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terça-feira, 1 de abril de 2014

Anchieta: uma canonização equipolente

Depois de 416 anos de sua morte acontece amanhã às 14 horas no horário de Roma, 09 horas no horário de Brasília, a canonização do Beato José de Anchieta, Apóstolo da evangelização na Terra de Santa Cruz.


O Papa João Paulo II - que será proclamado santo em 24 de abril - o canonizou em 22 de junho de 1980, na Praça de São Pedro. Amanhã Anchieta será inscrito no rol dos santos pelo Papa Francisco através da “canonização equipolente ou equivalente”.

O processo de canonização equipolente acontece quando o Santo Padre alarga a toda a Igreja o preceito do culto de um servo de Deus que ainda não foi canonizado, mediante a inserção da sua festa litúrgica, com missa e ofício, no Calendário da Igreja universal. 

A assinatura deste decreto da canonização acontece de maneira simples e privada, não com a solenidade e a fórmula das canonizações habituais. Para a canonização equipolente são necessários três requisitos: prova do culto antigo ao candidato servo de Deus, atestado incontestável da fé católica e das virtudes do candidato e a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato.


Quando a veneração do santo já está bem estabelecida nas tradições da Igreja, porém, por diversos motivos o processo formal de canonização não foi concluído pode-se apelar a canonização equipolente. Ao longo da história muitos são os exemplos de santos, canonizados mediante o processo equipolente, entre eles, Bruno, Margarete da Escócia, Estevão da Hungria, Wenceslaus de Boêmia e Gregório VII. Em 2012 Bento XVI fez uso deste processo ao declarar Santa a Hildegard Von Bingen, por ele também instituída doutora da Igreja.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Novo Bispo para São José dos Campos

Depois de nomear a Dom Henrique Soares da Costa para Bispo de Palmares (PE) o Santo Padre o Papa Francisco nomeou nesta quinta-feira um novo Bispo Diocesano para São José dos Campos (SP). Parece que o Romano Pontífice interessou-se pelo episcopado brasileiro a ponto de, fugindo do que é comum, fazer nomeações e transferências em outro dia da semana que não a tradicional quarta-feira. 


Para suceder a Dom Moacir Silva, nomeado em 24 de abril passado Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto (MG), o Papa nomeou Dom José Valmor César Teixeira, até então Bispo de Bom Jesus da Lapa, na Bahia. Dom José Valmor é oriundo da Pia Sociedade de São Francisco de Sales, mais conhecidos como Salesianos de Dom Bosco. Nasceu em Rio do Sul, no Paraná, cidade de forte e marcada atuação salesiana. O novo Bispo Diocesano tem 61 anos e desde 2009, quando de sua eleição e sagração, estava na diocese baiana criada em 1962 pelo Beato João XIII e que agora passa a estar vacante. 

Ele será o IV Bispo diocesano de São José dos Campos, diocese criada em 1981 pelo Beato João Paulo II, e que teve como primeiro Bispo Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ, mais tarde criado Cardeal quando Arcebispo do Rio de Janeiro. Esta jovem, porém, pujante porção do Deus está divida em cerca de 3.181¹Km² nas suas 44 paróquias e é sufragânea da Arquidiocese de Aparecida, a "capital dos católicos brasileiros."

Que São José, Padroeiro da Diocese e onomástico do novo Bispo, interceda por seu pastoreiro! 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dom Henrique é nomeado Bispo Diocesano

Na festa de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, o Santo Padre nomeou um novo Bispo Diocesano para a Palmares, no estado do Pernambuco: Dom Henrique Soares da Costa, até então Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju-SE. 


Dom Henrique é um jovem Bispo, completará no próximo mês 51 anos. Nasceu em Penedo, Alagoas, mas, incardinou-se no clero da Arquidiocese de Maceió. Desde o segundo semestre de 2009 era Bispo Auxiliar de Dom José Palmeira Lessa, na Sede Metropolitana de Aracaju, em Sergipe. 

O novo Bispo Diocesano é conhecido nacionalmente por suas pregações fiéis à doutrina, sua liturgia bem celebrada e sua viva presença na internet, os novos areópagos da sociedade. Desde os tempos de Cônego em Maceió e mesmo depois de Bispo, ele mantém sua atuação apostólica até mesmo nas redes sociais. 






A Diocese de Palmares, sufragânea de Arquidiocese de Olinda e Recife, estava vacante em virtude da renúncia de Dom Genival Saraiva de França por limite de idade, em conformidade com o Direito. O agora Bispo Emérito deve permanecer no cargo de Presidente do Regional Nordeste II da CNBB até 2015.

Palmares foi desmembrada da Arquidiocese de Olinda e Recife e da Diocese de Garanhuns em 1962, pelo Beato João XXIII. Uma diocese com muitos desafios pastorais, espalhados em quase 4.000 km² entre as 20 paróquias da diocese. Dom Henrique será o III Bispo Diocesano e ao lado de Dom Fernando Guimarães - Bispo de Garanhuns e seu amigo pessoal - completa o time de ferro dos conservadores do nordeste brasileiro.


