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sábado, 8 de novembro de 2014

Burke foi pra Malta e não pra Marte!



Hoje pela manhã o Cardeal norte-americano Raymund Leo Burke foi retirado da condução do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e conduzido ao cargo de Patrono da Soberana Ordem Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém de Rodes e de Malta.












I. Origem

Burke nasceu em 30 de junho de 1948, em Richland Center no estado norte-americano de Wisconsin. Estudou Filosofia no The Catholic University of America e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, onde também cursou seu doutoramento em Direito Canônico.  



Um dia antes do seu aniversário de 27 anos foi ordenado sacerdote, em 29 de junho de 1975, para o clero da Diocese de La Crosse, cujo Bispo era então Dom Frederick William Freking (1913-1998).

Como padre exerceu seu ministério sacerdotal em diversas paróquias da diocese, foi também professor do Seminário e Vigário Judicial.


Em 1994 São João Paulo II o nomeou Bispo Diocesano de sua própria diocese, La Crosse. Burke foi sagrado em 06 de janeiro de 1995, Festa da Epifania do Senhor e tomou passou canônica na festa da Cátedra de São Pedro, em 22 de fevereiro. Na sua diocese de origem permaneceu até dezembro de 2003, quando foi nomeado Arcebispo Metropolitano de St. Louis. Nesta Sé Metropolitana permaneceu até 26 de junho de 2008, quando Bento XVI o chamou a Roma.


II. A Cúria de Bento XVI

Levado a Roma para conduzir a Assinatura Apostólica, que cuida - dentre outras coisas - de alguns processos de nulidade matrimonial, das relações dos tribunais eclesiásticos e da Rota Romana, Burke se destacou como um excelente canonista. 

A Assinatura (ou Assignatura) Apóstolica é o mais alto tribunal eclesiástico da Igreja. Criado  no século XV o dicastério já foi conduzido por 37 eclesisáticos diferentes, sendo o primeiro o Cardeal Mafeo Barbereini, mais tarde eleito Papa com o nome de Urbano VIII. 

Foi na condução deste Tribunal que Burke foi criado Cardeal-Diácono por Bento XVI, recebendo a Diaconia de Santa Àgata dos Góticos, no consistório público de 20 de novembro de 2011.

Durante seu pontificado o hoje Papa-Emérito falou diversas vezes da chamada hermenêutica da continuidade ou reforma-da-reforma. O Cardeal Burke sempre se mostrou muito afinado com esta ideia, sendo chamado - diversas vezes, inclusive - para celebrar pontificais na forma extraordinária do Rito Romano. 

III. O fascínio pelo Rito Antigo

Em 2012, em entrevista ao Instituto Cristo Rei Sacerdote, Burke confessou que sua relação com o Rito de São Pio V se deu de maneira mais efetiva quando ele era Bispo de sua diocese natal de La Crosse. Logo que assumiu os trabalhos pastorais naquela porção do Povo de Deus, em 1995, um grupo de fiéis o procurou pedindo que concedesse um indulto para celebração da Santa Missa na forma chamada Tridentina.

Aqui vale lembra que, somente em 2008, com o Summorum Pontificum de Bento XVI a missa na forma "antiga" passou a ser universal, ou seja, para qualquer sacerdote que a desejasse celebrar. Antes disso, porém, a celebração se dava por uma especial permissão de cada bispo local. 

Foi diante da necessidade pastoral dos fiéis de La Crosse - e depois de St. Louis - que o Bispo Burke convidou os cônegos do Instituto Cristo Rei Sacerdote para se juntar as respectivas dioceses e celebrar a missa e os demais sacramentos na forma anterior ao Concílio Vaticano II. 

Na mesma entrevista o Cardeal confessa que houve muita rejeição, sobretudo, por parte do clero diocesano. Porém, a sua argumentação sempre se baseou no princípio da necessidade pastoral e do bem que a forma antiga do rito romano - hoje chamada forma extraordinária - fez a Igreja e mesmo a obra das vocações, inclusive a sua. 

O Cardeal Burke é inegavelmente um tradicionalista, porém, sempre deixou claro que jamais negou a grandiosidade do Concílio Vaticano II e a validade da Santa Missa a partir do Missal do Beato Paulo VI. Segundo o purpurado, na mesma entrevista, "os abusos que tiveram lugar depois do CVII, mas, que não foram ordenados pelo Concílio, aconteceram e nós precisamos restaurar certos pontos" entre os quais a beleza e dignidade da liturgia, além da centralidade do mistério ali celebrado.

