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sábado, 8 de novembro de 2014

Burke foi pra Malta e não pra Marte!



Hoje pela manhã o Cardeal norte-americano Raymund Leo Burke foi retirado da condução do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e conduzido ao cargo de Patrono da Soberana Ordem Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém de Rodes e de Malta.












I. Origem

Burke nasceu em 30 de junho de 1948, em Richland Center no estado norte-americano de Wisconsin. Estudou Filosofia no The Catholic University of America e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, onde também cursou seu doutoramento em Direito Canônico.  



Um dia antes do seu aniversário de 27 anos foi ordenado sacerdote, em 29 de junho de 1975, para o clero da Diocese de La Crosse, cujo Bispo era então Dom Frederick William Freking (1913-1998).

Como padre exerceu seu ministério sacerdotal em diversas paróquias da diocese, foi também professor do Seminário e Vigário Judicial.


Em 1994 São João Paulo II o nomeou Bispo Diocesano de sua própria diocese, La Crosse. Burke foi sagrado em 06 de janeiro de 1995, Festa da Epifania do Senhor e tomou passou canônica na festa da Cátedra de São Pedro, em 22 de fevereiro. Na sua diocese de origem permaneceu até dezembro de 2003, quando foi nomeado Arcebispo Metropolitano de St. Louis. Nesta Sé Metropolitana permaneceu até 26 de junho de 2008, quando Bento XVI o chamou a Roma.


II. A Cúria de Bento XVI

Levado a Roma para conduzir a Assinatura Apostólica, que cuida - dentre outras coisas - de alguns processos de nulidade matrimonial, das relações dos tribunais eclesiásticos e da Rota Romana, Burke se destacou como um excelente canonista. 

A Assinatura (ou Assignatura) Apóstolica é o mais alto tribunal eclesiástico da Igreja. Criado  no século XV o dicastério já foi conduzido por 37 eclesisáticos diferentes, sendo o primeiro o Cardeal Mafeo Barbereini, mais tarde eleito Papa com o nome de Urbano VIII. 

Foi na condução deste Tribunal que Burke foi criado Cardeal-Diácono por Bento XVI, recebendo a Diaconia de Santa Àgata dos Góticos, no consistório público de 20 de novembro de 2011.

Durante seu pontificado o hoje Papa-Emérito falou diversas vezes da chamada hermenêutica da continuidade ou reforma-da-reforma. O Cardeal Burke sempre se mostrou muito afinado com esta ideia, sendo chamado - diversas vezes, inclusive - para celebrar pontificais na forma extraordinária do Rito Romano. 

III. O fascínio pelo Rito Antigo

Em 2012, em entrevista ao Instituto Cristo Rei Sacerdote, Burke confessou que sua relação com o Rito de São Pio V se deu de maneira mais efetiva quando ele era Bispo de sua diocese natal de La Crosse. Logo que assumiu os trabalhos pastorais naquela porção do Povo de Deus, em 1995, um grupo de fiéis o procurou pedindo que concedesse um indulto para celebração da Santa Missa na forma chamada Tridentina.

Aqui vale lembra que, somente em 2008, com o Summorum Pontificum de Bento XVI a missa na forma "antiga" passou a ser universal, ou seja, para qualquer sacerdote que a desejasse celebrar. Antes disso, porém, a celebração se dava por uma especial permissão de cada bispo local. 

Foi diante da necessidade pastoral dos fiéis de La Crosse - e depois de St. Louis - que o Bispo Burke convidou os cônegos do Instituto Cristo Rei Sacerdote para se juntar as respectivas dioceses e celebrar a missa e os demais sacramentos na forma anterior ao Concílio Vaticano II. 

Na mesma entrevista o Cardeal confessa que houve muita rejeição, sobretudo, por parte do clero diocesano. Porém, a sua argumentação sempre se baseou no princípio da necessidade pastoral e do bem que a forma antiga do rito romano - hoje chamada forma extraordinária - fez a Igreja e mesmo a obra das vocações, inclusive a sua. 

