Páginas

terça-feira, 5 de março de 2013

Entrevista com Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju, SE.


O Blog Dominus Vobiscum, por conta do Ano da Fé, entrevistou Dom Henrique Soares da Costa, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju – SE, com a sede titular de Acufida. Dom Henrique comenta, ainda, a renúncia do Papa Bento XVI.

Este ano será uma ocasião propícia a fim de que todos os fiéis compreendam mais profundamente que o fundamento da fé cristã é, como afirmou o Santo Padre na Carta Encíclica Deus Caritas Est, “o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. Segue a entrevista:


- Dominus: Ao convocar o Ano da Fé, o Santo Padre mostra sua preocupação com uma crise que tem uma de suas origens na incapacidade do homem moderno de crer. Como explicar que essa falta de fé tenha atingido os membros da Igreja de modo tão agressivo, a ponto de muitos católicos trocarem a Fé autêntica por falsas doutrinas? Seria exagerado dizer que existem sacerdotes ameaçados pela sombra do personagem de Miguel de Unamuno, São Manuel Bueno, Mártir, em seu romance homônimo? Por que o crente corre o risco cada vez maior de cair no ateísmo prático?
- Dom Henrique: São muitas perguntas numa só. Vejamos: (1) É verdade que de um modo quase que antinatural, o homem contemporâneo esteja atrofiando sua capacidade natural de crer. Somos essencialmente abertos para o Infinito, somos saudosos do Transcendente, do Amor eterno. Mas, o excesso de barulho, a invasão do consumo pelo consumo, o excesso de opiniões, de palavras, a ilusão de que nos bastamos e podemos ter a vida em mãos como bem entendemos – tudo isso leva a um embotamento da comunhão com Deus. Vamos nos deseducando para a comunhão com o Senhor. (2) É compreensível que os filhos da Igreja sejam afetados por esse mau espírito do tempo atual, afinal estamos no mundo. A pressão dos formadores de opinião e dos meios de comunicação e a superficialidade na vivência da fé vão destruindo em muitos cristãos a reta percepção da vida segundo o coração do Senhor. Assim, fica fácil cair num subjetivismo, numa religião cômoda, feita sob medida para as minhas paixões. Aqui entram as falsas doutrinas e percepções da fé, que às vezes ameaçam a ortodoxia do ser e do crer da Igreja. (3) O romance de Unamuno fala de um padre que era cumpridor de seus deveres por amor às pessoas, mas já não cria mais em nada verdadeiramente. Sim, este perigo é muito possível entre os padres de hoje, quando há também na Igreja um exacerbado antropocentrismo. Parece que o centro do cristianismo é o homem. Ao invés, o centro é Deus nosso Senhor! Só o Senhor é Deus, só por Ele vale a pena entregar a vida! (4) Quanto ao ateísmo prático, ele é um perigo quando se perde de vista que Deus está próximo, que Deus age no mundo, que Deus realmente nos fala na Escritura, nos dirige a palavra na pregação da Igreja e nos dá Sua graça nos sacramentos. Sem isso, sem elevar realmente a sério a Igreja, Deus não passa de uma ideia e, então, vive-se a vida fingindo crer, mas na verdade já não se crê!



 - Dominus: Qual o maior perigo para a Fé de um católico desprotegido nos dias de hoje: seitas protestantes ou heresias levadas a cabo por teólogos ditos católicos? Ainda nessa linha, a sociedade moderna faz dela as palavras do jornalista italiano Vittorio Messori, em entrevista com o então Cardeal Ratzinger, em 1985 (depois publicada no livro “A fé em crise? O cardeal Ratzinger se interroga”): “ainda existem hereges”? Por que a palavra heresia se tornou tão pesada para o homem hodierno, mesmo para muitos católicos?
- Dom Henrique: Certamente, as seitas são um perigo para a reta fé. Parecem oferecer uma fé profunda e acessível, simples e autêntica, quando na verdade oferecem apenas um cristianismo deturpado, mutilado, parcial. Mas, o maior e mais triste perigo são aqueles que dentro da Igreja – e incluo membros do clero e professores de teologia nos institutos católicos – criticam com injustiça e ódio destrutivo a santa Igreja. Esses são, sem dúvidas, os instrumentos preferidos de Satanás! Esses estão conosco somente de modo aparente. Não são dos nossos e nunca conquistarão o coração e a consciência de um verdadeiro católico. O senso da fé do Povo de Deus na hora percebe esses lobos disfarçados de cordeiros. Mas, as portas do inferno não prevalecerão contra a Esposa de Cristo! Quanto à palavra “heresia”, ela é o oposto à ortodoxia, que significa não somente reta opinião, mas, sobretudo, reto louvor. Sendo assim, na raiz da heresia está a soberba humana – principalmente dos maus teólogos – em não se colocar numa atitude de escuta e adoração para poderem falar do Mistério. Esses, arrogantemente, julgam-se donos da verdade que pertence só a Cristo e é confiada à Sua Igreja. Tornam-se, então, pobres e ridículos tagarelas. E para iludir os desavisados, recorrem à ideia de liberdade de pesquisa e de expressão. São conceitos válidos para a democracia civil, não do mesmo modo para a pesquisa e o ensino da teologia. A liberdade de um teólogo verdadeiramente católico dá-se no interior da fé católica; não como se ele fosse juiz da Igreja e acima da Igreja... Desses há muitos hoje, infelizmente!



- Dominus: Na Carta Apostólica Porta Fidei, o Papa Bento XVI disse que o Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é “a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força”, como afirmou o documento conciliar Sacrosanctum Concilium. Como, de forma concreta, se demonstra a perda de fé na Eucaristia, e o que se pode fazer para resgatar a sacralidade litúrgica?
- Dom Henrique: Primeiramente, pensemos na Eucaristia como meta e fonte da ação da Igreja. A própria Escritura afirma que somos batizados num só Espírito para formarmos um só corpo. O Batismo tem como destino a Eucaristia; a união começada com Cristo por força da ação do Seu Espírito no Batismo chega ao seu pleno desenvolvimento neste mundo na Eucaristia. Assim, tudo na Igreja encaminha para a participação no Corpo do Senhor. Com Ele e através Dele oferecemos ao Pai num só Espírito o sacrifício perfeito e santo, maior expressão da dignidade humana. Mas, exatamente daqui, da Eucaristia, parte a ação da Igreja: participando da Eucaristia, podemos dizer: “Eu vi, eu ouvi, eu toquei o Ressuscitado; eu comunguei com Ele, Ele está vivo, está presente entre nós!” Ora, aqui está o conteúdo da evangelização: anunciar Jesus morto e ressuscitado para a vida do mundo. Evangelizar é testemunhar a presença amorosa e redentora de Alguém, de Jesus. É na Celebração eucarística, no Sacrifício da Missa que, como Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo, experimentamos Jesus e nos tornamos sempre de novo testemunhas de Jesus. Não somos propagandistas de uma ideia; somos testemunhas de uma Pessoa, Jesus, e de um fato, um evento, Sua morte e ressurreição. Quanto à sacralidade da Liturgia, ela se encontra em crise porque primeiramente o conceito do que é o cristianismo e o que é a Igreja se encontram em crise. Pensa-se que a Igreja existe para difundir e defender os valores do Reino. E por valores do Reino se tomam muitos dos valores ideológicos da esquerda. Ora, não é para isto que a Igreja existe! A Igreja existe para anunciar Jesus, para ser o espaço no qual Jesus fala Sua palavra, age pelos sacramentos e forma sempre de novo Seus discípulos como a Sua comunidade, que, vivendo Sua vida nova (vida de ressurreição), torna-se espaço no qual Deus, o Pai, reina de verdade. Assim, a Igreja é germe e sinal do Reino do Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja é início do céu, quando o Reino se manifestará plenamente. Na liturgia é Cristo Quem age, é Cristo Quem doa sempre e novamente o Seu Espírito, que é a própria vida eterna, vida divina. Na Liturgia, portanto, a salvação acontece sempre no aqui e no agora da vida humana. A Liturgia é primeiramente ação de Cristo, que num só Espírito, une a Si a Sua Igreja no sacrifício de louvor ao Pai. Quando se tem essa consciência, compreende-se que a Liturgia é um fazer sagrado, isto é, pertence diretamente ao mundo de Deus e exprime o Seu inefável mistério. Sem esta percepção, a Liturgia torna-se a festa da “comunidade celebrante” que celebra suas ideias, suas lutas e suas conquistas. Cristo sai do centro, Deus, o Pai, desaparece e a dimensão sagrada perde totalmente sua razão de ser. Agora aqui há um elemento a ser levado em conta: a sacralidade da Liturgia não depende do aparato exterior que lhe damos, mas da consciência profunda de se estar no âmbito de Deus. A sacralidade vem de Deus, não de ritos ou alfaias! Os ritos e alfaias podem e devem exprimir a sacralidade, mas não a geram nem a garantem. Rito por rito, alfaia por alfaia nos levariam a um desfile de fixação estética de sentido mais que duvidoso! É preciso estar atentos para o sentido teológico da Liturgia, para uma espiritualidade litúrgica centrada em Cristo, de consciência de ser Igreja Corpo do Senhor e de profundo compromisso com o Evangelho na própria vida e na vida do mundo, com tudo o que isto possa significar e implicar!



