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sábado, 1 de fevereiro de 2014

02 de fevereiro - Solenidade da Apresentação do Senhor no templo e purificação de Maria

 
Presentation in the Temple (Philippe de Champaigne, 1648)

A festa da Praesentatione Domini, que celebramos neste domingo, em unidade com toda Igreja universal, remonta de antigas tradições (houve tempo em que era celebrada em 14 de fevereiro, 40 dias após a Epifania). É lembrada também com uma nuance mariana, assumindo o ‘subtítulo’ de “Festa da Purificação da Bem-aventurada Virgem Maria”. Falando de ‘purificação’, parece-nos estranho atribuí-la a Maria Santíssima, tota pulchra! “Esse termo nem sempre denota algo negativo; nesse trecho do evangelho (Lc 2,22-40), a impureza não é moral, mas ritual (Lv 12,2-4) e significa apenas que, após aqueles ritos, as pessoas eram reinseridas na esfera da vida comunitária, de forma análoga a uma âmbula que, de modo inverso, após ser purificada, deixa o sacrário e pode ser mantida junto com outros objetos”.

Sendo assim, a Festa da Apresentação nos relembra estes dois fatos importantes para o cumprimento ritual judaica: a apresentação do menino no Templo diante do sacerdote com a expiação e a purificação da mãe para reinserção na comunidade judaica. Ambas as práticas são realizadas segundo prescrição da lei mosaica, ocorrendo 40 dias após o nascimento; porém dentro da espiritualidade cristã-litúrgica, a partir a encarnação divina, este rito assume um novo sentido de fé.


Ícone grego da Apresentação do Senhor

Omnipotens sempiterne Deus, maiestatem tuam supplices exoramus, ut sicut Unigenitus Filius tuus hodierna die cum nostrae carnis substantia in templo est praesentatus, ita nos facias purificatis tibi mentibus praesentari. Per Dominum nostrum Iesum Christum, Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti, Deus, per omnia saecula saeculorum”.

Coleta da Festa da Apresentação do Senhor

Antigo santinho retratando a profecia de Simeão

Ao ser levado ao templo por José e Maria, Jesus menino é oferecido ao Senhor Javé: Simeão e Ana, iluminados pelo Espírito Santo, reconhecem no menino frágil e pobre o Messias esperado por Israel e profetizam sobre Ele; são eles portadores da promessa, da esperança de um povo que espera libertação! A circuncisão de Cristo, que é o rito próprio da apresentação do recém-nascido no templo, é um gesto ligado à Páscoa hebraica, memorial da libertação da escravidão. Assim, mesmo cumprindo o ritual judaico, é pela circuncisão do coração transpassado na cruz que a escravidão opressora da humanidade é vencida e a libertação triunfa na vitória da vida sobre a morte. Já assumido a carne humana, pela circuncisão o Filho do Pai Eterno ainda assume a identidade de um povo: passa a pertencer ao povo de Israel, e por vocação eterna, passa a ser o ungido, recebendo o nome de ‘JESUS’, para salvar este mesmo povo e levá-lo (levar-nos) a Terra Prometida! A Festa da Apresentação é a ligação do Natal e da Páscoa de Cristo!

Como é belo olharmos a Liturgia da Igreja não em seus pormenores ou detalhes (por vezes externos), mas em sua totalidade e profundidade, assim descobrindo sua real unidade e beleza!

Representação etíope da Apresentação do Senhor

 “Estamos na presença de um mistério, ao mesmo tempo simples e solene, no qual a Santa Igreja celebra Cristo, o Consagrado do Pai, como primogênito da nova humanidade”, afirma o Papa emérito Bento XVI, na Festa da Apresentação e Dia da Vida Consagrada de 2013. Pelo mistério da vida de Cristo somos hoje, filhos de Deus e membros da Igreja, os portadores da profecia, da esperança, da salvação e da libertação àqueles que ainda jazem entre as trevas, antigas e novas, existenciais, morais e sociais.

Também neste dia, na comemoração litúrgica, costuma-se realizar a bênção das velas. Tão singelo gesto quer, em si, abençoar a luz! É a luz da nossa fé que se une a fé do Cristo e da Igreja; como duas velas que se unem para formarem uma só chama, ardente e destemida! Cristo se nos apresenta como o escolhido de Deus, “Luz que brilha aos gentios para a glória de Israel, vosso povo”; é o Sumo Sacerdote fiel e misericordioso, que acende nossa vida com a graça santificante do Pai.

Apresentação do Senhor: Festa da luz!

Como na solenidade da Epifania, hoje Cristo é apresentado como luz! A tradição católica do Oriente chama esta festa de “συνεδρίαση της ομάδας” (Festa do Encontro), justamente pelo fato de que, sendo na Epifania o Encontro dos Magos na intimidade da Família Sagrada, hoje Cristo se encontra definitivamente com sua missão: ser luz e acender luzeiros no mundo (os santos) e encontrar/reunir no seu coração misericordioso os dispersos da casa de Israel. Hoje, em Cristo e por Maria, Deus faz com a humanidade o seu encontro de salvação, com a promessa da Jerusalém celeste, novo céu e nova terra, nossa morada!

Apresentação do Senhor pela representação africana

Maria encerra em si o sentido desta festa: a Mãe da luz, a toda iluminada, portadora da paz e da esperança, que nos aponta o caminho da luz, tem sua alma transpassada! A espiritualidade desta liturgia não nos encerra nossa visão aqui, mas nos aponta a espada e o sofrimento como decorrência da fé. O mistério da ressurreição e alegria aqui tem seu início: a espada de Maria é a nossa espada; a cruz de Cristo é nossa cruz; a salvação de Cristo é o Seu e o nosso sofrimento.

Salve, ó Virgem, Mãe de Deus, cheia de graça, pois de ti nasceu o sol de justiça, o Cristo, nosso Deus, iluminando os que estão nas trevas.

Alegra-te, ó justo ancião, ao receber em teus braços o libertador das nossas almas, que nos dá a ressurreição.

