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sábado, 28 de junho de 2014

O Pálio Pastoral e os Metropolitas


29 de junho, Festa de São Pedro e de São Paulo, o Santo Padre o Papa Francisco entregará o Pálio Pastoral a todos os Arcebispos Metropolitanos que foram nomeados no último ano, entre eles está o Arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, OFM e o de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado, CSsR.



Spengler, que é o mais jovem Arcebispo do Brasil com 53 anos, tomou posse da Arquidiocese de Porto Alegre em 15 de novembro de 2013, em celebração realizada na Catedral Metropolitana Madre de Deus.

Oriundo da Ordem dos Frades Menores (OFM) era desde março de 2012, quando foi ordenado, era Bispo-Titular de Patara e Auxiliar da Sé gaúcha. Sua sucessão a Dom Dadeus Grings, o antigo metropolitana, aconteceu dois anos após a renúncia do velho prelado.

Seu lema episcopal é "In cruce gloriare" - Gloriar-se na Cruz.








Dom Majella Delgado nasceu em Juiz de Fora e tem 60 anos de idade.

Ainda criança fez-se religioso na Congregação do Santíssimo Redentor, os redentoristas. Foi ordenado sacerdote em março de 1981.

Em dezembro de 2009 o Papa-Emérito Bento XVI o nomeou Bispo da Diocese goiana de Jataí, ainda vacante. Sua sagração episcopal se deu em 27 de fevereiro de 2010. 

Em 28 de maio foi nomeado para a Sé Metropolitana de Pouso Alegre, Minas Gerais. Atualmente é também o Presidente do Regional Centro-Oeste da CNBB.

Seu lema episcoal é: “Servir por amor”.


O pálio é uma insígnia de lã branca, de 05 centímetros de largura e formada por dois apêndices, que comporta em si 06 pequenas cruzes bordadas em lã preta. A história desta antiga indumentária remonta ao Império Romano, mas, sua estrutural atual em forma de “Y” já poderia ser observada em representações do século VIII.

O pálio que é entregue aos Arcebispos Metropolitanos, ou seja, aqueles que possuem e estão à frente de uma diocese, quer representar a unidade dos bispos, espalhados nos cinco continentes, com o sucessor de Pedro, o Papa.

O pálio, feito da lã, quer também indicar a missão do Arcebispo como pastor, que carrega em seus ombros o rebanho a ele confiado, a ovelha ferida e desgarrada que é conduzida sob os ombros a exemplo de Jesus, que é sumo sacerdote e bom pastor.


















Segundo uma antiga tradição no dia 21 de janeiro, quando celebra-se Santa Inês (que em latim se escreve Agnes e significa cordeiro) o Papa dá a bênção a duas pequenas ovelhas que são entregues a uma grupo de religiosas beneditinas residentes ao mosteiro de Santa Cecilia in Trastevere, cuja abadessa presencia a bênção. Lá as ovelhas são tosquiadas e se procede a tecelagem para a confecção dos novos pálios.















Depois de prontos, no dia 24 de junho, na festa de São João Batista aquele que anunciou o Cordeiro de Deus, os pálios são colocados em uma urna que é depositada sob a tumba de São Pedro, tornando-se assim uma relíquia de terceiro grau. Lá as insígnias permanecerão até a missa da manhã do dia 29 de junho quando o Papa imporá o pálio a todos os Arcebispos Metropolitanos, que são Bispos Diocesanos espalhados por todo mundo.



Depois da entrega os bispos retornam as suas dioceses portando o pálio pastoral. Ele será utilizado nas celebrações litúrgicas – como a Santa Missa – dentro de qualquer diocese de sua circunscrição eclesiástica, ou seja, da sua Arquidiocese e das Diocese que possui como suas sufragâneas e sob as quais ele exerce o papel de referência da comunhão com a Igreja Católica, na sua união com o Bispo de Roma, que é o Papa. (Cânon 437 § 2º do CDC)


No caso de renúncia o Arcebispo passa a não fazer mais uso do pálio. No caso de transferência ele pedirá ao Santo Padre um novo pálio, que lhe será novamente entregue. Todos os Arcebispos Metropolitanos, mais o Patriarca Latino de Jerusalém e o Decano do Colégio de Cardeais possuem o direito de portar o pálio.


Na América, na África, na Ásia, na Oceania e na Europa – em todos os cantos do mundo – o pálio é o sinal da unidade com Pedro, que nos governa na caridade. O Bispo, como pai e pastor, nos conduz como ovelhas em seus ombros. Portanto, o pálio não é uma simples indumentária ou uma condecoração, mas, é um sinal claro e visível do nosso desejo sempre crescente de formar unidade e criar comunidade em Cristo Jesus.



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Faleceu o Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom Moacyr José Vitti.

Faleceu no início da tarde de hoje, 26 de junho,
o Arcebispo Metropolitrano de Curitiba, Dom Moacyr José Vitti.


O Arcebispo de 74 anos veio a falecer em sua residência, por volta das 13h40min de hoje. A informação oficializada pela Arquidiocese de Curitiba, foi divulgada em nota oficial pelo site.
Dom Moacyr nasceu em 30 de novembro de 1940, na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo, onde foi o 4° Bispo, e desde maio de 2004 guiava a Arquidiocese da Capital do Paraná.

Entrou para o Seminário dos Estigmatinos em 17 de janeiro de 1953. Estudou em Ribeirão Preto, fez o noviciado em 1960 e a primeira profissão religiosa no município Casa Branca/ SP. Cursou Filosofia e Teologia no Instituto Estigmatinos de Campinas. Fez sua profissão perpétua em 9 de dezembro de 1963 e foi ordenado sacerdote na Capela da Santíssima Trindade, em Campinas/ SP, em 16 de dezembro de 1967.

Trabalhou por seis anos na Pastoral Vocacional e foi conselheiro provincial. Depois, por mais seis anos foi vice-geral da Congregação dos Estigmatinos em Roma e em seguida provincial da Província de Santa Cruz no Brasil.

Doutorou-se em Teologia na Universidade Angelicum, de Roma. Sua nomeação como bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba ocorreu no dia 18 de novembro de 1987. A ordenação episcopal realizou-se em Americana/SP no dia 3 de janeiro de 1988.