Rogamos a Deus pela intercessão de São José e de Nossa Senhora da Conceição do Montes, Padroeira da Diocese, que abençoe o pastoreio de Dom Henrique à frente desta porção do Povo de Deus.

Há um ano Dom Henrique concedeu entrevista a nosso Blog, Confira: 

José: o varão que Deus quis chamar de Pai!


"Quando a condescendência divina escolhe alguém para uma missão especial ou para um estado sublime, concede à pessoa escolhida todos os carismas que lhe são necessários para a sua realização. 
Eis quanto se realizou, sobretudo, no Grande São José". 

(São Bernardino de Sena, Discurso, Obra VII, 16)


O pouco que sabemos sobre São José deve-se às Sagradas Escrituras. Foi na própria anunciação quando pela primeira vez encontramos seu nome mencionado no evangelho, onde se diz que Maria estava noiva de um homem chamado José. Mais tarde - quando a Virgem já havia concebido - o evangelista Lucas afirma que o esposo não sabia deste fenômeno e, quando soube, queria abandoná-la. Depois que o Anjo apareceu-lhe em sonho ele tomou Maria em casamento e, tão logo, partiu para Belém, para o recenseamento, já que José era da casa de Davi.

O Menino nasceu no pobre e humilde ambiente de uma manjedoura. José percebendo que não havia lugar para eles em Israel parte para o exílio, no Egito. Retornando apenas a após a morte do feroz Herodes, autor do massacre dos inocentes. Quando deixam as inóspitas terras africanas eles se dirigem para a Galileia dos gentios, em Nazaré, onde Jose se fixa com o ofício de carpiteiro.

Destes anos obscuros do Redentor pouco sabemos. Através do evangelho de Lucas temos conhecimento que na altura dos treze anos o menino se perdeu no templo e foi encontrado por seus pais, quando estava em meio aos doutores da lei. A narrativa deste episódio encerra-se dizendo que Ele crescia em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Depois dissos os sinóticos se calam. As palavras humanas parecem pouco para descrever o ambiente e a vida familiar de José, de Maria e de seu Primogênito.

A fundadora dos focolares, Chiara Lubich, em Escritos Espirituais, diz: "na família de Nazaré, Maria certamente educava, mas, educava ouvindo a voz do Espírito Santo dentro dela, que estava em harmonia com o Filho de Deus, que estava diante dela. Educava também o seu filho obcecendo-lhe. Por outra parte, Jesus menino - ele era o guia da família de Nazaré, porque era Deus - estava também submisso a Maria e a José, como diz a Sagradas Escrituras. José, por sua vez, chefe da família aos olhos dos homens, pois era tido como pai de Jesus, pois Jesus lhe obedecia e poque Maria sem dúvida lhe terá obedecido, era ao mesmo tempo submisso a Deus e à Mãe de Deus. De tudo isso se vê que os três, de um ponto de vista, mandavam e os três, de um outro ponto de vista, obedeciam". 

Fato é que o próprio Deus escolheu a José para ser o verdadeiro varão que guiaria a Sua família. Cabe salientar que o Senhor não estabelece com José uma mera relação utilitarista, mas, um verdadeiro e sincero vínculo de paternidade e de fraternidade. A figura do homem para a família de Nazaré não é meramente uma convenção social, mas, fruto do desejo de Deus, que se personifica na pessoa de São José. Como diz o grande Doutor comum, Santo Tomas de Aquino, "José é ao mesmo tempo tanto pai de Cristo quanto esposo de Maria, não em virtude da união carnal, mas, do vínculo matrimonial". 

São José é, portanto, esposo casto de Maria e pai virgem de Jesus. Na sua pessoa estava a defesa de Maria Santíssima e a custódia do Divino Infante. Foi por este motivo que, em 1870,o Santo Padre o Papa Pio IX declarou São José como Patrono da Igreja Universal.

Hoje recorremos ao grande Patriarca da Família de Nazaré para que interceda pelo Santo Padre e por toda a Igreja Universal, afim que sejamos bem conduzidos pelas veredas deste mundo, rumo aos céus.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Um ano Franciscano!



Completa-se neste 13 de março um ano do solene Habemus Papam que anunciava a eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio para a Sé de São Pedro. Após o grande Pontífice que foi Bento XVI, o Paráclito conduziu o Sacro Colégio de Cardeais a eleger para o Papado o primeiro latino-americano da história, vindo das terras argentinas. 

Era por volta das 20 horas e 30 minutos no horário de Roma, quando o Cardeal Proto-Diácono da Igreja Romana, Jean-Louis Tauran, surgiu no balcão da monumental Basílica, construída nas Colinas Vaticanas sobre os restos mortais de São Pedro, para anunciar a eleição de seu 265° sucessor dele. O locutor, um francês de 69 anos, debilitado pelo mal de parkison, com o qual luta desde 2012, possuía uma voz fraca e aparência frágil. Seu anúncio em nada se comparou com o vigor e a solenidade do Habemus Papam de 2005, quando o chileno Jorge Arturo Medina, depois de saudar os fiéis em diversos idiomas, anunciou a eleição de Joseph Ratzinger. 

