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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Ateísmo é uma escolha racional?


Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. 
Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.
Fonte: http://www.zenit.org/article-32162?l=portuguese
A pergunta que colocamos aqui deve ser bem entendida: não perguntamos se os ateus são racionais, coisa que seria absurda; nem mesmo perguntamos se os ateus são inferiores aos teístas, ou se a crença em Deus “não necessariamente torna uma pessoa melhor”, como apareceu numa recente pesquisa no Brasil[1]. O que questionamos agora é se o ateísmo, enquanto sistema de pensamento seja coerente. Mais precisamente, nos perguntamos se é sensato afirmar a não existência de Deus e contemporaneamente o relativismo. Poderia ser verdade que não haja nenhuma verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que Deus não existe?


Talvez haja quem pense que a questão aqui proposta seja absurda. E pode vir à mente do leitor a recordação do jovem Ivan, personagem de Irmãos Karamázov, que defendia que se Deus e as religiões não existissem, tudo passaria a estar permitido. Aquele personagem manifestava assim o desejo de uma liberação: ao livrar-se da crença em Deus, o homem ficaria livre de todo dogmatismo, tanto teórico, quanto moral. A negação de Deus traria o fim da “lei natural” e do dever de amar o mundo e ao próximo. A mesma liberação quis experimentar F. Nietzsche ao declarar a morte de Deus, ou melhor, ao dizer que os homens o haviam assassinado. De modo que para eles a negação ou “morte” de Deus não estaria fundamentada no relativismo, mas seria a origem mesma do relativismo. A afirmação da não existência de Deus seria uma escolha, algo indiscutível e impossível de ser demonstrado a partir de verdades anteriores. E aceitá-lo seria assumir a crença num novo dogma que faria desmoronar todos os demais dogmas. O ateísmo fundaria assim o relativismo na moral e no conhecimento humano. 
Embora isso seja claro, é comum pensar que o relativismo funde o ateísmo; que as pessoas que não aceitam Deus, fazem-no porque não querem aceitar a existência da verdade, à qual deveriam se submeter. Isso é um absurdo. O ateísmo parte de uma afirmação que tem valor de verdade absoluta: Deus não existe. Se essa afirmação não fosse tomada pelos ateus como verdade, eles simplesmente deixariam de ser ateus. O relativismo para eles se dá somente nas “verdades” inferiores e todos deveriam se submeter ao imperativo único da nova moral: é proibido estabelecer regras morais.
O interessante é que F. Nietzsche e outros conhecidos filósofos ateus reconheceram que afirmar o relativismo cognoscitivo e o ateísmo é em si mesmo contraditório. O motivo seria que o relativismo implica a afirmação da não existência de verdades absolutas; mas isso se funda, por sua vez, numa verdade absoluta: a não existência de Deus.
Sendo assim, a afirmação da não existência de Deus implica a afirmação da sua existência. Outros pensadores ateus que perceberam bem as contradições do ateísmo contemporâneo foram M. Horkheimer e Th. Adorno. De fato, eles diziam numa obra conjunta, A Dialética do Iluminismo, citando a Nietzsche: «Percebemos “que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”. Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo»[2].
Esses autores, ateus e relativistas, que se reconhecem como “não conhecedores e antimetafísicos” alimentam a verdade de sua fé ateia naquela cristã, já presente em Platão: a fé na existência da verdade divina. De modo que só pode afirmar a não existência de Deus, quem aceita que há uma verdade absoluta, divina. Em outras palavras, só pode negar a Deus quem previamente o afirma. Por isso, o ateísmo, ao negar a Deus e a verdade das coisas (que é sempre relativa ao sujeito que a conhece e é progressiva), reinvindica para si mesmo o caráter absoluto, próprio do mesmo Deus[3], estabelecendo assim um novo dogmatismo. Portanto, o ateísmo não existe; nada mais é do que uma espécie de idolatria que consiste no colocar-se a si mesmo e as próprias convicções pessoais, por mais contraditórias que possam ser, no lugar de Deus, o único que garante toda a verdade. 

[1] Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1206138-tendencia-conservadora-e-forte-no-pais-diz-datafolha.shtml[2] Cfr. F. NIETZSCHE, La gaia scienza, Mondadori, Milano 1971, p. 197; M. HORKHEIMER e Th.ADORNO, Dialettica dell’illuminismo, Einaudi, Torino 1966, p. 125.[3] Para a elaboração do presente texto me foram úteis as reflexões presentes em: U. GALEAZZI, Il coraggio della ragione. Tommaso d’Aquino e l’odierno dibatitto filosofico, Armando, Roma 2012, pp. 22-38.

Novo Candelabro para o Círio Pascal


Conforme anunciado por Monsenhor Guido Marini, Mestre das cerimônias litúrgicas do Sumo Pontífice o Santo Padre inaugurou um novo candelabro para o Círio Pascal na Capela Sistina.


Ao celebrar a Festa do Batismo do Senhor no último domingo, 13 de janeiro, na mais famosa capela do mundo o Papa inaugurando o novo. No ano passado pela primeira vez se fez uso de uma nova pia batismal e agora do castiçal que o acompanha. Ele foi produzido pelo Arquiteto Alberto Cicerone di Avezzano, com a consultoria teológica do Pe. Salvatore Vitiello, de Turim.



A obra é inspirada pelo texto sagrado de Apocalipse 22,2: "No meio da praça da cidade há uma árvore da vida", que é o próprio Cristo. O trabalho em prata e ouro se encaixa bem no esplendor da capela mais famosa do mundo, refletindo beleza e luz em uma solução artística sábia e humilde.

A peça e metal possuí uma composição floral de prata, da qual se Ergue uma Coluna de Fogo harmonizada com a vela, transformando o candelabro e o círio em um "Corpo único".


A pia inaugurada em 2012...
Substituindo esta!









sábado, 12 de janeiro de 2013

Santa Isabel do Brasil?




Não é de hoje que a Igreja Católica reconhece a santidade de alguns monarcas. Ao longo destes séculos de história muitos foram os membros da realeza elevados à glória dos altares. Recentemente iniciou-se em nosso país uma grande campanha para canonizar Dona Isabel do Brasil, a redentora. Os esforços para dar abertura a este processo canônico de beatificação vêm sendo alvo de diversas críticas.