A nomeação de bispo diocesano de Piracicaba/SP ocorreu no dia 15 de maio de 2002, no ano Jubilar de Ouro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Em 19 de maio de 2004, Dom Moacyr foi nomeado arcebispo de Curitiba, tomando posse como quinto Arcebispo no dia 18 de junho na Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.
Atualmente era o presidente do regional Sul II da CNBB e Chanceler da PUC-Curitiba.


Em breve maiores informações.

V. Réquiem ætérnam dona ei, Dómine!
R. Et lux perpétua lúceat ei.
V. Requiéscat in pace!
R. Amen.



Dia 27 de junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, é celebrado o Dia de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. Em preparação para a data, o arcebispo de Palmas, no estado do Tocantis, e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, Dom Pedro Brito Guimarães, publicou uma mensagem a todos os sacerdotes.










Mensagem para o dia de oração pela santificação dos sacerdotes


Caríssimos irmãos sacerdotes,



Tenho Sede!



Todo ano, a Igreja promove a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, por ocasião da festa do Sagrado Coração de Jesus que, neste ano, será no dia 27 de junho. Neste dia, ela convida todo o povo de Deus de nossas comunidades eclesiais, bem como as pessoas de boa vontade, para rezarem pelos seus sacerdotes para que, fiéis aos compromissos assumidos no dia da ordenação presbiteral, tenhamos uma vida íntegra e santa, de íntima e profunda comunhão com Jesus. Pois somente assim poderemos amar verdadeiramente o rebanho do Senhor que nos foi confiado.



A santidade, além de ser um projeto pessoal de vida, deve ser também um projeto pastoral. São João Paulo II, no ano 2000, assim se expressou: “em primeiro lugar, não hesito em dizer que o horizonte para onde deve tender todo o caminho pastoral é a santidade” (NMI 30). E o apóstolo Paulo: “A vontade de Deus é que sejais santos” (1 Ts 4,3). Tudo na vida e na missão de um sacerdote deve ter a marca da santidade. Sem santidade, estamos sem horizonte, não somos nada, não valemos nada e não fazemos nada de bom.



No Cenáculo, durante a Última Ceia, ao instituir a Eucaristia, o mandamento do amor fraterno e o sacerdócio ministerial, Jesus, o Santo e a fonte de toda santidade, revelou aos seus discípulos um dos seus desejos mais profundos: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, e vós, os ramos” (cf. Jo 15,4-5). Permanecer em Jesus é a alegria verdadeira de nossa vida. Sem Ele, tudo em nossa vida emudece e perde sentido. Pois, foi Ele mesmo quem disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Decorrem desta íntima união com Jesus Cristo a conversão pessoal e pastoral, a solicitude pastoral pelos pobres e sofredores e o ardor missionário. Em outras palavras, a santidade.



Hoje, mais do que em tempos passados, o sacerdote deve ser o homem de Deus. Aquele que não se mantiver firme na fé, alegre na esperança, perseverante na oração e firme nas tribulações (cf. Rm 12,12), terá vida breve e estéril.Na realidade atual, perdemos muito daqueles papéis sociais de destaque que, em tempo de cristandade, os nossos antepassados tinham. Além do mais, com o advento dos potentes meios de comunicação, as nossas fragilidades e feridas aparecem com maior clareza, exigindo de nós mais coerência de vida e testemunho de santidade. Precisamos sempre ser pastores identificados com Jesus e com sua Igreja, pobre e para os pobres. Precisamos ser sacerdotes acolhedores, solidários, fraternos com os irmãos, encantados e apaixonados pela missão. Enfim, precisamos de sacerdotes santos. Sem a lógica da santidade, o ministério sacerdotal vale muito pouco e não passa de uma simples função social.



Neste sentido, é mister recordar o que o papa Bento XVI disse certa vez: "existem algumas condições para que haja uma crescente harmonia com Cristo na vida do sacerdote: o desejo de colaborar com Jesus para propagar o Reino de Deus, a gratuidade no serviço pastoral e a atitude de servir".O encontro com Jesus deixa o sacerdote fascinado, encantado e apaixonado por sua pessoa, suas palavras e seus gestos. É como ser atingido pela irradiação de bondade e de amor que emanam d’Ele, a ponto de querer ficar com Ele como os dois discípulos de Emaús. Cada sacerdote deveria diariamente pedir a Jesus: “Fica conosco, pois já é tarde e à noite vem chegando” (Lc 24,29). Quem se encanta por Jesus, entra em sintonia e em amizade íntima com Ele, e tudo passa a ser feito como agrada a Deus. Ser sacerdote não é mérito nosso. É um dom a ser vivido na companhia de Jesus com gratidão e generosidade.



E acrescenta o papa Bento XVI: "o convite do Senhor para o ministério ordenado não é fruto de mérito especial, mas é um dom a ser acolhido a que se corresponde dedicando-se não apenas a um projeto individual, mas ao de Deus, totalmente generoso e desinteressado. Nunca nos devemos esquecer, como sacerdotes, que a única subida legítima rumo ao ministério do pastor não é aquela do sucesso, mas a da cruz”.



Cai bem aqui o que disse o papa Francisco: “Conscientes de terem sido escolhidos entre os homens e constituídos em seu favor para esperar nas coisas de Deus, exercitem com alegria e com caridade sincera a obra sacerdotal de Cristo, unicamente com a intenção de agradar a Deus e não a si mesmos. Sejam pastores, não funcionários. Sejam mediadores, não intermediários”.



O coração do sacerdote é um coração sempre aberto para amar, acolher, celebrar e agradecer. Permitam-me, amados de Deus, concluir esta mensagem reportando, mais uma vez, ao que disse recentemente o papa Francisco sobre a necessidade de amar e santificar a nossa vocação sacerdotal. Diz ele: “Os sacerdotes, mais do que estudiosos, são pastores. Não podem nunca se esquecer de Cristo, seu primeiro amor, e devem permanecer sempre do seu lado.Como está hoje o meu primeiro amor? Estou enamorado como no primeiro dia? Estou feliz contigo ou te ignoro? São perguntas que temos que fazer com frequência diante de Jesus. Porque Ele pergunta isso todos os dias, como perguntou a Pedro: Simão, filho de João, tu me amas? Continuo enamorado de Jesus como no primeiro dia ou o trabalho e as preocupações me fazem olhar para outras coisas e esquecer um pouco o amor”?