Burke é um conhecido defensor da forma extraordinária do rito romano, do senso litúrgico e da beleza no sagrado. Foi, por diversas vezes, criticado e rechaçado pela sua íntima relação com a tradição. Muitos dos "tradicionalistazinhos" brasileiros não conseguiram ir além de seus belos paramentos e de sua capa magna. 




A  estética dos paramentos, a simetria do polifônico e do gregoriano, o apelo a beleza e a tradição era um meio pedagógico que Burke encontrou de dar catequese. Porém, lamentamos que muitos tenham permanecido na periferia da discussão e não tenham conseguido aprofundar o discurso além das rendas e dos brocados, das sete velas e da capa magna.


Apesar da sua positiva relação com o Rito Antigo o Cardeal Burke ficou taxado de um conservador tradicionalista (RadTrad) preocupado apenas com as aparências, com os panos e os fru-fru da liturgia. Pouco se ouviu o que ele disse!

IV. O Sínodo

No recente Sínodo sobre família, que ainda está em "andamento" podemos dizer, o Cardeal Raymond Burke se destacou como o nome mais conservador e o principal crítico da ala progressistas, sobretudo, quando publicamente se pronunciou contra, o que ele mesmo chamou, de Teorema Kasper.


O Cardeal norte-americano pediu, inclusive, que o Cardeal alemão Walter Kasper, conhecido como progressista e as vezes chamado de "o novo Martini" retirasse das discussões do Sínodo e de tantos outros os meios a possibilidade de conceder a Sagrada Eucaristia a casais de segunda união. Segundo Burke essa concessão seria equivalente a negar as palavras sobre a união de um casal. presente no evangelho de São Mateus. 


Burke disse ainda que as posições de Kasper, tidas como oficiais na mídia, estavam causando muita confusão entre os fiéis católicos e criando esperanças que não poderiam ser supridas sobre o que tange essa situação.


Sabemos que - ao menos nos meios midiáticos - se travou uma verdadeira guerra entre Burke X Kasper, conservadores X progressistas. Certamente todo esse alarde, aliado a imprudência do Cardeal norte-americano de se expor aos meios de comunicação, sobretudo, a uma série de redes de televisão americanas interessadas em seu posicionamento apressaram a sua remoção do Tribunal.






V. A Soberana Ordem de Malta

Com a elevação do Arcebispo Dominique Mamberti ao Tribunal da Assinatura Apostólica e a transferência de Burke para a ordem de Malta acontece algo que realmente era o oposto do contrário feito até então. 

Raymund é um jovem cardeal de 66, em pleno uso das faculdades mentais e de suas forças físicas w está sendo removido de um importante cargo da Cúria Romana para exercer uma função honorífica e simplesmente simbólica, junto a esta antiga Ordem, que congrega homens e mulheres em todo mundo, através de obras humanitárias. 

Alguns, mais críticos, acreditam que isso seja uma punição pelos seus posicionamentos contrários a um certo grupo dominante na atual Cúria Romana. Outros acreditam que se trata apenas de uma renovação nos ares dos gabinetes papais e outros ainda acreditam que Burke não deveria ter ido pra Malta, mas, sim pra Marte.



Fato é que o Cardeal Burke permanece residindo junto da Santa Sé, em Roma, onde está a sede da Ordem e continua sendo um expoente do conservadorismo em nosso tempo.

Tudo está consumado, não adianta chorar o leite derramado: O que está feito, está feito: 
consumatum est!

sábado, 28 de junho de 2014

O Pálio Pastoral e os Metropolitas


29 de junho, Festa de São Pedro e de São Paulo, o Santo Padre o Papa Francisco entregará o Pálio Pastoral a todos os Arcebispos Metropolitanos que foram nomeados no último ano, entre eles está o Arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, OFM e o de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado, CSsR.



Spengler, que é o mais jovem Arcebispo do Brasil com 53 anos, tomou posse da Arquidiocese de Porto Alegre em 15 de novembro de 2013, em celebração realizada na Catedral Metropolitana Madre de Deus.