Vamos também nós ao encontro de Cristo, com cânticos inspirados e acolhamos aquele do qual Simeão viu a salvação.

É aquele que Davi anunciou, o que falou pelos profetas, o que se encarnou por nós e nos instrui com a lei.

Adoremo-lo!”.

Antigo hino litúrgico da Festa da Apresentação

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Dom Bosco, santo, nosso modelo

Apropriemo-nos da experiência espiritual de Dom Bosco para caminhar na santidade segundo a nossa vocação específica !


“A glória de Deus e a salvação das almas”


"Estamos a concluir o triênio de preparação para o Bicentenário do Nascimento de Dom Bosco. Depois de dedicar o primeiro ano a conhecer a sua figura histórica e o segundo ano a evidenciar os seus traços fisionômicos como educador e atualizar a sua práxis educativa, neste terceiro e último ano pretendemos ir à fonte do seu carisma, apropriando-nos da sua espiritualidade" Comentário do Reitor-mor dos salesianos, P. Pascual Chávez V.

Neste dia 31 de janeiro, com toda Igreja Universal, celebramos São João Bosco, Pai e Mestre da Juventude! Dom Bosco, além de padre e educador, é santo, e sua espiritualidade impulsiona a juventude a serem bons e honestos cristãos e santos cidadãos. Dom Bosco é pai da juventude que reza, caminha, curte, luta, trabalha, sonha, corre na conquista de seus ideais. Mas também é pai dos jovens que não creem, em nada esperam, que são atingidos pela globalização consumista e atacados por políticas públicas que agridem o direito da juventude. 

Dom Bosco é santo e nos ensina o caminho da caridade, do amor à Deus, à Liturgia; nos ensina a obediência como meio para alcançar o prêmio eterno. Em Maria, Dom Bosco nos aponta a Mãe e exemplo de educadora: Auxiliadora dos cristãos. 


"A verdade decisiva da fé cristã é que o Senhor verdadeiramente ressuscitou! Por isso, a vida definitiva com Deus é a nossa meta última e também a nossa meta desde agora, porque se fez realidade no corpo de Jesus Cristo. A espiritualidade juvenil salesiana é pascal e se deixa invadir por este significado escatológico. A tendência mais radical no coração do jovem é o desejo e a busca da felicidade. A alegria é a expressão mais nobre da felicidade e, com a festa e a esperança, é característica da espiritualidade salesiana. A fé cristã é anúncio de felicidade radical, promessa e comunicação da “vida eterna”. Estas realidades, contudo, não constituem uma conquista, mas um dom que nos manifesta ser Deus a fonte da verdadeira alegria e da esperança. Sem excluir o seu valor pedagógico, a alegria tem, antes de tudo, um valor teológico; Dom Bosco vê nela uma manifestação imprescindível da vida da graça" P. Pascual Chávez, SDB, Reitor-mor.





Que Dom Bosco e Maria Auxiliadora interceda pelo nosso apostolado, pelos leitores, pela Família Salesiana e por toda juventude!

Guido Marini celebra 49 anos e ainda permanece no Oficio Litúrgico!

Hoje, 31 de janeiro, Monsenhor Guido Marini celebra 49 anos de vida. Desde outubro de 2007, é ele o Mestre de Cerimônias Litúrgicas do Sumo Pontífice, tendo servido inicialmente a Bento XVI e agora ao Papa Francisco.
 
 
 
 
Marini nasceu em Gênova em 1965 e foi ordenado sacerdote pelo Cardeal Giuseppe Siri, em 1989, incardinando-se em sua Arquidiocese natal. Nela serviu como professor e diretor espiritual do seminário, secretário particular de três Arcebispos Metropolitanos, os Cardeais Giovanni Canestri, Dionigi Tettamanzi e Tarcísio Bertone, com este último acumulou ainda o oficio de Cerimoniário Diocesano, mantido pelo seu sucessor o Cardeal Angelo Bagnasco até que o Santo Padre o convocou a Roma.
 
 
Guido Marini, como Mestre das Cerimônias Litúrgicas do Sumo Pontífice sucedeu a Dom Piero Marini, ordenado Bispo - com dignidade Arquiepiscopal - em 1998, pelo Beato João Paulo II. Apesar de possuírem o mesmo sobrenome os dois negam qualquer parentesco.
A transferência, segundo conta-se, foi arquitetada pelo então Cardeal Secretário de Estado, Tarcísio Bertone, que quando Arcebispo de Gênova contou com o auxílio de Guido nas celebrações litúrgicas. Piero, o Arcebispo antecessor, teria tomado conhecimento de sua sucessão apenas quando a notícia foi vinculada nos meios de comunicação. Desde então ele ocupa o Conselho para os Congressos Eucarísticos Internacionais.
A atuação de Guido Marini à frente da liturgia papal parecia estar mais de acordo com as preferências de Bento XVI, eleito em 2005. Houve uma mudança significativa na liturgia, que foi ocorrendo de forma gradativa. Costumes e paramentos que há muito estavam guardados foram retomados. O Papa e seu Cerimonário-Mor pareciam querer dizer: não há um antes e depois do Concílio, não existe o conceito pré-conciliar e pós-conciliar. Há uma só a Igreja de Cristo, sob a guia de Pedro.


O Papa, quando ainda Cardeal Ratzinger, já nos falava da "hermenêutica da continuidade" e Guido Marini em sua obra "Misterium Salutis" - Mistério da Salvação, Introdução ao Espírito da Liturgia, de 2010 -  nos alerta sobre a necessidade de não repudiarmos as práticas aplicadas antes ou depois do Concílio Vaticano II, como se estivéssemos em uma guerra branca.
 
 
 



Contrariando tudo o que a "grande e sensacionalista mídia blogueira" católica afirmou sobre as relações de Francisco e de Guido o Monsenhor se mantém no ofício litúrgico. Houve sim, não podemos negar, uma mudança no que chamamos "estética litúrgica", entretanto, o espírito e a nobreza das celebrações papais se mantém o mesmo.
 
