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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Há 40 anos: um santo no Brasil


Completa-se hoje quarenta anos da histórica visita do fundador do Opus Dei ao Brasil: Josemaria Escrivá chegou em São Paulo na noite do dia 22 de maio e aqui permaneceu até 07 de junho de 1974. 

I. Um burrico Sarnento no Brasil

Os trabalhos apostólicos do Opus Dei no Brasil iniciaram em 1957, apenas vinte e nove anos depois da fundação do grupo, na Espanha. Era desejo de seu fundador, Monsenhor Josemaria Escrivá de Balaguer estar presente a seus filhos e a Obra, que já em 1974 estava espalhada por 32 países. 

Aos 71 anos de idade o padre - como era e permanece sendo chamado pelos que participam do Opus Dei - iniciou uma jornada de visitas apostólicas à América Latina. Por duas semanas ele permaneceu no Brasil e depois seguiu viagem pela Argentina, Chile, Peru, Equador e Venezuela. 

Foi pensando na sua idade  - que já seguia avançada -  e na saúde fragilizada que preparam uma agenda bastante simples, na qual permitiriam ao padre descansar e rezar muito, enquanto estivesse por aqui. No momento em que lhe apresentaram ele a recusou dizendo: "mas isso não é trabalho: isto é alegria grande, isto é descanso. É estar bem demais!”

O "Burrico Sarnento", como se definia Josemaria, queria estar com os seus e aproveitar o tempo para desenvolver um apostolado fecundo junto de todas as almas. 

II. Uma alma que arrastava o corpo

São Josemaria chegou ao Brasil acompanhado de seu Confessor e Secretário Particular, Alvaro Del Portillo (que será canonizado em setembro) e do atual Prelado da Obra, Javier Echevarría. Havia em São Paulo naquele época um numerário - José Luiz - que há anos ocupava o cargo de chefe do serviço de eletromiografia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Lá solicitou a um colega seu que acompanhasse os resultados de certos exames do padre. Esse, depois de examinar os dados, disse-lhe:

– Com certeza esse senhor deve estar prostrado na cama, sem poder-se mexer...


José Luis riu e retrucou, com uma expressão muito sua:

– No..., no! Não pára de trabalhar, de falar em público, e de andar de um lado para outro. Está tão ágil de corpo e de espírito como um jovem de trinta anos...

Álvaro del Portillo já fazia tempo que ficava assombrado ao ver como, segundo nos dizia, “a alma do Padre arrastava o corpo”. E o “arrastava” de uma maneira humanamente inexplicável. De fato a saúde do padre era fraca, o diabetes, mesmo tendo desaparecido, deixou-lhe como sequela uma insuficiência renal, com os conseqüentes riscos cardíacos e respiratórios. Nessas condições, uma simples bronquite poderia significar um perigo grave.

III. A primeira viagem de helicóptero 

Já em 23 de maio, no primeiro dia transcorrido no Brasil, Mons. Escrivá manifestou o seu desejo de fazer, em alguma igreja próxima, a romaria que tradicionalmente todas as pessoas do Opus Dei fazem, no mês de Maria, a um santuário, igreja ou capela dedicados a Nossa Senhora. O Padre Xavier, (Ou "Doutor Xavier", que hoje seria o Vigário Regional para o Brasil) sem pedir nem sugerir nada, teceu os louvores do Santuário de Aparecida, falando desse foco intenso de devoção, meta de incontáveis romarias vindas de todos os cantos do país. O Padre adivinhou o “pedido” implícito, e respondeu: – “Farei o que você quiser”, o que, traduzido, significava: – “Vamos a Aparecida, se assim você o quiser”.

Então, o pe. Xavier ousou expor uma sugestão complementar. Dois bons amigos, cooperadores da Obra, donos de uma empresa de fumigação aérea para a lavoura, haviam-se prontificado a deixar à disposição de Mons. Escrivá um helicóptero da companhia, um aparelho francês a jato – um Gazelle –, rápido e estável. Será que o Padre gostaria de ir a Aparecida por ar?

– “Por que não? – foi a resposta tranqüila – Farei o que você quiser”.

Uma vez aceito o plano, não demoraram muito a ser acertados o dia e a hora da viagem. Seria a primeira vez na vida em que São Josemaria voaria num helicóptero. A data escolhida foi 28 de maio. Partiriam do aeroporto do Campo de Marte às dez da manhã. 

Efetivamente, antes das dez horas desse dia, o Padre foi recebido no Campo de Marte, com grande amabilidade, pelos dois cooperadores – Sérgio e Luis Cláudio – com as suas respectivas esposas, outros dois casais amigos e o afabilíssimo comandante Simões.

Na pequena sala de espera, iniciou-se imediatamente uma cordial tertúlia, um diálogo ameno, descontraído, sobrenatural e bem-humorado entre o Padre e seus anfitriões aeronáuticos, com predomínio das vozes femininas, cada vez mais empolgadas com as coisas tão claras e sugestivas que aquele sacerdote lhes comentava sobre a família, o amor humano, a formação dos filhos, o Brasil ... 

Todos eles guardaram a lembrança daqueles momentos para o resto da vida (vários dos que lá estavam, passados os anos, me contaram e recontaram esse encontro muitas vezes!). E todos se recordam também da aflição com que a cada quinze minutos, a cada meia hora, a cada hora, seus corações se apertavam, porque chegavam notícias de que o helicóptero atrasara, e sabiam que, desde cedo, uma multidão tinha ido por estrada a Aparecida e lá estava aguardando o Padre para rezar com ele. Os comunicados informado que, por circunstâncias imprevistas, o helicóptero ainda demoraria caíam como uma sombra. Não se sabia quando conseguiria pousar.

O mais interessante, porém, dessas horas de aperto, é que todos os que lá se achavam lembram-se bem da paz, da serenidade, do sorriso – sem o menor sinal de contrariedade ou de impaciência – , com que Mons. Escrivá tomava conhecimento dessas informações. Não dava a menor importância ao atraso para não afligi-los. Mais: fazia questão de intensificar a cordialidade, o humor e a vibração apostólica da sua conversa.