Oriundo da Ordem dos Frades Menores (OFM) era desde março de 2012, quando foi ordenado, era Bispo-Titular de Patara e Auxiliar da Sé gaúcha. Sua sucessão a Dom Dadeus Grings, o antigo metropolitana, aconteceu dois anos após a renúncia do velho prelado.

Seu lema episcopal é "In cruce gloriare" - Gloriar-se na Cruz.








Dom Majella Delgado nasceu em Juiz de Fora e tem 60 anos de idade.

Ainda criança fez-se religioso na Congregação do Santíssimo Redentor, os redentoristas. Foi ordenado sacerdote em março de 1981.

Em dezembro de 2009 o Papa-Emérito Bento XVI o nomeou Bispo da Diocese goiana de Jataí, ainda vacante. Sua sagração episcopal se deu em 27 de fevereiro de 2010. 

Em 28 de maio foi nomeado para a Sé Metropolitana de Pouso Alegre, Minas Gerais. Atualmente é também o Presidente do Regional Centro-Oeste da CNBB.

Seu lema episcoal é: “Servir por amor”.


O pálio é uma insígnia de lã branca, de 05 centímetros de largura e formada por dois apêndices, que comporta em si 06 pequenas cruzes bordadas em lã preta. A história desta antiga indumentária remonta ao Império Romano, mas, sua estrutural atual em forma de “Y” já poderia ser observada em representações do século VIII.

O pálio que é entregue aos Arcebispos Metropolitanos, ou seja, aqueles que possuem e estão à frente de uma diocese, quer representar a unidade dos bispos, espalhados nos cinco continentes, com o sucessor de Pedro, o Papa.

O pálio, feito da lã, quer também indicar a missão do Arcebispo como pastor, que carrega em seus ombros o rebanho a ele confiado, a ovelha ferida e desgarrada que é conduzida sob os ombros a exemplo de Jesus, que é sumo sacerdote e bom pastor.


















Segundo uma antiga tradição no dia 21 de janeiro, quando celebra-se Santa Inês (que em latim se escreve Agnes e significa cordeiro) o Papa dá a bênção a duas pequenas ovelhas que são entregues a uma grupo de religiosas beneditinas residentes ao mosteiro de Santa Cecilia in Trastevere, cuja abadessa presencia a bênção. Lá as ovelhas são tosquiadas e se procede a tecelagem para a confecção dos novos pálios.















Depois de prontos, no dia 24 de junho, na festa de São João Batista aquele que anunciou o Cordeiro de Deus, os pálios são colocados em uma urna que é depositada sob a tumba de São Pedro, tornando-se assim uma relíquia de terceiro grau. Lá as insígnias permanecerão até a missa da manhã do dia 29 de junho quando o Papa imporá o pálio a todos os Arcebispos Metropolitanos, que são Bispos Diocesanos espalhados por todo mundo.



Depois da entrega os bispos retornam as suas dioceses portando o pálio pastoral. Ele será utilizado nas celebrações litúrgicas – como a Santa Missa – dentro de qualquer diocese de sua circunscrição eclesiástica, ou seja, da sua Arquidiocese e das Diocese que possui como suas sufragâneas e sob as quais ele exerce o papel de referência da comunhão com a Igreja Católica, na sua união com o Bispo de Roma, que é o Papa. (Cânon 437 § 2º do CDC)


No caso de renúncia o Arcebispo passa a não fazer mais uso do pálio. No caso de transferência ele pedirá ao Santo Padre um novo pálio, que lhe será novamente entregue. Todos os Arcebispos Metropolitanos, mais o Patriarca Latino de Jerusalém e o Decano do Colégio de Cardeais possuem o direito de portar o pálio.


Na América, na África, na Ásia, na Oceania e na Europa – em todos os cantos do mundo – o pálio é o sinal da unidade com Pedro, que nos governa na caridade. O Bispo, como pai e pastor, nos conduz como ovelhas em seus ombros. Portanto, o pálio não é uma simples indumentária ou uma condecoração, mas, é um sinal claro e visível do nosso desejo sempre crescente de formar unidade e criar comunidade em Cristo Jesus.



quarta-feira, 12 de março de 2014

Um ano Franciscano!



Completa-se neste 13 de março um ano do solene Habemus Papam que anunciava a eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio para a Sé de São Pedro. Após o grande Pontífice que foi Bento XVI, o Paráclito conduziu o Sacro Colégio de Cardeais a eleger para o Papado o primeiro latino-americano da história, vindo das terras argentinas. 