 
 
 
 














Guido, sobretudo nos primeiros dias do pontificado de Francisco, foi e é um esteio para o Papa. Vemos que inúmeras vezes, mesmo durante as celebrações, o Pontífice aconselha-se e toma orientações com seu cerimoniário. Para o Papa o protocolo vaticano ainda é um pouco novo e na busca do êxito, Guido Marini desempenha um papel fundamental ao qual Francisco será sempre grato.
 
Nós, de longe e de perto, também agradecemos a Monsenhor Guido Marini, Protonotário Apostólico, por seu trabalho a frente das celebrações litúrgicas pontifícias! O empenho em nos fazer penetrar nos mistérios de Cristo e sua busca para que compreendamos que a Igreja é uma só, sem divisões cronométricas ou conciliares.
 
Que Deus o abençoe, Mons. Guido! Feliz Aniversário!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Papa faz nomeações para o Brasil

Nesta quarta-feira, 29 de janeiro, o Santo Padre o Papa Francisco fez duas nomeações para o episcopado brasileiro. O Romano Pontífice nomeou um novo Bispo para Guarulhos (SP), diocese que estava vacante desde 2013 quando do falecimento de Dom Joaquim Justino Carreira, e acolhendo o pedido do Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, de contar com um novo colaborador do seu múnus episcopal, nomeou um novo Bispo Auxiliar para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

Para Bispo da Diœcesis Guaruliensis o Papa nomeou:
 Dom Edmilson Amador Caetano, O.Cist.
Até então Bispo Diocesano de Barretos, no interior de São Paulo.


Dom Edmilson, que tem 53 anos de idade e pertence à Ordem dos Cistercienses, foi Abade do Mosteiro de Nossa Senhora de São Bernardo em São José do Rio Pardo entre 1997 a 2008, quando sucedeu ao Abade Dom Orani João Tempesta, nomeado Bispo de São José do Rio Preto.

Em Barretos, Dom Edmilson estava desde o ano de 2008, quando de sua Ordenação Episcopal. Sua transferência se dá no mesmo Estado de São Paulo, porém, deixará uma região mais interiorana e passará a um grande centro urbano e popular que congrega a Diocese de Guarulhos.

Foi nomeado como IV Bispo Diocesano em sucessão a Dom Joaquim Justino Carreira, um português que veio a falecer em novembro de 2013, vítima de câncer, aos 63 anos de idade. A Diocese de Guarulhos ainda chorava a perda do seu segundo Bispo, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, falecido em 2011, quando recebeu a notícia do câncer e do falecimento de seu novo pastor alguns meses depois. 

Guarulhos é uma diocese que está inserida numa região populosa e com desafios pastorais palpitantes. Ainda jovem, pois o Beato João Paulo II a criou em 1981, possui um longo e belo caminho a ser percorrido.
Rogamos a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Diocese, e a São Bernardo de Claraval, a cuja ordem pertence este prelado, que intercedam por seu pastoreio à frente desta porção do Povo de Deus. 
 
 
Para Bispo-Titular de Feradi maggiore e Auxiliar da Archidiœcesis Sancti Salvatoris in Brasilia,
Mons. Estevam dos Santos Silva Filho,
Do clero da Arquidiocese de Vitória da Conquista.

Mons. Santos Silva tem 45 anos e atualmente exerce, dentre outras, as funções de Pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Candeias em Vitória da Conquista, ecônomo da Arquidiocese e diretor do Seminário Maior Arquidiocesano Nossa Senhora das Vitórias.
Sua Ordenação Episcopal está marcada para 30 de março em Vitória da Conquista. A Arquidiocese de Salvador passará, com esta nomeação, a contar com um quarto Bispo Auxiliar, que se junta a Dom Gilson Andrade da Silva (2011), Dom Giovanni Crippa, IMC (2012), e Dom Marco Eugênio Galrão Leite de Almeida  (transferido de Bispo Diocesano de Estância, no interior de Sergipe, em 2013), além do Arcebispo Primaz, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, e do Cardeal Arcebispo Emérito, Dom Geraldo Magella Agnelo.

Que o Bom Deus cumule seu ministério episcopal de muitas bênçãos e sua vida possa gerar muitos frutos ao reino.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Boi Mudo eloquente!

Em 1248 no Studium dominicano de Colônia, havia um jovem frade italiano, com cerca de 24 anos, que chamava a atenção para si: ele era alto, gordo - muito gordo - e de rosto plácido. Seu nome? 

Tomás de Aquino! 

Tomás nasceu na Itália em Roccassecca, atual região do Lazio, em 1224. Filho de uma das mais nobres e ricas famílias italianas. Foi educado, desde os seis anos, pelos beneditinos na Abadia de Monte Cassino, fundada pelo próprio São Bento de Núrsia. 

Aos quinze anos de idade, contrariando a família, deixou a abadia e desejou seguir a Ordem dos Pregadores, os Dominicanos, fundados como mendicantes pelo espanhol São Domingos de Gusmão. O pai, Conde Landulf de Aquino, lhe ofereceu dinheiro suficiente para conquistar o Arcebispado de Napóles e a própria abadia de Monte Cassino, mas o filho rejeitou. Diante da negação a família aprisionou o jovem em uma das torres do castelo, levando até ele uma prostituta a qual Tomás expulsou aos berros, dizendo: "Quero ser dominicano". 

Vendo que seria impossível dissuadir o filho da vocação à vida eclesiástica e medicante, Tomás é liberto, mesmo sendo causa de vergonha para os Aquino, que eram da mesma família que o Imperador Barba-Roxa, Frederico II.


Tendo iniciado os estudos da Teologia, ele os cursa por seis anos em Paris e por dois em Colônia; lá tem como mestre o próprio Santo Alberto, Magno. No Studium dominicano, era comum encontrar Tomás murmurando pelos cantos da clausura. Alberto via nele um profundo potencial intelectual, já seus colegas - mesmo reconhecendo suas capacidades - acreditavam que ele não passava de um frade com hábitos incomuns. 