Inicialmente, o almoço desse dia deveria ser ao regressar de Aparecida. Mas, como não pudera haver ainda a “ida”, resolveu-se que o Padre voltaria a casa, para lá almoçar, à espera de que, do Campo de Marte, ligassem avisando que o helicóptero já tinha pousado. Mal ia entrando pelo portão, os que lá o aguardavam viram-no sorrir, alegre, enquanto lhes dizia: –“O homem propõe, e Deus dispõe!”. E aquele almoço improvisado foi outro grande momento de bom humor e de detalhes simpáticos para com todos, sem nenhuma alusão ao contratempo. O Padre não queria que, naqueles seus filhos que haviam organizado a romaria, ficasse a menor sombra de desgosto ou constrangimento.

Assim, o dia das nossas “aflições” ofereceu-nos o retrato de uma alma esquecida de si mesma, de uma alma abandonada nas mãos da Providência e inteiramente voltada para o bem e a alegria dos outros. 

Ao refletir sobre esse sucesso, veio-me espontaneamente à memória algo que ouvi o Padre comentar, quando eu estava em Roma: – “Muitos dias, ao fazer o exame de consciência à noite, tenho que dizer a Jesus: Senhor, se não pensei em mim; se só pensei em Ti e nos outros!”

IV. Um santo em Aparecida do Norte


Terça-feira: 28 de maio de 1974 Josemaria foi até ao santuário da padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Quando descia as escadas, uma senhora adiantou-se e entregou-lhe um ramo de rosas brancas: “São para Nossa Senhora”, disse o Padre, pegando nelas. Posteriormente, entrou na basílica, onde centenas de pessoas o esperavam para acompanhá-lo na recitação do terço. O fundador do Opus Dei se ajoelhou-se no chão do presbitério e começou-se a rezar, em português, o Terço.

Com o olhar fixo na pequena imagem, São Josemaria respondia em voz baixa às orações. Pausadamente, em uníssono, toda a igreja rezava em voz alta. Quando terminou, o fundador do Opus Dei levantou-se e rodeou o altar pelo lado direito, para subir até ao camarim de Nossa Senhora Aparecida. Olhou uns instantes a Virgem e beijou o escudo enquanto dizia em voz baixa: “Mãe!”. 

As rosas ficaram aos pés da imagem. No dia seguinte, comentou: "Com que alegria fui à Aparecida! Com que fé rezáveis todos! Eu dizia à Mãe de Deus, que é Mãe vossa e minha: Minha Mãe, Mãe nossa, eu rezo com toda esta fé dos meus filhos. Queremos-Te muito, muito. E parecia-me escutar, no fundo do coração: com obras!"


Hoje no chamando Santuário Velho se conserva uma imagem da madeira de São Josemaria, posta lá - em 08 de novembro de 2012 - para recordar sua visita aquele santuário mariano.



Durante os 17 dias que permaneceu em nosso país São Josemaria desenvolveu atividades apostólicas que produziram frutos em diversas almas. Na Catedral da Sé de São Paulo foi colocada, em junho de 2012, uma imagem do santo que recorda sua estadia entre nós. 

No Brasil o Burrico Sarnento deu testemunho de sua fé inquebrantável, de sua confiança em Deus, de seu devotamento a Maria Santíssima e de sua entrega total as almas. Josemaria faleceu pouco mais de um ano depois de sua visita ao nosso país, mas, morreu dizendo: "O Brasil: uma mãe grande, que abre os braços a todos e a todos chama filhos". 



Adaptado do livro «São Josemaria Escrivá no Brasil, esboços do perfil de um santo», Francisco Faus, "Editora Quadrante", São Paulo, 2007.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Arcebispo Emérito Dom Altamiro Rossato, Mons. Lorenzatto e Côn. Jotz falecem no dia de hoje em Porto Alegre

A Arquidiocese de Porto Alegre está em luto: num mesmo dia, 13 de maio de 2014, 
faleceram três grandes homens na história desta Igreja Particular: 

Dom Altamiro Rossato, CSsR, Mons. Antônio Domingos Lorenzatto e Côn. Edgar Jotz. 

Da esquerda para a direita: Mons. Lorenzatto, Dom Altamiro Rossato e Côn. Jotz.


Durante a madrugada o quinto Arcebispo Metropolitano, Dom Altamiro Rossato entregou sua alma Deus, na idade de 88 anos. Ao amanhecer, o sacerdote mais velho daquele clero foi chamado à contemplar a face de Pai: Mons. Antônio Domingos Lorezantto morreu ao 93 anos. E, no findar do dia, foi anunciada a junção do Cônego Edgar Jotz, com 84 anos, aos irmãos no sacerdócio, rumo a Casa do Pai.

Dom Altamiro: O missionário que virou professor, o professor que virou Bispo! 

O prelado faleceu por volta das 04 horas de hoje, 13 de maio, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, onde estava internado. 


Aos 88 anos de idade Altamiro foi vítima de uma série de complicações respiratórias e faleceu em decorrência de muitos problemas de saúde, adquiridos ao longo dos anos.






Nascido em Tuparendi, no interior do Rio Grande do Sul, em 23 de junho de 1925, muito cedo ingressou e foi membro da congregação do Santíssimo Redentor, os redentoristas. Como filho de Santo Afonso Maria de Ligório foi ordenado sacerdote em 27 de dezembro de 1951 


No ano seguinte, 1952, bacharelou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma. Nesta mesma universidade, em 1953, fez o Mestrado e o Doutorado em Filosofia. Em 1955, ainda no Angelicum, tornou-se Mestre em Teologia, e no Instituto de Espiritualidade de Santo Tomás, em Roma, doutorou-se em Espiritualidade.


Durante toda a sua vida foi professor, costuma dizer: “Queria ser missionário e por isso entreguei numa congregação de missionários. Quando me acostumei com a ideia de ser catedrático e até estava gostando me fizeram Bispo”. 


Em 2 de março de 1986 foi ordenado para a Diocese de Marabá, no Pará, em sucessão a Dom Frei Alano Maria Pena, OP. Lá permaneceu 1989 quando então foi elevado a dignidade de Arcebispo, como coadjutor em Porto Alegre com direito a sucessão. Em 17 de julho de 1991 sucedeu a Dom João Cláudio Colling como V Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, em cerimônia que aconteceu na Catedral Metropolitana Madre de Deus. 