Os que me conhecem sabem que não sou monarquista e muito menos republicano. Sou um homem “conformado” com o sistema político vigente. Por isso, as linhas aqui expressas não correm o risco de pender para um dos lados, que historicamente disputam lugar na sociedade. 


Isabel Cristina, filha de Dom Pedro II, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1846 e faleceu após o exílio, na França em 1921. Durante a vida foi casada com o Conde D’Eu, descente do Santo rei Luís IX da França.

Beatificar a monarca brasileira parece ter surgido como expressão do movimento monarquista. Alega-se que a princesa viveu santamente, como modelo de mãe, de esposa, de governante, mas, sobretudo de mulher cristã. 

As vozes brasileiras que se levantam contrárias a este nobre gesto -acolhido pelo colendo Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta- alegam, entre outros motivos, que a princesa não obteve papel fundamental no processo da abolição do sistema escravocrata no Brasil. 

Todavia, a princesa carioca que tem cara do sul e do norte, não será beatificada única e exclusivamente pelos seus feitos ou não feitos frente à Abolição. Um homem ou mulher não são elevados aos altares e postos como modelo de heroicidade para todo orbe cristão por um fato isolado, mas, pela sua envergadura moral e apostólica durante toda a vida. Ou então, por parte dela, fruto de uma sincera e profunda conversão.


Se Isabel, redentora ou não, vier a ser beatificada e posteriormente canonizada será por ter sido uma mulher exemplar, que buscou santificar-se em seu estado, na vida cotidiana do palácio e dos afazeres reais. Como mulher, como esposa, como mãe e governante. Será modelo para os brasileiros e homens de boa vontade, quiçá seja colocada entre a glória dos santos e venha a olhar por nós. Se assim for, chegará o dia em que Monarquistas e Republicanos ganham! Todos juntos ganhamos uma brasileira no céu, uma intercessora junto a Deus por nós!




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Carta às mães dos sacerdotes e seminaristas!


O senhor Cardeal Mauro Piacenza, Prefeito da Congregação para o Clero, divulgou uma carta direcionada "às mães dos sacerdotes e dos seminaristas e a todas aquelas que exercem o dom da maternidade espiritual por eles". 
Publicada por ocasião da Solenidade da Madre de Deus, no último 1° de janeiro.


Causa nostrae Letitiae – Causa da nossa alegria”!

O Povo cristão sempre venerou, com profunda gratidão, a Bem-Aventurada Virgem Maria, contemplando nela a causa de toda nossa verdadeira alegria.
Na verdade, aceitando a Palavra Eterna no seu ventre imaculado, Maria Santíssima deu à luz o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo, único Salvador do mundo. Nele, Deus mesmo veio ao encontro do homem, tirou-o do pecado e lhe deu a vida eterna, ou seja a sua mesma vida.
De forma semelhante toda a Igreja olha, com admiração e profunda gratidão, todas as mães dos sacerdotes e daqueles que, tendo recebido essa vocação altíssima, iniciaram o caminho de formação, e é com profunda alegria que me dirijo a eles.
Os filhos, que acolheram e educaram, de fato, foram escolhidos por Cristo desde toda a eternidade, para se tornar seus “amigos prediletos” e, assim, vivo e indispensável instrumento da Sua Presença no mundo. Por meio do Sacramento da Ordem a vida dos sacerdotes é definitivamente tomada por Jesus e imersa Nele, de tal forma que, é Jesus mesmo que passa e obra entre os homens.

Este mistério é tão grande, que o sacerdote é chamado também de “alter Christus” – “um outro Cristo”. A sua pobre humanidade, de fato, elevada, pela potência do Espírito Santo, a uma nova e mais alta união com a Pessoa de Jesus, é agora lugar de encontro com o Filho de Deus, encarnado, morto e ressuscitado por nós. Quando cada sacerdote ensina a fé da Igreja, de fato, é Cristo que, nele, fala ao Povo; quando prudentemente, guia os fieis confiados ele, é Cristo que apascenta as próprias ovelhas; quando celebra os Sacramentos, de modo eminente a Santíssima Eucaristia, é Cristo mesmo, que, por meio dos seus ministros, obra a Salvação do homem e se faz realmente presente no mundo.
A vocação sacerdotal, normalmente, tem na família, no amor dos pais e na primeira educação à fé, aquele terreno fértil no qual a disponibilidade à vontade de Deus pode enraizar-se e tirar o indispensável alimento. Ao mesmo tempo, cada vocação representa, também pela mesma família na qual surge, uma novidade irredutível, que foge dos parâmetros humanos e chama a todos, sempre, para a conversão.
Nesta novidade, que Cristo obra na vida daqueles que escolheu e chamou, todos os familiares – e as pessoas mais próximas – estão envolvidas, mas é certamente única e especial a participação que é dada de viver à mãe do sacerdote. Únicas e especiais são, de fato, os consolos espirituais, que deriva disso de ter levado no ventre aquele que se tornou ministro de Cristo. Toda mãe, de fato, só pode alegrar-se ao ver a vida do próprio filho, não somente repleta, mas cheia de uma especialíssima predileção divina que abraça e transforma pela eternidade.
Se, aparentemente, em virtude da vocação e da ordenação, se produz uma “distância” inesperada, com relação à vida do filho, misteriosamente mais radical de toda outra separação natural, na realidade a experiência de dois mil anos da Igreja ensina que a mãe “recebe” o filho sacerdote de um modo totalmente novo e inesperado, tanto que foi chamada a reconhecer no fruto do próprio ventre, por vontade de Deus, um “pai” chamado a gerar e acompanhar para a vida eterna uma multidão de irmãos. Cada mãe de um sacerdote é misteriosamente “filha do seu filho”. Poderá exercer com ele uma nova “maternidade”, na discreta, mas eficaz e inestimávelmente preciosa, aproximação da oração e da oferta da própria existência pelo ministério do filho.
Esta nova “paternidade”, à qual o Seminarista se prepara, que é dada ao Sacerdote e da qual todo o Povo Santo de Deus se beneficia, tem necessidade de ser acompanhada pela oração assídua e pelo sacrifício pessoal, para que a liberdade de aderir-se à vontade divina seja continuamente renovada e fortificada, de tal forma que os Sacerdotes não se cansem jamais, na cotidiana batalha da fé e unam, sempre mais totalmente, a própria vida ao Sacrifício de Cristo Senhor.
Tal obra de autêntico apoio, sempre necessária na vida da Igreja, é muito urgente hoje, sobretudo no nosso ocidente secularizado, que espera e pede um novo e radical anúncio de Cristo, e as mães dos sacerdotes e dos seminaristas representam um verdadeiro “exército” que, da terra, eleva ao Céu orações e ofertas e, ainda mais numeroso, do Céu intercede para que toda graça seja derramada na vida dos sagrados pastores.
Por esta razão, desejo com todo o coração encorajar e agradecer especialmente todas as mães dos sacerdotes e dos seminaristas e – juntamente com elas – a todas as mulheres, consagradas e leigas, que acolheram, também por convite que elas receberam no Ano Sacerdotal, o dom da Maternidade espiritual dos chamados ao ministério sacerdotal, oferecendo a própria vida, oração e os próprios sofrimentos e lutas, como puras e verdadeiras alegrias, pela fidelidade e santificação dos ministros de Deus, tornando-se assim partícipes, de modo especial, da maternidade da Santa Igreja, que tem o seu modelo e a sua realização na divina maternidade de Maria Santíssima.
Um agradecimento especial, finalmente, seja elevado aos céus, àquelas mães, que, já chamadas desta vida, contemplam agora plenamente o esplendor do Sacerdócio de Cristo, do qual os seus filhos se tornaram partícipes, e intercedem por eles, de modo único e, misteriosamente, muito mais eficaz.
Juntamente com os melhores votos de um novo ano de graça, de coração concedo a todos e a cada um a mais carinhosa bênção, implorando por vocês, da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e dos sacerdotes, o dom de uma sempre mais radical identificação com Ele, discípula perfeita e Filha do seu Filho.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Novo membro do Blog: Sem. Renato Rosa


