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sábado, 19 de janeiro de 2013

A Cúria Romana


Por Seminarista Ânderson Barcelos Martins


A Cúria Romana é o conjunto de órgãos e pessoas que auxiliam o Papa no governo da Igreja, tanto na ordem espiritual quanto material. Este nome foi usado pela primeira vez no século XII, mas a sua realidade data dos primeiros séculos da Igreja. Já em meados do século III as crônicas relativas ao Papa Fabiano (236-250), mostram que ele tinha, como auxiliares, Bispos, presbíteros e diáconos.
No século XVI, em 1588, a Cúria foi estruturada na forma que tem hoje, sofrendo reformas com o passar do tempo.
Até 1870 havia o vasto território dos Estados Pontifício, então o Bispo de Roma necessitava de muitos colaboradores que exercessem a gestão temporal do estado.  Com a queda do Estado Pontifício sob os golpes do reino da Itália, alguns órgãos perderam a razão de ser, e a Cúria foi reformada pelo Papa São Pio X, através da Constituição Sapienti Consilio. Foram extintos todos os órgãos e Ofícios destinados a tratar de assuntos políticos do Vaticano
Em 1967, dois anos depois de encerrado o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI, através da Constituição Apostólica Regimini Ecclesiae Universae, reformou mais uma vez a Cúria, adaptando- as às novas exigências oriundas do Concílio.
Finalmente, em 1988, o Papa João Paulo II, através da Constituição Pastor Bônus, refez a organização da Cúria. Na ocasião, o Papa disse as palavras:
A Igreja hoje se vê diante de tarefas de extensão, importância e variedade talvez nunca atingidas outrora... Que a Cúria correspondesse fielmente à Eclesiologia do Concílio Vaticano II, fosse adaptada em tudo à missão pastoral da Igreja e capaz de ir ao encontro das necessidades concretas às sociedades religiosa e civil.
 A organização e o governo da Igreja são diferentes das organizações de demais governos dos outros países, pois a Igreja não é uma instituição apenas humana. Foi instituída por Cristo, que é a Sua Cabeça; logo, seu governo foi definido pelo próprio Senhor, que a quis governada por Pedro (Mt 16, 16-19; Lc 22, 31; Jô 21, 15-17), que goza da assistência do Espírito Santo (Jo 14, 26; Jo 16, 13 -15) para não permitir que o depósito da fé se corrompa com o erro.
A atual organização da Cúria Romana e dos Principais colaboradores de Bento XVI é assim:


Cardeal Tarcísio Bertone, SDB (Itália, 1934),
Secretário de Estado de Sua Santidade.


Arcebispo Giovanni Ângelo Becciu (Itália, 1947), 
Substituto da Secretaria de Estado. 


Arcebispo Dominique Mamberti (França, 1952),
Secretário para as Relações com os Estados.

Congregações:


Arcebispo Gerhard Ludwig Müller (Alemanha, 1948),
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.



Cardeal Leonardo Sandri (Argentina, 1943),

Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.



Cardeal Antonio Cañizares Llovera (Espanha, 1945), 

Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a 

Disciplina dos Sacramentos.




Cardeal Ângelo Amato, SDB (Itália, 1938),

Prefeito da Congregação das Causas dos Santos.



Cardeal Marc Ouellet (Canadá, 1944),

Prefeito da Congregação para os Bispos.



Cardeal Fernando Filoni (Itália, 1946),

Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.



Cardeal Mauro Piacenza (Itália, 1944),

Prefeito da Congregação para o Clero.



Cardeal João Braz de Aviz (Brasil, 1947),

Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.



Cardeal Zenon Grocholewski (Polonia, 1939),

Prefeito da Congregação para a Educação Católica.

Tribunais:


Cardeal Manuel Monteiro de Castro (Portugal, 1938), 
Penitenciário Maior.



Cardeal Raymond Leo Burke (USA, 1948),

Prefeito do Tribunal Supremo da Assinatura Apostólica.


Monsenhor Vito Pio Pinto
Decano da Rota Romana

Conselhos Pontifícios:


Cardeal Stanislaw Rylko (Polônia, 1947),
Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos.



Cardeal Kurt Koch (Suiça, 1950),

Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da 
Unidade dos Cristãos.