Guiou a vasta Arquidiocese da capital gaúcha por 10 anos. Durante este período reorganizou a pastoral, através do IX Plano de Pastoral da Arquidiocese de Porto Alegre, iniciado por seu intercessor, e teve a missão de guiar esta porção do povo de Deus no início do novo milênio, para tal foi um grande promotor das missões populares, no ano santo de 2000. 

À esquerda está Dom Dadeus Grings, Arcebispo Emérito e sucessor direto de Dom Altamiro que está ao centro, e à direita se encontra o atual Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler.


Seu lema episcopal: “Fiat Voluntas tua” revela o desejo de sempre e em tudo ter feito a vontade de Deus que o chamou. Hoje rezemos pedindo que o Senhor acolha este servo fiel e se digne conceder-lhe a coroa do justo juiz! 


Seu velório inicia hoje a tarde na Catedral Metropolitana, no centro de Porto Alegre. Amanhã cedo, às 09h30min haverá missa de exéquias, seguida do sepultamento que será no interior da igreja Catedral.

Mons. Antônio: o cerimoniário e historiador!

Monsenhor Antônio Domingos Lorenzatto Nasceu aos 13 de junho de 1920 na cidade gaúcha de Guaporé. Inicialmente foi seminarista da Companhia de Jesus, os jesuítas, mas, acabou por transferir-se para o clero secular e frequentou, desde 1939, o Seminário Menor São José de Gravataí, inaugurado um ano antes, em 19 de março de 1938. 

Em 30 de novembro de 1947 foi ordenado sacerdote na capela daquele mesmo Seminário por Dom Alfredo Vicente Scherer, mais tarde Cardeal da Santa Igreja. Vicente havia sido sagrado Bispo há poucos meses e chamava a Mons. Antônio e seus colegas de "filhos primogênitos na ordem sacerdotal". 


Sua vida e seu ministério estiveram intimamente ligados ao Seminário de Gravataí e a Dom Vicente. Durante os dois anos imediatos a sua ordenação presbiteral residiu no antigo Palácio Arquiepiscopal, que havia na Rua Mostardeiro, e ocupava a função de secretário-particular do Sr. Arcebispo. 


Após sua renúncia ao governo pastoral de Porto Alegre, em 1981, o Cardeal Vicente Scherer passou a residir junto ao Hospital Divina Providência, onde Mons. Antônio era capelão. Novamente o padre exerceu a função de secretário particular do purpurado até sua morte em 8 de março de 1996, quando - segundo contava o próprio padre - "eu lhe fechei piedosamente os olhos". 


Durante o ano de 1950 o Arcebispo decidiu retirar os jesuítas da guia do seu seminário menor e enviou para lá um grupo de sacerdotes diocesanos, ao distinto grupo formado por Côn. Edmundo Muller, Pe. Afonso Schmidt, Pe. Atílio Fontana, Pe. João Wagner, Pe. Ruben Neis, Pe. Paulo Scopel, Pe. Waldemar Puhl, Pe. Sérgio Raupp, Pe. Antônio Guilherme Grings, Pe. Egelberto Hartmann, Pe,. Luiz Weber se somou o jovem Padre Antônio Domingos Lorenzatto. Lá lecionou História Geral, Latim, Geografia e Ensino Religioso. Neste período foi professor de inúmeros seminaristas, dentre eles alguns Bispos Dom José Mário Stroeher, Dom Paulo Antônio de Conto, Dom José Clemente Weber, Dom Sinésio Bohn, Dom Gentil Delazari e Dom Dadeus Grings


Durante sua vida foi ainda o grande Cerimoniário da Arquidiocese de Porto Alegre, nos episcopado de Dom Claudio Colling e do hoje falecido Dom Altamiro Rossato, que em 23 de fevereiro de 1971 o nomeou para atender a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e o Hospital Divina Providência como capelão. 


Em 1980, recebeu o título de Cônego Titular do Cabido Metropolitano de Porto Alegre. A Santa Sé, em 1984, conferiu a ele o título de Monsenhor prelado de honra de Sua Santidade. Em 1999 tornou-se Prior da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém


Mons. Lorenzatto preside a Santa Missa no Seminário Maior da Arquidiocese de Porto Alegre

Em 2010 foi transferido para o Lar Sacerdotal da Arquidiocese de Porto Alegre, onde residem os padre idosos e doentes, junto ao Seminário Menor São José, na cidade de Gravataí, onde sua caminhada vocacional começou.

Rendemos graças a Deus por este grande sacerdote gaúcho que hoje entrega sua alma a Deus. Seu corpo será velado na capela do Seminário Menor e amanhã será levado para a Catedral Metropolitana de Porto Alegre, onde junto do féretro de Dom Altamiro se celebrará missa de exéquias, seguida de sepultamento na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. 

Cônego Edgar Jotz

Nascido em 19 de novembro de 1929 em Alto Feliz. Realizou seus estudos na Arquidiocese de Porto Alegre, e foi ordenado sacerdote em 09 de dezembro de 1956. O cônego foi muito conhecido ao longo de seu ministério pelo amplo engajamento social que teve na cidade de Porto Alegre.

Em inúmeras oportunidades organizou eventos de apoio as questões sociais, envolvendo-se em questões ligadas ao meio ambiente, saúde e educação. Abrigou estudantes perseguidos pela Ditadura Militar, e sofreu punições militares por tal ato.

Pelas atividades realizadas em nome da sociedade porto-alegrense, no ano de 2006 recebeu o título de Cidadão de Porto Alegre, em ato solene realizado na Câmara Municipal de Vereadores, em 05 de outubro do mesmo ano.

Por mais de 50 anos esteve a frente da Paróquia Santa Cecília, localizada no bairro homônimo na capital sul-riograndense. Em razão dos diversos problemas de saúde, teve grandes dificuldades em exercer com vigor seu ministério e sobretudo, seu gosto especial pela música, sendo um grande organista.

Faleceu na tarde de hoje no Hospital São Francisco, no Complexo Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Seu corpo será levado para a Catedral Metropolitana, onde já ocorre o velório do Arcebispo Emérito, Dom Altamiro Rossato.

Amanhã, às 09h30min, serão celebradas na Catedral Metropolitana as exéquias pelo Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Splengler, com missa de corpo presente de Dom Altamiro Rossato, Côn. Jotz e Mons. Lorenzatto.

Após esta missa, o corpo de Côn. Edgar será levado para a Paróquia Santa Cecília, onde ocorrerá nova missa no turno da tarde desta quarta-feira, também presidida pelo Arcebispo, Dom Jaime Splengler.