Caríssimos, tenhamos sempre diante dos nossos olhos o exemplo e Jesus, o Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir e para procurar a ovelha, a moeda e filho perdidos e salvá-los (cf. Lc 15,4ss). Prometo, no dia do Sagrado Coração de Jesus, rezar de modo especial por todos vocês, sacerdotes do Senhor, a fim de que a vida e o ministério de vocês sejam vividos na alegria do Evangelho que nos liberta do pecado, da tristeza, do vazio interior e do isolamento. Peço também que todos os cristãos católicos façam momentos de oração, de adoração e súplica, pessoalmente ou reunidos em comunidade, implorando a Deus pela santificação dos nossos sacerdotes, tesouro precioso saído do Coração de Jesus. Que Maria, mãe dos sacerdotes, nos ajude a ter um coração manso e humilde como o Coração do seu Filho.



E todos, em uníssono, num só coração e numa só alma, possamos dizer: Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em vós! Amém!



Dom Pedro Brito Guimarães

Arcebispo de Palmas 
Presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada

As últimas horas de um santo!


 
Em 26 de junho de 1975, levantou-se muito cedo como de costume, fez a habitual meia hora de oração e celebrou a Missa, por volta das 08 horas, era missa votiva de Nossa Senhora, na qual o sacerdote pede, na oração coleta, “a perfeita saúde da alma e do corpo.” Depois de um rápido café da manhã, encarregou dois dos seus filhos de visitarem uma pessoa, para que este se apresentasse a Paulo VI o seu testemunho de fidelidade e união. Queria fazer chegar ao Papa esta mensagem:


“Há anos que ofereço todos os dias a Santa Missa pela Igreja e pelo Papa [...] hoje mesmo renovei este meu oferecimento a Deus pelo papa.”


Às nove e meia partiu para Castelgandolfo, na Villa dele Rose, onde teria uma reunião familiar e formativa com as suas filhas do Colégio Romano Santa Maria. Era um dia de muito calor. Durante o trajeto rezaram o terço e conversaram animadamente.


“Vós tendes alma sacerdotal”, disse àquelas mulheres jovens, quando chegou. “Dir-vos-ei como sempre que venho aqui. Os vosso irmãos leigos também têm alma sacerdotal. Podes e deveis ajudar com essa alma sacerdotal e, juntamente com a graça do Senhor e o sacerdócio ministerial em nós, sacerdotes da Obra, faremos um trabalho eficaz [...]. Imagino que de tudo tiras oportunidade para conversar com Deus e com a sua Mãe bendita, nossa Mãe, e com São José, nosso Pai e Senhor, e com os nossos Anjos da Guarda, para ajudarem esta Igreja Santa, nossa Mãe, que está necessitada, que está passando tão mal no mundo, neste momento! Temos de amar a Igreja e o Papa, seja ele quem for. Pedi ao Senhor que o nosso serviço seja eficaz para a sua Igreja e para o Santo Padre”.


Passados uns vinte minutos sentiu-se mal. Calou-se. Sentiu vertigens. E teve de retirar-se a uma salinha para descansar uns minutos. Como não recompunha por inteiro, despediu-se, pedindo que lhe perdoassem o transtorno causado. Voltaram a Roma. Acompanhavam-no Pe. Álvaro Del Portillo, Pe. Javier Echevarría e o arquiteto Javier Cotelo. 


Chegou a Vila Tevere uns minutos antes do meio-dia. O padre saiu do carro com desenvoltura e semblante risonho. Ninguém suspeitava de nada além de uma ligeira indisposição. 


Passou pelo oratório e fez a sua habitual genuflexão: devota, pausada, com uma saudação a Jesus sacramentado. Dirigiu-se imediatamente ao quarto de trabalho. 


Entrou e, depois de dirigir um olhar cheio de carinho à imagem da Virgem – conforme seu costume e de todos na Obra – disse:


“Javi... Não me sinto bem!”


E caiu no chão.



Durante sua estadia no México, em 1970, havia contemplado uma imagem que representava a Virgem de Guadalupe entregando uma rosa ao índio Juan Diego. Tinha dito que gostaria de morrer assim: olhando Maria, enquanto ela lhe oferecia uma flor. E morreu como era seu desejo: saudando uma imagem da Virgem de Guadalupe. Recebeu das mãos da Senhora a rosa que abre o Amor as portas da eternidade. 




Adaptado do livro: São Josemaria Escrivá, de Michele Dolz. 

Ed. Indaiá - São Paulo: 2012.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Chirographum "Laetamur vehementer" ad Praefectum Apostolatus nostri de XXI anniversario diei natalis eius


Dominus Vobiscum
Apostolatus

Venerabili fratri nostro in Christo Anderson Barcelos 
Seminaristae Archidioecesis Portalegrensis et
Praefecto Apostolatus nostri
Occasione XXI anniversarii diei natalis eius


Venerabilis frater,

Laetamur vehementer et canticum laudis in Dominum ascendimus quia hodie, dum Ecclesia toto orbe terrarum latini ritus festivitatem Visitationis Beatae Mariae Virginis ad Elisabetam celebrat, nos, fratres tui in apostolatu, vitae tuae donum occasione XXI anniversarii diei natalis tui celebramus.

Deo etiam gratias agimus pro fidelitate tua apostolatui nostro dicata ab quando, propter circunstantias diversas, super te curae de eo cadunt. Simul Deus ipsum supplicamus pro te ut haec fidelitas tua sit semper vera et invicta.

Ergo, frater praedilecte in Christo, laetantes tecum hodie augurium nostrum ad te mittimus suplicantes  Dominum a intercessione Beatae Mariae Virginis, Patronae Archiodiocesis et Oppidi Portalegrensis sub titulo "Madre de Deus" appellatae, tibi benedictiones copiosas semper tribuere. 


Die XXXI mensis maii - in Festivitate  Visitationis Beatae Mariae Virginis ad Elisabetam - anno Domini MMXIV.