Arcebispo Vincenzo Paglia (Itália, 1945),

Presidente do Pontifício Conselho para a Família.



Cardeal Peter Kodvo Appiah Turkson (Gana, 1948), 

Presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e Paz.






Cardeal Antonio Maria Veglió (Itália, 1938),

Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral dos Imigrantes e Itinerantes.


Cardeal Robert Sarah (Guiné Conacri, 1945),

Presidente do Pontifício Conselho "Cor Unum".



Arcebispo Zygmunt Zimowski (Polônia, 1949),

Presidente do Pontifício Conselho para a
 Pastoral dos Agentes Santiários.



Cardeal Francesco Coccopalmerio (Itália, 1938),

Presidente do Pontifício Conselho para a 
Interpretação dos Textos Legislativos.


Cardeal Jean-Louis Tauran (França, 1943),

Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso.
Cardeal-Protodiácono da Santa Igreja



Cardeal Gianfranco Ravasi (Itália, 1942),

Presidente do Pontifício Conselho da Cultura.



Arcebispo Claudio Maria Celli (Itália, 1941),

Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.



Arcebispo Rino Fisichella (Italia, 1951),

Presidente do Pontifício Conselho para a 
Promoção da Nova Evangelização.

Outros Cargos:


Cardeal Ângelo Sodano (Itália, 1927),
Decano do Sacro Colégio Cardinalício.



Cardeal Domenico Calcagno (Itália, 1943),

Presidente da Administração do Patrimônio da Sede Apostólica.


Cardeal Giuseppe Versaldi (Itália,1943),

Presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos da Santa Sé.



Arcebispo Jean-Louis Bruguès (França, 1943),

Arquivista e bibliotecário.



Cardeal Giuseppe Bertello (Itália, 1942),

Presidente do Governo da Cidade do Vaticano.



Cardeal Angelo Comastri (Itália, 1943),

Vigário Geral do Papa para o Estado e Cidade do Vaticano.



Arcebispo Nikola Eterovic (Croácia, 1951),

Secretário geral do Sínodo dos Bispos.


Arcebispo Georg Gänswein (Alemanha, 1956)

 Prefeito da Casa Pontifícia e 

Secretário Particular de Sua Santidade



Arcebispo Piero Marini (Italia, 1942),

Presidente do Comitê Pontifício para os Congressos Eucarísticos.


Monsenhor Guido Marini (Itália, 1965),

Mestre de Cerimônias litúrgicas do Santo Padre.


Padre Federico Lombardi, SJ (Itália, 1942),

Diretor da Sala de Imprensa do Vaticano.

Reino Unido é condenado por proibir uso de crucifixo



A Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) de Estrasburgo condenou nesta terça-feira, 15 de janeiro, o Reino Unido por ter proibido uma funcionária de uma companhia aérea de usar de modo visível um crucifixo durante sua hora de trabalho.  


Naida Eweida trabalhava na recepção de passageiros da British Airways. 
A companhia a proibiu de usar de modo visível seu crucifixo, e a Justiça britânica confirmou esta decisão.  

Para a CEDH, a Justiça concedeu "peso demais" ao pedido da companhia de viola a liberdade de religião.  

A British Airways alegou que esta é sua política de uso de uniforme e que não pretendia ir contra a fé dos cristãos.  

FONTE: http://www.padremarcelotenorio.com/2013/01/reino-unido-e-condenado-por-proibir-uso.html#comment-form

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Ateísmo é uma escolha racional?


Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. 
Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.
Fonte: http://www.zenit.org/article-32162?l=portuguese
A pergunta que colocamos aqui deve ser bem entendida: não perguntamos se os ateus são racionais, coisa que seria absurda; nem mesmo perguntamos se os ateus são inferiores aos teístas, ou se a crença em Deus “não necessariamente torna uma pessoa melhor”, como apareceu numa recente pesquisa no Brasil[1]. O que questionamos agora é se o ateísmo, enquanto sistema de pensamento seja coerente. Mais precisamente, nos perguntamos se é sensato afirmar a não existência de Deus e contemporaneamente o relativismo. Poderia ser verdade que não haja nenhuma verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que Deus não existe?