Requiescant in pace


Atualizado em 13 de maio de 2014, às 17h55min. 


domingo, 27 de abril de 2014

Luzes que clareiam a Igreja nestes tempos

Neste 27 de abril, a Igreja se alegra, no mundo inteiro, pela canonização de dois grandes Sumos Pontífices: São João XXIII e São João Paulo II, que cumpriram com grande fidelidade a sua missão de “doce Cristo na Terra”. Isso se deve à profunda comunhão com o Senhor pela qual eram distinguidos e que lhes possibilitou tornarem-se luzes a iluminar o caminho da Igreja nestes tempos. 



Se atentamos às figuras destes dois Sucessores de Pedro que hoje são apresentados como modelos de santidade, perceberemos quantos paralelos existem entre ambos, apesar de suas peculiaridades. João XXIII foi eleito já com 78 anos, para um pontificado curto que durou pouco menos de 5 anos. Era um homem simples que expressava bondade e pureza através de seus gestos e de suas palavras. João Paulo II, ao contrário, foi eleito ainda com 58 anos, permanecendo no Trono de Pedro por longos 27 anos. Chamava à atenção pelas suas palavras fortes e pela eloquência de seus gestos. Contudo, um e outro possuem um grande significado universal: o Papa Roncalli congregou a Igreja, espalhada por toda a Terra, na celebração do Concílio Ecumênico Vaticano II, expressão mais significativa da Unidade do Corpo Místico de Cristo dos últimos tempos. De modo diverso, mas com o mesmo objetivo e alcance, o Papa Wojtyla percorreu o mundo inteiro como pastor e peregrino, confirmando os irmãos na fé. Ambos, através de diferentes iniciativas, anunciaram a Verdade de Cristo e a alegria em pertencer à comunidade dos que creem. 

A eleição deles foi causa de grande surpresa, pois não eram nomes de destaque no contexto eclesiástico. Não obstante, deixaram sua marca na Igreja, caracterizando-se pelo espírito de renovação com que guiaram o seu rebanho, procurando abrir as portas da grande comunidade e tornar possível o diálogo, não só com irmãos de outras confissões cristãs e de outras religiões, mas com todos aqueles que compunham os mais variados âmbitos da sociedade, do mundo moderno. 

Tendo vivido tenebrosos períodos de guerra e enfrentado as duras consequências que ela causou, estes dois Santos que ora evidenciamos tornaram-se, a partir da experiência com Cristo, sensíveis aos sofrimentos e às necessidades da humanidade de seu tempo, convertendo-se assim em embaixadores da bondade e da misericórdia de um Deus que se fez Homem, amigo de todos os homens, e que pelo seu amor redime e salva a tantos quantos buscam o encontro com Ele. 

Neste dia em que volvemos o nosso olhar a estes dois ícones de santidade, peçamos a sua intercessão para que nós, filhos da Igreja à qual eles tanto amaram, sejamos capazes de servir ao Senhor com fidelidade e alegria, testemunhando o Cristo e o seu amor por todos e por cada um dos homens.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Gemma Galgani: Mística do nosso tempo

Em 11 de abril de 1903, em Lucca na Itália, falecia uma grande santa e mística de nosso tempo: Gemma Galgani.


Nascida em março de 1978 foi batizada como Gemma Maria Humberta Pia Galgani, oriunda de uma próspera família de Buorno Novo e descendente do Beato João Leonardo. Aos sete anos perdeu a mãe, vítima de tuberculoso e aos dezoito o pai.

Desde muito cedo ele foi agraciada com visões sobrenaturais. Conta-se que Gemma via a Santíssima Virgem e conversava com frequência com seu Anjo da Guarda, que lhe ajudava e lhe dava conselhos. Ainda criança recebeu os estigmas da paixão, que lhe surgiam no corpo periodicamente. 

Entre 1899 e 1901 Gemma sofreu por 18 meses os estigmas da Crucificação de Cristo, além das marcas dos espinhos e dos açoites de Jesus. Experimentou visões de Cristo e da Virgem Maria e do seu Anjo da Guarda com frequência nunca vista na história dos santos. Quando em êxtase, fenômenos sobrenaturais manifestavam-se nela, entre os quais a mudança do som de sua voz e diálogos em aramaico, língua da qual não poderia ter conhecimento, a este fenômeno damos o nome de glossolalia religiosa.

Depois da morte do Pai Gemma foi trabalhar como empregada doméstica. Quis entrar na Congregação Passionistas, mas, devido suas fraquezas e debilidades não foi permito seu ingresso. Morreu em 1903, aos 25 anos de idade, espiritualmente ligada a congregação passionista.

Foi canonizada por Pio XII em 1940 e em 1943 as cartas entre Gemma e seu diretor espiritual foram publicadas e isso fez com que a devoção a jovem santa se propagasse ainda mais pela Itália e pelo mundo. 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

José de Anchieta foi declarado santo!

No final do ano de 2013 o Sr. Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Metropolitano de Aparecida (SP) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)  informou que havia recebido um telefonema do próprio Pontífice, no qual Francisco assegurava a declaração de Anchieta como santo.


O Brasil vibrou por ver seu grande evangelizador escrito no rol do santos. Mais tarde se confirmou que a Canonização não possuía um milagre e não seguiria o estilo das canonizações comuns, mas, se apelaria ao processo chamado de "canonização equipolente".



A canonização equipolente ou equivalente acontece quando o Santo Padre alarga a toda a Igreja o preceito do culto de um servo de Deus que ainda não foi canonizado, mediante a inserção da sua festa litúrgica, com missa e ofício, no Calendário da Igreja universal. 



A assinatura deste decreto da canonização acontece de maneira simples e privada, não com a solenidade e a fórmula das canonizações habituais. Para a canonização equipolente são necessários três requisitos: prova do culto antigo ao candidato servo de Deus, atestado incontestável da fé católica e das virtudes do candidato e a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato. Quando a veneração do santo já está bem estabelecida nas tradições da Igreja, porém, por diversos motivos o processo formal de canonização não foi concluído pode-se apelar a canonização equipolente.



José de Anchieta nasceu na região espanhola das ilhas canárias. Ingressou na Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola para pregar missões e evangelizar os pagãos, em 1551.