O Cardeal Burke é inegavelmente um tradicionalista, porém, sempre deixou claro que jamais negou a grandiosidade do Concílio Vaticano II e a validade da Santa Missa a partir do Missal do Beato Paulo VI. Segundo o purpurado, na mesma entrevista, "os abusos que tiveram lugar depois do CVII, mas, que não foram ordenados pelo Concílio, aconteceram e nós precisamos restaurar certos pontos" entre os quais a beleza e dignidade da liturgia, além da centralidade do mistério ali celebrado.

Burke é um conhecido defensor da forma extraordinária do rito romano, do senso litúrgico e da beleza no sagrado. Foi, por diversas vezes, criticado e rechaçado pela sua íntima relação com a tradição. Muitos dos "tradicionalistazinhos" brasileiros não conseguiram ir além de seus belos paramentos e de sua capa magna. 




A  estética dos paramentos, a simetria do polifônico e do gregoriano, o apelo a beleza e a tradição era um meio pedagógico que Burke encontrou de dar catequese. Porém, lamentamos que muitos tenham permanecido na periferia da discussão e não tenham conseguido aprofundar o discurso além das rendas e dos brocados, das sete velas e da capa magna.


Apesar da sua positiva relação com o Rito Antigo o Cardeal Burke ficou taxado de um conservador tradicionalista (RadTrad) preocupado apenas com as aparências, com os panos e os fru-fru da liturgia. Pouco se ouviu o que ele disse!

IV. O Sínodo

No recente Sínodo sobre família, que ainda está em "andamento" podemos dizer, o Cardeal Raymond Burke se destacou como o nome mais conservador e o principal crítico da ala progressistas, sobretudo, quando publicamente se pronunciou contra, o que ele mesmo chamou, de Teorema Kasper.


O Cardeal norte-americano pediu, inclusive, que o Cardeal alemão Walter Kasper, conhecido como progressista e as vezes chamado de "o novo Martini" retirasse das discussões do Sínodo e de tantos outros os meios a possibilidade de conceder a Sagrada Eucaristia a casais de segunda união. Segundo Burke essa concessão seria equivalente a negar as palavras sobre a união de um casal. presente no evangelho de São Mateus. 


Burke disse ainda que as posições de Kasper, tidas como oficiais na mídia, estavam causando muita confusão entre os fiéis católicos e criando esperanças que não poderiam ser supridas sobre o que tange essa situação.


Sabemos que - ao menos nos meios midiáticos - se travou uma verdadeira guerra entre Burke X Kasper, conservadores X progressistas. Certamente todo esse alarde, aliado a imprudência do Cardeal norte-americano de se expor aos meios de comunicação, sobretudo, a uma série de redes de televisão americanas interessadas em seu posicionamento apressaram a sua remoção do Tribunal.






V. A Soberana Ordem de Malta

Com a elevação do Arcebispo Dominique Mamberti ao Tribunal da Assinatura Apostólica e a transferência de Burke para a ordem de Malta acontece algo que realmente era o oposto do contrário feito até então. 

Raymund é um jovem cardeal de 66, em pleno uso das faculdades mentais e de suas forças físicas w está sendo removido de um importante cargo da Cúria Romana para exercer uma função honorífica e simplesmente simbólica, junto a esta antiga Ordem, que congrega homens e mulheres em todo mundo, através de obras humanitárias. 

Alguns, mais críticos, acreditam que isso seja uma punição pelos seus posicionamentos contrários a um certo grupo dominante na atual Cúria Romana. Outros acreditam que se trata apenas de uma renovação nos ares dos gabinetes papais e outros ainda acreditam que Burke não deveria ter ido pra Malta, mas, sim pra Marte.



Fato é que o Cardeal Burke permanece residindo junto da Santa Sé, em Roma, onde está a sede da Ordem e continua sendo um expoente do conservadorismo em nosso tempo.

Tudo está consumado, não adianta chorar o leite derramado: O que está feito, está feito: 
consumatum est!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Parabéns, Eminência!