      Sem. Æraldus de Souza Leão Filius 
Sem. Mathia Barbosa
Sem. Mathia Kerches

_______________________________________
TRADUÇÃO: 
Apostolado Dominus Vobiscum ao nosso Venerável Irmão em Cristo Anderson Barcelos, Seminarista da Arquidiocese de Porto Alegre e Dirigente do nosso Apostolado, por ocasião do seu 21º aniversário natalício.
Venerável irmão, alegramo-nos veementemente e elevamos ao Senhor um cântico de louvor porque hoje, enquanto a Igreja em todo o orbe das terras de rito latino celebra a festividade da Visitação da Bem Aventurada Virgem Maria a Isabel, nós, teus irmãos no Apostolado, celebramos o dom da tua vida por ocasião do teu 21º aniversário natalício.
A Deus ainda damos graças pela tua fidelidade dedicada ao nosso apostolado desde quando, por circunstâncias diversas, os cuidados acerca dele caíram sobre ti. Simultaneamente suplicamos ao Senhor em teu favor para que esta tua fidelidade seja sempre verdadeira e invencível.
Portanto, irmão predileto em Cristo, alegrando-nos contigo hoje enviamos-te a nossa saudação suplicando ao Senhor por intercessão da bem Aventurada Virgem Maria, Patrona da Arquidiocese e da Cidade de Porto Alegre invocada sob o título de "Madre de Deus", que te tribute sempre bênçãos copiosas.
No dia 31 do mês de maio - na Festividade da Visitação da Bem Aventurada Virgem Maria a Isabel - no ano do Senhor 2014.
Sem. Eraldo de Souza Leão Filho, Sem. Mateus Barbosa, Sem. Mateus Kerches.  

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Há 40 anos: um santo no Brasil


Completa-se hoje quarenta anos da histórica visita do fundador do Opus Dei ao Brasil: Josemaria Escrivá chegou em São Paulo na noite do dia 22 de maio e aqui permaneceu até 07 de junho de 1974. 

I. Um burrico Sarnento no Brasil

Os trabalhos apostólicos do Opus Dei no Brasil iniciaram em 1957, apenas vinte e nove anos depois da fundação do grupo, na Espanha. Era desejo de seu fundador, Monsenhor Josemaria Escrivá de Balaguer estar presente a seus filhos e a Obra, que já em 1974 estava espalhada por 32 países. 

Aos 71 anos de idade o padre - como era e permanece sendo chamado pelos que participam do Opus Dei - iniciou uma jornada de visitas apostólicas à América Latina. Por duas semanas ele permaneceu no Brasil e depois seguiu viagem pela Argentina, Chile, Peru, Equador e Venezuela. 

Foi pensando na sua idade  - que já seguia avançada -  e na saúde fragilizada que preparam uma agenda bastante simples, na qual permitiriam ao padre descansar e rezar muito, enquanto estivesse por aqui. No momento em que lhe apresentaram ele a recusou dizendo: "mas isso não é trabalho: isto é alegria grande, isto é descanso. É estar bem demais!”

O "Burrico Sarnento", como se definia Josemaria, queria estar com os seus e aproveitar o tempo para desenvolver um apostolado fecundo junto de todas as almas. 

II. Uma alma que arrastava o corpo

São Josemaria chegou ao Brasil acompanhado de seu Confessor e Secretário Particular, Alvaro Del Portillo (que será canonizado em setembro) e do atual Prelado da Obra, Javier Echevarría. Havia em São Paulo naquele época um numerário - José Luiz - que há anos ocupava o cargo de chefe do serviço de eletromiografia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Lá solicitou a um colega seu que acompanhasse os resultados de certos exames do padre. Esse, depois de examinar os dados, disse-lhe:

– Com certeza esse senhor deve estar prostrado na cama, sem poder-se mexer...


José Luis riu e retrucou, com uma expressão muito sua:

– No..., no! Não pára de trabalhar, de falar em público, e de andar de um lado para outro. Está tão ágil de corpo e de espírito como um jovem de trinta anos...

Álvaro del Portillo já fazia tempo que ficava assombrado ao ver como, segundo nos dizia, “a alma do Padre arrastava o corpo”. E o “arrastava” de uma maneira humanamente inexplicável. De fato a saúde do padre era fraca, o diabetes, mesmo tendo desaparecido, deixou-lhe como sequela uma insuficiência renal, com os conseqüentes riscos cardíacos e respiratórios. Nessas condições, uma simples bronquite poderia significar um perigo grave.

III. A primeira viagem de helicóptero 

Já em 23 de maio, no primeiro dia transcorrido no Brasil, Mons. Escrivá manifestou o seu desejo de fazer, em alguma igreja próxima, a romaria que tradicionalmente todas as pessoas do Opus Dei fazem, no mês de Maria, a um santuário, igreja ou capela dedicados a Nossa Senhora. O Padre Xavier, (Ou "Doutor Xavier", que hoje seria o Vigário Regional para o Brasil) sem pedir nem sugerir nada, teceu os louvores do Santuário de Aparecida, falando desse foco intenso de devoção, meta de incontáveis romarias vindas de todos os cantos do país. O Padre adivinhou o “pedido” implícito, e respondeu: – “Farei o que você quiser”, o que, traduzido, significava: – “Vamos a Aparecida, se assim você o quiser”.

Então, o pe. Xavier ousou expor uma sugestão complementar. Dois bons amigos, cooperadores da Obra, donos de uma empresa de fumigação aérea para a lavoura, haviam-se prontificado a deixar à disposição de Mons. Escrivá um helicóptero da companhia, um aparelho francês a jato – um Gazelle –, rápido e estável. Será que o Padre gostaria de ir a Aparecida por ar?

– “Por que não? – foi a resposta tranqüila – Farei o que você quiser”.

Uma vez aceito o plano, não demoraram muito a ser acertados o dia e a hora da viagem. Seria a primeira vez na vida em que São Josemaria voaria num helicóptero. A data escolhida foi 28 de maio. Partiriam do aeroporto do Campo de Marte às dez da manhã. 

Efetivamente, antes das dez horas desse dia, o Padre foi recebido no Campo de Marte, com grande amabilidade, pelos dois cooperadores – Sérgio e Luis Cláudio – com as suas respectivas esposas, outros dois casais amigos e o afabilíssimo comandante Simões.

Na pequena sala de espera, iniciou-se imediatamente uma cordial tertúlia, um diálogo ameno, descontraído, sobrenatural e bem-humorado entre o Padre e seus anfitriões aeronáuticos, com predomínio das vozes femininas, cada vez mais empolgadas com as coisas tão claras e sugestivas que aquele sacerdote lhes comentava sobre a família, o amor humano, a formação dos filhos, o Brasil ... 