- Dominus: Relembrando a encíclica do Beato Papa João Paulo II, Fides et Ratio, “a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade”. Na opinião do senhor, quando a Igreja vencerá a batalha de convencer o mundo de que essa afirmação é verdadeira? Trata-se, por ventura, de uma ótica diversa, filosoficamente, do que seja, de fato, a verdade?
- Dom Henrique: Quando a Igreja vencerá a batalha? Neste mundo, nunca! O conflito entre fé e razão, religião e ciência dá-se como fruto de preconceito, seja de um lado seja do outro. E os preconceitos muitas vezes são nascidos do medo de quem pensa e vive de modo diferente do nosso. Além do mais, há um tipo de preconceito contra a fé pelo simples medo de ter que se converter e mudar de vida. O importante é que se procure cada vez mais criar um clima de tolerância e diálogo, sem a pretensão de querer dobrar o outro ao modo de ver e pensar. No passado, os crentes foram bastante intolerantes; hoje são alguns cientistas que manifestam uma intolerância quase fanática. Infelizmente, esses são os que aparecem mais na mídia. Quanto ao conceito de verdade, não é que cristianismo e ciência tenham conceitos diferentes. Apenas o cristianismo aponta para uma profundidade e amplidão da verdade que muitas vezes a ciência e determinadas correntes filosóficas não alcançam e julgam ser impossível alcançar...


- Dominus: Às vezes, se tem a impressão de que Roma está muito distante do Brasil, e não falamos apenas em termos geográficos. Por que, com honradas exceções, é raro ouvir ressoar com força a voz do Vigário de Cristo nesta Terra de Santa Cruz? A Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma nota com indicações pastorais para melhor se viver o Ano da Fé. Como o senhor sente a acolhida, no Brasil, desse documento do dicastério mais importante da Cúria Romana?
- Dom Henrique: É necessário recordar que estamos ainda num período pós-conciliar. Para a Igreja, 50 anos são nada. O Vaticano I enfatizou dogmaticamente o primado universal do Papa e sua infalibilidade em sentenças de fé e moral. O Vaticano II retomou integralmente a doutrina do Vaticano I e completou com a doutrina da colegialidade episcopal: os Bispos são verdadeiros pastores de suas igrejas diocesanas e como tais, têm também a responsabilidade pela Igreja universal. Temos, portanto, uma tensão sadia entre primado e colegialidade. Quando se exagera num desses dois polos, temos um problema. O equilíbrio nem sempre é fácil, principalmente nestes tempos ainda pós-conciliares. Não diria que a voz da Santa Sé esteja longe; mas, sem dúvida, às vezes uma ênfase muito forte nas realidades locais podem enfraquecer a percepção dos apelos e orientações da Sé Apostólica. Quanto ao Ano da Fé, penso que as dioceses estão procurando, de acordo com suas realidades, colocar em práticas as sugestões da Santa Sé e outras iniciativas, segundo a mente de Bento XVI.


- Dominus: Esta entrevista se dá em meio às especulações da mídia com relação ao anúncio de renúncia feito pelo Santo Padre. Como pastor da Igreja, o que o senhor tem a dizer ao rebanho que, levado pela histeria midiática, pode não estar compreendendo a atitude de Bento XVI?
- Dom Henrique: A atitude do Papa foi explicada por ele próprio: ouvindo o Senhor na voz de sua própria consciência, achou por bem renunciar ao múnus petrino por se sentir sem forças suficientes, devido à idade. Um estupendo exemplo de humildade. Havia no Domingo passado uma faixa na Praça de São Pedro que resume bem a atitude do Papa: “A incrível liberdade de um homem preso a Cristo!” É isto. E isto o mundo não pode compreender. Pena que alguns católicos também não consigam. Mas, o Povo de Deus como um todo, compreende e admira e ama ainda mais este Papa!

 Dom Henrique (centro), Seminarista João Lamim (direita) e Seminarista Renato Rosa (esquerda)

- Dominus: Sempre inspirados nas recomendações do Santo padre, com relação à utilização da mídia virtual para a evangelização – e o senhor realiza um trabalho pastoral muito eficaz nesse campo –, gostaríamos que o senhor deixasse uma mensagem à equipe do Blog Dominus Vobiscum e a todos os seus leitores.
- Dom Henrique: Vão adiante! A Internet deve ser lugar de evangelização. Tomem como critérios (a) o desejo de anunciar Jesus Cristo e fazê-Lo amado e seguido; (b) a fidelidade inegociável à Igreja de Cristo, recordando que esta está onde está Pedro, (c) o tom que deve orientar as matérias seja de caridade e alegria que provêm de Cristo.



Filho de Lourival Nunes da Costa e Maria Francisca Tereza Soares da Costa, nasceu em 11 de abril de 1963. Cursou os estudos primários na cidade de Junqueiro e também em Maceió. Em 1981 ingressou no Seminário Arquidiocesano de Maceió e cursou Filosofia na Universidade Federal de Alagoas. Em 1985 abraçou a vida monástica, primeiro no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e depois no Mosteiro Trapista de Nossa Senhora do Novo Mundo, no Paraná. Na vida monástica recebeu o nome de Ir. Agostinho, tendo como padroeiro Santo Agostinho de Hipona. Por motivo de saúde regressou a Maceió em 1989, antes mesmo de fazer os votos.
Em 1990 voltou ao Seminário e foi para Roma, concluir o curso de Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi ordenado sacerdote na Arquidiocese de Maceió-AL em 15 de agosto de 1992, solenidade da Assunção da Virgem Santíssima.
Concluído o bacharelado, fez dois anos de mestrado na mesma Gregoriana, na área de Teologia Dogmática, particularmente eclesiologia.
De volta ao Brasil, trabalhou como formador no Seminário, professor de Dogmática, de Teologia em várias instituições de ensino. De 1994 a 2009 foi Reitor da Igreja de Nossa Senhora do Livramento em Maceió, vigário Episcopal para os Leigos, membro do Cabido dos Cônegos da Catedral da Arquidiocese de Maceió, participante do Conselho Presbiteral e Coordenador da Comissão de Formação Política de Maceió.
No dia 1º de abril de 2009 o Santo Padre Bento XVI nomeou-o Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju - SE. Foi sagrado bispo em 19 de junho de 2009 por Dom Antônio Muniz Fernandes, Arcebispo de Maceió.