“Domine ad quem ibimus verba vitæ æternæ habes” (Jo 6,59)


Como Administrador do Blog Dominus Vobiscum, eu Seminarista Ânderson Barcelos Martins, quero cumprimentar e apresentar nosso mais novo colaborador, que tendo atendido nosso pedido fará parte de nossa Equipe.

Seja Bem-Vindo, Caro Irmão!



Eu sou o Seminarista Renato Rosa, 27 anos, da Diocese de Frederico Westphalen, localizada na região do Médio Alto Uruguai, estado do Rio Grande do Sul. Curso o segundo (e último) ano de Filosofia, no Seminário Maria Mater Ecclesiæ do Brasil, situado na cidade de Itapecerica da Serra, na Região da Grande São Paulo.

Venho de uma família composta por quatro filhos; tenho três irmãs. Fui batizado, mas não incentivado a fazer catequese e dar continuidade aos Ritos de Iniciação Cristã. Somado a outros fatores, fui levado, no início da minha adolescência, a procurar em seitas protestantes aquilo que me faltou no período da infância. Oito anos depois, e com muita carga de heresia protestante, comecei a sentir falta de uma espiritualidade e doutrina mais ligada a uma Tradição.

Desejoso de encontrar uma Igreja que me oferecesse algo mais que cem anos de existência, mas ainda pouco aberto a um possível retorno Igreja Católica, comecei a frequentar a Igreja Anglicana (High Church). Por indicação de uma prima, que nessa altura era também colega de faculdade (eu começava o segundo ano de fisioterapia), passei a frequentar, por algumas semanas, o culto anglicano, pela manhã de domingo, e a Missa Católica à noite.

Não demorou muito para perceber onde estava a verdadeira Religião, que na Santa Liturgia nos une ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Passei a estudar a doutrina da Igreja, e a cada nova descoberta na Fé, aderia discretamente à Igreja. A Sagrada Liturgia foi a porta de entrada para minha conversão ao Catolicismo, por isso, nutro por ela especial reverência. Certo de que ali estava a Igreja de Cristo, recebi pela primeira vez os Preciosíssimos Corpo e Sangue de Cristo, e, mais tarde, o Sacramento da Confirmação. Nesse mesmo ano, senti o chamado de Deus para servi-lo através do sacerdócio, buscando minha santificação como padre.

Com Mons. Fainello e Dom Antônio Carlos Rossi e Keller

Minha diocese de origem é Mogi das Cruzes, localizada na região do Alto Tietê, Grande São Paulo. Foi lá que comecei minha experiência vocacional como propedêuta e filósofo. Nesse meio tempo conheci o Seminário Maria Mater Ecclesiæ e externei meu desejo de concluir minha formação nessa instituição. Recebendo resposta negativa do então bispo de Mogi das Cruzes, deixei o seminário no segundo semestre de 2011. No ano seguinte, já aceito na Diocese de Frederico Westphalen, comecei meus estudos no referido seminário dirigido pelos Legionários de Cristo.

In Corde Iesu,


Seminarista Renato Rosa
Diocese de Frederico Westphalen - RS

O brasão arquiepiscopal de Dom Georg


Na manhã de hoje, Festa da Epifania do Senhor, em Roma foram sagrados 4 novos Bispos. Entre eles Monsenhor Georg Ganswein, secretário particular de Sua Santidade e Prefeito da Casa Pontifícia. Ganswein foi elevado a sede Arquiepiscopal de Urbisaglia. 

Brasão: 

Na borla esquerda: O Brasão de Bento XVI, do qual é secretário particular há anos.
Com a concha de São Tiago, o mouro de Freising e o urso de São Cobiniano, demonstra sua íntima união com a Sé de Pedro e particularmente do papa Bento.

Na borla direita: o dragão de São George, transpassado por uma lança vertical, acima uma estrela de prata de sente pontas, que pode estar representando a Virgem Santíssima.

Lema Episcopal: 

"Testimonium peribere veritate": Para dar testemunho da verdade.