O "Dominum Georgium Marium [...] Cardinalem Bergoglio" ressoou tão tímido que demorou para que nos déssemos conta da eleição de um Pontífice do terceiro mundo. Fora escolhido o primeiro Papa argentino da história; um fato inédito que marcaria para sempre a vida eclesial. Inusitado também era o fato que pela primeira vez o "Papa branco e o 'papa negro'" eram, ambos, jesuítas. A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola, legava seu primeiro filho a Sé Petrina.


Ao som da Hino Pontifício, sem murça ou estola, surgiu o novo Papa. Ele parecia mais assustado que a própria nação católica que acolhia a sua inesperada eleição. No primeiro discurso, ladeado pelo brasileiro Cláudio Hummes, ele falou da necessidade da oração, da fraternidade e rezou pelo seu antecessor, Bento XVI. 

Irmãos e irmãs, boa noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. 
Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! 
E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo Emérito Bento XVI. 
Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. 
Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. 

Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. 

Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.


Depois ele se inclinou e permaneceu em silêncio por alguns segundos. Concedeu a todos a bênção Urbi et Orbe e despediu a todos dizendo:

"Boa noite, e bom descanso!"

Ao ouvir suas primeira palavras, lembrávamos da caridade pastoral de João XXIII, quando do balcão de seu apartamento pontifício proferiu o famoso "discurso da lua", no qual dizia: "ao voltar para casa, encontrareis as criançinhas; fazei-lhes um carinho e dizei-lhes que este é o carinho do Papa".

Mas nos interrogávamos ainda acerca do sugestivo nome escolhido pelo Romano Pontífice: Francisco. Seria o santo de Assis, a quem Deus mandou "reformar a Sua Igreja"? Ou seria o seu confrade Xavier, missionário incansável? A questão não demorou a ser respondida. O Papa alegou que quando foi eleito, estava ao seu lado o antigo Prefeito da Congregação para o Clero e Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Claudio Hummes, O.F.M., gaúcho de Salvador do Sul, que disse: "não se esqueça dos pobres". O recém eleito, movido pelo Espírito Santo, decidiu chamar-se Francisco, que através da radicalidade do Evangelho viveu a pobreza, sendo o "mínimo dos mínimos". 



Apesar da brevidade do seu pontificado, é esta marca que tem predominado: "uma Igreja pobre para os pobres". O Papa tem um estilo pessoal de vida bastante austero e simples. Se percebe que ele não gosta dos ditos "formalismos" e "protocolos" vaticanos. Desde os primeiros dias, não fez uso do apartamento pontifício, mas, de um quarto na Casa Santa Marta, onde celebra missa "pública" todas as manhãs. 

Aumentaram neste período visitas pastorais às paróquias romanas. Francisco, que quer ter "cheiro das ovelhas", tem marcado presença junto a seus diocesanos e tem frisado com veemência que ele é o Bispo de Roma. Em 5 de julho do ano passado, ao lado do Papa Emérito, ele consagrou a Cidade Eterna à proteção do Arcanjo São Miguel.

O Papa, supremo pastor da Igreja, tem governado com sabedoria a sua grei. No que tange a liturgia e os hábitos pessoais, vemos sua simplicidade e simpatia, vindas de sua própria personalidade, razão pela qual, como dissemos anteriormenteele não é nenhum terrorista litúrgico, como se poderia imaginar. Antes, é um homem fiel, que tem guiado com caridade pastoral a Igreja de Cristo. 

Francisco é um homem que tem palavras objetivas e claras, sem maiores "rodeios". Lamentamos, porém, que seus discursos e falas sejam instrumentalizados por alguns, em favor de ideologias e de vertentes teológicas que não correspondem às verdades evangélicas e as necessidades do mundo e da Igreja na sociedade contemporânea.

Pedro, nosso pai comum, tem se mostrado um verdadeiro artífice de uma nova cultura, onde brilhará as riquezas do Evangelho e da salvação, longe de carreirismos e extremismos. O Papa nos governa na caridade e no amor, na proximidade e na "cultura do encontro".



Somos gratos a Deus por tão grande dom de Sua providência à Igreja. "Omnes cum Petrus, ad Iesum, per Mariam". Que o Santo Padre Francisco nos governe por longos anos, e que viva tanto ou mais que Pedro!

Obrigado, Santo Padre!


Faleceu Dom José Policarpo, Patriarca Emérito de Lisboa


Hoje, 12 de março, às 16 horas no horário local, faleceu

Dom José da Cruz Policarpo

Cardeal Patriarca Emérito de Lisboa, em Portugal. 