Brasão Episcopal


 a) Letra Y: Trata-se da primeira letra de Yiós, Filho, em grego. A própria grafia da letra Y evoca a imagem de Cristo de braços estendidos na entrega da cruz; assim que se trata de uma visão profundamente cristocêntrica: tudo converge para o Filho que se entrega amorosamente ao Pai no Espírito Santo, evocado pela cor vermelha;
b) Amarelo Ouro: Fruto da entrega de Cristo é a salvação, isto é, a divinização de toda a humanidade e de toda criatura, representada pelo dourado que preenche todo o brasão como expressão da salvação universal de Cristo;
c) Flor de Lis Azul: A flor recorda a Virgem Maria, do qual é devoto. A Virgem é modelo de todo discípulo, Mãe dos pastores da Igreja e eficaz colaboradora na obra da salvação operada pelo Senhor Jesus.

Seu lema é: In Christo Pascere! (Apascentar em Cristo)

Do mistério salvífico de Jesus, o Bispo é ministro, pois que outra coisa não pretende a não ser instrumento da divinização conquistada por Cristo.


Pelos Seminaristas João Lamim e Renato Rosa

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Sede de Pedro está Vacante





Eis que é chegado o dia!
Dia histórico para a Igreja de Cristo e para todo o mundo, católico ou não!
Um Papa, depois de Celestino V, renuncia à Sede petrina.
Não é covardia. Pelo contrário. É extrema coragem.
O Trono, a glória, os suíços.
Todo o teu temporal não são capazes de te prender por entre os mármores de Pedro?
Sobre ti estão os olhares da humanidade, e tu recusas o poder?
Como novo Celestino entendes a hora de descer e,
livremente desces.
É próprio de quem é Grande, a descida.
Só os Grandes descem.


Pedro, Bento, nós te agradecemos!
No Brasil é a décima sexta hora, em Roma a vigésima.
Hora que se rasga o véu de Pedro.
A Cátedra está vazia!
Lembro-me da tristeza com a morte de João Paulo II,
mas agora é uma santa alegria pelo testemunho silencioso de Bento.
Agora vemos um bispo; um bispo vestido de branco.
Sem sua mantelete, sem a mozeta tingida de sangue.
Sê bendito, nosso Papa emérito, o silêncio e a oração são teus companheiros!


Já não mais pescas; seu anel foi-se perdido;
O Camerlengo o viu pela última vez.
Não pesca, mas ajuda a recolher os peixes!
Ajudas porque sabes: o Mestre está no barco!
Ainda é nosso guia; guia e mestre da oração.
Ensinou-nos a olhar os primeiros Padres;
nos conduziu através das sendas da perene doutrina de Cristo.
Nos fez vislumbrar a glória da Liturgia na simplicidade e na continuidade.


Anel quebrado; Palácio lacrado.
Roma é tomada pelos príncipes.
As pinturas e o Juízo final são preparados para receber os purpurados;
e o futuro Pontífice!
Vamos à Missa Pro eligendo Romano Pontifice?
Por idade, Sodano não preside a reunião “entre chaves”.
Batista Ré toma seu lugar!
E Bento? Até abril fica em Gandolfo.
Parece que gosta deste lugar! Ora et labora.
E depois?
Maria Mater Ecclesiae o acolherá!


A partir desta hora estamos órfãos, mas não sem pai!
Bento continua a nos guiar pela sua oração e testemunho.
Esperamos o novo Pontífice, mas não nos esqueceremos do emérito.
Obrigado, Bento!


Não desces, mas sobes!
Ó vós que sentis com a Igreja,
Olhai o papa que desce!
Que desce para o Alto!
Reconhecemos tua força e bradamos:
Viva o Papa!


Trechos do texto de Pe. Marcelo Tenório.

'Vergelt’s Gott', Santo Padre!


“Com grande trepidação, os Padres Cardeais se unem ao seu redor, Santidade, para manifestar-lhe mais uma vez seu profundo afeto e expressar-lhe viva gratidão por seu testemunho de abnegado serviço apostólico, pelo bem da Igreja de Cristo e de toda a humanidade. [...] Em 19 de abril de 2005, Sua Santidade se inseriu na longa cadeia de Sucessores do Apóstolo Pedro e hoje, 28 de fevereiro de 2013, está prestar a deixar-nos, à espera que o timão da barca de Pedro passe a outras mãos. Assim, prosseguirá a sucessão apostólica, que o Senhor prometeu à sua Santa Igreja, até quando se ouvir sobre a terra a voz do Anjo do Apocalipse que proclamará ‘Já não haverá mais tempo… então o mistério de Deus estará consumado’. Terminará assim a história da Igreja, com a história do mundo, com o advento de novos céus e terra nova. [...] Sim, Padre Santo, saiba que o nosso coração também ardia enquanto caminhávamos juntos nesses últimos oito anos. Hoje, queremos mais uma vez expressar-lhe toda a nossa gratidão. Em coro, repetimos uma expressão típica de sua querida terra natal: ‘Vergelt’s Gott’, Deus lhe pague!” [grifos nossos].


Belíssimas palavras do Cardeal Angelo Sodano na despedida aos cardeais do Papa Bento XVI na Sala Clementina, hoje pela manhã.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Título, vestes e anel de Bento XVI: eis as respostas


Cidade do Vaticano (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, realizou na manhã desta terça-feira mais uma coletiva de imprensa, em que esclareceu algumas das muitas dúvidas dos jornalistas.


Uma delas é sobre como Bento XVI será chamado a partir do dia 28 de fevereiro. A resposta é: continuará a chamar-se Sua Santidade Bento XVI, mas foi escolhido também Papa Emérito ou Romano Pontífice Emérito.

Sobre as vestes: branca, simples, sem mantelete. Não são mais previstas os sapatos vermelhos. “Parece que o Papa ficou muito satisfeito com os sapatos que lhe presentearam no México, em Leon”, disse Pe. Lombardi.

Não usará mais o anel do pescador, para o qual o Camerlengo, com o decano, darão o fim que a Constituição prevê.

Sobre o dia de hoje, o Papa o transcorrerá em oração e preparação para a transferência a Castel Gandolfo.

Para a Audiência Geral de quarta-feira, foram distribuídos 50 mil bilhetes. Prevê-se o mesmo esquema: um amplo giro com o papamóvel. Não terá lugar o “beija-mão” – este será feito após a Audiência Geral, na Sala Clementina, para algumas autoridades, como o Presidente da Eslováquia, o Presidente da região da Baviera.

Quinta-feira, às 11h, haverá a saudação aos Cardeais, com o discurso do Decano no início. Às 16h55 (hora local), a partida de carro do pátio de São Dâmaso, saudação dos superiores. No heliporto, haverá a saudação do Cardeal Decano. Às 17h15, a chegada a Castel Gandolfo, onde estarão presentes o Bispo de Albano e outros autoridades. Às 17h30, no Pátio interno o Papa saúda os fiéis – a última saudação pública do Santo Padre. Às 20h, a Guarda Suíça, fecha a porta do Palácio Apostólico, encerrando o serviço para o Papa como chefe da Igreja.
(BF)

fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2013/02/26/t%C3%ADtulo,_vestes_e_anel_de_bento_xvi:_eis_as_respostas/bra-668456

Normas litúrgicas para o tempo de Sede Vacante


Em seu site, padre Paulo Ricardo, pertencente ao clero da arquidiocese de Cuiabá - MT, explicou as alterações temporárias das normas litúrgicas, durante o período de Sede Vacante.