Todos eles guardaram a lembrança daqueles momentos para o resto da vida (vários dos que lá estavam, passados os anos, me contaram e recontaram esse encontro muitas vezes!). E todos se recordam também da aflição com que a cada quinze minutos, a cada meia hora, a cada hora, seus corações se apertavam, porque chegavam notícias de que o helicóptero atrasara, e sabiam que, desde cedo, uma multidão tinha ido por estrada a Aparecida e lá estava aguardando o Padre para rezar com ele. Os comunicados informado que, por circunstâncias imprevistas, o helicóptero ainda demoraria caíam como uma sombra. Não se sabia quando conseguiria pousar.

O mais interessante, porém, dessas horas de aperto, é que todos os que lá se achavam lembram-se bem da paz, da serenidade, do sorriso – sem o menor sinal de contrariedade ou de impaciência – , com que Mons. Escrivá tomava conhecimento dessas informações. Não dava a menor importância ao atraso para não afligi-los. Mais: fazia questão de intensificar a cordialidade, o humor e a vibração apostólica da sua conversa.

Inicialmente, o almoço desse dia deveria ser ao regressar de Aparecida. Mas, como não pudera haver ainda a “ida”, resolveu-se que o Padre voltaria a casa, para lá almoçar, à espera de que, do Campo de Marte, ligassem avisando que o helicóptero já tinha pousado. Mal ia entrando pelo portão, os que lá o aguardavam viram-no sorrir, alegre, enquanto lhes dizia: –“O homem propõe, e Deus dispõe!”. E aquele almoço improvisado foi outro grande momento de bom humor e de detalhes simpáticos para com todos, sem nenhuma alusão ao contratempo. O Padre não queria que, naqueles seus filhos que haviam organizado a romaria, ficasse a menor sombra de desgosto ou constrangimento.

Assim, o dia das nossas “aflições” ofereceu-nos o retrato de uma alma esquecida de si mesma, de uma alma abandonada nas mãos da Providência e inteiramente voltada para o bem e a alegria dos outros. 

Ao refletir sobre esse sucesso, veio-me espontaneamente à memória algo que ouvi o Padre comentar, quando eu estava em Roma: – “Muitos dias, ao fazer o exame de consciência à noite, tenho que dizer a Jesus: Senhor, se não pensei em mim; se só pensei em Ti e nos outros!”

IV. Um santo em Aparecida do Norte


Terça-feira: 28 de maio de 1974 Josemaria foi até ao santuário da padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Quando descia as escadas, uma senhora adiantou-se e entregou-lhe um ramo de rosas brancas: “São para Nossa Senhora”, disse o Padre, pegando nelas. Posteriormente, entrou na basílica, onde centenas de pessoas o esperavam para acompanhá-lo na recitação do terço. O fundador do Opus Dei se ajoelhou-se no chão do presbitério e começou-se a rezar, em português, o Terço.

Com o olhar fixo na pequena imagem, São Josemaria respondia em voz baixa às orações. Pausadamente, em uníssono, toda a igreja rezava em voz alta. Quando terminou, o fundador do Opus Dei levantou-se e rodeou o altar pelo lado direito, para subir até ao camarim de Nossa Senhora Aparecida. Olhou uns instantes a Virgem e beijou o escudo enquanto dizia em voz baixa: “Mãe!”. 

As rosas ficaram aos pés da imagem. No dia seguinte, comentou: "Com que alegria fui à Aparecida! Com que fé rezáveis todos! Eu dizia à Mãe de Deus, que é Mãe vossa e minha: Minha Mãe, Mãe nossa, eu rezo com toda esta fé dos meus filhos. Queremos-Te muito, muito. E parecia-me escutar, no fundo do coração: com obras!"


Hoje no chamando Santuário Velho se conserva uma imagem da madeira de São Josemaria, posta lá - em 08 de novembro de 2012 - para recordar sua visita aquele santuário mariano.



Durante os 17 dias que permaneceu em nosso país São Josemaria desenvolveu atividades apostólicas que produziram frutos em diversas almas. Na Catedral da Sé de São Paulo foi colocada, em junho de 2012, uma imagem do santo que recorda sua estadia entre nós. 

No Brasil o Burrico Sarnento deu testemunho de sua fé inquebrantável, de sua confiança em Deus, de seu devotamento a Maria Santíssima e de sua entrega total as almas. Josemaria faleceu pouco mais de um ano depois de sua visita ao nosso país, mas, morreu dizendo: "O Brasil: uma mãe grande, que abre os braços a todos e a todos chama filhos". 



Adaptado do livro «São Josemaria Escrivá no Brasil, esboços do perfil de um santo», Francisco Faus, "Editora Quadrante", São Paulo, 2007.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Arcebispo Emérito Dom Altamiro Rossato, Mons. Lorenzatto e Côn. Jotz falecem no dia de hoje em Porto Alegre

A Arquidiocese de Porto Alegre está em luto: num mesmo dia, 13 de maio de 2014, 
faleceram três grandes homens na história desta Igreja Particular: 

Dom Altamiro Rossato, CSsR, Mons. Antônio Domingos Lorenzatto e Côn. Edgar Jotz. 

Da esquerda para a direita: Mons. Lorenzatto, Dom Altamiro Rossato e Côn. Jotz.


Durante a madrugada o quinto Arcebispo Metropolitano, Dom Altamiro Rossato entregou sua alma Deus, na idade de 88 anos. Ao amanhecer, o sacerdote mais velho daquele clero foi chamado à contemplar a face de Pai: Mons. Antônio Domingos Lorezantto morreu ao 93 anos. E, no findar do dia, foi anunciada a junção do Cônego Edgar Jotz, com 84 anos, aos irmãos no sacerdócio, rumo a Casa do Pai.

Dom Altamiro: O missionário que virou professor, o professor que virou Bispo! 

O prelado faleceu por volta das 04 horas de hoje, 13 de maio, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, onde estava internado. 


Aos 88 anos de idade Altamiro foi vítima de uma série de complicações respiratórias e faleceu em decorrência de muitos problemas de saúde, adquiridos ao longo dos anos.