Talvez haja quem pense que a questão aqui proposta seja absurda. E pode vir à mente do leitor a recordação do jovem Ivan, personagem de Irmãos Karamázov, que defendia que se Deus e as religiões não existissem, tudo passaria a estar permitido. Aquele personagem manifestava assim o desejo de uma liberação: ao livrar-se da crença em Deus, o homem ficaria livre de todo dogmatismo, tanto teórico, quanto moral. A negação de Deus traria o fim da “lei natural” e do dever de amar o mundo e ao próximo. A mesma liberação quis experimentar F. Nietzsche ao declarar a morte de Deus, ou melhor, ao dizer que os homens o haviam assassinado. De modo que para eles a negação ou “morte” de Deus não estaria fundamentada no relativismo, mas seria a origem mesma do relativismo. A afirmação da não existência de Deus seria uma escolha, algo indiscutível e impossível de ser demonstrado a partir de verdades anteriores. E aceitá-lo seria assumir a crença num novo dogma que faria desmoronar todos os demais dogmas. O ateísmo fundaria assim o relativismo na moral e no conhecimento humano. 
Embora isso seja claro, é comum pensar que o relativismo funde o ateísmo; que as pessoas que não aceitam Deus, fazem-no porque não querem aceitar a existência da verdade, à qual deveriam se submeter. Isso é um absurdo. O ateísmo parte de uma afirmação que tem valor de verdade absoluta: Deus não existe. Se essa afirmação não fosse tomada pelos ateus como verdade, eles simplesmente deixariam de ser ateus. O relativismo para eles se dá somente nas “verdades” inferiores e todos deveriam se submeter ao imperativo único da nova moral: é proibido estabelecer regras morais.
O interessante é que F. Nietzsche e outros conhecidos filósofos ateus reconheceram que afirmar o relativismo cognoscitivo e o ateísmo é em si mesmo contraditório. O motivo seria que o relativismo implica a afirmação da não existência de verdades absolutas; mas isso se funda, por sua vez, numa verdade absoluta: a não existência de Deus.
Sendo assim, a afirmação da não existência de Deus implica a afirmação da sua existência. Outros pensadores ateus que perceberam bem as contradições do ateísmo contemporâneo foram M. Horkheimer e Th. Adorno. De fato, eles diziam numa obra conjunta, A Dialética do Iluminismo, citando a Nietzsche: «Percebemos “que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”. Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo»[2].
Esses autores, ateus e relativistas, que se reconhecem como “não conhecedores e antimetafísicos” alimentam a verdade de sua fé ateia naquela cristã, já presente em Platão: a fé na existência da verdade divina. De modo que só pode afirmar a não existência de Deus, quem aceita que há uma verdade absoluta, divina. Em outras palavras, só pode negar a Deus quem previamente o afirma. Por isso, o ateísmo, ao negar a Deus e a verdade das coisas (que é sempre relativa ao sujeito que a conhece e é progressiva), reinvindica para si mesmo o caráter absoluto, próprio do mesmo Deus[3], estabelecendo assim um novo dogmatismo. Portanto, o ateísmo não existe; nada mais é do que uma espécie de idolatria que consiste no colocar-se a si mesmo e as próprias convicções pessoais, por mais contraditórias que possam ser, no lugar de Deus, o único que garante toda a verdade. 

[1] Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1206138-tendencia-conservadora-e-forte-no-pais-diz-datafolha.shtml[2] Cfr. F. NIETZSCHE, La gaia scienza, Mondadori, Milano 1971, p. 197; M. HORKHEIMER e Th.ADORNO, Dialettica dell’illuminismo, Einaudi, Torino 1966, p. 125.[3] Para a elaboração do presente texto me foram úteis as reflexões presentes em: U. GALEAZZI, Il coraggio della ragione. Tommaso d’Aquino e l’odierno dibatitto filosofico, Armando, Roma 2012, pp. 22-38.

Novo Candelabro para o Círio Pascal


Conforme anunciado por Monsenhor Guido Marini, Mestre das cerimônias litúrgicas do Sumo Pontífice o Santo Padre inaugurou um novo candelabro para o Círio Pascal na Capela Sistina.