A renúncia do Papa Bento XVI e a consequente vacância da Sede Papal suscitou em toda a Igreja diversas dúvidas de ordem prática: como se fará a escolha do novo Papa, como ele se chamará, como devemos rezar por ele e por Bento XVI? Progressivamente essas questões vem sendo respondidas e agora chegou a vez de saber como a Igreja determina que se reze nas celebrações da Santa Missa durante a vacância.
De maneira clara, a Constituição Apostólica Universi domini gregis, promulgada pelo Bem-aventurado Papa João Paulo II, no dia 22 de novembro de 1996, especialmente em seu número 84, orienta os fieis e a Igreja como um todo sobre como proceder durante o período vacante:
"84. Durante a Sé vacante, e sobretudo no período em que se realiza a eleição do Sucessor de Pedro, a Igreja está unida, de modo muito particular, com os Pastores sagrados e especialmente com os Cardeais eleitores do Sumo Pontífice, e implora de Deus o novo Papa como dom da sua bondade e providência. Com efeito, seguindo o exemplo da primeira comunidade cristã, de que se fala nos Atos dos Apóstolos (cf. 1,14), a Igreja universal, unida espiritualmente com Maria, Mãe de Jesus, deve perseverar unanimamente na oração; deste modo, a eleição do novo Pontífice não será um fato disjunto do Povo de Deus e reservado apenas ao Colégio dos eleitores, mas, em certo sentido, uma ação de toda a Igreja. Estabeleço, portanto, que, em todas as cidades e demais lugares, ao menos naqueles de maior importância, após ter sido recebida a notícia da vacância da Sé Apostólica e, de modo particular, da morte do Pontífice, depois da celebração de solenes exéquias por ele, se elevem humildes e instantes preces ao Senhor (cf. Mt 21,22; Mc 11,24), para que ilumine o espírito dos eleitores e os torne de tal maneira concordes na sua missão, que se obtenha uma rápida, unânime e frutuosa eleição, como o exigem a salvação das almas e o bem de todo o Povo de Deus."
Além desse documento, a Igreja oferece ainda a Instrução Geral do Missal Romano e o próprio Missal Romano, os quais direcionam os sacerdotes nas celebrações litúrgicas, especialmente modificadas para esse momento. Abaixo, as Orações Eucarísticas já com as devidas modificações. De maneira geral, a orientação dada pela Igreja é uma só: os católicos devem permanecer unidos em oração, rogando a Deus para que Ele dê à sua Igreja um pastor digno, ‘que vele solícito’ sobre ela e sobre todos nós.

Orações Eucarísticas:
Oração Eucarística I
Nós as oferecemos pela vossa Igreja santa e católica: concedei-lhe paz e proteção, unido-a num só corpo e governando-a por toda a terra. Nós as oferecemos também (pelo vosso servo o papa N.) por nosso bispo N. e por todos os que guardam a fé que receberam dos apóstolos.
Oração Eucarística II
Lembrai-vos, ó Pai, da vossa Igreja que se faz presente pelo mundo inteiro: que ela cresça na caridade (com o papa N. ,) com o nosso bispo N. e todos os ministros do vosso povo.
Oração Eucarística III
E agora, nós vos suplicamos, ó Pai, que este sacrifício da nossa reconciliação estenda a paz e a salvação ao mundo inteiro. Confirmai na fé e na caridade a vossa Igreja, enquanto caminha neste mundo: (o vosso servo o papa N.,) o nosso bispo N. com os bispos do mundo inteiro, o clero e todo o povo que conquistastes.


Orações para a eleição do Papa ou Bispo:

Antífona de entrada (1 Sm 2, 35)
Farei surgir um sacerdote fiel,
que agirá segundo o meu coração e minha vontade.
Eu lhe darei uma casa que permaneça para sempre
e ele caminhará na minha presença todos os dias


Oração do dia
Ó Deus, pastor eternos,
Que governais o vosso rebanho com solicitude constante,
No vosso amor de Pai
Concedei à Igreja um pastor que vos agrade pela virtude
E que vele solícito sobre nós.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
Na unidade do Espírito Santo.


Sobre as oferendas
Ó Deus, sede compassivo para conosco,
e dai-nos, pelas oferendas que vos apresentamos,
a alegria de ver à frente de vossa Igreja
um pastor do vosso agrado.
Por Cristo, nosso Senhor.


Antífona da comunhão (Jo 15, 16)
Fui eu que vos escolhi e enviei
para produzirdes fruto,
e o vosso fruto permaneça, diz o Senhor.


Depois da comunhão
Refeitos, ó Deus,
pelo sacramento do corpo e do sangue de vosso Filho,
dai-nos a alegria de possuir um pastor
que dirija o vosso povo no caminho da virtude
e faça penetrar em seu coração a verdade do evangelho.
Por Cristo, nosso Senhor.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Motu Proprio Normas nonnullas de Bento XVI



Motu Proprio Normas nonnullas

Carta Apostólica
em forma de Motu Proprio
sobre algumas mudanças nas normas sobre
a eleição do Romano Pontífice