Era por volta das 20 horas e 30 minutos no horário de Roma, quando o Cardeal Proto-Diácono da Igreja Romana, Jean-Louis Tauran, surgiu no balcão da monumental Basílica, construída nas Colinas Vaticanas sobre os restos mortais de São Pedro, para anunciar a eleição de seu 265° sucessor dele. O locutor, um francês de 69 anos, debilitado pelo mal de parkison, com o qual luta desde 2012, possuía uma voz fraca e aparência frágil. Seu anúncio em nada se comparou com o vigor e a solenidade do Habemus Papam de 2005, quando o chileno Jorge Arturo Medina, depois de saudar os fiéis em diversos idiomas, anunciou a eleição de Joseph Ratzinger. 

O "Dominum Georgium Marium [...] Cardinalem Bergoglio" ressoou tão tímido que demorou para que nos déssemos conta da eleição de um Pontífice do terceiro mundo. Fora escolhido o primeiro Papa argentino da história; um fato inédito que marcaria para sempre a vida eclesial. Inusitado também era o fato que pela primeira vez o "Papa branco e o 'papa negro'" eram, ambos, jesuítas. A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola, legava seu primeiro filho a Sé Petrina.


Ao som da Hino Pontifício, sem murça ou estola, surgiu o novo Papa. Ele parecia mais assustado que a própria nação católica que acolhia a sua inesperada eleição. No primeiro discurso, ladeado pelo brasileiro Cláudio Hummes, ele falou da necessidade da oração, da fraternidade e rezou pelo seu antecessor, Bento XVI. 

Irmãos e irmãs, boa noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. 
Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! 
E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo Emérito Bento XVI. 
Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. 
Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. 

Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. 

Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.


Depois ele se inclinou e permaneceu em silêncio por alguns segundos. Concedeu a todos a bênção Urbi et Orbe e despediu a todos dizendo:

"Boa noite, e bom descanso!"

Ao ouvir suas primeira palavras, lembrávamos da caridade pastoral de João XXIII, quando do balcão de seu apartamento pontifício proferiu o famoso "discurso da lua", no qual dizia: "ao voltar para casa, encontrareis as criançinhas; fazei-lhes um carinho e dizei-lhes que este é o carinho do Papa".

Mas nos interrogávamos ainda acerca do sugestivo nome escolhido pelo Romano Pontífice: Francisco. Seria o santo de Assis, a quem Deus mandou "reformar a Sua Igreja"? Ou seria o seu confrade Xavier, missionário incansável? A questão não demorou a ser respondida. O Papa alegou que quando foi eleito, estava ao seu lado o antigo Prefeito da Congregação para o Clero e Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Claudio Hummes, O.F.M., gaúcho de Salvador do Sul, que disse: "não se esqueça dos pobres". O recém eleito, movido pelo Espírito Santo, decidiu chamar-se Francisco, que através da radicalidade do Evangelho viveu a pobreza, sendo o "mínimo dos mínimos". 



Apesar da brevidade do seu pontificado, é esta marca que tem predominado: "uma Igreja pobre para os pobres". O Papa tem um estilo pessoal de vida bastante austero e simples. Se percebe que ele não gosta dos ditos "formalismos" e "protocolos" vaticanos. Desde os primeiros dias, não fez uso do apartamento pontifício, mas, de um quarto na Casa Santa Marta, onde celebra missa "pública" todas as manhãs. 

Aumentaram neste período visitas pastorais às paróquias romanas. Francisco, que quer ter "cheiro das ovelhas", tem marcado presença junto a seus diocesanos e tem frisado com veemência que ele é o Bispo de Roma. Em 5 de julho do ano passado, ao lado do Papa Emérito, ele consagrou a Cidade Eterna à proteção do Arcanjo São Miguel.

O Papa, supremo pastor da Igreja, tem governado com sabedoria a sua grei. No que tange a liturgia e os hábitos pessoais, vemos sua simplicidade e simpatia, vindas de sua própria personalidade, razão pela qual, como dissemos anteriormenteele não é nenhum terrorista litúrgico, como se poderia imaginar. Antes, é um homem fiel, que tem guiado com caridade pastoral a Igreja de Cristo. 