Por ficar passar muito tempo resmungando e ruminando certas palavras recebeu o apelido de Tomás, o Boi Mudo! 

Conta-se que Tomás era brando demais para se importar com a jocosa "alcunha" que recebera. Porém, Santo Alberto Magno teria se incomodado com o apelido e certa vez disse: "Sim, é um boi mudo, mas, eu vos garanto que há de mugir tanto que abalará o Universo".


Em 1251 já estava formado em Teologia. Apenas cinco anos depois o Papa Alexandre IV manda que Tomás de Aquino seja catedrático na universidade de Paris, ao mesmo tempo que convoca São Boaventura. Sua carreira acadêmica ganha largueza e ele se torna, muito rapidamente, um expoente da Teologia e da Filosofia. O Papa Alexandre IV o fez seu conselheiro e os seus sucessores Urbano e Clemente IV fizeram o mesmo, dando a ele uma espécie de  função que equivaleria à de "Teólogo da Cúria Romana".

Durante sua vida, inúmeras são as obras e as contribuições, quer filosóficas, teológicas e mesmo poéticas de Tomás. Obras como: Dois preceitos da caridade, Saudação angélica, Suma contra os gentios, Comentários sobre as obras de Aristóteles, Lauda Sion e a Summa Teológica fulguram entre as jóias raras que sua inteligência incomum nos legou.

Reduzir a obra e o pesamento de Santo Tomás de Aquino à Summa Teológica, mesmo que esta seja sua obra prima, é coloca-lo sob um rótulo e uma limitação que não condiz com suas capacidades. Em Tomás vemos o apogeu da Escolástica e as contribuições que são basilares para a fé e para razão.


Na sua luta por aprofundar-se nos pensamentos de Aristóteles e de Estagirista, com a ajuda do tradutor Frei Guilherme de Morbeke, vemos o ardente desejo de que o homem possa servir-se da razão. No aristotelismo não o objetivo de se chegar às coisas sobrenaturais, divinas e transcendentes pela razão, mas, proceder a um trabalho de abstração, de purificação e refinamento dos resultados adquiridos pelos sentidos, que nos levem a uma fé consciente e embasada; portanto, fé e razão se entreajudam e se complementam.

Tomás de Aquino, o nobre que se fez mendigo, o gordo boi mudo que foi homem de virtudes e de capacidades, também foi grande na fé. Aos olharmos hinos como "Pangue língua" temos certeza de que o Santo de Aquino era uma alma profundamente com os pés no chão, mas, totalmente voltado para Deus. Não podemos encará-lo apenas como teólogo e filósofo e, por isso, nos esqueçamos do frei, do santo.


Quando estava no leito de morte, Tomás pediu que recitassem ao pé do seu ouvido não fórmulas doutrinárias ou sentenças lógicas, mas sim, o cântico dos cânticos. Tomás de Aquino morreu em 1274, aos 49 anos de idade, ao som dos cânticos que falavam dos pássaros, da beleza e da liberdade.


50 anos após sua morte, em 1323, era inscrito no roll dos santos e em 1567 foi declarado Doutor da Igreja. Assim ganhamos no céu um verdadeiro intercessor, um homem humilde e simples, que negou as riquezas deste mundo, até mesmo rejeitando a púrpura cardinalícia que o Papa lhe quis entregar para em tudo servir a Deus, Nosso Senhor.

Ó Doutor dos Anjos! Ó Doutor comum, nosso santo intercessor!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Paulo: um contínuo convite a ser seguido!


Celebramos a Festa da Conversão de São Paulo. A história deste apóstolo do Senhor já é conhecida de todos nós: o perseguidor que se tornou perseguido; de Saulo para Paulo; o judeu irrepreensível que se transformou no grande propagador da fé em Cristo Jesus.

Paulo era – segundo suas próprias palavras  - um “Judeu, nascido em Tarso da Silícia, mas fui educado nesta cidade [Jerusalém], instruído aos pés de Gamaliel, em todo o rigor da Lei de nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus..." (cf At 22, 3). Um judeu profícuo, que após ter feito a experiência com o Ressuscitado (cf Gal 1, 11-12). Foi capaz de ser uma das principais colunas da Igreja de Cristo, sob qual está alicerçada nossa fé.





E a respeito desta experiência resplandecente, desta experiência com o Cristo Ressuscitado, o Santo Padre, Bento XVI, destaca que a “conversão de São Paulo não foi uma passagem da imoralidade à moralidade - a sua moralidade era alta; de uma fé errada a uma fé reta, a sua fé era verdadeira, embora fosse incompleta mas foi o ser conquistado pelo amor de Cristo”[1].

Com efeito, ao fazermos memoria de sua conversão somos também convidados a nos converter cotidianamente. Não por razões sinestésicas, meramente sentimentais; mas sim por razões concretas, que nos motivem à uma legítima transformação, não só de nossas vidas, mas, do meio à nossa volta.


Paulo e sua conversão sempre foram causa de inspiração e de ânimo para nossa vida como homens e mulheres cristãos. Foi no longínquo 25 de janeiro de 1554, quando Frei José de Anchieta celebrou “em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa”[2], onde alguns anos depois o colégio foi construído e se tornaria o embrião da atual cidade de São Paulo. 




O Apóstolo do Brasil – que muito em breve será canonizado - consagrou ao Apóstolo dos Gentios o que séculos mais tarde seria a maior cidade de nosso país e a terceira maior arquidiocese do mundo. Uma metrópole que possui, desde os primórdios, um solo cristão em suas raízes e tem o patrocínio de São Paulo desde a sua origem.



Hodiernamente esta cidade homônima ao Apóstolo dos gentios constituiu-se rica em contrates, sendo possível encontrar grande suntuosidade em paralelo à extrema pobreza; grandes concentrações religiosas - como a canonização do primeiro santo brasileiro, Frei Galvão -, como excessivas manifestações culturais contraditórias aos ensinamentos da Santa Igreja.