Solenidade da Epifania e Sagração de novos bispos



Neste dia 06 de janeiro, quando celebramos a solenidade da Epifania do Senhor, temos em mente três figuras que a Tradição da Igreja venera com muita estima: Gaspar, Baltazar e Melchior. Tenho sempre em mente aquelas belíssimas toadas dos famosos “terno de reis”. Tão profundas melodias e rimadas letras que nada mais querem a não ser homenagear o Salvador que, feito homem, manifesta-se às nações “como luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação” (Prefácio da Epifania).
Enfim, dispensando os comentários teológicos e litúrgicos da Epifania e dos Magos em si, um evento (e porque não dizer memorável) marcou profundamente a vida da Igreja, da Cúria Romana e do nosso amado Vigário de Cristo e sucessor de São Pedro: a sagração episcopal de 4 novos bispos durante a Santa Missa da Epifania, na Basílica Vaticana, nesta manhã às 9 horas (horário local).

 

Os nomes daqueles ‘eleitos’ são: Mons. Angelo Vincenzo Zani, do clero de Brescia, 62 anos, nomeado Secretário da Congregação para a Educação Cristã; Mons. Fortunatus Nwachukwu, do clero de Aba (Nigéria), 51 anos, nomeado Núncio Apostólico na Nicarágua e Mons. Nicolas Henry Marie Denis Thevenin, francês, da Arquidiocese de Gênova.


Mas não são 4? São; e por isso que disse anteriormente que esta é uma celebração especial ao Santo Padre, pois o quarto antístite é justamente Mons. Georg Gänswein, seu secretário pessoal até então, do clero da diocese de Freiburg im Breisgau (Alemanha), 55 anos, nomeado Prefeito da Casa Pontifícia.


Tendo acompanhado a celebração, posso afirmar: foi uma Solene Celebração, digna realmente de um Pontifical. Mais uma vez enchemos os olhos e o espírito com o verdadeiro zelo litúrgico e eclesial.


O Santo Padre adentrou a Basílica Vaticana triunfalmente, paramentado dignamente, destacando uma belíssima casula romana, já usada por ele em poucas vezes anteriores, e seu (já costumeiro) fanon. 


Se tratando do Doce Cristo na terra, não cansamos de rezar: Ad multos annos, Sancte Pater. Tal modelo de casula (romana) também foi usada pelos que seriam sagrados e pelos co-sagrantes.


Outro detalhe que me chamou a atenção (também já feito pelo Papa) foi o modo de incensar o altar. Sabemos que o Papa não goza de tanta saúde e disposição como antes, e que qualquer esforço maior é motivo de fadiga para um idoso com tantas responsabilidades como Sua Santidade. Porém esse é um motivo que não foi o primeiro a me vir à mente. Claro que, aos apreciadores do zelo e da arte litúrgica, parece-nos bem oportuno que o modo de incensar do Santo Padre no início desta celebração resgata o modo e costume de incensar do antigo (embora eu não concorde com este termo) e extraordinário rito. E ainda alguns ousam dizer que os dois modos de celebrar (o mesmo rito) se contrapõem? Enfim!
O magnífico Coral da Sistina nesta manhã também surpreendeu ao cantar associado ao Coro Palestrina da Pró-Catedral de Dublin.
Em certa altura da Missa, fiquei encabulado com os pés dos que estavam sendo ordenados. E sim! Mesmo não querendo acreditar constatei: eles estavam usando meias viloáceas, conforme prescrito. Quanto tempo não as via nas celebrações pontificais!


Dentre tantos momentos, um em especial me chamou a atenção: propriamente quando Sua Santidade entrega o báculo à Mons. Gänswein, fixa em seus olhos e com “voz grave e solene” pronuncia regere Ecclesiam Dei, da oração “Recebe o báculo, símbolo do múnus de pastor, e cuida de todo o rebanho no qual o Espírito Santo te constituiu como Bispo, para regeres a Igreja de Deus”. Quem tiver oportunidade pode assistir ao vídeo da celebração e sentir a emoção deste momento.








São tantas outras as ponderações e observações que tinha a fazer, mas vejo que as já feitas são suficientes por agora. Creio que voltar-se para a homilia do Papa é opinião mais segura e salutar, até mesmo porque é ensinamento firme e seguro. Quero me ater a alguns trechos de sua homilia (não surpreendido por ser bela e profunda). Não coloco comentários meus para não tirar o brilho de tão grandes ensinamentos. Reitero que não transcrevo-a inteira, porém algumas partes que (indignamente) julguei oportuno:

Para a Igreja crente e orante, os Magos do Oriente, que, guiados pela estrela, encontraram o caminho para o presépio de Belém, são apenas o princípio duma grande procissão que permeia a história.

Seguindo uma tradição iniciada pelo Beato Papa João Paulo II, celebramos a festa da Epifania também como dia da Ordenação episcopal de quatro sacerdotes que daqui em diante irão colaborar, em diferentes funções, com o Ministério do Papa em prol da unidade da única Igreja de Jesus Cristo na pluralidade das Igrejas particulares. A conexão entre esta Ordenação episcopal e o tema da peregrinação dos povos para Jesus Cristo é evidente. O Bispo tem a missão não apenas de se incorporar nesta peregrinação juntamente com os demais, mas de ir à frente e indicar a estrada.

Os homens que então partiram rumo ao desconhecido eram, em definitiva, pessoas de coração inquieto; homens inquietos movidos pela busca de Deus e da salvação do mundo; homens à espera, que não se contentavam com seus rendimentos assegurados e com uma posição social provavelmente considerável, mas andavam à procura da realidade maior. Talvez fossem homens eruditos, que tinham grande conhecimento dos astros e, provavelmente, dispunham também duma formação filosófica; mas não era apenas saber muitas coisas que queriam; queriam sobretudo saber o essencial, queriam saber como se consegue ser pessoa humana.

Um Bispo deve ser um homem que tem a peito os outros homens, que se deixa tocar pelas vicissitudes humanas. Deve ser um homem para os outros; mas só poderá sê-lo realmente, se for um homem conquistado por Deus: se, para ele, a inquietação por Deus se tornou uma inquietação pela sua criatura, o homem. Como os Magos do Oriente, também um Bispo não deve ser alguém que se limita a exercer o seu ofício, sem se importar com mais nada; mas deve deixar-se absorver pela inquietação de Deus com os homens. Deve, por assim dizer, pensar e sentir em sintonia com Deus.