Com a Carta Apostólica De aliquibus mutationibus in normis de electione Romani Pontificis, como Motu Proprio em Roma no dia 11 de Junho de 2007,  terceiro ano do meu Pontificado, estabeleci algumas normas que, revogando aquelas prescritas no número 75 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis promulgada no 22 de fevereiro de 1996 pelo meu predecessor, o Beato João Paulo II, re-estabeleceram a norma,  sancionada pela tradição, segundo a qual para a válida eleição do Romano Pontífice é sempre necessária a maioria dos dois terços dos votos dos Cardeais eleitores presentes.
Considerada a importância de garantir o melhor desempenho do que compete, embora com ênfase diferente, à eleição do Romano Pontífice, em particular uma mais certa interpretação e atuação de algumas disposições, estabeleço e prescrevo que algumas normas da Constituição apostólica Universi Dominici Gregis e tudo o que eu mesmo dispus na referida Carta apostólica sejam substituídas pelas normas a seguir:
n. 35. “Nenhum Cardeal eleitor poderá ser excluído da eleição seja ativa que passiva por nenhum motivo ou pretexto, permanecendo firme o prescrito no n. 40 e no n. 75 desta Constituição.”
n. 37. “Além do mais Ordeno que, a partir do momento em que a Sé Apostólica esteja legitimamente vacante, espere-se por quinze dias inteiros os ausentes antes de começar o Conclave; deixo, no entanto, ao Colégio dos Cardeais a faculdade de antecipar o começo do Conclave se consta a presença de todos os Cardeais eleitores, como também a faculdade de protelar, se existem motivos graves, o começo da eleição por alguns outros dias. Passados, porém, no máximo, vinte dias do começo da Sé Vacante, todos os Cardeais eleitores presentes devem proceder à eleição”.
n. 43. “A partir do momento em que se dispor o começo dos procedimentos da eleição, até o anúncio público da eleição do Sumo Pontífice ou, pelo menos, até quando assim o ordenar o novo Pontífice, os lacais da Domus Sanctae Marthae, como também, e sobretudo a Capela Sistina e os ambientes destinados para as celebrações litúrgicas, deverão permanecer fechados, sob a autoridade do Cardeal Camerlengo e com a colaboração externa do Vice Camerlengo e do Substituto da Secretaria de Estado, às pessoas não autorizadas, como estabelecido nos números seguintes.
Todo o território da Cidade do Vaticano e também a atividade ordinária dos Escritórios que têm sua sede dentro do âmbito deverão ser regulados, por certo período, a fim de garantir a privacidade e o livre desenvolvimento de todas as operações relacionadas com a eleição do Sumo Pontífice. Em particular, se deverá prover, também com a ajuda de Prelados Clérigos da Câmara, que os Cardeais eleitores não sejam abordados por ninguém no percurso da Domus Sanctae Marthae até o Palácio Apostólico Vaticano”.
n. 46, parágrafo 1. “Para atender as necessidades pessoais e de ofício relacionadas com a realização das eleições, deverão estar disponíveis e portanto convenientemente alojados em locais adequados, dentro dos limites referidos no n. 43 da presente Constituição, o Secretário do Colégio dos Cardeais, que atua como secretário da assembleia eleitoral; o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias com oito cerimoniários e duas Religiosas encarregadas da Sacristia Pontifícia; um eclesiástico escolhido pelo Cardeal Decano ou pelo Cardeal que lhe substitui, para que o ajude no próprio ofício.”
n. 47. “Todas as pessoas listadas no n. 46 e n. 55, § 2 º da presente Constituição Apostólica, que por qualquer motivo e em qualquer tempo tomassem conhecimento por meio de quem for de quanto direta ou indiretamente diz respeito aos atos próprios da eleição e, de modo especial, ao que se refere ao escrutínio na mesma eleição, estão obrigados a sigilo absoluto com qualquer pessoa fora do Colégio dos Cardeais eleitores: para isso, antes do começo dos procedimentos, deverão prestar juramento na modalidade e na fórmula indicadas no número seguinte.”
n. 48. “As pessoas referidas no n. 46 e no n. 55, parágrafo 2 º da presente Constituição, devidamente avisadas ​​sobre o significado e a extensão do juramento que farão, antes de começar os procedimentos da eleição, diante do Cardeal Camerlengo ou de outro Cardeal delegado pelo mesmo, na presença de dois Protonotários Apostólicos de Número Participantes, no devido tempo deverão pronunciar e assinar o juramento segundo a seguinte fórmula:
Eu, N. N. prometo e juro de observar o segredo absoluto com qualquer pessoa que não faça parte do Colégio dos Cardeais eleitores, e isso para sempre, a menos que não receba uma especial faculdade para isso data expressamente pelo novo Pontífice eleito ou pelos seus Sucessores, sobre tudo o relacionado direta ou indiretamente às votações e aos escrutínios para a eleição do Sumo Pontífice.
Prometo também e juro de abster-me de usar qualquer instrumento de gravação ou de audição ou de visão de tudo o que, no período da eleição, acontece no âmbito da Cidade do Vaticano, e especialmente de tudo o que direta ou indiretamente de qualquer forma tem relação com os procedimentos relacionados com a mesma eleição.
Declaro de fazer este juramento, consciente de que uma infração desse vai resultar para mim na pena canônica da excomunhão “latae sententiae” reservada à Sé Apostólica “.
Assim Deus me ajude e estes Santos Evangelhos, que toco com a minha mão. “
n. 49. “Celebradas de acordo com os ritos prescritos o funeral do Pontífice, preparado tudo o que é necessário para o desenrolar regular da eleição, no dia estabelecido, nos termos do n. 37 desta Constituição, para o início do Conclave todos os Cardeais  se reunirão na Basílica de São Pedro no Vaticano, ou em outro lugar segundo a oportunidade e as necessidade do tempo e do lugar, para participar de uma solene celebração eucarística com a Missa votiva pro eligendo Papa. (19) Isso deverá ser feito de preferência nas primeiras horas da manhã, para que à tarde possa acontecer o que está prescrito nos números seguintes da mesma Constituição”.
n. 50. “Da Capela Paulina do Palácio Apostólico, onde estarão recolhidos em hora conveniente da parte da tarde, os Cardeais eleitores com hábito coral irão em procissão solene, invocando com o canto do Veni Creator a assistência do Espírito Santo, à Capela Sistina do Palácio Apostólico, lugar e sede do processo eleitoral. Participarão da procissão o Vice Camerlengo, o Auditor Geral da Câmara Apostólica e dois membros de cada um dos Colégios dos Protonotários Apostólicos de Número Participantes, dos Prelados Auditores da Rota Romana e dos Prelados Cléricos da Sala”.
n. 51, parágrafo 2. “Portanto, será responsabilidade do Colégio dos Cardeais, trabalhando sob a autoridade e a responsabilidade do Camerlengo adjunto da Congregação particular da qual no n.7 da presente Constituição, que, dentro de tal Capela e dos locais adjacentes, tudo esteja previamente disposto, também com a ajuda de fora do Vice Camerlengo e do Substituto da Secretaria de Estado, de modo que a regular eleição e a confidencialidade da mesma sejam tuteladas.”
n. 55, parágrafo 3. “Se qualquer violação desta norma acontecesse, saibam os autores que sofrerão a pena de excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica”.
n. 62. “Abolidos os modos de eleição chamados per acclamationem seu inspirationem e per compromissum, a forma de eleição do Romano Pontífice será daqui pra frente unicamente per scrutinium.
Estabeleço, portanto, que, para a válida eleição do Romano Pontífice seja necessário ao menos dois terços dos sufrágios, computados com base aos eleitores presentes e votantes.”
n. 64. “O procedimento do escrutínio acontece em três fases, a primeira das quais, que pode ser chamada pré-escrutínio, compreende: 1) a preparação e a distribuição das cédulas pelos Cerimoniários – chamados na Sala junto com o Secretário do Colégio dos Cardeais e com o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias – que entregarão ao menos duas ou três a cada um dos Cardeais eleitores; 2) o sorteio, entre todos os Cardeais eleitores, de três Escrutinadores, três encarregados de recolher os votos dos doentes, denominados brevemente infirmarii, e de três Revisores; tal sorteio é feito publicamente a partir do último Cardeal Diácono, que extrai a seguir os nove nomes daqueles que deverão realizar tais tarefas;  3) se no sorteio dos Escrutinadores, dos Infirmarii e dos Revisores, saem os nomes dos Cardeais eleitores que, por doença ou outro motivo, estão impedidos de realizar tais tarefas,  sejam retirados no lugar deles os nomes de outros sem impedimentos. Os primeiros três sorteados serão os Escrutinadores, os segundos três Infirmarii, os outros três Revisores”.
n. 70, parágrafo 2. “Os escrutinadores somam todos os votos que cada um deu, e se ninguém alcançou ao menos os dois terços dos votos naquela votação, o Papa não foi eleito; se porém, um tiver obtido ao menos os dois terços, tem-se a eleição do Romano Pontífice canonicamente válida”.
n. 75. “Se as votações a que se referem os nn. 72, 73 e 74 da mencionada Constituição não tiverem êxito, seja dedicado um dia à oração, à reflexão e ao diálogo; nas seguintes votações, observada a ordem estabelecida no n.74 da mesma Constituição, terão voz passiva somente os dois nomes que no precedente escrutínio tinham obtido o maior número de votos,  nem se poderá renunciar da disposição que para a válida eleição, também nestes escrutínios, é pedida a maioria qualificada de ao menos dois terços de sufrágios dos Cardeais presentes e votantes. Nestas votações, os dois nomes que têm voz passiva não tem voz ativa”.
n. 87. “Acontecida canonicamente a eleição, o último dos Cardeais Diáconos chama na sala da eleição os Secretário do Colégio dos Cardeais, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e dois Cerimoniários; portanto, o Cardeal Decano, ou o primeiro dos Cardeais por ordem e antiguidade, em nome de todo o Colégio dos eleitores pede o consenso do eleito com as seguintes palavras: Aceitas as tua eleição canônica como Sumo Pontífice? E apenas recebido o consenso, pede-lhe: Como queres ser chamado? Então o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, com função de notário e tendo dois Cerimoniários por testemunhas, redige um documento sobre a aceitação do novo Pontífice e o nome escolhido por ele”.
Este documento entrará em vigor imediatamente após a sua publicação no L’Osservatore Romano.
Decido isto e estabeleço, não obstante qualquer disposição em contrário.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 22 de fevereiro, no ano de 2013, o oitavo do meu Pontificado.

Benedictus PP XVI

Texto em italiano divulgado pela Santa Sé. Tradução de Zenit.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Reflexão sobre o II Domingo da Quaresma


“Há muitos por aí que se comportam como inimigos da Cruz de Cristo”.