De acordo com a TVI 24, o lusitano de 78 anos morreu ao final desta tarde, vítima de problemas cardíacos. Sabemos que Dom Policarpo era um fumante inveterado e que há muito sofria do coração. O Patriarca encontrava-se em Fátima, onde fazia seus exercícios espirituais. O purpurado passou mal e foi levado ao hospital, onde veio falecer.

Em meados de 2011, ele pediu renúncia do oficio de Patriarca, por limite de idade. Sua renúncia só viria a ser aceita em maio de 2013, quando o Papa Francisco nomeou Dom Manuel Macário, então Bispo do Porto, para Patriarca de Lisboa, sendo ele o 17° a assumir o ofício.

Nos 15 anos em que esteve à frente do Patriarcado de Lisboa, ele governou com solicitude esta velha sede portuguesa, nossa Mãe na fé. Devotíssimo da Virgem de Fátima, participou de dois conclaves, que elegeram Bento XVI e Francisco.

As Exéquias do Cardeal acontecerão na próxima sexta-feira, 14 de março, junto a Sé Patriarcal e serão presididas pelo atual Patriarca, Dom Manuel José Macário do Nascimento Clemente. Logo após a Missa em sufrágio da alma do Sr. Cardeal, o féretro será levado para o Panteão dos Patriarcas, onde será sepultado.

Rogamos a Deus que acolha sua alma no céu e lhe conceda o repouso eterno! 

Réquiem ætérnam dona ei, Dómine,

Et lux perpétua lúceat ei! 
Riquiéscat in pace! 
Amen.


* Logo mais maiores informações!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Quaresma, tempo de morrer para nós mesmos



Hoje celebrarmos com toda a Igreja a Quarta-Feira de Cinzas e com ela damos início ao tempo da Quaresma. Nosso Papa Emérito, Bento XVI, em 2012 nos recordou a magnitude presente neste período, que segundo suas palavras é um "itinerário de quarenta dias que nos levará ao Tríduo Pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, o coração do mistério da nossa salvação (Audiência geral de 22/fev/2012)."

O Papa recorda ainda que durante a Igreja primitiva este tempo era privilegiado pela catequese e por um intenso convite à conversão. Após percorrer um caminho de fé, os catecúmenos se preparavam para serem acolhidos na comunidade por meio do sacramento do Batismo e assim "tornarem-se cristãos e ser incorporados a Cristo e à sua Igreja."

Ainda hoje este é o tempo apropriado para vivermos de maneira mais concreta e intensa os ensinamentos de Cristo. Afim de obtermos êxito neste propósito, a Igreja nos convida à prática dos chamados exercícios quaresmais": a oração, a esmola e o jejum. Ao recebemos as cinzas sobre nossas cabeças, ouviremos o ministro proferir a seguinte afirmação: "convertei-vos e credes no Evangelho", recordando que a conversão e a mudança de vida são constantes em nossas vidas. Tanto quanto os erros que cometemos ao longo de nossas vidas, maior é a certeza de que Deus está sempre disposto a aceitar nosso perdão mediante nosso esforço de mudarmos de vida. E é por meio da oração que somos capazes de reconhecer nossos erros e lutar pela conversão; a oração passa a ser o caminho e o sustento na busca por uma vida nova.


Em sua mensagem para a Quaresma deste ano, Sua Santidade o Papa Francisco colocou como passagem para nossa reflexão um versículo da carta de São Paulo aos Corintios: "conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza" (2 Cor 8, 9). Com base na afirmação supracitada, o Santo Padre nos apresenta uma bela reflexão acerca da caridade, a verdadeira prática da esmola.

Papa Francisco afirma que a esmola dada daquilo que nos é supérfluo não passa de "piedade filantrópica"; a esmola é na realidade partilhar o que temos, é tornar-nos capazes de colocar tudo à disposição de nossos irmãos, da mesma forma como São Paulo exortou a comunidade de Corinto a ser generosa no auxílio à comunidade de Jerusalém, que enfrentava dificuldades. Esmola e jejum se fundem não sendo meros preceitos, mas antes um exercício de sermos capazes de nos colocar na situação daqueles que sofrem. Oferecemos o jejum na Quaresma como uma abstinência, como o abrir mão de algo de que gostamos para nos solidarizar com nossos irmãos menos favorecidos, e assim viver Cristo não só com palavras mas com nosso modo de agir.

Nesta mesma mensagem, Sua Santidade nos explica a diferença entre a miséria e a pobreza, afirmando que "miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança" e apresenta a existência então das misérias materiais, a ausência do mínimo possível para a sobrevivência, como alimentos, água, trabalhos e condições dignas de vida; a miséria moral, quando nos tornamos escravos do pecado e dos vícios, cada vez mais apelativos em nossa sociedade, e desta condição origina-se a miséria espiritual que nos distancia de Deus e de seu amor por nós.