Ao celebrar a Festa do Batismo do Senhor no último domingo, 13 de janeiro, na mais famosa capela do mundo o Papa inaugurando o novo. No ano passado pela primeira vez se fez uso de uma nova pia batismal e agora do castiçal que o acompanha. Ele foi produzido pelo Arquiteto Alberto Cicerone di Avezzano, com a consultoria teológica do Pe. Salvatore Vitiello, de Turim.



A obra é inspirada pelo texto sagrado de Apocalipse 22,2: "No meio da praça da cidade há uma árvore da vida", que é o próprio Cristo. O trabalho em prata e ouro se encaixa bem no esplendor da capela mais famosa do mundo, refletindo beleza e luz em uma solução artística sábia e humilde.

A peça e metal possuí uma composição floral de prata, da qual se Ergue uma Coluna de Fogo harmonizada com a vela, transformando o candelabro e o círio em um "Corpo único".


A pia inaugurada em 2012...
Substituindo esta!









sábado, 12 de janeiro de 2013

Santa Isabel do Brasil?




Não é de hoje que a Igreja Católica reconhece a santidade de alguns monarcas. Ao longo destes séculos de história muitos foram os membros da realeza elevados à glória dos altares. Recentemente iniciou-se em nosso país uma grande campanha para canonizar Dona Isabel do Brasil, a redentora. Os esforços para dar abertura a este processo canônico de beatificação vêm sendo alvo de diversas críticas.

Os que me conhecem sabem que não sou monarquista e muito menos republicano. Sou um homem “conformado” com o sistema político vigente. Por isso, as linhas aqui expressas não correm o risco de pender para um dos lados, que historicamente disputam lugar na sociedade. 


Isabel Cristina, filha de Dom Pedro II, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1846 e faleceu após o exílio, na França em 1921. Durante a vida foi casada com o Conde D’Eu, descente do Santo rei Luís IX da França.

Beatificar a monarca brasileira parece ter surgido como expressão do movimento monarquista. Alega-se que a princesa viveu santamente, como modelo de mãe, de esposa, de governante, mas, sobretudo de mulher cristã. 

As vozes brasileiras que se levantam contrárias a este nobre gesto -acolhido pelo colendo Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta- alegam, entre outros motivos, que a princesa não obteve papel fundamental no processo da abolição do sistema escravocrata no Brasil. 

Todavia, a princesa carioca que tem cara do sul e do norte, não será beatificada única e exclusivamente pelos seus feitos ou não feitos frente à Abolição. Um homem ou mulher não são elevados aos altares e postos como modelo de heroicidade para todo orbe cristão por um fato isolado, mas, pela sua envergadura moral e apostólica durante toda a vida. Ou então, por parte dela, fruto de uma sincera e profunda conversão.


Se Isabel, redentora ou não, vier a ser beatificada e posteriormente canonizada será por ter sido uma mulher exemplar, que buscou santificar-se em seu estado, na vida cotidiana do palácio e dos afazeres reais. Como mulher, como esposa, como mãe e governante. Será modelo para os brasileiros e homens de boa vontade, quiçá seja colocada entre a glória dos santos e venha a olhar por nós. Se assim for, chegará o dia em que Monarquistas e Republicanos ganham! Todos juntos ganhamos uma brasileira no céu, uma intercessora junto a Deus por nós!




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Carta às mães dos sacerdotes e seminaristas!


O senhor Cardeal Mauro Piacenza, Prefeito da Congregação para o Clero, divulgou uma carta direcionada "às mães dos sacerdotes e dos seminaristas e a todas aquelas que exercem o dom da maternidade espiritual por eles". 
Publicada por ocasião da Solenidade da Madre de Deus, no último 1° de janeiro.


Causa nostrae Letitiae – Causa da nossa alegria”!