Francisco é um homem que tem palavras objetivas e claras, sem maiores "rodeios". Lamentamos, porém, que seus discursos e falas sejam instrumentalizados por alguns, em favor de ideologias e de vertentes teológicas que não correspondem às verdades evangélicas e as necessidades do mundo e da Igreja na sociedade contemporânea.

Pedro, nosso pai comum, tem se mostrado um verdadeiro artífice de uma nova cultura, onde brilhará as riquezas do Evangelho e da salvação, longe de carreirismos e extremismos. O Papa nos governa na caridade e no amor, na proximidade e na "cultura do encontro".



Somos gratos a Deus por tão grande dom de Sua providência à Igreja. "Omnes cum Petrus, ad Iesum, per Mariam". Que o Santo Padre Francisco nos governe por longos anos, e que viva tanto ou mais que Pedro!

Obrigado, Santo Padre!


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Papa Francisco nomeia bispo para Divinópolis/MG

Brasão diocesano de Divinópolis/MG

A Diocese de Divinópolis estava vacante, isto é, sem o bispo, desde agosto de 2012, quando Dom Tarcísio Nascentes foi transferido para a Diocese de Duque de Caxias (RJ). Durante este período, padre José Carlos assumiu a função de Administrador Diocesano para dar andamento aos trabalhos da Diocese até a nomeação do novo bispo. O Papa Francisco nomeou, nesta quarta-feira, 26, o novo bispo de Divinópolis (MG), monsenhor José Carlos de Souza Campos. Até então, ele era pároco da catedral e administrador diocesano desta cidade.
Mons. José Carlos estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte (MG) e Teologia no Instituto Dom João Rezende Costa, também na capital mineira. Recebeu ordenação presbiteral em 30 de maio de 1993. Fez mestrado no curso de Teologia Fundamental na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (2000-2002).
Ao regressar à diocese, foi professor de Filosofia no Seminário Diocesano e de Ciências da Religião no curso de pós-graduação em Divinópolis, pároco em Sant’Ana de Itaúna e da catedral de Divinópolis, administrador da paróquia São Judas Tadeu, também em Divinópolis, chanceler e vigário geral da mesma diocese. Foi, ainda, representante diocesano dos sacerdotes, membro do Conselho de Formadores, do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da diocese.
Atuou na área de formação dos leigos nas escolas de Teologia da diocese e no Centro Franciscano de Formação e Cultura, em Divinópolis.
Fonte: cnbb.org.br

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Álvaro Del Portillo será Beatificado em 27 de setembro

 
Dom Álvaro Del Portillo o primeiro sucessor de São Josemaria Escrivá a frente do Opus Dei será beatificado em Madrid, sua terra natal, em 27 de setembro de 2014 após vinte anos de sua morte. 

Álvaro nasceu em 11 de março de 1914 na capital espanhola e formou-se em engenharia civil. Em sua juventude teve contato com o Opus Dei, que havia sido fundado há pouco menos de 07 anos, ao qual se incorporou em 1935.
 
Após tomar parte na obra recebeu do próprio fundador, o Pe. Josemaria Escrivá, os ensinamentos e o espírito que compunham o Opus Dei, por ele fundado em 02 de abril de 1928. Del Portillo foi um dos pioneiros no trabalho apostólico da Obra e se tornou, além de grande amigo, o mais próximo e fiel colaborador de São Josemaria.
 
 
 
 
Em 1944 foi ordenado sacerdote pela imposição das mãos do Bispo de Madri, Mons. Leopoldo Eijo y Garay, junto a ele receberam o sacramento da ordem José María Hernández Garnica e José Luis Múzquiz, são eles os três primeiros sacerdotes que o Opus Dei gerou para a Igreja.
 
 

  
Durante toda sua vida sacerdotal sempre esteve ao lado de São Josemaria, ao qual serviu como Diretor Espiritual, confessor e secretário particular.



Em Roma desde 1946 atuou como Reitor do Colégio Romano da Santa Cruz, fundado pela Obra, e participou ativamente do Concílio Vaticano II tendo sido Presidente da Comissão para o Laicato, durante as sessões prévias ao Concílio. Durante o evento desempenhou a função de consultor da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos sacramentos, além de secretário da comissão do clero e do povo de Deus.


Com o término do Concílio o Papa Paulo VI o nomeou para a Comissão pós-conciliar sobre os Bispos e o Regime das Dioceses.
 