Ao ser acolhido foi mandado para os estudos em Portugal , a fim de evitar que pudesse sofrer com a rigorosa Inquisição do Reino da Espanha, uma vez que possuía ascendência judaica pela parte materna.


De saúde frágil e débil foi enviado para o Brasil, recém descoberto pelos portugueses, ainda como noviço em 1553 para auxiliar no processo de colonização e cristianização da civilização indígena. Biógrafos contam que quando da partida seus superiores acreditavam que Anchieta nem atracaria em terras de Santa Cruz, antes, que morreria no caminho. 

O jovem missionário não só chegou com saúde como também se sentiu revigorado com os ares desta região. Em 15 de junho de 1553 iniciava a saga de Anchieta neste longínquo Brasil. 

Foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade, na época em que o Governador-Geral do Brasil, Mem de Sá, travava guerra para expulsar os franceses das terras brasileiras

Aqui catequizou e batizou os índios. Evangelizou os pagãos e converteu os pecadores. Anunciou o evangelho e promoveu a pessoa humana. 





Escreveu diversos poemas, contos e programou uma gramática tupi-guarani. Além de missionário incansável e fundador de cidades e povoados, o “Apóstolo do Brasil” foi teatrólogo, historiador, gramático e poeta. Anchieta escreveu em verso e prosa, seja em português, espanhol, latim ou tupi. Sua ação evangelizadora cruzou os umbrais da igreja, ainda nascente nestas terras, e se solidificou como princípio norteador e fonte basilar da sociedade civil brasileira. 





Em 24 de janeiro de 1554, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, Padre Anchieta fundava o Colégio de São Paulo, que foi o embrião da grande metrópole da cidade de São Paulo. Tantos anos depois, esta data nos chega pela carta escrita, de próprio punho, pelo jesuíta desbravador. Na carta, Anchieta narrava que na comunidade da redondeza havia 130 pessoas, das quais 36 já filhos de Deus, pelo sagrado batismo.


Durante sua vida apostólica, toda vivida no Brasil, desempenhou diversas funções para os jesuítas e na igreja local, entre elas a de Superior Geral da Companhia de Jesus nestas terras (1577-1587). 

Com a idade de 63 anos se retirou para Reritiba, hoje Anchieta, no Espírito-Santo. Lá, veio a falecer. Seu corpo foi sepultado em Vitória e o Brasil perdia o homem que por 43 anos se dedicou, de corpo e de alma, a ação evangelizadora na Terra de Santa Cruz. Anchieta é o baluarte da civilização brasileira. Do céu, olha por cada um de nós e por nossa nação. 

O Beato João Paulo II - a ser canonizado também em 2014 - beatificou José de Anchieta em em 22 de junho de 1980, no Vaticano. O processo de beatificação, iniciado ainda no século XVII, parece ter sido dificultado pela perseguição aos jesuítas, perpetrada pelo Marquês do Pombal, mas já em 1622, várias pessoas tinham sido ouvidas no processo, relatando milagres e grandes valores do padre jesuíta. Agora o Papa Francisco o inscreve no roll dos santos.




Agora, mesmo com o adiamento de 24 horas, o Apóstolo do nosso chão é o mais novo santo da Igreja, e rogamos ao Bom Deus que muitas graças sejam derramadas sobre nossa nação, pela intercessão de São José de Anchieta, evangelizador do Brasil. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Anchieta: uma canonização equipolente

Depois de 416 anos de sua morte acontece amanhã às 14 horas no horário de Roma, 09 horas no horário de Brasília, a canonização do Beato José de Anchieta, Apóstolo da evangelização na Terra de Santa Cruz.


O Papa João Paulo II - que será proclamado santo em 24 de abril - o canonizou em 22 de junho de 1980, na Praça de São Pedro. Amanhã Anchieta será inscrito no rol dos santos pelo Papa Francisco através da “canonização equipolente ou equivalente”.

O processo de canonização equipolente acontece quando o Santo Padre alarga a toda a Igreja o preceito do culto de um servo de Deus que ainda não foi canonizado, mediante a inserção da sua festa litúrgica, com missa e ofício, no Calendário da Igreja universal. 

A assinatura deste decreto da canonização acontece de maneira simples e privada, não com a solenidade e a fórmula das canonizações habituais. Para a canonização equipolente são necessários três requisitos: prova do culto antigo ao candidato servo de Deus, atestado incontestável da fé católica e das virtudes do candidato e a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato.


Quando a veneração do santo já está bem estabelecida nas tradições da Igreja, porém, por diversos motivos o processo formal de canonização não foi concluído pode-se apelar a canonização equipolente. Ao longo da história muitos são os exemplos de santos, canonizados mediante o processo equipolente, entre eles, Bruno, Margarete da Escócia, Estevão da Hungria, Wenceslaus de Boêmia e Gregório VII. Em 2012 Bento XVI fez uso deste processo ao declarar Santa a Hildegard Von Bingen, por ele também instituída doutora da Igreja.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Novo Bispo para São José dos Campos

Depois de nomear a Dom Henrique Soares da Costa para Bispo de Palmares (PE) o Santo Padre o Papa Francisco nomeou nesta quinta-feira um novo Bispo Diocesano para São José dos Campos (SP). Parece que o Romano Pontífice interessou-se pelo episcopado brasileiro a ponto de, fugindo do que é comum, fazer nomeações e transferências em outro dia da semana que não a tradicional quarta-feira. 


Para suceder a Dom Moacir Silva, nomeado em 24 de abril passado Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto (MG), o Papa nomeou Dom José Valmor César Teixeira, até então Bispo de Bom Jesus da Lapa, na Bahia. Dom José Valmor é oriundo da Pia Sociedade de São Francisco de Sales, mais conhecidos como Salesianos de Dom Bosco. Nasceu em Rio do Sul, no Paraná, cidade de forte e marcada atuação salesiana. O novo Bispo Diocesano tem 61 anos e desde 2009, quando de sua eleição e sagração, estava na diocese baiana criada em 1962 pelo Beato João XIII e que agora passa a estar vacante. 

Ele será o IV Bispo diocesano de São José dos Campos, diocese criada em 1981 pelo Beato João Paulo II, e que teve como primeiro Bispo Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ, mais tarde criado Cardeal quando Arcebispo do Rio de Janeiro. Esta jovem, porém, pujante porção do Deus está divida em cerca de 3.181¹Km² nas suas 44 paróquias e é sufragânea da Arquidiocese de Aparecida, a "capital dos católicos brasileiros."