Mas qual a razão para a origem e proliferação destas contradições?

A resposta para este pertinente infortúnio é simples, é a omissão, ou total abandono da vida eclesial. No ano de 2007 o Papa Bento XVI, em um discurso na própria cidade de São Paulo, nos apontou o razão para tal consequência.

Sua Santidade justificou que a “falta de uma evangelização em que Cristo e a sua Igreja estejam no centro de toda explanação. As pessoas mais vulneráveis ao proselitismo agressivo das seitas - que é motivo de justa preocupação – e incapazes de resistir às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo são geralmente os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata”[3].

Destarte, que a exemplo destes dois grandes homens de Deus – Paulo o Apóstolo dos gentios e Anchieta o Apostolo do Brasil - sejamos capazes de zelarmos por uma fé viva e ardente, aumentando em nós uma lealdade mais plena, e uma conversão diária, afim de que o nosso orgulho diminua e Cristo cresça em nós.








São Paulo precisou não enxergar para ver a luz do caminho, da verdade e da vida. Esta conversão nos deixou uma lição importante: que ao fecharmos os olhos ao nosso orgulho, possamos abri-los à Cristo e ao próximo. Rogamos a São Paulo, que por sua conversão “oferece-nos o modelo e indica-nos a vereda para caminhar rumo à plena unidade”[4].




[1] Homilia do Papa Bento XVI, 25 de janeiro de 2009. http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2009/documents/hf_ben-xvi_hom_20090125_week-prayer_po.html

[2] Portal São Francisco: História da cidade de São Paulo - Fundação. Página visitada em 23 de janeiro de 2014. http://www.webcitation.org/66M19W25G

[3] Discurso do Papa Bento XVI, 11 de maio de 2007. http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2007/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20070511_bishops-brazil_po.html

[4] Homilia do Papa Bento XVI, 25 de janeiro de 2009.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Álvaro Del Portillo será Beatificado em 27 de setembro

 
Dom Álvaro Del Portillo o primeiro sucessor de São Josemaria Escrivá a frente do Opus Dei será beatificado em Madrid, sua terra natal, em 27 de setembro de 2014 após vinte anos de sua morte. 

Álvaro nasceu em 11 de março de 1914 na capital espanhola e formou-se em engenharia civil. Em sua juventude teve contato com o Opus Dei, que havia sido fundado há pouco menos de 07 anos, ao qual se incorporou em 1935.
 
Após tomar parte na obra recebeu do próprio fundador, o Pe. Josemaria Escrivá, os ensinamentos e o espírito que compunham o Opus Dei, por ele fundado em 02 de abril de 1928. Del Portillo foi um dos pioneiros no trabalho apostólico da Obra e se tornou, além de grande amigo, o mais próximo e fiel colaborador de São Josemaria.
 
 
 
 
Em 1944 foi ordenado sacerdote pela imposição das mãos do Bispo de Madri, Mons. Leopoldo Eijo y Garay, junto a ele receberam o sacramento da ordem José María Hernández Garnica e José Luis Múzquiz, são eles os três primeiros sacerdotes que o Opus Dei gerou para a Igreja.
 
 

  
Durante toda sua vida sacerdotal sempre esteve ao lado de São Josemaria, ao qual serviu como Diretor Espiritual, confessor e secretário particular.



Em Roma desde 1946 atuou como Reitor do Colégio Romano da Santa Cruz, fundado pela Obra, e participou ativamente do Concílio Vaticano II tendo sido Presidente da Comissão para o Laicato, durante as sessões prévias ao Concílio. Durante o evento desempenhou a função de consultor da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos sacramentos, além de secretário da comissão do clero e do povo de Deus.


Com o término do Concílio o Papa Paulo VI o nomeou para a Comissão pós-conciliar sobre os Bispos e o Regime das Dioceses.
 
Quando o fundador do Opus Dei veio a falecer, em 26 de junho de 1975, Del Portillo estava ao seu lado e foi, alguns meses após a morte de São Josemaria, em 15 de setembro de 1975 que o Conselho Geral o elegeu o primeiro sucessor e continuar da obra iniciada em 1928 por Josemaria.
 
Conta-se que no escrutínio da eleição todo o conselho foi unânime na escolha do nome de Álvaro, apenas um membro havia votado contra esta sucessão: ele mesmo.
 





Em 28 de novembro de 1982 o Santo Padre o Beato João Paulo II erigiu o Opus Dei e a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz a condição de Prelazia Pessoal e fez de Dom Álvaro Del Portillo seu primeiro Bispo-Prelado, ordenando-o na Basílica de São Pedro em 6 de janeiro de 1991 e concedendo-lhe a sede titular de Vita.

 
Como Prelado expandiu os trabalhos apostólicos da obra a 20 países. Era conhecido por sua postura firme, mas, amável. Um homem de profunda delicadeza, piedade e mortificação. Sempre fiel ao espírito da Obra viveu em profunda unidade e amor com a Igreja, na pessoa de seu vigário na terra. Foi amigo pessoal de João Paulo II que fez questão de rezar diante de féretro, assim que soube se sua morte em 1994.

Alvaro Del Portillo faleceu na sede geral do Opus Dei em 23 de março de 1994, pouco depois que retornar de uma peregrinação a Terra Santa. Seu corpo repousa na igreja de Santa Maria da Paz, Prelatícia do Opus Dei.
 
Dez anos depois de sua morte foi aberto oficialmente o seu processo de Canonização, que se iniciou através da Diocese de Roma, na qual ele faleceu. Em 05 de março de 2004 o Vigário-Geral de Sua Santidade para a Diocese romana, Card. Camilo Ruini em sessão solene inaugurou os transmites legais. Em 2012 suas virtudes heroicas foram reconhecidas e agora sua Beatificação está marcada para 27 de setembro de 2014 na sua terra natal: Madrid.

 
Nos unimos a toda a Obra para louvar a Deus por este anúncio e nos colocamos sob a intercessão de Álvaro, para que de junto de Deus olhe por nós.
 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Francisco, Bento e a Hermenêutica da Continuidade!