Nascido em Tuparendi, no interior do Rio Grande do Sul, em 23 de junho de 1925, muito cedo ingressou e foi membro da congregação do Santíssimo Redentor, os redentoristas. Como filho de Santo Afonso Maria de Ligório foi ordenado sacerdote em 27 de dezembro de 1951 


No ano seguinte, 1952, bacharelou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma. Nesta mesma universidade, em 1953, fez o Mestrado e o Doutorado em Filosofia. Em 1955, ainda no Angelicum, tornou-se Mestre em Teologia, e no Instituto de Espiritualidade de Santo Tomás, em Roma, doutorou-se em Espiritualidade.


Durante toda a sua vida foi professor, costuma dizer: “Queria ser missionário e por isso entreguei numa congregação de missionários. Quando me acostumei com a ideia de ser catedrático e até estava gostando me fizeram Bispo”. 


Em 2 de março de 1986 foi ordenado para a Diocese de Marabá, no Pará, em sucessão a Dom Frei Alano Maria Pena, OP. Lá permaneceu 1989 quando então foi elevado a dignidade de Arcebispo, como coadjutor em Porto Alegre com direito a sucessão. Em 17 de julho de 1991 sucedeu a Dom João Cláudio Colling como V Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, em cerimônia que aconteceu na Catedral Metropolitana Madre de Deus. 


Guiou a vasta Arquidiocese da capital gaúcha por 10 anos. Durante este período reorganizou a pastoral, através do IX Plano de Pastoral da Arquidiocese de Porto Alegre, iniciado por seu intercessor, e teve a missão de guiar esta porção do povo de Deus no início do novo milênio, para tal foi um grande promotor das missões populares, no ano santo de 2000. 

À esquerda está Dom Dadeus Grings, Arcebispo Emérito e sucessor direto de Dom Altamiro que está ao centro, e à direita se encontra o atual Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler.


Seu lema episcopal: “Fiat Voluntas tua” revela o desejo de sempre e em tudo ter feito a vontade de Deus que o chamou. Hoje rezemos pedindo que o Senhor acolha este servo fiel e se digne conceder-lhe a coroa do justo juiz! 


Seu velório inicia hoje a tarde na Catedral Metropolitana, no centro de Porto Alegre. Amanhã cedo, às 09h30min haverá missa de exéquias, seguida do sepultamento que será no interior da igreja Catedral.

Mons. Antônio: o cerimoniário e historiador!

Monsenhor Antônio Domingos Lorenzatto Nasceu aos 13 de junho de 1920 na cidade gaúcha de Guaporé. Inicialmente foi seminarista da Companhia de Jesus, os jesuítas, mas, acabou por transferir-se para o clero secular e frequentou, desde 1939, o Seminário Menor São José de Gravataí, inaugurado um ano antes, em 19 de março de 1938. 

Em 30 de novembro de 1947 foi ordenado sacerdote na capela daquele mesmo Seminário por Dom Alfredo Vicente Scherer, mais tarde Cardeal da Santa Igreja. Vicente havia sido sagrado Bispo há poucos meses e chamava a Mons. Antônio e seus colegas de "filhos primogênitos na ordem sacerdotal". 


Sua vida e seu ministério estiveram intimamente ligados ao Seminário de Gravataí e a Dom Vicente. Durante os dois anos imediatos a sua ordenação presbiteral residiu no antigo Palácio Arquiepiscopal, que havia na Rua Mostardeiro, e ocupava a função de secretário-particular do Sr. Arcebispo. 


Após sua renúncia ao governo pastoral de Porto Alegre, em 1981, o Cardeal Vicente Scherer passou a residir junto ao Hospital Divina Providência, onde Mons. Antônio era capelão. Novamente o padre exerceu a função de secretário particular do purpurado até sua morte em 8 de março de 1996, quando - segundo contava o próprio padre - "eu lhe fechei piedosamente os olhos". 


Durante o ano de 1950 o Arcebispo decidiu retirar os jesuítas da guia do seu seminário menor e enviou para lá um grupo de sacerdotes diocesanos, ao distinto grupo formado por Côn. Edmundo Muller, Pe. Afonso Schmidt, Pe. Atílio Fontana, Pe. João Wagner, Pe. Ruben Neis, Pe. Paulo Scopel, Pe. Waldemar Puhl, Pe. Sérgio Raupp, Pe. Antônio Guilherme Grings, Pe. Egelberto Hartmann, Pe,. Luiz Weber se somou o jovem Padre Antônio Domingos Lorenzatto. Lá lecionou História Geral, Latim, Geografia e Ensino Religioso. Neste período foi professor de inúmeros seminaristas, dentre eles alguns Bispos Dom José Mário Stroeher, Dom Paulo Antônio de Conto, Dom José Clemente Weber, Dom Sinésio Bohn, Dom Gentil Delazari e Dom Dadeus Grings


Durante sua vida foi ainda o grande Cerimoniário da Arquidiocese de Porto Alegre, nos episcopado de Dom Claudio Colling e do hoje falecido Dom Altamiro Rossato, que em 23 de fevereiro de 1971 o nomeou para atender a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e o Hospital Divina Providência como capelão. 


Em 1980, recebeu o título de Cônego Titular do Cabido Metropolitano de Porto Alegre. A Santa Sé, em 1984, conferiu a ele o título de Monsenhor prelado de honra de Sua Santidade. Em 1999 tornou-se Prior da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém


Mons. Lorenzatto preside a Santa Missa no Seminário Maior da Arquidiocese de Porto Alegre

Em 2010 foi transferido para o Lar Sacerdotal da Arquidiocese de Porto Alegre, onde residem os padre idosos e doentes, junto ao Seminário Menor São José, na cidade de Gravataí, onde sua caminhada vocacional começou.

Rendemos graças a Deus por este grande sacerdote gaúcho que hoje entrega sua alma a Deus. Seu corpo será velado na capela do Seminário Menor e amanhã será levado para a Catedral Metropolitana de Porto Alegre, onde junto do féretro de Dom Altamiro se celebrará missa de exéquias, seguida de sepultamento na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. 

Cônego Edgar Jotz

Nascido em 19 de novembro de 1929 em Alto Feliz. Realizou seus estudos na Arquidiocese de Porto Alegre, e foi ordenado sacerdote em 09 de dezembro de 1956. O cônego foi muito conhecido ao longo de seu ministério pelo amplo engajamento social que teve na cidade de Porto Alegre.