Que São José, Padroeiro da Diocese e onomástico do novo Bispo, interceda por seu pastoreiro! 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dom Henrique é nomeado Bispo Diocesano

Na festa de São José, castíssimo esposo da Virgem Maria, o Santo Padre nomeou um novo Bispo Diocesano para a Palmares, no estado do Pernambuco: Dom Henrique Soares da Costa, até então Bispo Titular de Acúfida e Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju-SE. 


Dom Henrique é um jovem Bispo, completará no próximo mês 51 anos. Nasceu em Penedo, Alagoas, mas, incardinou-se no clero da Arquidiocese de Maceió. Desde o segundo semestre de 2009 era Bispo Auxiliar de Dom José Palmeira Lessa, na Sede Metropolitana de Aracaju, em Sergipe. 

O novo Bispo Diocesano é conhecido nacionalmente por suas pregações fiéis à doutrina, sua liturgia bem celebrada e sua viva presença na internet, os novos areópagos da sociedade. Desde os tempos de Cônego em Maceió e mesmo depois de Bispo, ele mantém sua atuação apostólica até mesmo nas redes sociais. 






A Diocese de Palmares, sufragânea de Arquidiocese de Olinda e Recife, estava vacante em virtude da renúncia de Dom Genival Saraiva de França por limite de idade, em conformidade com o Direito. O agora Bispo Emérito deve permanecer no cargo de Presidente do Regional Nordeste II da CNBB até 2015.

Palmares foi desmembrada da Arquidiocese de Olinda e Recife e da Diocese de Garanhuns em 1962, pelo Beato João XXIII. Uma diocese com muitos desafios pastorais, espalhados em quase 4.000 km² entre as 20 paróquias da diocese. Dom Henrique será o III Bispo Diocesano e ao lado de Dom Fernando Guimarães - Bispo de Garanhuns e seu amigo pessoal - completa o time de ferro dos conservadores do nordeste brasileiro.


Rogamos a Deus pela intercessão de São José e de Nossa Senhora da Conceição do Montes, Padroeira da Diocese, que abençoe o pastoreio de Dom Henrique à frente desta porção do Povo de Deus.

Há um ano Dom Henrique concedeu entrevista a nosso Blog, Confira: 

José: o varão que Deus quis chamar de Pai!


"Quando a condescendência divina escolhe alguém para uma missão especial ou para um estado sublime, concede à pessoa escolhida todos os carismas que lhe são necessários para a sua realização. 
Eis quanto se realizou, sobretudo, no Grande São José". 

(São Bernardino de Sena, Discurso, Obra VII, 16)


O pouco que sabemos sobre São José deve-se às Sagradas Escrituras. Foi na própria anunciação quando pela primeira vez encontramos seu nome mencionado no evangelho, onde se diz que Maria estava noiva de um homem chamado José. Mais tarde - quando a Virgem já havia concebido - o evangelista Lucas afirma que o esposo não sabia deste fenômeno e, quando soube, queria abandoná-la. Depois que o Anjo apareceu-lhe em sonho ele tomou Maria em casamento e, tão logo, partiu para Belém, para o recenseamento, já que José era da casa de Davi.

O Menino nasceu no pobre e humilde ambiente de uma manjedoura. José percebendo que não havia lugar para eles em Israel parte para o exílio, no Egito. Retornando apenas a após a morte do feroz Herodes, autor do massacre dos inocentes. Quando deixam as inóspitas terras africanas eles se dirigem para a Galileia dos gentios, em Nazaré, onde Jose se fixa com o ofício de carpiteiro.

Destes anos obscuros do Redentor pouco sabemos. Através do evangelho de Lucas temos conhecimento que na altura dos treze anos o menino se perdeu no templo e foi encontrado por seus pais, quando estava em meio aos doutores da lei. A narrativa deste episódio encerra-se dizendo que Ele crescia em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens. Depois dissos os sinóticos se calam. As palavras humanas parecem pouco para descrever o ambiente e a vida familiar de José, de Maria e de seu Primogênito.

A fundadora dos focolares, Chiara Lubich, em Escritos Espirituais, diz: "na família de Nazaré, Maria certamente educava, mas, educava ouvindo a voz do Espírito Santo dentro dela, que estava em harmonia com o Filho de Deus, que estava diante dela. Educava também o seu filho obcecendo-lhe. Por outra parte, Jesus menino - ele era o guia da família de Nazaré, porque era Deus - estava também submisso a Maria e a José, como diz a Sagradas Escrituras. José, por sua vez, chefe da família aos olhos dos homens, pois era tido como pai de Jesus, pois Jesus lhe obedecia e poque Maria sem dúvida lhe terá obedecido, era ao mesmo tempo submisso a Deus e à Mãe de Deus. De tudo isso se vê que os três, de um ponto de vista, mandavam e os três, de um outro ponto de vista, obedeciam". 

Fato é que o próprio Deus escolheu a José para ser o verdadeiro varão que guiaria a Sua família. Cabe salientar que o Senhor não estabelece com José uma mera relação utilitarista, mas, um verdadeiro e sincero vínculo de paternidade e de fraternidade. A figura do homem para a família de Nazaré não é meramente uma convenção social, mas, fruto do desejo de Deus, que se personifica na pessoa de São José. Como diz o grande Doutor comum, Santo Tomas de Aquino, "José é ao mesmo tempo tanto pai de Cristo quanto esposo de Maria, não em virtude da união carnal, mas, do vínculo matrimonial". 

São José é, portanto, esposo casto de Maria e pai virgem de Jesus. Na sua pessoa estava a defesa de Maria Santíssima e a custódia do Divino Infante. Foi por este motivo que, em 1870,o Santo Padre o Papa Pio IX declarou São José como Patrono da Igreja Universal.

Hoje recorremos ao grande Patriarca da Família de Nazaré para que interceda pelo Santo Padre e por toda a Igreja Universal, afim que sejamos bem conduzidos pelas veredas deste mundo, rumo aos céus.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Um ano Franciscano!



Completa-se neste 13 de março um ano do solene Habemus Papam que anunciava a eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio para a Sé de São Pedro. Após o grande Pontífice que foi Bento XVI, o Paráclito conduziu o Sacro Colégio de Cardeais a eleger para o Papado o primeiro latino-americano da história, vindo das terras argentinas. 