No cinquentenário da realização do Concílio Vaticano II quis a Divina Providência conceder a sua Igreja um verdadeiro dom: a "hermenêutica da continuidade". O então Cardeal Ioseph Ratzinger escreve em sua obra "Introdução ao espírito da liturgia" sobre a necessidade de compreendermos o grande acontecimento da Igreja no século XX não como uma ruptura ou um cisma, mas, como um verdadeiro "aggiornamento", que de forma linear e contínua atualiza e revivifica o dom de Deus.


Durante seu profícuo pontificado o Papa Bento XVI não mediu esforços para trazer a tona e tornar clara a posição que já como cardeal defendia. Quer seja na liturgia ou no magistério vimos uma perfeita e equilibrada harmonia entre os costumes, as rubricas e a tradição da Igreja. Não poucas vezes foi taxado de conservador e retrógrado pela mídia e até mesmo nas esferas internas de sua grei. O papa foi um verdadeiro "mártir branco" da hermenêutica Concílio Vaticano II. 

Com a eleição do Papa Francisco, no inicio de 2013, houve quem julgasse ter chegado ao fim a era da hermenêutica da continuidade, que se interromperia este tempo de equilíbrio e de luta pela correta aplicação das reformas do Vaticano II. O Papa Bergoglio é, não podemos negar, diferente do Papa Ratzinger. Todavia, a fé e o amor pela Igreja de Jesus Cristo não só os une, mas, os torna irmãos.


O Santo Padre tem se mostrado um homem de profunda veneração e respeito pela obra e pela pessoa de seu antecessor, o Papa Bento XVI. Em recente entrevista a uma rede de televisão alemã o Arcebispo Georg Gaswein, Prefeito da Casa Pontifícia e Secretário Particular de Ratzinger, disse que entre os dois papas há um verdadeiro respeito e carinho mútuo, e que Francisco sempre está interessado por Bento. 

No que tange a vida pastoral a fé se mantém intacta. O Papa Francisco continua a pregar e a defender a mesma fé de Bento, de João Paulo, de Paulo e de João e assim por diante. Os anseios e os pedidos do Concílio Vaticano II continuam a ser aplicados, sobretudo, no que diz respeito a evangelização dos povos, do homem moderno. 

Na liturgia houve um verdadeiro espanto quando da primeira missa pública do Papa recém eleito. Ao contrário de seu antecessor, Francisco não fez uso do altar fixo da Capela Sistina, que é "ad Orientem", mas pediu que na capela fosse colocado outro, "versus populum". Alguns interpretaram este gesto tão simples do Papa como uma negação da "reforma-reforma" ou então um sinal claro de que tudo que vinha sendo aplicado já estava fora de contexto e não serviria para seu Papado. Alguns fizeram festa, soltaram confetes, outros choraram amargamente. 

Passados alguns meses, no último domingo - Festa do Batismo do Senhor - o Papa voltou a celebrar na mesma Capela Sistina, sob o olhar atento do Juízo Final de Michelângelo. Neste dia, 12 de janeiro, o Papa não solicitou que se colocasse outro altar na capela, outrossim, fez uso do altar fixo que lá está. Alguns comemoram com júbilo, outros julgaram que Francisco estava sob pressão da ala mais tradicionalista.


Creio que o Papa não esteja assim tão preocupado com a posição que o altar está, se "versus Deum" ou "versus populum", mas sim em aplicar e viver as normas litúrgicas. O Papa Francisco não é um demolidor, com alguns julgaram ser e tão pouco um reformista, como outros queriam. O Papa é alguém que está disposto a continuar investindo na hermenêutica da continuidade, fazendo ressoar na coração da Igreja frutos abundantes e fartos pela correta interpretação do Vaticano II. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Chirographum "Laetare, Brasilia" occasione electionis Domini Orani Ioannis Tempesta, O.Cist, in Sacrum Collegium Cardinalium


Occasione electionis Domini Orani Ioannis Tempesta, O.Cist,
Archiepiscopi Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii, 
In Sacrum Collegium Cardinalium Sanctae Romanae Ecclesiae 
A Francisco Pontifice Maximo


Laetare, Brasilia, quia hodie magis filius et episcopus tuus electus est in Sacrum Collegium Cardinalium Sanctae Romanae Ecclesiae! Haec magna et felix notitia quam hodie accipimus primum vere habitat corda omnium filium Archidioecesis Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii, qui nunc gratias Deo Optimo et Maximo agant pro electione pastoris eorum, Domini Orani Ioannis Tempesta, O. Cist., in Sacrum Collegium Cardinalitium Sanctae Romanae Ecclesiae.

Sic nos, Apostolatus Dominus Vobiscum, laetantes magnopere cum Archidioecese Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii quia hodie cum pastore eius in Sacrum Collegium Cardinalium ascendit, laetamur maxime quoque quia inter nos filium et seminaristam huius laetantis Archidioecesis habemus, carissimum fratrum nostrum Æraldum de Souza Leão Filium. 

Itaque, Neo-Cardinali Orani Ioanni Tempesta, O.Cist., augurium nostrum pro electione eius mittimus et quoque orationes nostras pro proficuo eius cardinalato in Deum ascendimus! Deus eum benedicat in hac nova missione auxilii Summo Pontifici in guberno Sanctae Ecclesiae.

Die XII mensis ianuarii - Festo Baptismi Domini - anno Domini MMXIV. 


Sem. Anderson Barcelos



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TRADUÇÃO: 

Dominus Vobiscum 
Por ocasião da eleição de Dom Orani João Tempesta, O.Cist.,
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro,
 Para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana 
Pelo Sumo Pontífice Franscisco.

Alegra-te, ó Brasil, porque mais um filho e bispo teu foi eleito para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana! Esta grande e feliz notícia que hoje recebemos verdadeiramente habita por primeiro os corações de todos os filhos da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que hoje eleva graças a Deus Ótimo e Máximo em favor da eleição do seu pastor, Dom Orani João Tempesta, O.Cist., para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana. 