Assim passa a ser predominante nos quarenta dias da Quaresma a capacidade de nos colocarmos mais próximos daqueles que ainda hoje se encontram à margem da sociedade e assumirmos o peso da Cruz que estas pessoas todos os dias carregam. Em uma de suas homilias, contidas no livro É Cristo que passa, São Josemaría Escrivá disse que "fazer as obras de Deus não é um bonito jogo de palavras, mas um convite a gastar-se por Amor. Temos de morrer para nós mesmos a fim de renascermos para uma vida nova. Porque assim obedeceu Jesus, até à morte de Cruz. Se obedecermos à vontade de Deus, a Cruz será também Ressurreição, exaltação. Cumprir-se-á em nós, passo a passo, a vida de Cristo".

Nessa busca pelo "morrer para nós mesmos", a Igreja do Brasil promove a Campanha da Fraternidade, que neste ano tem como tema Fraternidade e Tráfico Humano. Durante o tempo da Quaresma, somos convidados a olhar para tantos que sofrem com a violação da dignidade humana. Com o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou" lembramos que não devemos ser amarrados pelos inúmeros apelos da sociedade, que, por fim, nos conduzem a escravidão.

A Campanha também reflete sobre tantos que ainda hoje são tratados como meras mercadorias, sobre tantas pessoas que são vítimas dos brutais e diversos sistemas de exploração. Dentro dos objetivos está o de "identificar as causas e modalidades do tráfico humano e os rostos sofridos por esta exploração". Mais do que descobrir os que sofrem, é necessário descobrir as razões para isso; devemos abrir nossos olhos para as condições de vida que conduzem as pessoas até a esperançosa ilusão contida no tráfico humano. Quantos não buscam apenas melhorar suas vidas e o de seus entes queridos e nesta busca acabam por tornar-se escravos, seja por engajarem-se em empregos com baixos salários, sem a mínima preservação de seus direitos, ou mesmo por meio da exploração sexual que terminam por sofrer tanto crianças quanto adolescentes.


Portanto, ao longo de toda a Quaresma, o Santo Padre deseja, como enfatizou em sua mensagem quaresmal, "encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com
Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nós podemos nos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza". Mas, que além disso, a Quaresma seja o início de uma nova forma de vida, onde nos tornamos capazes de ver naqueles que mais sofrem a face de Cristo, e assim sermos capazes de morrer para nós mesmos, para vivermos mais próximos d'Ele.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Bento, homem da Humildade e da Renúncia

Quem conheceu Joseph Ratzinger diz que ele era um homem afável, simples e de gestos discretos. No final de cada manhã, mais precisamente às 13 horas e 30 minutos, o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tomava sua boina preta e deixava o seu escritório. Cruzava os umbrais da Praça de São Pedro e se dirigia à casa no Borgio Pio, número 08, para o almoço. Este ritual se repetiu todos os dias, por quase 24 anos. Conta-se – tomando o exemplo da famosa metáfora inaugurada por seu conterrâneo, Immannuel Kant – que os romanos podiam acertar seus relógios ao ver o velho Cardeal passar.

Desde que deixou sua terra natal, a Alemanha, ele vivia na Cidade Eterna, onde dirigia com zelo a antiga congregação da fé. Apesar de ter ganho visibilidade como o grande “defensor da ortodoxia católica”, Ratzinger nunca fez o tipo popular e era avesso a grandes massas.




Quando do maior período de debilidade do Papa João Paulo II, Ratzinger já era Decano do Sacro Colégio de Cardeais e coube a ele presidir muitas celebrações em nome do Santo Padre, entre as quais a Via-Sacra no Coliseu, em 2005. O guardião da fé fulgurava como o braço direito do Pontífice, mesmo tendo pedido renúncia de seu cargo, por limite de idade. Sabe-se que ele aspirava a uma vida tranquila em sua casa na Alemanha.






Quando Joseph Ratzinger foi eleito o 264° sucessor de São Pedro, em 19 de abril de 2005, ele surgiu no balcão da Basílica e definiu-se como “simples e humilde trabalhador da Vinha do Senhor”. Tal declaração do novo papa fez com que seus críticos – que não eram poucos – afirmassem que ele estava sofrendo de uma “falsa humildade”.



Não percebiam os anos quase obscuros do novo Papa. Daquele que era o filho de um simples policial alemão, que se dedicou desde cedo aos estudos, que nunca foi pároco, apenas catedrático. Ratzinger, como já dissemos, é daquele tipo “rato de sacristia” e “rato de biblioteca”, que se satisfaz com uma liturgia bem celebrada e com uma aula bem dada.

Quando assumiu a Sé Petrina, ele retomou alguns costumes e vestes que estavam em desuso. Os múleos vermelhos - como o sangue dos mártires – foram calçados; a murça branca - no tempo pascal - endossada; o latim foi reforçado; o polifônico revigorado; os trompetes desenferrujados.  Mas não tardou para que se dissesse que o Papa era exagerado e que a definição de “simples e humilde” não passava de uma afirmação falaciosa.