Era por volta das 20 horas e 30 minutos no horário de Roma, quando o Cardeal Proto-Diácono da Igreja Romana, Jean-Louis Tauran, surgiu no balcão da monumental Basílica, construída nas Colinas Vaticanas sobre os restos mortais de São Pedro, para anunciar a eleição de seu 265° sucessor dele. O locutor, um francês de 69 anos, debilitado pelo mal de parkison, com o qual luta desde 2012, possuía uma voz fraca e aparência frágil. Seu anúncio em nada se comparou com o vigor e a solenidade do Habemus Papam de 2005, quando o chileno Jorge Arturo Medina, depois de saudar os fiéis em diversos idiomas, anunciou a eleição de Joseph Ratzinger. 

O "Dominum Georgium Marium [...] Cardinalem Bergoglio" ressoou tão tímido que demorou para que nos déssemos conta da eleição de um Pontífice do terceiro mundo. Fora escolhido o primeiro Papa argentino da história; um fato inédito que marcaria para sempre a vida eclesial. Inusitado também era o fato que pela primeira vez o "Papa branco e o 'papa negro'" eram, ambos, jesuítas. A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola, legava seu primeiro filho a Sé Petrina.


Ao som da Hino Pontifício, sem murça ou estola, surgiu o novo Papa. Ele parecia mais assustado que a própria nação católica que acolhia a sua inesperada eleição. No primeiro discurso, ladeado pelo brasileiro Cláudio Hummes, ele falou da necessidade da oração, da fraternidade e rezou pelo seu antecessor, Bento XVI. 

Irmãos e irmãs, boa noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. 
Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! 
E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo Emérito Bento XVI. 
Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. 
Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. 

Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. 

Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.


Depois ele se inclinou e permaneceu em silêncio por alguns segundos. Concedeu a todos a bênção Urbi et Orbe e despediu a todos dizendo:

"Boa noite, e bom descanso!"

Ao ouvir suas primeira palavras, lembrávamos da caridade pastoral de João XXIII, quando do balcão de seu apartamento pontifício proferiu o famoso "discurso da lua", no qual dizia: "ao voltar para casa, encontrareis as criançinhas; fazei-lhes um carinho e dizei-lhes que este é o carinho do Papa".

Mas nos interrogávamos ainda acerca do sugestivo nome escolhido pelo Romano Pontífice: Francisco. Seria o santo de Assis, a quem Deus mandou "reformar a Sua Igreja"? Ou seria o seu confrade Xavier, missionário incansável? A questão não demorou a ser respondida. O Papa alegou que quando foi eleito, estava ao seu lado o antigo Prefeito da Congregação para o Clero e Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Claudio Hummes, O.F.M., gaúcho de Salvador do Sul, que disse: "não se esqueça dos pobres". O recém eleito, movido pelo Espírito Santo, decidiu chamar-se Francisco, que através da radicalidade do Evangelho viveu a pobreza, sendo o "mínimo dos mínimos". 



Apesar da brevidade do seu pontificado, é esta marca que tem predominado: "uma Igreja pobre para os pobres". O Papa tem um estilo pessoal de vida bastante austero e simples. Se percebe que ele não gosta dos ditos "formalismos" e "protocolos" vaticanos. Desde os primeiros dias, não fez uso do apartamento pontifício, mas, de um quarto na Casa Santa Marta, onde celebra missa "pública" todas as manhãs. 

Aumentaram neste período visitas pastorais às paróquias romanas. Francisco, que quer ter "cheiro das ovelhas", tem marcado presença junto a seus diocesanos e tem frisado com veemência que ele é o Bispo de Roma. Em 5 de julho do ano passado, ao lado do Papa Emérito, ele consagrou a Cidade Eterna à proteção do Arcanjo São Miguel.

O Papa, supremo pastor da Igreja, tem governado com sabedoria a sua grei. No que tange a liturgia e os hábitos pessoais, vemos sua simplicidade e simpatia, vindas de sua própria personalidade, razão pela qual, como dissemos anteriormenteele não é nenhum terrorista litúrgico, como se poderia imaginar. Antes, é um homem fiel, que tem guiado com caridade pastoral a Igreja de Cristo. 

Francisco é um homem que tem palavras objetivas e claras, sem maiores "rodeios". Lamentamos, porém, que seus discursos e falas sejam instrumentalizados por alguns, em favor de ideologias e de vertentes teológicas que não correspondem às verdades evangélicas e as necessidades do mundo e da Igreja na sociedade contemporânea.

Pedro, nosso pai comum, tem se mostrado um verdadeiro artífice de uma nova cultura, onde brilhará as riquezas do Evangelho e da salvação, longe de carreirismos e extremismos. O Papa nos governa na caridade e no amor, na proximidade e na "cultura do encontro".



Somos gratos a Deus por tão grande dom de Sua providência à Igreja. "Omnes cum Petrus, ad Iesum, per Mariam". Que o Santo Padre Francisco nos governe por longos anos, e que viva tanto ou mais que Pedro!

Obrigado, Santo Padre!


Faleceu Dom José Policarpo, Patriarca Emérito de Lisboa


Hoje, 12 de março, às 16 horas no horário local, faleceu

Dom José da Cruz Policarpo

Cardeal Patriarca Emérito de Lisboa, em Portugal. 


De acordo com a TVI 24, o lusitano de 78 anos morreu ao final desta tarde, vítima de problemas cardíacos. Sabemos que Dom Policarpo era um fumante inveterado e que há muito sofria do coração. O Patriarca encontrava-se em Fátima, onde fazia seus exercícios espirituais. O purpurado passou mal e foi levado ao hospital, onde veio falecer.

Em meados de 2011, ele pediu renúncia do oficio de Patriarca, por limite de idade. Sua renúncia só viria a ser aceita em maio de 2013, quando o Papa Francisco nomeou Dom Manuel Macário, então Bispo do Porto, para Patriarca de Lisboa, sendo ele o 17° a assumir o ofício.

Nos 15 anos em que esteve à frente do Patriarcado de Lisboa, ele governou com solicitude esta velha sede portuguesa, nossa Mãe na fé. Devotíssimo da Virgem de Fátima, participou de dois conclaves, que elegeram Bento XVI e Francisco.