A peregrinação interior da fé para Deus realiza-se sobretudo na oração. Santo Agostinho disse certa vez que a oração, em última análise, nada mais seria do que a atualização e a radicalização do nosso desejo de Deus.

O Bispo, como peregrino de Deus, deve ser sobretudo um homem que reza, deve viver em permanente contato interior com Deus; a sua alma deve estar aberta de par em par a Deus. As dificuldades suas e dos outros bem como as suas alegrias e as dos demais deve levá-las a Deus e assim, a seu modo, estabelecer o contato entre Deus e o mundo na comunhão com Cristo, para que a luz de Cristo brilhe no mundo.

Os Magos seguiram a estrela e assim chegaram a Jesus, à grande Luz que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Como peregrinos da fé, os Magos tornaram-se eles mesmos estrelas que brilham no céu da história e nos indicam a estrada. Os santos são as verdadeiras constelações de Deus, que iluminam as noites deste mundo e nos guiam. [...] Queridos amigos, isto diz respeito também a nós. Isto diz respeito sobretudo a vós que ides agora ser ordenados Bispos da Igreja de Jesus Cristo. Se viverdes com Cristo, ligados a Ele novamente no Sacramento, então também vós vos tornareis sábios; então tornar-vos-ei astros que vão à frente dos homens e indicam-lhes o caminho certo da vida.

Rezamos a Maria, que mostrou aos Magos o novo Rei do mundo, para que, como Mãe amorosa, mostre Jesus Cristo também a vós e vos ajude a serem indicadores da estrada que leva a Ele.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Missa não é Opereta!

Há alguns meses o famoso Pe. Zezinho, SCJ escreveu um artigo -muito lúcido- sobre o Santo Sacrifício da Santa Missa. Vale a pena conferir: 


"Opera é um teatro todo cantado. Opereta, um teatro declamado, falado e cantado. Pode haver danças no meio. É mais ou menos isso! Os detalhes eu deixo para os especialistas em artes cênicas. Missa é culto católico, com séculos de história, que não depende de lugar para acontecer, mas, em geral, acontece num templo. Não é nem nunca foi ópera ou opereta. Quem dela participa não é ator e nem o presidente da assembléia nem os cantores podem ser sua principal atração.

Mas são! E o são por conta de um fato: a maioria não estudou ou não respeita as orientações dos especialistas de uma ciência chamada “liturgia”. Liturgia deve ser o que impede que o altar vire palco, e o lado direito ou esquerdo dele vire coxia! Regula o culto de maneira que transpareça a catequese e a teologia daquele momento. Na hora em que o presidente daquele culto, ofuscado pelas luzes e pela fama local ou nacional, e algum cantor ou cantora deslumbrado com a sua chance de mostrar seu talento roubam a cena, temos mais uma exibição de opereta, num templo católico. Gestos, corridinhas, roupas lindas, música que estoura os ouvidos, o padre onipresente, inserções aqui e ali no script do que tratam como peça de arte, vinte músicas para uma missa, as canções duram 50 minutos e as palavras da missa 12 ou 15, o sermão do padre 25… E o povo que não pagou para assistir, é convidado a deixar sua contribuição no ofertório. Na semana que vem haverá outra exibição… Isto, nos cultos em que o altar vira palco e o celebrante que poderia, sim, ser alegre, comunicativo, acolhedor, resolve se o ator principal com alguns coadjuvantes chamados banda católica.
Nos outros cultos chamados de eucaristia e tratados como eucaristia a coisa é bem outra! Tem decoro, tem lógica, obedece-se ao conteúdo e aos textos daquele dia, as canções são verdadeiramente litúrgicas, os leitores sabem ler e não engasgam, os microfones não estouram, ninguém toca nem fala para ensurdecer, músicos não entram em competição, nenhum solista canta demais, cantores apenas lideram o povo, ninguém fica dedilhando cançõezinhas durante a consagração, como fundo para Jesus que faz o seu debut, as canções são ensaiadas e escolhidas de acordo com o tema da missa daquele dia, não se canta na hora da saudação de paz porque ninguém diz bom dia, ou como vai cantando… Tais coisas só acontecem nas operetas…
Nas missas sérias e com unção ninguém fica passando à frente ou atrás do altar, ministro não fica mexendo no altar enquanto o padre prega, padre não exagera nas vestes, não berra, não grita, não dá show de presença, tudo é feito com muita seriedade e decoro. O padre até se destaca pela seriedade. Celebra-se, dentro das nuances permitidas, o mesmo ato teológico com implicações sociais que se celebra no mundo inteiro. Todos aparecem e ninguém se destaca.
Mas receio ser inútil escrever sobre estas coisas, porque pouquíssimas bandas e pouquíssimos sacerdotes admitem que isso acontece com eles… E ai de quem disser que acontece! Mandam consultar o ibope sobre as novas missas transformadas em operetas, nas quais se privilegia mais canção do que os textos do dia. Perguntem se, depois daquele “somzão” e daquelas inserções com exorcismo, oração em línguas e outros adendos não aumentou a freqüência aos templos! É! Pois é!"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Curso para Bispos de 1990

Há quase 23 anos o então Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Eugênio de Araújo, Cardeal Sales criava o curso para Bispos que até hoje é mantido e promovido pela arquidiocese carioca.

Em 1990 o curso se realizou como de costume nos Centro de Estudos do Sumaré e teve como um dos principais conferencias o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Ioseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI. Encontramos alguns registros fotográficos da ocasião que nos revelam a cordialidade do evento, bem como a presença de ilustre nomes de nosso episcopado nacional.