Caríssimos irmãos e irmãs na fé,

Chegamos ao II domingo da Quaresma, este santo itinerário de conversão nos apresenta na liturgia de hoje, mais especificamente nas palavras do evangelho: o Senhor que convoca Pedro, João e Tiago para subir ao monte e rezar.


O monte, a montanha é na visão teológica o “lugar da manifestação”. E é para lá que o Senhor se retira. Depois de ter rezado sua feição, seu rosto se transfigura e ao seu lado surgem Moisés e Elias.

Nestes personagens históricos, vemos que a revelação e a oração de Cristo Jesus estão baseadas na lei e nos profetas, como nos diz o Prefácio deste solene domingo: “Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos Profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela Paixão na Cruz, chegará à glória da ressurreição”.

Ao ter com essa visão Pedro, a rocha, admirado exclama: “Mestre, é bom estarmos aqui”. E a quaresma é este período em que devemos nos encontrar com o Senhor. Somos convocados a aumentar nossa intimidade com ele. A visita-lo no sacrário, a ter com ele nas Sagradas Escrituras e na celebração dos sacramentos. A encontra-lo por meio das diversas práticas de piedade, mas, sobretudo pelo exercício milenar do jejum, da penitência e da caridade.

Se vivemos íntimos com Senhor, se temos uma fé enraizada em Cristo diremos: É bom estarmos aqui. É bom contigo estar, Senhor. Mesmo nos momentos de dificuldade, nos momentos de dor, de aridez, de desânimo... É bom aqui estar! Pois o Senhor é nossa força, o Senhor é nossa luz e salvação, como canta o salmista.


Mas na quaresma não há melhor lugar para estar –mais santo, mais íntimo, mais profundo- que aos pés da Cruz. Os homens e as mulheres desta terra se comportam e vivem contrários a cruz de Cristo, alerta São Paulo. Todavia, nós devemos encontrar na Cruz de Cristo, um manancial, uma fonte de vida que nos anima e nos dá ânimo para viver a fé e construir um mundo mais humano e cristão.

Para o mundo a cruz é sinal de contradição, mas, para nós é elemento de salvação! Só aquele que se põem aos pés da Cruz e do Crucificado encontrará o verdadeiro e real caminho de santificação. Este caminho é tortuoso e ardo, mas, é um caminho de amor.

E quando nos colocarmos aos pés da Cruz, encontraremos lá a Mãe de Deus e nossa. Ela está junto de nós e nos ensina a encontrar em Cristo a razão de nossa vida, a alegria de nossa existência e a força para a santificação. 

Que a Virgem Santíssima nos inspire a viver com intensidade essa quaresma!

Último Ângelus de Bento XVI: Omnes cum Petro!


Realmente, Bento XVI é um homem formidável! Não precisamos mais elencar as tantas atribuições que foram levantadas nos últimos tempos. Com Pedro nós sempre estaremos!
Neste domingo II da Quaresma, 24 de fevereiro, o Santo Padre (como em todos os momentos, muito sereno e contente) rezou da janela do Palácio Apostólico, a oração do Ângelus Domini. A praça de San Pietro estava lotada de fiéis, como havia-se previsto. Segundo a Sala de Imprensa, cerca de 200 mil pessoas estavam presentes; ela [a praça] “se enchia desde as primeiras horas da manhã aos poucos foi sendo tomada por religiosas, sacerdotes, turistas, mas principalmente por famílias com crianças e muitos jovens”. A multidão acorre à Pedro, para vê-lo e receber sua bênção e reafirmar seu amor profundo por Cristo e sua Igreja no testemunho admirável do Papa.


Em sua mensagem dominial o Papa refletiu brevemente acerca do Evangelho deste dia, de São Lucas, que narra a Transfiguração do Senhor. Reiterou, assim, a precedência da oração e da contemplação na vida espiritual do cristão. “O evangelista Lucas coloca especial atenção para o fato de que Jesus foi transfigurado enquanto orava: a sua é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive em uma alta montanha na companhia de Pedro, Tiago e João. O Senhor, que pouco antes havia predito sua morte e ressurreição (9:22), oferece a seus discípulos antes da sua glória. E mesmo na Transfiguração, como no batismo, ouvimos a voz do Pai Celestial, “Este é o meu Filho, o Eleito ouvi-lo” (9:35). A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um “êxodo” novo (9:31), não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu”, explicitou o Papa.


Como dele é sucessor, o Santo Padre dedicou atenção especial à figura do apóstolo Pedro dentro do evento da Transfiguração, dizendo que “podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho de apostolado e de caridade é reduzido ao ativismo. Na Quaresma, aprendemos a dar bom tempo para a oração, pessoal e comunitária, o que dá ânimo à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é isolar-se do mundo e suas contradições, como no Tabor desejava Pedro, mas a oração reconduz ao caminho, à ação. A vida cristã - eu escrevi na Mensagem para a Quaresma - consiste em uma subida contínua da montanha para encontrar-se com Deus, antes de cair de volta trazendo o amor e o poder dele derivado, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus”.
E algo que me tocou profundamente (realmente me surpreendeu e comoveu) pela sua tamanha simplicidade e autenticidade, foi o fato de o Papa estabelecer um vínculo belíssimo entre a figura de São Pedro e si mesmo, quando afirmou que “o Senhor me chama a “subir o monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, ao contrário, se Deus me pede isso é precisamente para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual eu fiz até agora, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças”.


Na saudação em várias línguas, Bento XVI falou também em português: “Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o Ângelus: obrigado pela vossa presença e todas as manifestações de afeto e solidariedade, em particular pelas orações com que me estais acompanhando nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos”.


Para quem quiser ver na íntegra o último Ângelus de Bento XVI: http://www.youtube.com/watch?v=ZQZIvbRQ4ps.

No sábado, 23 de fevereiro, o papa prometeu aos cardeais uma maior “proximidade espiritual”  de sua parte após concretizar sua renúncia histórica, prevista para o próximo dia 28, e fez uma advertência sobre os “males deste mundo, o sofrimento e a corrupção”.
Na quarta-feira, 27 de fevereiro, o pontífice realizará a última audiência geral que, na ocasião, acontecerá na Praça de São Pedro. No dia 28, o último de seu pontificado, Bento XVI receberá às 11h na Sala Clementina do palácio apostólico os cardeais para uma despedida.
Bento XVI partirá em seguida de helicóptero para Castengandolfo, a 30 km de Roma. Às 20h (16h de Brasília), sua renúncia ao papado se tornará efetiva.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

De um grande homem não esperava senão um ato de grande humildade



Tomou-nos com demasiada surpresa e perplexidade a renúncia do Papa Bento XVI à Cátedra de São Pedro. Logo, encontrar-se-á vaga a sede do Vigário de Cristo na terra.
Os homens e mulheres de boa vontade, e também os de má vontade, das mais variadas partes do mundo se perguntam: Por que Ratzinger renunciou? O que, verdadeiramente, levou o Romano Pontífice a abdicar do direito de governar à Igreja Católica?

Há muitos por aí: teólogos, professores, feirantes, pedreiros, baderneiros que se tornaram especialistas em “análises de conjuntura papal”. São os que saem por ai, ao leu, dando sua opinião e levantando as mais absurdas hipóteses e teorias sobre a ação de Bento XVI: há quem diga que é doença fatal, desgaste pelo banco vaticano, pela venerável Cúria Romana, pelos escândalos sexuais e tantas, tantas outras mentiras e grosserias.
Creio eu que o papa teve sua saúde debilidade pelo peso da idade, mas, também pelas intempéries que cercam o timão da barca de Pedro. Assistimos com angústia sua última “missa do galo”, na qual notávamos um olhar perdido e um profundo cansaço físico. Bento XVI já não é mais o mesmo desde aquele abril de 2005.