Dom Serafim Fernandes de Araújo, Arcebispo-Emérito de Belo Horizonte e Cardeal Presbítero de São Luís Maria Grignion de Montfort completa neste dia 13 agosto 90 anos de seu nascimento. 


Natural da cidade de Minas Novas, no Alto Jequitinhonha, Serafim fez seus estudos de Filosofia no Seminário de Diamantina. Ainda seminarista foi levado a Roma para cursar a Faculdade de Teologia, junto a Universidade Gregoriana, onde também obteve mestrado em Direito Canônico. 

Em 12 de março de 1949 na Basílica de São João do Latrão, a Catedral do Papa, foi ordenado sacerdote. Em meados de 1951 retornou ao Brasil onde exerceu diversas atividades pastorais até que em 19 de janeiro de 1959 foi nomeado Bispo Titular de Vewrinopoli e Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, aos 34 anos de idade. 

Em 07 de maio do mesmo ano ocorreu sua Sagração Epíscopal. O bispo ordenante foi Dom José Newton de Almeida Batista, falecido em 2001, então Arcebispo Metropolitano de Diamantina. Serafim assumiu como Auxiliar de Dom João Resende Costa, SDB e mais tarde, em 22 de novembro de 1982,  foi nomeado Bispo-Coadjutor com direito a sucessão.  

Assumiu a Arquidiocese de Belo Horizonte, como seu terceiro Arcebispo Metropolitano em 05 de fevereiro de 1986. Foi a frente desta importante diocese brasileira que foi Criado Cardeal por São João Paulo II, no Consistório público de 21 de fevereiro de 1998. Serafim foi único Cardeal que ocupou a Catedral de Belo Horizonte, acredita-se que sua criação deva-se ao contato íntimo que tinha com o Pontífice e por suas muitas contribuições sociais e culturais a sociedade mineira. 

Em março de 2004 passou a condução do báculo pastoral de Belo Horizonte para o atual Arcebispo, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, vindo de Auxiliar da Sé Primaz do Brasil. Atualmente o Cardeal Serafim reside em sua residência particular, no centro de BH. Permanece como forte influência eclesiástica e cultura da capital mineira e arredores, além de ser conselheiro do Atlético Mineiro.

Estão previstas duas homenagens para o Cardeal de nove décadas. Uma hoje a noite na belíssima Igreja de São José, no centro de Belo Horizonte e outra no próximo domingo, 17 de agosto, no Santuário de Adoração Perpetua da Arquidiocese na Serra da Piedade. 

Neste ano além dos 90 anos, Serafim completa 65 anos de Sacerdócio e 55 de episcopado. 

Parabéns, Eminência! 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Faleceu Dom José Policarpo, Patriarca Emérito de Lisboa


Hoje, 12 de março, às 16 horas no horário local, faleceu

Dom José da Cruz Policarpo

Cardeal Patriarca Emérito de Lisboa, em Portugal. 


De acordo com a TVI 24, o lusitano de 78 anos morreu ao final desta tarde, vítima de problemas cardíacos. Sabemos que Dom Policarpo era um fumante inveterado e que há muito sofria do coração. O Patriarca encontrava-se em Fátima, onde fazia seus exercícios espirituais. O purpurado passou mal e foi levado ao hospital, onde veio falecer.

Em meados de 2011, ele pediu renúncia do oficio de Patriarca, por limite de idade. Sua renúncia só viria a ser aceita em maio de 2013, quando o Papa Francisco nomeou Dom Manuel Macário, então Bispo do Porto, para Patriarca de Lisboa, sendo ele o 17° a assumir o ofício.

Nos 15 anos em que esteve à frente do Patriarcado de Lisboa, ele governou com solicitude esta velha sede portuguesa, nossa Mãe na fé. Devotíssimo da Virgem de Fátima, participou de dois conclaves, que elegeram Bento XVI e Francisco.

As Exéquias do Cardeal acontecerão na próxima sexta-feira, 14 de março, junto a Sé Patriarcal e serão presididas pelo atual Patriarca, Dom Manuel José Macário do Nascimento Clemente. Logo após a Missa em sufrágio da alma do Sr. Cardeal, o féretro será levado para o Panteão dos Patriarcas, onde será sepultado.