Quase oito anos de Papado decorreram sem que muitos acreditassem que Bento XVI era verdadeiramente um homem simples, mas, que via na liturgia o verdadeiro e perfeito culto a Deus, a quem devemos a maior glória, e na doutrina, a esteira segura da salvação. 

Chamaram-lhe aristocrata, retrógrado e burguês. Mas, em fevereiro de 2013, todos tiveram que reconhecer em Bento um verdadeiro revolucionário.

Apesar de estar prescrito no Código de Direito Canônico, a renúncia de um Romano Pontífice não acontecia há séculos e a decisão de Ratzinger, fazendo-o por livre vontade, mudaria o curso da Igreja em tempos modernos. Foi necessária a presença de Deus e coragem, mas, também simplicidade e humildade, para dar fim a esta ideia.


Hoje, sabe-se que, quando Bento XVI anunciou sua decisão de deixar o timão da barca de Pedro, em 11 de fevereiro de 2013, a ideia já tinha sido amadurecida há muito tempo. O gesto do Papa, portanto, era a conclusão de uma série de reflexões e orações acerca de suas capacidades. Era o pastor da Igreja Universal que se reconhecia fraco e débil.



Quando, em 28 de fevereiro de 2013 – há um ano exato, ele deixou a Santa Sé para residir no Mosteiro Mater Ecclesia, o Papa Bento XVI dava o passo que concluía seu pontificado e dava prova de sua simplicidade e humildade.

Bento XVI iniciou seu papado se dizendo simples e humilde. Ao leva-lo a termo, se fez reconhecer honesto com o que dissera de si mesmo. Ali, definitivamente, se mostrou homem simples e humilde.

A renúncia de Ratzinger à Sé de Pedro fez dele um Papa revolucionário. Um homem com tamanho amor a Igreja de Cristo, que se fez disposto a tudo por esse amor. Agora, ele segue rezando por ela, por seu sucessor, por cada um de nós.




Nós, que vivemos o tempo de seu profícuo pontificado, 
só podemos dizer: 


Obrigado, Papa Bento XVI!


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Bento, homem da Liturgia

O então Cardeal Ioseph Ratzinger escreveu em sua obra "Introdução ao espírito da liturgia" sobre a necessidade de compreendermos a Reforma Litúrgica, propiciada pelo Vaticano II, não como uma ruptura ou um cisma, mas, como um verdadeiro "aggiornamento", que de forma linear e contínua atualiza e revivifica o dom de Deus.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé sempre foi partidário da chamada hermenêutica da continuidade, que visava tornar claro que não houve um rompimento com o que se vivia, ensinava e celebrava antes do CVII. 

Devido as más interpretações, sobretudo no âmbito litúrgico, poderíamos ainda falar em reforma da reforma, que constitui precisamente em chegar mais perto daquilo que foi pedido pela Sacrosanctum Concilium e pelos padres conciliares. 



Durante seu profícuo pontificado o Papa Bento XVI não mediu esforços para trazer a tona e tornar clara a posição que já como cardeal defendia. Quer seja na liturgia ou no magistério vimos uma perfeita e equilibrada harmonia entre os costumes, as rubricas e a tradição da Igreja. Porém, não poucas vezes foi taxado de conservador e retrógrado pela mídia e até mesmo nas esferas internas de sua grei. O papa foi um verdadeiro "mártir branco" da hermenêutica Concílio Vaticano II.

Vários foram os sinais concretos da reforma litúrgica propagada por Sua Santidade, entre elas destacamos: 

- Beleza e a solenidade do rito: as liturgias papais passaram por uma verdadeira mudança, sobretudo, nos paramentos e nos cantos sacros. O Papa retomou o uso de diversas vestes, enriquecendo a beleza externa da celebração. Por sua iniciativa o canto gregoriano e polifônico retomaram seu lugar de destaque; 







- Ênfase na participação interior na liturgia: ou seja, a participação ativa dos fiéis está mais ligada a uma participação interior do que exterior, por isso, em numerosas vezes o Papa insistiu pelo silêncio dentro da Santa Missa, ele mesmo sempre fazia diversas pausas reflexivas enquanto celebrava;













- O uso da língua latina: assim como prevê o documento conciliar Sacrosanctum Concilium o latim retomou seu lugar de direito na celebração papal, sobretudo, por ser um acontecimento com afluência de diversas nações; 














- A Cruz no centro do altar ladeada por velas (arranjo beneditino): para fazer perceber que a missa não é um espetáculo e que o sacerdote não é seu maestro, o Papa fez questão de ter junto do altar o crucifixo e um conjunto de velas, como prevê a Instrução Geral do Missal Romano; 





- A comunhão eucarística: por insistência pessoal do Papa a foi dada a devida reverência ao Corpo e Sangue de Nosso Senhor, em seu pontificado a comunhão passou sempre a ser distribuída na boca e de joelhos; 









- Incentivo a uma correta tradução dos livros litúrgicos: Bento empenhou esforços para se pudesse fazer um correta tradução dos livros litúrgicos, entre eles o Missal, já aplicado em alguns países.