Tendo consciência de suas fraquezas e debilidades físicas o papa decidiu por bem renunciar. Na leitura da carta de renúncia ele alegou seus motivos, mas, que não foram suficientes para muitos. Estes jamais conseguiram compreender a essência deste gesto. Vivendo em mundo onde custa renunciar ao “eu” pelo “nós”, onde é impensável deixar de lado nossos prazeres mesquinhos pelo bem comum, ou pelo crescimento do outro, Bento XVI sempre será incompreendido. Afinal, quem tem um coração dilatado de amor por Cristo e por sua Igreja não será facilmente entendido.

Bento XVI se fez “humilde servo da vinha do Senhor”, se fez pequeno, se abaixou, mas, encontrou de seus filhos ainda maior devoção e filialidade. Grande dom de Deus para Igreja Universal, o papa Bento não sairá pela porta dos fundos, mas, se retirará do sólio Pontifício como um homem a ser imitado, um homem a quem queremos bem e por quem devemos rezar.

Este amado pastor nos ensina novamente que a Obra é de Deus e não nossa. Que quem guia a Igreja é a Trindade e não nossos caprichos humanos. Oxalá este exemplo possa nos fazer perceber que somos “simples e humildes trabalhadores da vinha do Senhor”, e que, por amor, estamos a sua disposição. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

João Paulo II e de Bento XVI: a via da expiação e da oração


Por Pe. Anderson Alves*
Diocese de Petrópolis/RJ.


A Quaresma é para os cristãos um tempo de preparação para a festa da Páscoa. Durante esse período nos lembramos os 40 anos que Israel passou no deserto, os 40 dias de jejum, oração e penitência do Senhor antes de começar o seu ministério público. O deserto é um forte imagem bíblica: é o lugar do silêncio, da pobreza, do encontro com Deus; para atravessá-lo, é necessário descobrir e levar só o que é essencial para a vida. O deserto é também um lugar de solidão, de morte, no qual a tentação é sentida com mais força. É ainda um retrato do mundo atual, no qual as pessoas se tornaram áridas, sem coração, por causa do abandono da fé no verdadeiro Deus.

No deserto, Jesus é tentado pelo diabo três vezes. Todas as tentações são reduzidas ao querer colocar-se no centro de tudo, no lugar de Deus, removendo-o da própria existência ou tentando submetê-lo à nossa vontade. Todas as tentações são, pois, contra a fé, uma ameaça à confiança no verdadeiro Deus.
Para vencer as tentações é necessário colocar a Deus no centro das nossas vidas. E isto é a conversão que a Quaresma nos propõe. Essa se realiza quando analisamos a própria vida diante de Deus, buscando conhecer quem realmente somos, quais são nossas capacidades e limitações, perguntando-lhe sinceramente: o que queres de mim, Senhor? Isto não é fácil, porque muitas vezes não temos tempo para Deus, ou não queremos ouvir a sua voz. A tentação de nos colocar no centro de tudo é sempre muito forte.
Somos chamados na Quaresma a colocar nossas vidas diante de Deus com humildade. E é isso que o Papa Bento XVI fez: analisar repetidamente a sua consciência diante de Deus (conscientia mea iterum atque iterum coram Deo explorata, disse o Papa com uma linguagem agostiniana), perguntando-lhe com total disponibilidade: o que queres de mim? E o Senhor respondeu-lhe, de modo que o Papa chegou à certeza (ad cognitionem certam perveni) do que Deus lhe pedia. E Bento XVI respondeu generosamente, renunciando ao seu ministério para o bem da Igreja, a fim de que outro homem com mais força física do que ele possa continuar conduzindo a Igreja, que é de Cristo, no caminho da Nova Evangelização do deserto que se tornou nosso mundo.
O Papa fez assim um gesto surpreendente, porque foi um ato de fé e de humildade, e infelizmente não sabemos mais o que é viver de fé e o que seja a humildade. Hoje estamos sempre dispostos a julgar, porque não temos a coragem de analisar nossas vidas diante de Deus, como o Papa fez. É mais fácil refugiar-se em juízos superficiais. Neste período de conversão, devemos nos lembrar de que só Deus é onisciente, somente Ele pode julgar as intenções das pessoas, e por isso devemos ter muito respeito para com a consciência dos outros.



O Papa João Paulo II ao seu tempo analisou a sua vida diante de Deus que lhe pediu de viver os últimos anos de seu ministério como uma forma de expiação pelos nossos pecados; e a Bento XVI, Deus pede uma vida dedicada inteiramente à oração. Quem somos nós para julgá-los? Estes dois homens, provavelmente os dois melhores papas de história da Igreja moderna, tiveram a coragem de colocar-se diante de Deus, que lhes indicou o caminho da reconciliação e da oração. E essas duas coisas, a expiação e a oração, são as coisas essenciais da vida sacerdotal. E esses grandes homens de Deus a propõem a todos os sacerdotes. Quem somos nós para condená-los?
Além disso, eles ensinam a todos os cristãos a ter ousadia para entrar no deserto da intimidade com Deus, buscando seriamente a conversão, que inicia com o confronto da própria vida com a vontade de Deus. Isso nos faz reconhecer nossas capacidades e o que Ele realmente quer de nós. Portanto, devemos ter muita alegria e agradecer a Deus por esses homens que sempre serviram ao Senhor com generosidade e total dedicação.
E não devemos ser enganados por falsos profetas do mundo atual. Aqueles que agora criticam o Papa Bento XVI, por ser ancião e ter renunciado são os mesmos que criticaram João Paulo II por ser ancião e não ter renunciado. Os que se esquecem de Deus, estão sempre preparados para apedrejar ao seu próximo, mesmo com acusações contraditórias contra quem não fez cometeu nenhum pecado. Na história da Igreja há Papas santos que não renunciaram ao seu ministério e também um Papa santo (Celestino V) que renunciou ao mesmo.
Os cristãos que buscam a verdadeira conversão agradecem a Deus pelos ministérios brilhantes e complementares de João Paulo II e Bento XVI, que tiveram a humildade, a fé e a coragem de seguir a própria consciência, analisada ​​à luz de Deus; e agora rezam por Bento XVI, mostrando-lhe muito amor e agradecendo a Deus pelo bem que ele fez pela Igreja e pelo mundo durante todos estes anos. Papa Bento XVI sempre ensinou que a Igreja é uma grande família, a família dos filhos de Deus em caminho.
E qual o filho que, tendo um pai com 86 anos, que acabou de passar por uma cirurgia cardíaca, o crítica por não poder mais trabalhar?
Peçamos ao Senhor que nos ajude a ser verdadeiros cristãos, que saibam amar uns aos outros como Jesus nos amou, nunca colocando-nos no lugar de Deus, julgando ou criticando quem sempre foi um pai exemplar e dedicado.

* Enviado pelo autor, disponível também em: http://www.presbiteros.com.br/site/joao-paulo-ii-e-de-bento-xvi-a-via-da-expiacao-e-da-oracao/

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cardeal Darmaatmadja não irá ao Conclave

O Sr. Cardeal Julius Riyadi Darmaatmadja, 78 anos, Arcebispo Emérito de Jacarta, na Indonésia, anunciou que não irá participar do Conclave, segundo informou nesta quinta-feira, 21 de fevereiro, a agência AsiaNews


Dom Julius alegou problemas de saúde física e afirmou que sua opção é "livre e pessoal".

Contatado por telefone na casa jesuíta Emmaus, um local de repouso para sacerdotes idosos e prelados, em Ungaran, uma cidade ao centro de Java, o cardeal destacou a "deterioração progressiva" de sua condição física, desde que ele deixou a arquidiocese da capital, ao completar 75 anos.

"A principal dificuldade é a vista", disse ele em voz baixa, à AsiaNews. A incapacidade de ler textos e documentos é um obstáculo muito grande para trabalhar de forma independente e serena.