O Povo cristão sempre venerou, com profunda gratidão, a Bem-Aventurada Virgem Maria, contemplando nela a causa de toda nossa verdadeira alegria.
Na verdade, aceitando a Palavra Eterna no seu ventre imaculado, Maria Santíssima deu à luz o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo, único Salvador do mundo. Nele, Deus mesmo veio ao encontro do homem, tirou-o do pecado e lhe deu a vida eterna, ou seja a sua mesma vida.
De forma semelhante toda a Igreja olha, com admiração e profunda gratidão, todas as mães dos sacerdotes e daqueles que, tendo recebido essa vocação altíssima, iniciaram o caminho de formação, e é com profunda alegria que me dirijo a eles.
Os filhos, que acolheram e educaram, de fato, foram escolhidos por Cristo desde toda a eternidade, para se tornar seus “amigos prediletos” e, assim, vivo e indispensável instrumento da Sua Presença no mundo. Por meio do Sacramento da Ordem a vida dos sacerdotes é definitivamente tomada por Jesus e imersa Nele, de tal forma que, é Jesus mesmo que passa e obra entre os homens.

Este mistério é tão grande, que o sacerdote é chamado também de “alter Christus” – “um outro Cristo”. A sua pobre humanidade, de fato, elevada, pela potência do Espírito Santo, a uma nova e mais alta união com a Pessoa de Jesus, é agora lugar de encontro com o Filho de Deus, encarnado, morto e ressuscitado por nós. Quando cada sacerdote ensina a fé da Igreja, de fato, é Cristo que, nele, fala ao Povo; quando prudentemente, guia os fieis confiados ele, é Cristo que apascenta as próprias ovelhas; quando celebra os Sacramentos, de modo eminente a Santíssima Eucaristia, é Cristo mesmo, que, por meio dos seus ministros, obra a Salvação do homem e se faz realmente presente no mundo.
A vocação sacerdotal, normalmente, tem na família, no amor dos pais e na primeira educação à fé, aquele terreno fértil no qual a disponibilidade à vontade de Deus pode enraizar-se e tirar o indispensável alimento. Ao mesmo tempo, cada vocação representa, também pela mesma família na qual surge, uma novidade irredutível, que foge dos parâmetros humanos e chama a todos, sempre, para a conversão.
Nesta novidade, que Cristo obra na vida daqueles que escolheu e chamou, todos os familiares – e as pessoas mais próximas – estão envolvidas, mas é certamente única e especial a participação que é dada de viver à mãe do sacerdote. Únicas e especiais são, de fato, os consolos espirituais, que deriva disso de ter levado no ventre aquele que se tornou ministro de Cristo. Toda mãe, de fato, só pode alegrar-se ao ver a vida do próprio filho, não somente repleta, mas cheia de uma especialíssima predileção divina que abraça e transforma pela eternidade.
Se, aparentemente, em virtude da vocação e da ordenação, se produz uma “distância” inesperada, com relação à vida do filho, misteriosamente mais radical de toda outra separação natural, na realidade a experiência de dois mil anos da Igreja ensina que a mãe “recebe” o filho sacerdote de um modo totalmente novo e inesperado, tanto que foi chamada a reconhecer no fruto do próprio ventre, por vontade de Deus, um “pai” chamado a gerar e acompanhar para a vida eterna uma multidão de irmãos. Cada mãe de um sacerdote é misteriosamente “filha do seu filho”. Poderá exercer com ele uma nova “maternidade”, na discreta, mas eficaz e inestimávelmente preciosa, aproximação da oração e da oferta da própria existência pelo ministério do filho.
Esta nova “paternidade”, à qual o Seminarista se prepara, que é dada ao Sacerdote e da qual todo o Povo Santo de Deus se beneficia, tem necessidade de ser acompanhada pela oração assídua e pelo sacrifício pessoal, para que a liberdade de aderir-se à vontade divina seja continuamente renovada e fortificada, de tal forma que os Sacerdotes não se cansem jamais, na cotidiana batalha da fé e unam, sempre mais totalmente, a própria vida ao Sacrifício de Cristo Senhor.
Tal obra de autêntico apoio, sempre necessária na vida da Igreja, é muito urgente hoje, sobretudo no nosso ocidente secularizado, que espera e pede um novo e radical anúncio de Cristo, e as mães dos sacerdotes e dos seminaristas representam um verdadeiro “exército” que, da terra, eleva ao Céu orações e ofertas e, ainda mais numeroso, do Céu intercede para que toda graça seja derramada na vida dos sagrados pastores.
Por esta razão, desejo com todo o coração encorajar e agradecer especialmente todas as mães dos sacerdotes e dos seminaristas e – juntamente com elas – a todas as mulheres, consagradas e leigas, que acolheram, também por convite que elas receberam no Ano Sacerdotal, o dom da Maternidade espiritual dos chamados ao ministério sacerdotal, oferecendo a própria vida, oração e os próprios sofrimentos e lutas, como puras e verdadeiras alegrias, pela fidelidade e santificação dos ministros de Deus, tornando-se assim partícipes, de modo especial, da maternidade da Santa Igreja, que tem o seu modelo e a sua realização na divina maternidade de Maria Santíssima.
Um agradecimento especial, finalmente, seja elevado aos céus, àquelas mães, que, já chamadas desta vida, contemplam agora plenamente o esplendor do Sacerdócio de Cristo, do qual os seus filhos se tornaram partícipes, e intercedem por eles, de modo único e, misteriosamente, muito mais eficaz.
Juntamente com os melhores votos de um novo ano de graça, de coração concedo a todos e a cada um a mais carinhosa bênção, implorando por vocês, da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e dos sacerdotes, o dom de uma sempre mais radical identificação com Ele, discípula perfeita e Filha do seu Filho.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Novo membro do Blog: Sem. Renato Rosa