Cardeais Ratzinger e Sales

01 - Cardeal Ioseph Ratzinger (1927) então Prefeito para a Doutrina da Fé
02 - Cardeal Eugênio de Araújo Sales (1920-2012) Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro 
03 - Cardeal José Freire Falcão (1925) Arcebispo Emérito de Brasília
04 - Cardeal Lucas Moreira Neves (1925-2002) Arcebispo de Salvador da Bahia e Primaz do Brasil
05 - Dom João Cláudio Colling (1913-1992) Arcebispo de Porto Alegre
06 - Dom Karl Josef Romer (1932) Bispo Auxiliar Emérito do Rio de Janeiro
07 - Dom Augusto Carvalho (1917-1997) Bispo de Caruaru

Ao lado de Dom Romer (com o microfone) Dom Manuel Pestana Filho (1928-2011)



Ao fundo, atrás do Cardeal Lucas Moreira Neves se pode ver o Arcebispo de Mariana/ MG
Dom Luciano Mendes de Almeida (1930- 2006) 




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Como vemos nossos filhos?










Por Padre Anderson Alves
Membro do Clero da diocese de Petrópolis/RJ 
Doutorando em Filosofia na Pontifícia Università della Santa Croce, em Roma. 

Percebe-se atualmente uma crise educativa cada vez mais intensa. De modo geral, constata-se que o nível médio de educação diminui drasticamente e que o processo formativo dos jovens enfrenta grandes dificuldades. As crianças e os adolescentes aprendem cada vez menos; a autoridade dos professores tende a desaparecer e os jovens, em meio a uma aparente energia, sentem-se sós e desorientados. E isso numa época de incrível desenvolvimento da Pedagogia. Nunca houve tantas pessoas que estudam essa ciência e nunca tivemos tantas teorias pedagógicas como agora. No Brasil a crise educativa é cada vez mais preocupante, embora tenha eminentes pedagogos. Um recente estudo comparou a educação em 40 países e mostrou que o Brasil (6ª Economia do mundo) ficou em 39º lugar na educação, atrás de países como Singapura (5º), Romênia (32º), Turquia (34º) e Argentina (35º). Certamente uma das causas da atual crise educativa no Brasil não é a falta de recursos, mas algo mais profundo: não sabemos mais como ver e tratar os nossos filhos.
Até a metade do século passado, tinhamos uma ideia bem clara sobre o que eram os nossos filhos: acima de tudo, eram considerados um dom de Deus, um presente que nos tinha sido dado para ser tratado com atenção, carinho e muita resposabilidade. Os filhos eram visto como um dom divino e a paternidade era considerada uma participação especial no poder criador de Deus. De modo que os filhos eram tratados com respeito e a vida era acolhida com alegria e generosidade.
Isso se deve ao fato de que nosso modo de viver até então era marcado pelos ensinamentos da cultura judaico-cristã. Seguia-se o exemplo de figuras como a de Ana (Cfr. 1 Sam. 1), uma mulher estéril que todos os anos ia a um Templo de Israel prestar culto a Deus, e que, certa vez teve a ousadia de pedir-lhe um filho. Depois que Deus escutara suas ferventes orações, ela retornou ao Templo para agradecer o dom recebido e para consagrar a vida daquele novo ser a Deus. Ana era plenamente consciente de que a vida humana procede e retorna a Deus, para quem nada é impossível.
A partir da “revolução” de 1968 uma nova cultura surgiu, na qual a visão bíblica foi abandonada. S. Freud, na sua época, sonhava o dia em que fosse separada a geração dos filhos da estrutura familiar, algo que a partir de 68 vem se tornando frequente. Desde então, procura-se incutir nos jovens a idéia de que os filhos são um obstáculo, algo que tolhe a liberdade, a autonomia e que impede a realização pessoal. Os filhos passam a ser considerados como uma ameaça e a gravidez como uma espécie de doença, que deve ser evitada a todo custo. E às pessoas que não são tão jovens, transmete-se a ideia de que os filhos são um “direito”. Desse modo, os filhos passam a ser considerados ou como uma “ameaça” ou como um “direito”, não mais como um dom. Daí surgem problemas sérios. Na Inglaterra, por exemplo, esse ano um dos pedidos mais feitos ao “Papai Noel” pelas crianças foi um pai; outro pedido comum foi, simplesmente, ter um irmão. O risco atual é que os adultos passem a considerar os próprios filhos como uma espécie de “mercadoria”, um sonho de consumo, que deve ser realizado num momento perfeitamente determinado. Os filhos são cada vez mais frutos de cálculos e não tanto do amor. E isso deixa feridas graves nas crianças.
Deixar de considerar os filhos como um dom divino e tê-los simplesmente como o resultado de uma técnica é um passo importante para a desconfiguração das famílias e para arruinar a educação. De fato, ocorre com frequência que os pais, paradoxalmente, procuram “superproteger” os filhos, buscando livrá-los de qualquer perigo e, ao mesmo tempo, não querem encontrar o tempo para dedicar-se à difícil tarefa educativa dos mesmos. As crianças são enviadas cada vez mais cedo às escolas e os professores devem se empenhar em transmitir valores que as crianças deveriam ter recebido em casa.
E há ainda outro grave perigo: os adultos procuram ter filhos mais para serem aprovados por eles, do que para transmitir um amor total, gratuito e comprometido. Sejamos sinceros: muitas vezes, em nossas famílias ocorre algo perverso: os pais se comportam como crianças, lamentando-se da infância que tiveram, e os filhos se sentem obrigados a comportarem-se como adultos[2]. Com essa mudança de papéis ninguém assume o a própria responsabilidade familiar, e isso se reflete no rendimento dos jovens nas nossas escolas e Universidades.
Nesse ponto, podemos talvez voltar nosso olhar ao livro que formou a civilização ocidental. O Evangelho conta-nos somente uma cena da adolescência de Jesus e do seu “processo educativo”. Quando ele tinha 12 anos, foi levado ao templo por Maria e José para participar na festa da Páscoa (Cfr. Lc 2). O jovem judeu quando cumpria essa idade iniciava a ser considerado adulto na fé. Quando aquela familia deve retornar a casa, Maria e José se destraem e Jesus, como verdadeiro adulto, permanece no templo discutindo com os doutores da Lei. Quando ele é reencontrado, Maria o repreende, mesmo sabendo que quem estava diante dela não só era um “adulto” na fé, mas o mesmo Filho de Deus: “Meu filho, que nos fizeste? Teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição”. E Jesus, depois de manifestar a plena consciência da sua identidade divina (“não sabíeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai?”), volta à casa com Maria e José e “era-lhes submisso em tudo”. Que impressionante! Maria e José não fugiram de sua responsabilidade educativa em relação àquele adolescente que sabiam ser o Filho de Deus; e Jesus, sendo verdadeiro Deus, volta à casa com sua família, obedecendo-lhes em tudo até os 30 anos. Vemos assim que na família de Nazaré ninguém fugia da própria responsabilidade, uma vez que eram unidos por um verdadeiro amor, o qual se demonstra na autoridade, na humildade e no serviço e não no autoritarismo ou na indiferença.
Parece, portanto, que para se recuperar o sentido da verdadeira educação, para se enfrentar à grave crise educativa atual, devemos ajudar as famílias a considerarem a vida como um dom de Deus, a tratarem os seus filhos com verdadeira diligência, não delegando toda a responsabilidade educativa a outras pessoas ou intituições. A tarefa é árdua, mas pode ser realizada, especialmente à luz da fé que por séculos iluminou a nossa sociedade. Devemos voltar a seguir ao modelo da Sagrada Família mais do que aos parâmetros contraditórios de uma “revolução” que só trouxe ao mundo a exaltação do egoísmo, da irresponsabilidade e o consequente aumento do sofrimento dos mais débeis.

