio de quem for de quanto direta ou indiretamente diz respeito aos atos próprios da eleição e, de modo especial, ao que se refere ao escrutínio na mesma eleição, estão obrigados a sigilo absoluto com qualquer pessoa fora do Colégio dos Cardeais eleitores: para isso, antes do começo dos procedimentos, deverão prestar juramento na modalidade e na fórmula indicadas no número seguinte.”
n. 48. “As pessoas referidas no n. 46 e no n. 55, parágrafo 2 º da presente Constituição, devidamente avisadas ​​sobre o significado e a extensão do juramento que farão, antes de começar os procedimentos da eleição, diante do Cardeal Camerlengo ou de outro Cardeal delegado pelo mesmo, na presença de dois Protonotários Apostólicos de Número Participantes, no devido tempo deverão pronunciar e assinar o juramento segundo a seguinte fórmula:
Eu, N. N. prometo e juro de observar o segredo absoluto com qualquer pessoa que não faça parte do Colégio dos Cardeais eleitores, e isso para sempre, a menos que não receba uma especial faculdade para isso data expressamente pelo novo Pontífice eleito ou pelos seus Sucessores, sobre tudo o relacionado direta ou indiretamente às votações e aos escrutínios para a eleição do Sumo Pontífice.
Prometo também e juro de abster-me de usar qualquer instrumento de gravação ou de audição ou de visão de tudo o que, no período da eleição, acontece no âmbito da Cidade do Vaticano, e especialmente de tudo o que direta ou indiretamente de qualquer forma tem relação com os procedimentos relacionados com a mesma eleição.
Declaro de fazer este juramento, consciente de que uma infração desse vai resultar para mim na pena canônica da excomunhão “latae sententiae” reservada à Sé Apostólica “.
Assim Deus me ajude e estes Santos Evangelhos, que toco com a minha mão. “
n. 49. “Celebradas de acordo com os ritos prescritos o funeral do Pontífice, preparado tudo o que é necessário para o desenrolar regular da eleição, no dia estabelecido, nos termos do n. 37 desta Constituição, para o início do Conclave todos os Cardeais  se reunirão na Basílica de São Pedro no Vaticano, ou em outro lugar segundo a oportunidade e as necessidade do tempo e do lugar, para participar de uma solene celebração eucarística com a Missa votiva pro eligendo Papa. (19) Isso deverá ser feito de preferência nas primeiras horas da manhã, para que à tarde possa acontecer o que está prescrito nos números seguintes da mesma Constituição”.
n. 50. “Da Capela Paulina do Palácio Apostólico, onde estarão recolhidos em hora conveniente da parte da tarde, os Cardeais eleitores com hábito coral irão em procissão solene, invocando com o canto do Veni Creator a assistência do Espírito Santo, à Capela Sistina do Palácio Apostólico, lugar e sede do processo eleitoral. Participarão da procissão o Vice Camerlengo, o Auditor Geral da Câmara Apostólica e dois membros de cada um dos Colégios dos Protonotários Apostólicos de Número Participantes, dos Prelados Auditores da Rota Romana e dos Prelados Cléricos da Sala”.
n. 51, parágrafo 2. “Portanto, será responsabilidade do Colégio dos Cardeais, trabalhando sob a autoridade e a responsabilidade do Camerlengo adjunto da Congregação particular da qual no n.7 da presente Constituição, que, dentro de tal Capela e dos locais adjacentes, tudo esteja previamente disposto, também com a ajuda de fora do Vice Camerlengo e do Substituto da Secretaria de Estado, de modo que a regular eleição e a confidencialidade da mesma sejam tuteladas.”
n. 55, parágrafo 3. “Se qualquer violação desta norma acontecesse, saibam os autores que sofrerão a pena de excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica”.
n. 62. “Abolidos os modos de eleição chamados per acclamationem seu inspirationem e per compromissum, a forma de eleição do Romano Pontífice será daqui pra frente unicamente per scrutinium.
Estabeleço, portanto, que, para a válida eleição do Romano Pontífice seja necessário ao menos dois terços dos sufrágios, computados com base aos eleitores presentes e votantes.”
n. 64. “O procedimento do escrutínio acontece em três fases, a primeira das quais, que pode ser chamada pré-escrutínio, compreende: 1) a preparação e a distribuição das cédulas pelos Cerimoniários – chamados na Sala junto com o Secretário do Colégio dos Cardeais e com o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias – que entregarão ao menos duas ou três a cada um dos Cardeais eleitores; 2) o sorteio, entre todos os Cardeais eleitores, de três Escrutinadores, três encarregados de recolher os votos dos doentes, denominados brevemente infirmarii, e de três Revisores; tal sorteio é feito publicamente a partir do último Cardeal Diácono, que extrai a seguir os nove nomes daqueles que deverão realizar tais tarefas;  3) se no sorteio dos Escrutinadores, dos Infirmarii e dos Revisores, saem os nomes dos Cardeais eleitores que, por doença ou outro motivo, estão impedidos de realizar tais tarefas,  sejam retirados no lugar deles os nomes de outros sem impedimentos. Os primeiros três sorteados serão os Escrutinadores, os segundos três Infirmarii, os outros três Revisores”.
n. 70, parágrafo 2. “Os escrutinadores somam todos os votos que cada um deu, e se ninguém alcançou ao menos os dois terços dos votos naquela votação, o Papa não foi eleito; se porém, um tiver obtido ao menos os dois terços, tem-se a eleição do Romano Pontífice canonicamente válida”.
n. 75. “Se as votações a que se referem os nn. 72, 73 e 74 da mencionada Constituição não tiverem êxito, seja dedicado um dia à oração, à reflexão e ao diálogo; nas seguintes votações, observada a ordem estabelecida no n.74 da mesma Constituição, terão voz passiva somente os dois nomes que no precedente escrutínio tinham obtido o maior número de votos,  nem se poderá renunciar da disposição que para a válida eleição, também nestes escrutínios, é pedida a maioria qualificada de ao menos dois terços de sufrágios dos Cardeais presentes e votantes. Nestas votações, os dois nomes que têm voz passiva não tem voz ativa”.
n. 87. “Acontecida canonicamente a eleição, o último dos Cardeais Diáconos chama na sala da eleição os Secretário do Colégio dos Cardeais, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e dois Cerimoniários; portanto, o Cardeal Decano, ou o primeiro dos Cardeais por ordem e antiguidade, em nome de todo o Colégio dos eleitores pede o consenso do eleito com as seguintes palavras: Aceitas as tua eleição canônica como Sumo Pontífice? E apenas recebido o consenso, pede-lhe: Como queres ser chamado? Então o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, com função de notário e tendo dois Cerimoniários por testemunhas, redige um documento sobre a aceitação do novo Pontífice e o nome escolhido por ele”.
Este documento entrará em vigor imediatamente após a sua publicação no L’Osservatore Romano.
Decido isto e estabeleço, não obstante qualquer disposição em contrário.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 22 de fevereiro, no ano de 2013, o oitavo do meu Pontificado.

Benedictus PP XVI

Texto em italiano divulgado pela Santa Sé. Tradução de Zenit.