As Exéquias do Cardeal acontecerão na próxima sexta-feira, 14 de março, junto a Sé Patriarcal e serão presididas pelo atual Patriarca, Dom Manuel José Macário do Nascimento Clemente. Logo após a Missa em sufrágio da alma do Sr. Cardeal, o féretro será levado para o Panteão dos Patriarcas, onde será sepultado.

Rogamos a Deus que acolha sua alma no céu e lhe conceda o repouso eterno! 

Réquiem ætérnam dona ei, Dómine,

Et lux perpétua lúceat ei! 
Riquiéscat in pace! 
Amen.


* Logo mais maiores informações!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Quaresma, tempo de morrer para nós mesmos



Hoje celebrarmos com toda a Igreja a Quarta-Feira de Cinzas e com ela damos início ao tempo da Quaresma. Nosso Papa Emérito, Bento XVI, em 2012 nos recordou a magnitude presente neste período, que segundo suas palavras é um "itinerário de quarenta dias que nos levará ao Tríduo Pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, o coração do mistério da nossa salvação (Audiência geral de 22/fev/2012)."

O Papa recorda ainda que durante a Igreja primitiva este tempo era privilegiado pela catequese e por um intenso convite à conversão. Após percorrer um caminho de fé, os catecúmenos se preparavam para serem acolhidos na comunidade por meio do sacramento do Batismo e assim "tornarem-se cristãos e ser incorporados a Cristo e à sua Igreja."

Ainda hoje este é o tempo apropriado para vivermos de maneira mais concreta e intensa os ensinamentos de Cristo. Afim de obtermos êxito neste propósito, a Igreja nos convida à prática dos chamados exercícios quaresmais": a oração, a esmola e o jejum. Ao recebemos as cinzas sobre nossas cabeças, ouviremos o ministro proferir a seguinte afirmação: "convertei-vos e credes no Evangelho", recordando que a conversão e a mudança de vida são constantes em nossas vidas. Tanto quanto os erros que cometemos ao longo de nossas vidas, maior é a certeza de que Deus está sempre disposto a aceitar nosso perdão mediante nosso esforço de mudarmos de vida. E é por meio da oração que somos capazes de reconhecer nossos erros e lutar pela conversão; a oração passa a ser o caminho e o sustento na busca por uma vida nova.


Em sua mensagem para a Quaresma deste ano, Sua Santidade o Papa Francisco colocou como passagem para nossa reflexão um versículo da carta de São Paulo aos Corintios: "conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza" (2 Cor 8, 9). Com base na afirmação supracitada, o Santo Padre nos apresenta uma bela reflexão acerca da caridade, a verdadeira prática da esmola.

Papa Francisco afirma que a esmola dada daquilo que nos é supérfluo não passa de "piedade filantrópica"; a esmola é na realidade partilhar o que temos, é tornar-nos capazes de colocar tudo à disposição de nossos irmãos, da mesma forma como São Paulo exortou a comunidade de Corinto a ser generosa no auxílio à comunidade de Jerusalém, que enfrentava dificuldades. Esmola e jejum se fundem não sendo meros preceitos, mas antes um exercício de sermos capazes de nos colocar na situação daqueles que sofrem. Oferecemos o jejum na Quaresma como uma abstinência, como o abrir mão de algo de que gostamos para nos solidarizar com nossos irmãos menos favorecidos, e assim viver Cristo não só com palavras mas com nosso modo de agir.

Nesta mesma mensagem, Sua Santidade nos explica a diferença entre a miséria e a pobreza, afirmando que "miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança" e apresenta a existência então das misérias materiais, a ausência do mínimo possível para a sobrevivência, como alimentos, água, trabalhos e condições dignas de vida; a miséria moral, quando nos tornamos escravos do pecado e dos vícios, cada vez mais apelativos em nossa sociedade, e desta condição origina-se a miséria espiritual que nos distancia de Deus e de seu amor por nós.

Assim passa a ser predominante nos quarenta dias da Quaresma a capacidade de nos colocarmos mais próximos daqueles que ainda hoje se encontram à margem da sociedade e assumirmos o peso da Cruz que estas pessoas todos os dias carregam. Em uma de suas homilias, contidas no livro É Cristo que passa, São Josemaría Escrivá disse que "fazer as obras de Deus não é um bonito jogo de palavras, mas um convite a gastar-se por Amor. Temos de morrer para nós mesmos a fim de renascermos para uma vida nova. Porque assim obedeceu Jesus, até à morte de Cruz. Se obedecermos à vontade de Deus, a Cruz será também Ressurreição, exaltação. Cumprir-se-á em nós, passo a passo, a vida de Cristo".

Nessa busca pelo "morrer para nós mesmos", a Igreja do Brasil promove a Campanha da Fraternidade, que neste ano tem como tema Fraternidade e Tráfico Humano. Durante o tempo da Quaresma, somos convidados a olhar para tantos que sofrem com a violação da dignidade humana. Com o lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou" lembramos que não devemos ser amarrados pelos inúmeros apelos da sociedade, que, por fim, nos conduzem a escravidão.

A Campanha também reflete sobre tantos que ainda hoje são tratados como meras mercadorias, sobre tantas pessoas que são vítimas dos brutais e diversos sistemas de exploração. Dentro dos objetivos está o de "identificar as causas e modalidades do tráfico humano e os rostos sofridos por esta exploração". Mais do que descobrir os que sofrem, é necessário descobrir as razões para isso; devemos abrir nossos olhos para as condições de vida que conduzem as pessoas até a esperançosa ilusão contida no tráfico humano. Quantos não buscam apenas melhorar suas vidas e o de seus entes queridos e nesta busca acabam por tornar-se escravos, seja por engajarem-se em empregos com baixos salários, sem a mínima preservação de seus direitos, ou mesmo por meio da exploração sexual que terminam por sofrer tanto crianças quanto adolescentes.


Portanto, ao longo de toda a Quaresma, o Santo Padre deseja, como enfatizou em sua mensagem quaresmal, "encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com
Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nós podemos nos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza". Mas, que além disso, a Quaresma seja o início de uma nova forma de vida, onde nos tornamos capazes de ver naqueles que mais sofrem a face de Cristo, e assim sermos capazes de morrer para nós mesmos, para vivermos mais próximos d'Ele.