Jesus, Verbo de Deus e Filho de Maria


Nada melhor que começar um novo ano com as palavras do Doce Cristo na terra, o Vigário de Cristo, Santo Padre Bento XVI.
São palavras inspiradas, ensinamentos sólidos da doutrina e tradição da Igreja. O Santo Padre nos fala da paz, da bênção e da fé. Rezemos pelo nosso Papa: Vivas tanto ou mais que Pedro, Santo Padre!
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém!




Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus
01 de janeiro de 2013


Queridos irmãos e irmãs!

“Que Deus nos dê a sua graça e a sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós”. Assim aclamamos com as palavras do Salmo 66, depois de termos escutado, na primeira leitura a antiga bênção sacerdotal sobre o povo da aliança. É particularmente significativo que, no início de cada ano novo Deus projete sobre nós, seu povo, o brilho do seu santo Nome, o Nome que é pronunciado três vezes na fórmula solene da bênção bíblica. Não menos significativo é o fato de que seja dado ao Verbo de Deus – que “se fez carne e habitou entre nós”, como “a luz de verdade que ilumina todo ser humano” (Jo 1, 9.14) -, oito dias depois seu natal – como nos narra o Evangelho de hoje – o nome de Jesus (cf. Lc 2, 21).
É nesse nome que nós estamos aqui reunidos. Saúdo cordialmente todos os presentes, a começar pelos ilustres Embaixadores do Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé. Saúdo com afeto o Cardeal Bertone, meu Secretário de Estado e ao Cardeal Turkson, com todos os membros do Conselho Pontifício Justiça e Paz; sou-lhes particularmente grato por seus esforços na difusão da Mensagem para o Dia Mundial da Paz, que este ano tem como tema “Bem-aventurados os obreiros da paz”.
Embora o mundo, infelizmente, ainda esteja marcado com “focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado”, além de diversas formas de terrorismo e criminalidade, estou convencido de que “as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus. Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, às palavras de Jesus Cristo: “Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9)” (Mensagem, 1). Esta bem-aventurança “diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana…. é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação” (Ibid., 2 e 3). Sim, a paz é bem por excelência que deve ser invocado como um dom de Deus e, ao mesmo tempo, que deve ser construído com todo o esforço.
Podemos perguntar-nos: qual é o fundamento, a origem, a raiz dessa paz? Como podemos sentir em nós a paz, apesar dos problemas, da escuridão e das angústias? A resposta nos é dada pelas leituras da liturgia de hoje. Os textos bíblicos, a começar pelo Evangelho de Lucas, há pouco proclamado, nos propõe a contemplação da paz interior de Maria, a Mãe de Jesus. Durante os dias em que “deu à luz o seu filho primogênito” (Lc 2,7), Maria deve de afrontar muitos acontecimentos imprevistos: não só o nascimento do Filho, mas antes a árdua viagem de Nazaré à Belém; não encontrar um lugar no alojamento; a procura de um abrigo improvisado no meio da noite; e depois o cântico dos anjos, a visita inesperada dos pastores. Maria, no entanto, não se perturba com todos estes fatos, não se agita, não se abala com acontecimentos que lhe superam; Ela simplesmente considera, em silêncio, tudo quanto acontece, guardando na sua memória e no seu coração, refletindo com calma e serenidade. É esta é a paz interior que queremos ter em meio aos acontecimentos às vezes tumultuosos e confusos da história, acontecimentos cujo sentido muitas vezes não conseguimos compreender e que nos deixam abalados.
A passagem do Evangelho termina com uma menção à circuncisão de Jesus. Conforme a Lei de Moisés, oito dias após o nascimento, o menino devia ser circuncidado, e nesse momento lhe era dado o nome. O próprio Deus, através de seu mensageiro, dissera a Maria – e também a José – que o nome a ser dado para a criança era “Jesus” (cf. Mt 1, 21; Lc 1, 31), e assim aconteceu. Aquele nome que Deus já tinha estabelecido antes mesmo que o Menino fosse concebido, lhe é dado oficialmente no momento da circuncisão. E isto marca definitivamente a identidade de Maria: ela é “a mãe de Jesus”, ou seja a mãe do Salvador, do Cristo, do Senhor. Jesus não é um homem como qualquer outro, mas é o Verbo de Deus, uma das Pessoas divinas, o Filho de Deus: por isso a Igreja deu a Maria o título de Theotokos, ou seja, “Mãe de Deus”.
A primeira leitura nos recorda que a paz é um dom de Deus e está ligada ao esplendor da face de Deus, de acordo com o texto do Livro dos Números, que transmite a bênção usada pelos sacerdotes do povo de Israel nas assembleias litúrgicas. Uma bênção que por três vezes repete o santo Nome de Deus, o nome impronunciável, ligando a cada repetição o santo Nome a dois verbos que indicam uma ação em favor do homem: “O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz” (6, 24-26). A paz é, portanto, o ponto culminante dessas seis ações de Deus em nosso favor, em que Ele nos dirige o esplendor da sua face.
Para a Sagrada Escritura, a contemplar a face de Deus é a felicidade suprema: “o cobristes de alegria em vossa face”, diz o salmista (Sl 21, 7). Da contemplação da face de Deus nascem alegria, paz e segurança. Mas o que significa concretamente contemplar a face do Senhor, tal como se entende no Novo Testamento? Significa conhecê-Lo diretamente, tanto quanto é possível nesta vida, através de Jesus Cristo, no qual Deus se revelou. Deleitar-se com o esplendor da face de Deus significa penetrar no mistério de seu Nome manifestado a nós por Jesus, compreender algo da sua vida íntima e da sua vontade, para que possamos viver de acordo com seu desígnio de amor para a humanidade. O apóstolo Paulo expressa justamente isso na segunda leitura, da Carta aos Gálatas (4, 4-7), afirmando que do Espírito, que no íntimo dos nossos corações, clama: “Abá! Ó Pai”. É o clamor que brota da contemplação da verdadeira face de Deus, da revelação do mistério do Nome. Jesus diz: “Manifestei o teu nome aos homens” (Jo 17, 6). O Filho de Deus feito carne nos deu a conhecer o Pai, nos fez perceber no seu rosto humano visível a face invisível do Pai; através do dom do Espírito Santo derramado em nossos corações, nos fez conhecer que n’Ele nós também somos filhos de Deus, como diz São Paulo na passagem que escutamos: “Porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá! Ó Pai” (Gal 4, 6).
Queridos irmãos e irmãs, eis o fundamento da nossa paz: a certeza de contemplar em Jesus Cristo o esplendor da face de Deus, de ser filhos no Filho e ter, assim, na estrada da vida, a mesma segurança que a criança sente nos braços de um Pai bom e onipotente. O esplendor da face do Senhor sobre nós, que nos dá a paz, é a manifestação da sua paternidade; o Senhor dirige sobre nós a sua face, se mostra como Pai e nos dá a paz. Aqui está o princípio daquela paz profunda – “paz com Deus” – que está intimamente ligada à fé e à graça, como escreve São Paulo aos cristãos de Roma (Rm 5, 2). Nada pode tirar daqueles que creem esta paz, nem mesmo as dificuldades e os sofrimentos da vida. De fato, os sofrimentos, as provações e a escuridão não corroem, mas aumentam a nossa esperança, uma esperança que não decepciona, porque “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5).
Que a Virgem Maria, que hoje veneramos com o título de Mãe de Deus, nos ajude a contemplar a face de Jesus, Príncipe da Paz. Que Ela nos ajude e nos acompanhe neste novo ano; que Ela obtenha para nós e para o mundo inteiro o dom da paz.
Amém!