Assim nós, Apostolado Dominus Vobiscum, alegrando-nos grandemente com a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro porque hoje ascende com o seu pastor ao Sacro Colégio dos Cardeais, alegramo-nos também porque temos entre nós um filho e seminarista desta rejubilante Arquidiocese, o nosso caríssimo irmão Eraldo de Souza Leão Filho. 

Por isso, ao Neo-Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist., enviamos a nossa saudação por sua eleição e também elevamos a Deus as nossas orações em favor de seu profícuo cardinalato! Que Deus o abençoe nesta nova missão de auxílio ao Sumo Pontífice no governo da Santa Igreja.

No dia 12 do mês de janeiro - na Festa do Batismo do Senhor - no ano do Senhor 2014.

Sem. Anderson Barcelos.

Festa do Batismo do Senhor




Neste domingo, 12 de janeiro, celebramos a Festa do Batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo, com ela concluímos o tempo Litúrgico do Natal e passamos ao tempo comum. Este tempo nos revela a missão de Redentor e o chamado feito a cada um de nós quando de nosso batismo: sermos santos e anunciadores da boa-nova do Reino.

João, a quem se acrescentou o epíteto "Batista", foi o último dos profetas, sendo a ovelha que clamava no deserto pela conversão e pelo arrependimento. O Batismo por ele realizado as margens do  rio Jordão era o sinal de uma nova vida, marcada pela ruptura com este mundo profano e pecaminoso. Portanto, quando o próprio Deus encarnado se apresenta para ser batizado, João, seu primo, assusta-se. 

O autor e o princípio do batismo, mesmo sendo livre de pecado, apresenta-se para ser batizado, afim de dar exemplo e testemunho a todos os homens. Joao relutante batiza Jesus. Após a imersão, do céu uma alta voz clama: "Este é meu filho"...

Conosco também este fenômeno ocorre. Ao sermos aprofundados nas águas batismais nos tornamos livres de todo e qualquer pecado já cometido e passamos a ser filhos de Deus, merecedores do reino celeste. Apresenta-se a criatura gerada por Deus e ao ser submerso pelas águas surge um filho, amado por Deus.

O batismo é o sacramento porta da vida na fé. Com ele nos tornamos filhos do mesmo Pai e somos gerados em seu amor para o serviço. Com o batismo recebemos o legado da santidade. Tu e eu somos convocados a uma vocação comum: sermos santos. 

A santidade de vida consiste em corresponder o batismo, ou seja, viver em perfeito estado de vida que dê maior glória a Deus e anuncie, com nossa própria existência, o evangelho de Cristo, tornando nossa vida uma perfeita conformidade com o desígnio do Senhor.

O espírito da festa que hoje celebramos nos convida a meditarmos a essência de nosso batismo e o compromisso assumido no batismo e confirmado no crisma: ser verdadeiramente santos, discípulos e missionários do Senhor.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Há alguma ligação entre os Santos Inocentes e a Sagrada Família?

Herodes, o grande, tendo tomado conhecimento da profecia de que o “Rei dos Judeus” teria nascido na pequena cidade de Belém da Judéia, mandou assassinar todos os meninos com idade de até dois anos, afim de que o pequeno infante fosse destruído. Cumpria-se aí o que já o Profeta Jeremias dizia: “Ouviu-se um clamor em Ramá, choro e grande lamento; era Raquel chorando a seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem”. (Jr 31:15).

As ruas empoeiradas da pequena Belém, da região e quiçá de toda Judéia abriram espaço para o sangue que vertia da garganta aberta dos pobres meninos degolados. A noite foi tomada por um luto gélido e sombrio, interrompido apenas pelas lágrimas e pelos gemidos de dor daquelas muitas mães que perderam seus filhos. As crianças que outrora eram acalentas em seus braços, afagadas em seus colos e amamentadas em seus peitos foram cruel e brutalmente assassinadas. A vaidade, a ganância e o ódio do rei lhes custou a própria vida.


Os santos inocentes são, justiça seja feita e dita, os primeiros mártires da cristandade. Ainda criança o Filho de Deus encarnado já era sinal, claro e verdadeiro, de contradição para este mundo. Sua chegada, ainda nos primeiros dias, já foi causa do derramamento de sangue de muitos irmãos nossos. As vítimas inocentes estão entre os companheiros de Cristo, que circundaram o berço do Jesus Menino num coro gracioso de crianças, vestidas com as cândidas vestes da inocência e a palma do martírio. São eles a pequena vanguarda do exército de mártires que testemunham ao longo dos séculos, com o seu próprio sangue, a pertença ao corpo de Cristo.

Ainda estando bem próximos do Natal de Nosso Senhor e da memória aos Santos Inocentes celebraremos a Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. Chama-nos atenção a vinculação que estas três festas tem entre sí: primeiro o verbo que se encarna sob a forma humana, nascendo numa pobre família de Nazaré. Família está que tem de fugir para o Egito afim de garantir a segurança do seu primogênito. É na sua partida, na calada da noite, que o massacre aos meninos inocentes acontece, e somente quando Herodes morre é que eles retornam das terras egípcias.

Passados muitos séculos desde o nascimento do Senhor e da morte dos inocentes, devemos refletir sobre os “novos Herodes”. Talvez gargantas já não tenham mais sido passadas a fio por uma espada judaica e tão pouco aquelas ruas estejam tomadas por sangue infantil, mas, crianças ainda vem sendo assassinadas aos montes e famílias destruídas sob o peso dos vícios e da violência. O fato de a festa da Sagrada Família estar vizinha à festa dos Santos Inocentes é um convite à oração e uma munição para que combatamos vivamente todos os Herodes que se apresentam na sociedade hodierna em múltiplas faces.