Grandioso é o legado de Bento XVI para a liturgia, visto que como dizia o próprio Pontífice: "é na relação com a liturgia que se decide o futura da fé e da Igreja". Somos gratos ao Papa por nos ensinar o verdadeiro valor do sacrifício eucarístico e do culto a Deus. Ratzinger é um exemplo a ser seguido. 



Nós somos a geração que agradece a Deus por sua existência e seu valioso serviço a Igreja, que tanto amamos. Temos orgulho de dizer que somos privilegiados por sermos: "a geração Bento XVI".

Papa Francisco nomeia bispo para Divinópolis/MG

Brasão diocesano de Divinópolis/MG

A Diocese de Divinópolis estava vacante, isto é, sem o bispo, desde agosto de 2012, quando Dom Tarcísio Nascentes foi transferido para a Diocese de Duque de Caxias (RJ). Durante este período, padre José Carlos assumiu a função de Administrador Diocesano para dar andamento aos trabalhos da Diocese até a nomeação do novo bispo. O Papa Francisco nomeou, nesta quarta-feira, 26, o novo bispo de Divinópolis (MG), monsenhor José Carlos de Souza Campos. Até então, ele era pároco da catedral e administrador diocesano desta cidade.
Mons. José Carlos estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte (MG) e Teologia no Instituto Dom João Rezende Costa, também na capital mineira. Recebeu ordenação presbiteral em 30 de maio de 1993. Fez mestrado no curso de Teologia Fundamental na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (2000-2002).
Ao regressar à diocese, foi professor de Filosofia no Seminário Diocesano e de Ciências da Religião no curso de pós-graduação em Divinópolis, pároco em Sant’Ana de Itaúna e da catedral de Divinópolis, administrador da paróquia São Judas Tadeu, também em Divinópolis, chanceler e vigário geral da mesma diocese. Foi, ainda, representante diocesano dos sacerdotes, membro do Conselho de Formadores, do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da diocese.
Atuou na área de formação dos leigos nas escolas de Teologia da diocese e no Centro Franciscano de Formação e Cultura, em Divinópolis.
Fonte: cnbb.org.br

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Bento, homem da Caridade Pastoral

O Bispo de Roma é também Pastor Universal, pois nos governa na caridade. O Papa é a cabeça do colégio do Bispos. Seu papel é o de quem mantém a unidade, a fé e a sã doutrina. Entre o colégio apostólico, o próprio Cristo escolheu Pedro e lhe confiou uma missão singular: “Apascenta minhas ovelhas”.

O apóstolo Simão Pedro recebeu uma especial precedência entre os demais, que fez dele a superior autoridade na Igreja primitiva. A Sé na qual ele estava quando recebeu o glorioso martírio tornou-se ponto de referência para a Igreja nascente e seus legítimos sucessores tornaram-se, segundo o mandato do próprio Cristo, os homens que apascentaram o rebanho do Senhor.

Roma é, desde o princípio, um sinal norteador para a vida de fé do povo cristão. O grande Santo Irineu de Lyon (135-202) dela já dizia: “fundada e organizada pelos dois mais gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo [...] mercê de sua especial primazia teve de estar em consonância com esta Igreja cada uma das Igrejas, isto é, os crentes de todo o mundo porque nela fora sempre guardada a Tradição dos Apóstolos”. 

Com o passar dos tempos e o evoluir da Igreja tomou-se cada vez mais consciência desta realidade divina do primado de Pedro e de sua solicitude pastoral para com a Igreja em todo o Orbe. O Papa Clemente I, terceiro sucessor de São Pedro como Bispo de Roma, que viveu entre 35d.C e 97d.C., escreveu a célebre carta aos cristãos da diocese de Corinto, com a qual, através de sua autoridade, reestabelecia a paz ameaçada internamente naquela porção do povo de Deus. Trata-se de um documento de grande relevância apologética, porque demonstra que, já naqueles tempos, se entendia que o Papa possuía uma verdadeira e efetiva autoridade sobre os demais bispos e suas dioceses, e não apenas um posição honorífica de precedência. 

Muito se discutiu sobre o papel exercido pelo Bispo de Roma sobre as demais dioceses. Ao longo dos séculos, alguns tomaram posições fortemente favoráveis a isso, como Santo Tomás de Aquino na Idade Média e o Beato John Henry Newmann mais recentemente, e muitos outros posicionaram-se contra a interferência petrina. Todavia, percebe-se que desde o princípio o Papa não é apenas uma figura de honra, mas, um personagem ativo no que tange a fé, a moral e a vida pastoral de toda a Igreja de Cristo.

O alvorecer da modernidade, sobretudo dos meios mediáticos, fez do papa um cidadão não apenas romano, mas, universal. Devemos às inúmeras viagens apostólicas do Beato João Paulo II a compreensão de que o papa é “nosso pai comum”. Bento XVI ao assumir o sólio petrino, recebeu essa carga de seu antecessor, depois de mais de duas décadas do seu profícuo pontificado. Coube a ele dar continuidade aos trabalhos iniciados pelo papa polonês, mas, também de Paulo VI, que muito fez pela imagem do Papa como pastor da Igreja Universal.