Fonte: http://catolicosnarede.wordpress.com/2013/01/01/homilia-de-bento-xvi-na-missa-de-1-de-janeiro-dia-mundial-da-paz/

sábado, 29 de dezembro de 2012

Na Epifania: Sagrações em Roma!


Aproxima-se a o dia em que o Santo Padre Bento XVI irá conferir o terceiro grau da Ordem a quatro sacerdotes. 

Na Solenidade da Epifania do Senhor, no próximo dia 06 de janeiro, o Romano Pontífice ordenará quatro novos bispos, são eles: Monsenhor Georg Gaenswein, secretário particular do Santo Padre e recém nomeado Prefeito da Casa Pontifícia; Monsenhor Angelo Vincenzo Zani, secretário da Congregação para a Educação Católica; Dom Fortunatus Nwachuswu, chefe do protocolo chefe do protocolo chefe do protocolo vaticanoaticano e Dom Nicolas Henry Marie Denis Thevenin, da secretaria de Estado.

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Mons. Georg Gaenswein
As sagrações que ocorrem deste ano são consideradas especiais, pois entre os quatro novos bispos está Mons. Georg Gaenswein, secretário particular de Bento XVI, que em poucos dias deve assumir também a função de Prefeito da Casa Pontifícia, devido à nomeação do arcebispo James M. Harvey a arcipreste da Basílica de São Paulo Fora dos Muros.

Os outros três sacerdotes que recentemente foram nomeados para a Cúria Romana também serão ordenados: Dom Zani, que é o novo secretário da Congregação para a Educação Católica, além de ser sacerdote da diocese de Brescia; Dom Nwachukwu, chefe do protocolo vaticano e Dom Thevenin, colaborador na Secretaria de Estado do Vaticano. Eles serão ordenados Núncios Apostólicos.

A cerimônia ocorrerá na Basílica Vaticana, no período da manhã, está previsto que o Santo Padre faça uso do Fánon papal pela terceira vez. Os cardeais co-sagrantes serão Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano e Zenon Grocholewski, Prefeito para a educação católica.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Cardeal Thorne em ação

O Arcebispo de Lima e Primaz da Igreja peruana, Dom Juan Luis Cipriani Thorne em circular expedida no último dia 21 de dezembro decreta que, todos os padres diocesanos estão proibidos de lecionar teologia ou de exercer qualquer cargo pedagógico e administrativo na ex-PUC.


Em julho do corrente ano, através da intervenção do Cardeal Thorne e de muitas visitas e diálogos a Secretaria de Estado do Vaticano divulgou um comunicado informando que a Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) perdeu o direito de usar os títulos de "Pontifícia" e Católica" e de gozar destes benefícios. 

Conforme o decreto assinado pelo Cardeal Tarcísio Bertone a universidadem fundade em 1917 pela Santa Sé "vem alterando unilateralmente seus estatutos desde 1967", "com grave prejuízo aos interesses da Igreja".

Agora foi a vez do Cardeal peruano, oriundo da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz e Opus Dei, de ordenar a saída dos padres da universidade. A grande maioria se mostrou contra a decisão do purpurado, alegando que "É um tipo de demissão para os sacerdotes que têm 20 ou 25 na universidade".

Confira a nota na íntegra: http://pt.scribd.com/doc/118175841/ComunicadoCursoTeologia