Os vícios do álcool e da drogas. O pecado da luxúria e do adultério. O crime do aborto. Todos estes e muitos outros se apresentam de maneira sútil e atraente a cada um de nós. Vivemos numa nova Judéia e padecemos sob “Herodes, o pós-moderno”. A ganância, soberba, vaidade e luxúria de um rei não é mais dele e sim nossa. O pecado entrou e habita dentro de nós e, por isso, matamos e violamos. A bainha da espada cedeu seu lugar para o bisturi e os outros tantos aparatos técnicos que retiram a vida e violam este direito divinamente concedido. O sangue que hoje jorra já não é – necessariamente – o vermelho dos infantis, mas, o sangue da moral e das virtudes, que se esvai sobre os nossos olhos. 

Roguemos que o Santos Inocentes, que a Virgem Santíssima e seu casto esposo, São José, intercedam por todos nós e por nossas famílias. Que sejamos libertados de todos os males que nos impossibilitam de ver e de reconhecer a verdade.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Homilia do Papa na Missa do Galo






1. Esta profecia de Isaías não cessa de nos comover, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. E não se trata apenas dum facto emotivo, sentimental; comove-nos, porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: somos povo em caminho, e ao nosso redor – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz. Uma luz que nos faz refletir sobre este mistério: o mistério do andar e do ver.Andar. Este verbo faz-nos pensar no curso da história, naquele longo caminho que é a história da salvação, com início em Abraão, nosso pai na fé, que um dia o Senhor chamou convidando-o a partir, a sair do seu país para a terra que Ele lhe havia de indicar. Desde então, a nossa identidade de crentes é a de pessoas peregrinas para a terra prometida. Esta história é sempre acompanhada pelo Senhor! Ele é sempre fiel ao seu pacto e às suas promessas. «Deus é luz, e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas» (1 Jo 1, 5). Diversamente, do lado do povo, alternam-se momentos de luz e de escuridão, fidelidade e infidelidade, obediência e rebelião; momentos de povo peregrino e de povo errante. 

E, na nossa historia pessoal, também se alternam momentos luminosos e escuros, luzes e sombras. Se amamos a Deus e aos irmãos, andamos na luz; mas, se o nosso coração se fecha, se prevalece em nós o orgulho, a mentira, a busca do próprio interesse, então calam as trevas dentro de nós e ao nosso redor. «Aquele que tem ódio ao seu irmão – escreve o apóstolo João – está nas trevas e nas trevas caminha, sem saber para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos» (1 Jo 2, 11).

2. Nesta noite, como um facho de luz claríssima, ressoa o anúncio do Apóstolo: «Manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). 

A graça que se manifestou no mundo é Jesus, nascido da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho. Veio para nos libertar das trevas e nos dar a luz. N’Ele manifestou-se a graça, a misericórdia, a ternura do Pai: Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar inexoravelmente distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós. 

3. Os pastores foram os primeiros a ver esta «tenda», a receber o anúncio do nascimento de Jesus. Foram os primeiros, porque estavam entre os últimos, os marginalizados. E foram os primeiros porque velavam durante a noite, guardando o seu rebanho. Com eles, detemo-nos diante do Menino, detemo-nos em silêncio. Com eles, agradecemos ao Pai do Céu por nos ter dado Jesus e, com eles, deixamos subir do fundo do coração o nosso louvor pela sua fidelidade: 

Nós Vos bendizemos, Senhor Deus Altíssimo, que Vos humilhastes por nós. Sois imenso, e fizestes-Vos pequenino; sois rico, e fizestes-Vos pobre; sois omnipotente, e fizestes-Vos frágil. 

Nesta Noite, partilhamos a alegria do Evangelho: Deus ama-nos; e ama-nos tanto que nos deu o seu Filho como nosso irmão, como luz nas nossas trevas. O Senhor repete-nos: «Não temais» (Lc 2, 10). E vo-lo repito também eu: Não temais! O nosso Pai é paciente, ama-nos, dá-nos Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida. Ele é a luz que ilumina as trevas. Ele é a nossa paz. 

Amem.

"Urbi et Orbi" por ocasião do Natal!





Diante de uma multidão de mais de cem mil fiéis Sua Santidade, o Papa Francisco, concedeu nesta manhã sua primeira bênção Urbi et Orbe - para a cidade de Roma e para o Mundo - por ocasião da Natividade de Nosso Senhor.

Na ocasião, ao saudar o fiéis pelo Natal o Papa frisou que “a verdadeira paz não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela ‘fachada’, por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, que se realiza a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo”. 

A partir daí, disse Francisco, “pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!”. 

“Muitas vidas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária”. 

O Bispo de Roma se disse contente em saber que pessoas de diversas confissões religiosas se unem à súplica pela paz na Síria. 

Depois foi a vez do Papa lembrar a situação da República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens e “dilacerada por uma espiral de violência e miséria onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver”. 

Ainda no continente africano, o Papa pediu “concórdia no jovem Estado do Sudão do Sul e na Nigéria, países onde a convivência pacífica tem sido ameaçada por ataques que não poupam inocentes nem indefesos”. 

Como sempre, Francisco dedicou um pensamento aos deslocados e refugiados, especialmente no Chifre da África e no leste da República Democrática do Congo: 

“Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa”. 



Passando ao Oriente Médio, Francisco clamou pela “conversão do coração dos violentos, por um desfecho feliz das negociações de paz entre israelenses e palestinos e pela cura das chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados”. 

O Papa mencionou ainda outro tema que o preocupa: 

“Tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância”. 

Sempre sensível à questão ambiental e às consequências dos nossos maus comportamentos, o Pontífice chamou a atenção para “a ganância e a ambição dos homens e pediu proteção para as vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão”. 

Francisco terminou sua fala com uma mensagem de esperança: 

“Deixemos que o nosso coração se comova, se incendeie com a ternura de Deus; precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus”. 

Na sequência, o Papa Francisco fez votos de Feliz Natal aos fiéis reunidos na Praça e aos que estavam em conexão no mundo inteiro através dos meios de comunicação, invocando os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados. 

“Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; e sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal!”, concluiu o Papa, concedendo a bênção Urbi et Orbi. 


Fonte: Rádio Vaticana