"Estou convencido", disse o cardeal, "não ser capaz de me sentar com os outros cardeais e votar para o novo Papa, por isso eu decidi não ir a Roma para esse evento muito importante e histórico para a Igreja".

Ele acrescentou ainda que "compreende plenamente" a decisão do Papa Bento XVI de renunciar ao Pontificado por motivo de saúde. "Uma experiência que vivi na minha pele, quando era arcebispo de Jacarta e decidi renunciar quando atingi 75 anos", porque para ser bispo de uma cidade metropolitana é necessário "estar boa saúde física".

Em conclusão, o cardeal confessa seu "profundo pesar" pela impossibilidade física de ir a Roma e participar do Conclave, mas está convicto da decisão, que tem como certa, também para não "quebrar o protocolo" e dificultar o trabalho da assembleia cardinalícia. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

I Domingo da Quaresma: tentação e redenção.


Neste I Domingo da Quaresma nós, católicos romanos, iniciamos nossa caminhada penitencial-quaresmal com a reflexão das tentações de Jesus no deserto (Lc 4,1-13). Mas o que foram essas tentações? O que elas significam para nós hoje? Como vencê-las e o que buscar verdadeiramente? Este artigo que escrevo, tirei das ideias bases do II capítulo do livro do Santo Padre Bento XVI Jesus de Nazaré. Junto com as ideias centrais do Papa (não por pretensão) apresento algumas conclusões minhas, feitas a partir da leitura atenta e minuciosa.
Jesus, no seu batismo, tem todo o mistério da sua vida revelado. Ao entrar na fila do batismo dos pecadores, se faz um de nós, não sendo pecador, mas tomando sobre si nossas misérias. Cumpriu tudo isto, mais tarde, plenamente na cruz. O Pai revela seu Filho amado, cumprindo a plenitude do amor na ressurreição, e o Espírito Santo (Lc 4,1a) desce em forma de pombo. Perceba, “como uma pomba”, ou seja, é semelhante, parecido com uma pomba, porque a figura do Espírito de Deus é misteriosa em sua essência; pelas coisas materiais pode se assemelhar, mas nunca ser de fato.


Mas o que está no centro aqui é outra coisa, não o batismo. Mas pelo seu batismo simbólico, o Espírito lhe da uma inspiração primeira; e qual é? Ir para o deserto para ser tentado (Lc 4,1b). Mas o Filho do homem, Salvador do gênero humano, ser tentado? Exatamente. Feito homem Ele quer sentir na sua carne o drama humano, as tentações dos homens e mulheres deste mundo. Quer ser tentado, encontrar-se com a ovelha desgarrada e ferida, para então tomá-la nos ombros e reconduzi-la para sua casa como Bom e Doce Pastor zeloso. Só sendo Deus para tamanha atitude!
Enfim, no deserto os demônios o tentam (Lc 4,2) e anjos o servem (Mt 4,11b). É a dialética humana! Nossa vida mortal e factível acontece nesse paradoxo: anjos e demônios! Anjos nos ajudam; demônios nos oferecem algo mais vislumbrante aos olhos. Anjos nos apresentam a vontade de Deus; demônios nos dão os prazeres do mundo. Anjos ajudam o Reino a acontecer em nós; demônios em legião o derrubam. A vida do homem na terra é assim; a vida espiritual do cristão é uma eterna luta, uma guerra, travada continuamente.
Jesus ficou 40 dias no deserto em jejum e profunda oração (Lc 4,2). Isso nos faz lembrar os 40 anos que o povo de Israel passou no deserto em busca da Terra Prometida, de onde brotariam leite e mel em abundância; dos 40 dias que Moisés se preparou para receber as tábuas dos mandamentos e ensinar, conduzir seu povo na justiça; dos 40 dias que Abraão preparou-se para o sacrifício derradeiro de seu filho. Parece-nos que Jesus em seus 40 dias percorre toda a história do povo eleito, da humanidade e também a toma sobre os ombros; suporta-a, assume-a, redime-a.


Passamos então às tentações. A primeira consiste em transformar as pedras em pães (Lc 4,3). Era uma dupla tentação. Primeiro porque Ele tinha fome (Lc 4,2b), e se tivesse pão ao seu alcance a saciaria; depois porque se as transformasse, subjugaria seu poder (que era sobrenatural) ao mal, ao demônio. Mas o intuito do Reino que Jesus traz não são os milagres. Jesus não veio ao mundo para realizar milagres, mas veio para encontrar pessoas, apresentá-las à proposta do Reino e revelar a face paternal de Deus. Jesus não se curva à tentação de satanás, e di-lo que o pão, o verdadeiro pão interessa aos retos de intenção. Milagre por milagre não leva a nada. Mas depois Ele mesmo se faria pão para nós, se multiplicaria em todos os altares do mundo. E este milagre até hoje acontece, e acontecerá até o fim dos tempos. Jesus não quer pessoas atrás dos seus milagres, mas sim atrás do seu verdadeiro alimento: “Fazer a vontade do Pai” (Lc 22,42).


Na segunda tentação o demônio promete ao Senhor em retiro o domínio sobre toda a terra, sob uma imposição: ajoelhar-se aos seus pés e o adorá-lo (Lc 4,6-7). Para que Cristo cederia a tal tentação se conhecia a vontade de seu Abbá? Ele sabia que depois de ressuscitado haveria de ter todo domínio, mas não apenas sobre a terra, e sim sobre o céu e a terra. Era um domínio de poder sobrenatural; e perante Seu nome teria dobrado todo joelho, na terra, no céu e no inferno.
Jesus é forte, espiritualmente (porque era o próprio Deus) e fisicamente; isto pelo jejum e oração, armas fortes contra a tentação, e expulsa o demônio da sua companhia! Porém esta tentação retorna aos tempos atuais. O demônio pede não a adoração a si diretamente, mas através da proposta pela escolha do que é mais racional para os homens, mais organizado, planificado. É o relativismo moderno. Propõe o mais “justo, igual” para todos, onde reine o bem-estar presente das pessoas e a desvalorização com a real essência do homem. Assim, nós decidimos o que deve fazer um “redentor”. É realmente triste constatarmos o crescimento disto hoje!


Na ultima tentação satanás, de modo engenhoso, toma um versículo da Escritura e o distorce bruscamente. Tira o sentido original, inspirado por Deus, e a interpreta do seu jeito. Esta é uma tentação mais que atual: como é cômodo e fácil interpretarmos a Bíblia do nosso jeito, para satisfazer nossos desejos e vontades. Ainda mais. Como é mais satisfatório tirarmos Deus do seu lugar de excelência em nossa vida e o adaptarmos de acordo com as próprias necessidades, subjugando-O à nossa vontade. Em certo ponto Feuerbach tinha razão, quando dizia ser Deus a projeção do próprio homem. Mas razão o tem em relação à situação atual dos ateus que nem razões sabem e têm para os serem. Mas para quem realmente crê a situação é outra. E Feuerbach passa longe de deter a verdade que realmente é verdade!
Enfim, Jesus não se jogou do pináculo do templo (Lc 4,9), pois este era um pedido com segundas intenções do demônio. Mas na cruz não. No madeiro santo Ele abraçou livremente a vontade do Pai e se jogou no maior pináculo da existência, a morte. E o Pai, como profetizara confusamente o demônio na tentação do deserto, O tomou pelas mãos e o ressuscitou, encheu sua humanidade do Espírito Santo e, até hoje, o faz reinar vivo, glorioso no céu à sua destra.


Vencendo as tentações no deserto, Cristo nos apresenta o verdadeiro bem do homem: o rosto misericordioso de Deus. Que nesta Quaresma que iniciamos possamos seguir os passos de Cristo, vencer o mal atual e presente, para esperançosos reinar com Ele no último dia.
16 de fevereiro de 2013.
Vésperas do I Domingo da Quaresma.