Sob Bento XVI recaiu a responsabilidade de levar adiante uma grei que reconhecia no seu ministério a pessoa do Pai e do Pastor. E em nada o Papa deixou a desejar:

Em 2009, durante a semana santa, um terremoto atingiu a cidade italiana de Áquila. A região ficou destruída e o sismo de 6,3 graus na escala Richter vitimou cerca de 300 pessoas. Era sexta-feira santa, quando segundo a tradição e a regra não se celebra nenhum sacramento - muito menos a missa - e o Papa concedeu uma autorização canônica permitindo que lá se celebrasse uma missa de corpo presente, em sufrágio das vítimas, e para tal, enviou seu secretário de Estado, Cardeal Tarcísio Bertone. Era o "antigo inquisidor" furando a regra por uma necessidade pastoral.

Bento se mostrou mais próximo do povo e de suas necessidades dos que seus críticos poderiam imaginar. Quando visitou o Brasil, na sua única viagem Apostólica a Terra de Santa Cruz, em 2007, ele surpreendeu a todos com seu sorriso inocente e um pouco tímido. Na Fazenda da Esperança, a imagem do abraço coletivo correu o mundo. O pastor alemão tinha coração, e ele estava aberto as necessidades dos homens e mulheres de nosso tempo. Rompia-se o véu do "poderoso chefão". 


O papa passou a ser encarado como um pai, um "bom velhinho", que falava firme quando necessário, mas, sabia abrandar o coração para os pobres e pequenos, acolhendo-os como um verdadeiro Pai e Pastor. Sua benevolência e seu carisma iam mais longe do que simples gestos externos, que enchem tabloides e jornalecos de quinta. Sua caridade pastoral revelou-se também na acolhida dos irmãos separados e na fortaleza com os desgarrados. 

Suas iniciativas contra os padres que cometeram pedofilia e suas lágrimas, durante a visita Apostólica a ilha de Malta em 2010, comoveram o mundo. O papa se fez próximo e solidário com as vítimas, assumindo a dor delas e tomando para si a vergonha dos criminosos. 

Por outro lado, acolheu os antigos Anglicanos, desgostosos das reformas empregadas naquela comunidade eclesial, separada de Roma no século XVI quando da iniciativa do Rei inglês, Henrique VIII, de fundar uma "Igreja estatal" que não contrariasse seu novo casamento com Ana Bolena, em detrimento de Catarina de Aragão. Desde 2009 centenas de "ex-anglicanos" vem sendo acolhidos em ordinariatos pessoais, que lhes permitem voltar a comunhão plena com a Santa Sé. A Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus norteia os tramites de acolhida e estruturação desta nova realidade pastoral.

Outros que devem e muito à Bento são os lefevristas. É sabido que o próprio Papa, depois de ter levantado a excomunhão dos quatro ordenados de 1988, filhos da Sociedade Sacerdotal São Pio X, criada pelo Bispo espiritano Marcel Lefrebve, tentou com esforços reais fazer com que o grupo voltasse a comunhão. A Comissão Ecclesia Dei, criada ainda pelo beato João Paulo II, teve muito trabalho e noites intensas de insônia para realizar o diálogo. O Arcebispo Guido Pozzo, responsável pelos diálogos tentou, mas, a discussão segue empacada.

O Papa agiu como um verdadeiro um Pastoralista. O seu Motu Proprio Summorum Pontificum, de julho de 2007, que legislava sobre a forma extraordinário do Rito Romano, ou seja, a Missa de São Pio V, revelou ao mundo que Bento XVI estava disposto a acolher a todos. Houve quem julgou que o Pontífice estava privilegiando os ditos "tradicionalistas e tradicionais". Já o sínodo sobre a África, em meados de 2009, encerrou a discussão sobre as  possibilidades de inculturação do Papa alemão. Ao final da Santa Missa, na Basílica de São Pedro, após a execução do hino mariano Ave Regina Caelorum, africanos cantaram, ao som de instrumentos típicos, uma saudação a Maria Santíssima, enquanto o papa deixava o altar da confissão.

De todos os lados o Bispo de Roma exerceu sua solicitude pastoral para com todos os povos. Nas três jornadas mundiais da juventude que participou como Papa, ele se mostrou próximo dos jovens. Em 2011, em meio a chuva torrencial que caiu sobre Madrid, tentaram tira-lo do palco montado para seu discurso durante a vigília, mas, Bento disse: "se eles ficam aqui, eu permaneço com eles".



O Doce Cristo na terra nos deixou um verdadeiro legado de amor a Jesus Cristo, sua Igreja e todo seu povo. Ensinou-nos como devemos dar a vida em favor das ovelhas, nos tempos modernos. Bento, um verdadeiro pai e pastor de almas.