Em inúmeras oportunidades organizou eventos de apoio as questões sociais, envolvendo-se em questões ligadas ao meio ambiente, saúde e educação. Abrigou estudantes perseguidos pela Ditadura Militar, e sofreu punições militares por tal ato.

Pelas atividades realizadas em nome da sociedade porto-alegrense, no ano de 2006 recebeu o título de Cidadão de Porto Alegre, em ato solene realizado na Câmara Municipal de Vereadores, em 05 de outubro do mesmo ano.

Por mais de 50 anos esteve a frente da Paróquia Santa Cecília, localizada no bairro homônimo na capital sul-riograndense. Em razão dos diversos problemas de saúde, teve grandes dificuldades em exercer com vigor seu ministério e sobretudo, seu gosto especial pela música, sendo um grande organista.

Faleceu na tarde de hoje no Hospital São Francisco, no Complexo Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Seu corpo será levado para a Catedral Metropolitana, onde já ocorre o velório do Arcebispo Emérito, Dom Altamiro Rossato.

Amanhã, às 09h30min, serão celebradas na Catedral Metropolitana as exéquias pelo Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Splengler, com missa de corpo presente de Dom Altamiro Rossato, Côn. Jotz e Mons. Lorenzatto.

Após esta missa, o corpo de Côn. Edgar será levado para a Paróquia Santa Cecília, onde ocorrerá nova missa no turno da tarde desta quarta-feira, também presidida pelo Arcebispo, Dom Jaime Splengler.


Requiescant in pace


Atualizado em 13 de maio de 2014, às 17h55min. 


domingo, 27 de abril de 2014

Luzes que clareiam a Igreja nestes tempos

Neste 27 de abril, a Igreja se alegra, no mundo inteiro, pela canonização de dois grandes Sumos Pontífices: São João XXIII e São João Paulo II, que cumpriram com grande fidelidade a sua missão de “doce Cristo na Terra”. Isso se deve à profunda comunhão com o Senhor pela qual eram distinguidos e que lhes possibilitou tornarem-se luzes a iluminar o caminho da Igreja nestes tempos. 



Se atentamos às figuras destes dois Sucessores de Pedro que hoje são apresentados como modelos de santidade, perceberemos quantos paralelos existem entre ambos, apesar de suas peculiaridades. João XXIII foi eleito já com 78 anos, para um pontificado curto que durou pouco menos de 5 anos. Era um homem simples que expressava bondade e pureza através de seus gestos e de suas palavras. João Paulo II, ao contrário, foi eleito ainda com 58 anos, permanecendo no Trono de Pedro por longos 27 anos. Chamava à atenção pelas suas palavras fortes e pela eloquência de seus gestos. Contudo, um e outro possuem um grande significado universal: o Papa Roncalli congregou a Igreja, espalhada por toda a Terra, na celebração do Concílio Ecumênico Vaticano II, expressão mais significativa da Unidade do Corpo Místico de Cristo dos últimos tempos. De modo diverso, mas com o mesmo objetivo e alcance, o Papa Wojtyla percorreu o mundo inteiro como pastor e peregrino, confirmando os irmãos na fé. Ambos, através de diferentes iniciativas, anunciaram a Verdade de Cristo e a alegria em pertencer à comunidade dos que creem. 

A eleição deles foi causa de grande surpresa, pois não eram nomes de destaque no contexto eclesiástico. Não obstante, deixaram sua marca na Igreja, caracterizando-se pelo espírito de renovação com que guiaram o seu rebanho, procurando abrir as portas da grande comunidade e tornar possível o diálogo, não só com irmãos de outras confissões cristãs e de outras religiões, mas com todos aqueles que compunham os mais variados âmbitos da sociedade, do mundo moderno. 

Tendo vivido tenebrosos períodos de guerra e enfrentado as duras consequências que ela causou, estes dois Santos que ora evidenciamos tornaram-se, a partir da experiência com Cristo, sensíveis aos sofrimentos e às necessidades da humanidade de seu tempo, convertendo-se assim em embaixadores da bondade e da misericórdia de um Deus que se fez Homem, amigo de todos os homens, e que pelo seu amor redime e salva a tantos quantos buscam o encontro com Ele. 

Neste dia em que volvemos o nosso olhar a estes dois ícones de santidade, peçamos a sua intercessão para que nós, filhos da Igreja à qual eles tanto amaram, sejamos capazes de servir ao Senhor com fidelidade e alegria, testemunhando o Cristo e o seu amor por todos e por cada um dos homens.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Gemma Galgani: Mística do nosso tempo

Em 11 de abril de 1903, em Lucca na Itália, falecia uma grande santa e mística de nosso tempo: Gemma Galgani.


Nascida em março de 1978 foi batizada como Gemma Maria Humberta Pia Galgani, oriunda de uma próspera família de Buorno Novo e descendente do Beato João Leonardo. Aos sete anos perdeu a mãe, vítima de tuberculoso e aos dezoito o pai.

Desde muito cedo ele foi agraciada com visões sobrenaturais. Conta-se que Gemma via a Santíssima Virgem e conversava com frequência com seu Anjo da Guarda, que lhe ajudava e lhe dava conselhos. Ainda criança recebeu os estigmas da paixão, que lhe surgiam no corpo periodicamente. 

Entre 1899 e 1901 Gemma sofreu por 18 meses os estigmas da Crucificação de Cristo, além das marcas dos espinhos e dos açoites de Jesus. Experimentou visões de Cristo e da Virgem Maria e do seu Anjo da Guarda com frequência nunca vista na história dos santos. Quando em êxtase, fenômenos sobrenaturais manifestavam-se nela, entre os quais a mudança do som de sua voz e diálogos em aramaico, língua da qual não poderia ter conhecimento, a este fenômeno damos o nome de glossolalia religiosa.

Depois da morte do Pai Gemma foi trabalhar como empregada doméstica. Quis entrar na Congregação Passionistas, mas, devido suas fraquezas e debilidades não foi permito seu ingresso. Morreu em 1903, aos 25 anos de idade, espiritualmente ligada a congregação passionista.

Foi canonizada por Pio XII em 1940 e em 1943 as cartas entre Gemma e seu diretor espiritual foram publicadas e isso fez com que a devoção a jovem santa se propagasse ainda mais pela Itália e pelo mundo. 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

José de Anchieta foi declarado santo!