Rogamos a Deus que acolha sua alma no céu e lhe conceda o repouso eterno! 

Réquiem ætérnam dona ei, Dómine,

Et lux perpétua lúceat ei! 
Riquiéscat in pace! 
Amen.


* Logo mais maiores informações!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Chirographum "Laetare, Brasilia" occasione electionis Domini Orani Ioannis Tempesta, O.Cist, in Sacrum Collegium Cardinalium


Occasione electionis Domini Orani Ioannis Tempesta, O.Cist,
Archiepiscopi Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii, 
In Sacrum Collegium Cardinalium Sanctae Romanae Ecclesiae 
A Francisco Pontifice Maximo


Laetare, Brasilia, quia hodie magis filius et episcopus tuus electus est in Sacrum Collegium Cardinalium Sanctae Romanae Ecclesiae! Haec magna et felix notitia quam hodie accipimus primum vere habitat corda omnium filium Archidioecesis Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii, qui nunc gratias Deo Optimo et Maximo agant pro electione pastoris eorum, Domini Orani Ioannis Tempesta, O. Cist., in Sacrum Collegium Cardinalitium Sanctae Romanae Ecclesiae.

Sic nos, Apostolatus Dominus Vobiscum, laetantes magnopere cum Archidioecese Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii quia hodie cum pastore eius in Sacrum Collegium Cardinalium ascendit, laetamur maxime quoque quia inter nos filium et seminaristam huius laetantis Archidioecesis habemus, carissimum fratrum nostrum Æraldum de Souza Leão Filium. 

Itaque, Neo-Cardinali Orani Ioanni Tempesta, O.Cist., augurium nostrum pro electione eius mittimus et quoque orationes nostras pro proficuo eius cardinalato in Deum ascendimus! Deus eum benedicat in hac nova missione auxilii Summo Pontifici in guberno Sanctae Ecclesiae.

Die XII mensis ianuarii - Festo Baptismi Domini - anno Domini MMXIV. 


Sem. Anderson Barcelos



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TRADUÇÃO: 

Dominus Vobiscum 
Por ocasião da eleição de Dom Orani João Tempesta, O.Cist.,
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro,
 Para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana 
Pelo Sumo Pontífice Franscisco.

Alegra-te, ó Brasil, porque mais um filho e bispo teu foi eleito para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana! Esta grande e feliz notícia que hoje recebemos verdadeiramente habita por primeiro os corações de todos os filhos da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que hoje eleva graças a Deus Ótimo e Máximo em favor da eleição do seu pastor, Dom Orani João Tempesta, O.Cist., para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana. 

Assim nós, Apostolado Dominus Vobiscum, alegrando-nos grandemente com a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro porque hoje ascende com o seu pastor ao Sacro Colégio dos Cardeais, alegramo-nos também porque temos entre nós um filho e seminarista desta rejubilante Arquidiocese, o nosso caríssimo irmão Eraldo de Souza Leão Filho. 

Por isso, ao Neo-Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist., enviamos a nossa saudação por sua eleição e também elevamos a Deus as nossas orações em favor de seu profícuo cardinalato! Que Deus o abençoe nesta nova missão de auxílio ao Sumo Pontífice no governo da Santa Igreja.

No dia 12 do mês de janeiro - na Festa do Batismo do Senhor - no ano do Senhor 2014.

Sem. Anderson Barcelos.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Faleceu o ilustre Cardeal Domenico Bartolucci


Faleceu o Sr. Cardeal Domenico Bartolucci, 
Ilustre Maestro perpétuo do Coro da Capela Sistina. 


Domenico Bartolucci nasceu em 07 de maio de 1917, em Borgo San Lorenzo na Itália. Desde criança tomou gosto pela música. Quando seminarista chegou a ser proibido de cantar e se dedicar a arte da música, pois os superiores temiam que o jovenzinho se distraísse dos estudos necessários. 