“Domine ad quem ibimus verba vitæ æternæ habes” (Jo 6,59)


Como Administrador do Blog Dominus Vobiscum, eu Seminarista Ânderson Barcelos Martins, quero cumprimentar e apresentar nosso mais novo colaborador, que tendo atendido nosso pedido fará parte de nossa Equipe.

Seja Bem-Vindo, Caro Irmão!



Eu sou o Seminarista Renato Rosa, 27 anos, da Diocese de Frederico Westphalen, localizada na região do Médio Alto Uruguai, estado do Rio Grande do Sul. Curso o segundo (e último) ano de Filosofia, no Seminário Maria Mater Ecclesiæ do Brasil, situado na cidade de Itapecerica da Serra, na Região da Grande São Paulo.

Venho de uma família composta por quatro filhos; tenho três irmãs. Fui batizado, mas não incentivado a fazer catequese e dar continuidade aos Ritos de Iniciação Cristã. Somado a outros fatores, fui levado, no início da minha adolescência, a procurar em seitas protestantes aquilo que me faltou no período da infância. Oito anos depois, e com muita carga de heresia protestante, comecei a sentir falta de uma espiritualidade e doutrina mais ligada a uma Tradição.

Desejoso de encontrar uma Igreja que me oferecesse algo mais que cem anos de existência, mas ainda pouco aberto a um possível retorno Igreja Católica, comecei a frequentar a Igreja Anglicana (High Church). Por indicação de uma prima, que nessa altura era também colega de faculdade (eu começava o segundo ano de fisioterapia), passei a frequentar, por algumas semanas, o culto anglicano, pela manhã de domingo, e a Missa Católica à noite.

Não demorou muito para perceber onde estava a verdadeira Religião, que na Santa Liturgia nos une ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Passei a estudar a doutrina da Igreja, e a cada nova descoberta na Fé, aderia discretamente à Igreja. A Sagrada Liturgia foi a porta de entrada para minha conversão ao Catolicismo, por isso, nutro por ela especial reverência. Certo de que ali estava a Igreja de Cristo, recebi pela primeira vez os Preciosíssimos Corpo e Sangue de Cristo, e, mais tarde, o Sacramento da Confirmação. Nesse mesmo ano, senti o chamado de Deus para servi-lo através do sacerdócio, buscando minha santificação como padre.

Com Mons. Fainello e Dom Antônio Carlos Rossi e Keller

Minha diocese de origem é Mogi das Cruzes, localizada na região do Alto Tietê, Grande São Paulo. Foi lá que comecei minha experiência vocacional como propedêuta e filósofo. Nesse meio tempo conheci o Seminário Maria Mater Ecclesiæ e externei meu desejo de concluir minha formação nessa instituição. Recebendo resposta negativa do então bispo de Mogi das Cruzes, deixei o seminário no segundo semestre de 2011. No ano seguinte, já aceito na Diocese de Frederico Westphalen, comecei meus estudos no referido seminário dirigido pelos Legionários de Cristo.

In Corde Iesu,


Seminarista Renato Rosa
Diocese de Frederico Westphalen - RS