No final do ano de 2013 o Sr. Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Metropolitano de Aparecida (SP) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)  informou que havia recebido um telefonema do próprio Pontífice, no qual Francisco assegurava a declaração de Anchieta como santo.


O Brasil vibrou por ver seu grande evangelizador escrito no rol do santos. Mais tarde se confirmou que a Canonização não possuía um milagre e não seguiria o estilo das canonizações comuns, mas, se apelaria ao processo chamado de "canonização equipolente".



A canonização equipolente ou equivalente acontece quando o Santo Padre alarga a toda a Igreja o preceito do culto de um servo de Deus que ainda não foi canonizado, mediante a inserção da sua festa litúrgica, com missa e ofício, no Calendário da Igreja universal. 



A assinatura deste decreto da canonização acontece de maneira simples e privada, não com a solenidade e a fórmula das canonizações habituais. Para a canonização equipolente são necessários três requisitos: prova do culto antigo ao candidato servo de Deus, atestado incontestável da fé católica e das virtudes do candidato e a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato. Quando a veneração do santo já está bem estabelecida nas tradições da Igreja, porém, por diversos motivos o processo formal de canonização não foi concluído pode-se apelar a canonização equipolente.



José de Anchieta nasceu na região espanhola das ilhas canárias. Ingressou na Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola para pregar missões e evangelizar os pagãos, em 1551.

Ao ser acolhido foi mandado para os estudos em Portugal , a fim de evitar que pudesse sofrer com a rigorosa Inquisição do Reino da Espanha, uma vez que possuía ascendência judaica pela parte materna.


De saúde frágil e débil foi enviado para o Brasil, recém descoberto pelos portugueses, ainda como noviço em 1553 para auxiliar no processo de colonização e cristianização da civilização indígena. Biógrafos contam que quando da partida seus superiores acreditavam que Anchieta nem atracaria em terras de Santa Cruz, antes, que morreria no caminho. 

O jovem missionário não só chegou com saúde como também se sentiu revigorado com os ares desta região. Em 15 de junho de 1553 iniciava a saga de Anchieta neste longínquo Brasil. 

Foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade, na época em que o Governador-Geral do Brasil, Mem de Sá, travava guerra para expulsar os franceses das terras brasileiras

Aqui catequizou e batizou os índios. Evangelizou os pagãos e converteu os pecadores. Anunciou o evangelho e promoveu a pessoa humana. 





Escreveu diversos poemas, contos e programou uma gramática tupi-guarani. Além de missionário incansável e fundador de cidades e povoados, o “Apóstolo do Brasil” foi teatrólogo, historiador, gramático e poeta. Anchieta escreveu em verso e prosa, seja em português, espanhol, latim ou tupi. Sua ação evangelizadora cruzou os umbrais da igreja, ainda nascente nestas terras, e se solidificou como princípio norteador e fonte basilar da sociedade civil brasileira. 





Em 24 de janeiro de 1554, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, Padre Anchieta fundava o Colégio de São Paulo, que foi o embrião da grande metrópole da cidade de São Paulo. Tantos anos depois, esta data nos chega pela carta escrita, de próprio punho, pelo jesuíta desbravador. Na carta, Anchieta narrava que na comunidade da redondeza havia 130 pessoas, das quais 36 já filhos de Deus, pelo sagrado batismo.


Durante sua vida apostólica, toda vivida no Brasil, desempenhou diversas funções para os jesuítas e na igreja local, entre elas a de Superior Geral da Companhia de Jesus nestas terras (1577-1587). 

Com a idade de 63 anos se retirou para Reritiba, hoje Anchieta, no Espírito-Santo. Lá, veio a falecer. Seu corpo foi sepultado em Vitória e o Brasil perdia o homem que por 43 anos se dedicou, de corpo e de alma, a ação evangelizadora na Terra de Santa Cruz. Anchieta é o baluarte da civilização brasileira. Do céu, olha por cada um de nós e por nossa nação. 

O Beato João Paulo II - a ser canonizado também em 2014 - beatificou José de Anchieta em em 22 de junho de 1980, no Vaticano. O processo de beatificação, iniciado ainda no século XVII, parece ter sido dificultado pela perseguição aos jesuítas, perpetrada pelo Marquês do Pombal, mas já em 1622, várias pessoas tinham sido ouvidas no processo, relatando milagres e grandes valores do padre jesuíta. Agora o Papa Francisco o inscreve no roll dos santos.




Agora, mesmo com o adiamento de 24 horas, o Apóstolo do nosso chão é o mais novo santo da Igreja, e rogamos ao Bom Deus que muitas graças sejam derramadas sobre nossa nação, pela intercessão de São José de Anchieta, evangelizador do Brasil. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Anchieta: uma canonização equipolente

Depois de 416 anos de sua morte acontece amanhã às 14 horas no horário de Roma, 09 horas no horário de Brasília, a canonização do Beato José de Anchieta, Apóstolo da evangelização na Terra de Santa Cruz.


O Papa João Paulo II - que será proclamado santo em 24 de abril - o canonizou em 22 de junho de 1980, na Praça de São Pedro. Amanhã Anchieta será inscrito no rol dos santos pelo Papa Francisco através da “canonização equipolente ou equivalente”.

O processo de canonização equipolente acontece quando o Santo Padre alarga a toda a Igreja o preceito do culto de um servo de Deus que ainda não foi canonizado, mediante a inserção da sua festa litúrgica, com missa e ofício, no Calendário da Igreja universal. 

A assinatura deste decreto da canonização acontece de maneira simples e privada, não com a solenidade e a fórmula das canonizações habituais. Para a canonização equipolente são necessários três requisitos: prova do culto antigo ao candidato servo de Deus, atestado incontestável da fé católica e das virtudes do candidato e a fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato.


Quando a veneração do santo já está bem estabelecida nas tradições da Igreja, porém, por diversos motivos o processo formal de canonização não foi concluído pode-se apelar a canonização equipolente. Ao longo da história muitos são os exemplos de santos, canonizados mediante o processo equipolente, entre eles, Bruno, Margarete da Escócia, Estevão da Hungria, Wenceslaus de Boêmia e Gregório VII. Em 2012 Bento XVI fez uso deste processo ao declarar Santa a Hildegard Von Bingen, por ele também instituída doutora da Igreja.