Foi ordenado sacerdote em 23 de dezembro de 1939, para a Arquidiocese de Florença. Enviado a Roma foi nomeado vice-maestro do Coro da Basílica Patriarcal de São João de Latrão e depois maestro da Capela Musical Liberiana de Santa Maria a Maior, como sucessor do grande Licinio Refice. 


Em 1955 era redirecionado para a função de vice-maestro da Capela Sistina, com o Maestro Perosi. Com ele permaneceu até o seu falecimento. Algum tempo depois Sua Santidade o Papa Pio XII o nomeou Diretor Perpétuo da Capela Musical Sistina, "ad vitam". Cargo no qual permaneceu até 1997, quando completou 80 anos. 

Conta-se que o afastamento de Mons. Bartolucci do Coro da Capela Sisitina tenha sido uma manobra do então Mestre das Cerimônia Litúrgicas do Sumo Pontífice, Piero Marini. O ilustre e exímio musicista sacro aceitou o seu afastamento com resignação. 


O então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Ioseph Ratzinger, ao saber do afastamento de seu amigo pessoal, direcionou uma carta a Domenico Bartolucci. Na correspondência Ratzinger escreveu: "Resista, Maestro, Resista!"





Após sua forçada aposentadoria, Domenico continuou a residir na Cidade Eterna e a escrever diversas obras. Porém, sua resignação tornou-se escuridão. 



Durante muitos anos o Regente Perpétuo da Capela Sistina foi condicionado a um extremo ostracismo. 




Quando, em 2005, Ratzinger foi eleito para o Sólio Petrino com o nome de Bento XVI, o maestro já contava com 88 anos. Pouco a pouco, por ordem do Santo Padre, as músicas de Domenico foram sendo introduzidas na liturgia. Era um verdadeiro sentimento de gratidão, para com aquele que tanto fez pela Igreja e pela música sacra. 



Amizade e Gratidão eram os sentimentos que uniram Ratzinger e Bartolucci. Sobre Bento XVI o maestro chegou a afirmar: "É um Napoleão sem generais".

Em 20 de outubro de 2010 o Papa convocou um Consistório para a criação de 24 novos cardeais. E surpreendeu a todos ao escolher Domenico Bartolucci, de 93 anos, como Príncipe do Colégio Cardinalício. 


Um mês após o anúncio, em 20 de novembro, Bento XVI o criou Cardeal-Diácono da Santa Igreja, lhe concedendo o título da diaconia do Santíssimo Nome de Jesus e de Maria, in via lata, que agora passa a estar vacante. 


Em 31 de agosto do outro ano, 2011, o Cardeal Domenico Bartolucci ofereceu um concerto, com suas próprias músicas ao papa Bento XVI. Na ocasião, no Palácio de Castel Gandolfo, o purpurado disse:


“Estou aqui, Beatíssimo Padre, para agradecer Vossa Santidade pelo forte chamado em favor do uso da música nas hodiernas celebrações da Santa Missa. 
Estou certo que, ao chamar um músico para ser parte do Colégio dos Cardeais, desejastes que isso fosse um chamado em favor do uso da música sacra na Sagrada Liturgia."

Já tendo idade bastante avançada quando do anúncio do cardinalato, Domenico recorreu ao Santo Padre e pediu dispensa da Sagração Episcopal. O Papa lhe concedeu. O maestro não foi ordenado Bispo, permaneceu apenas padre, mas, por ser cardeal possuía o privilégio de portar insígnias episcopais. 



Durante sua vida, ele confessou certa vez, nunca celebrou a Santa Missa no rito Paulo VI. Bartolucci dizia que "a missa em latim produz um maior fruto espiritual na alma do fiel". Ele passou sua existência, mesmo após o concílio, celebrando apenas o Rito Romano em sua forma extraordinária, Pio V. 








Neste momento, em que a Santa Igreja e arte sacra choram a perda deste exímio e ilustre compositor, rendemos graças a Deus pelo dom da vida do Sr. Cardeal Domenico Bartolucci e confiamos sua alma aos cuidados materno de Maria Santíssima, afim de que o conduza a Pátria definitiva, junto de Deus, e lá o cumule com o repouso dos santos.