Quando o fundador do Opus Dei veio a falecer, em 26 de junho de 1975, Del Portillo estava ao seu lado e foi, alguns meses após a morte de São Josemaria, em 15 de setembro de 1975 que o Conselho Geral o elegeu o primeiro sucessor e continuar da obra iniciada em 1928 por Josemaria.
 
Conta-se que no escrutínio da eleição todo o conselho foi unânime na escolha do nome de Álvaro, apenas um membro havia votado contra esta sucessão: ele mesmo.
 





Em 28 de novembro de 1982 o Santo Padre o Beato João Paulo II erigiu o Opus Dei e a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz a condição de Prelazia Pessoal e fez de Dom Álvaro Del Portillo seu primeiro Bispo-Prelado, ordenando-o na Basílica de São Pedro em 6 de janeiro de 1991 e concedendo-lhe a sede titular de Vita.

 
Como Prelado expandiu os trabalhos apostólicos da obra a 20 países. Era conhecido por sua postura firme, mas, amável. Um homem de profunda delicadeza, piedade e mortificação. Sempre fiel ao espírito da Obra viveu em profunda unidade e amor com a Igreja, na pessoa de seu vigário na terra. Foi amigo pessoal de João Paulo II que fez questão de rezar diante de féretro, assim que soube se sua morte em 1994.

Alvaro Del Portillo faleceu na sede geral do Opus Dei em 23 de março de 1994, pouco depois que retornar de uma peregrinação a Terra Santa. Seu corpo repousa na igreja de Santa Maria da Paz, Prelatícia do Opus Dei.
 
Dez anos depois de sua morte foi aberto oficialmente o seu processo de Canonização, que se iniciou através da Diocese de Roma, na qual ele faleceu. Em 05 de março de 2004 o Vigário-Geral de Sua Santidade para a Diocese romana, Card. Camilo Ruini em sessão solene inaugurou os transmites legais. Em 2012 suas virtudes heroicas foram reconhecidas e agora sua Beatificação está marcada para 27 de setembro de 2014 na sua terra natal: Madrid.

 
Nos unimos a toda a Obra para louvar a Deus por este anúncio e nos colocamos sob a intercessão de Álvaro, para que de junto de Deus olhe por nós.
 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Chirographum "Laetare, Brasilia" occasione electionis Domini Orani Ioannis Tempesta, O.Cist, in Sacrum Collegium Cardinalium


Occasione electionis Domini Orani Ioannis Tempesta, O.Cist,
Archiepiscopi Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii, 
In Sacrum Collegium Cardinalium Sanctae Romanae Ecclesiae 
A Francisco Pontifice Maximo


Laetare, Brasilia, quia hodie magis filius et episcopus tuus electus est in Sacrum Collegium Cardinalium Sanctae Romanae Ecclesiae! Haec magna et felix notitia quam hodie accipimus primum vere habitat corda omnium filium Archidioecesis Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii, qui nunc gratias Deo Optimo et Maximo agant pro electione pastoris eorum, Domini Orani Ioannis Tempesta, O. Cist., in Sacrum Collegium Cardinalitium Sanctae Romanae Ecclesiae.

Sic nos, Apostolatus Dominus Vobiscum, laetantes magnopere cum Archidioecese Sancti Sebastiani Fluminis Ianuarii quia hodie cum pastore eius in Sacrum Collegium Cardinalium ascendit, laetamur maxime quoque quia inter nos filium et seminaristam huius laetantis Archidioecesis habemus, carissimum fratrum nostrum Æraldum de Souza Leão Filium. 

Itaque, Neo-Cardinali Orani Ioanni Tempesta, O.Cist., augurium nostrum pro electione eius mittimus et quoque orationes nostras pro proficuo eius cardinalato in Deum ascendimus! Deus eum benedicat in hac nova missione auxilii Summo Pontifici in guberno Sanctae Ecclesiae.

Die XII mensis ianuarii - Festo Baptismi Domini - anno Domini MMXIV. 


Sem. Anderson Barcelos



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TRADUÇÃO: 

Dominus Vobiscum 
Por ocasião da eleição de Dom Orani João Tempesta, O.Cist.,
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro,
 Para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana 
Pelo Sumo Pontífice Franscisco.

Alegra-te, ó Brasil, porque mais um filho e bispo teu foi eleito para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana! Esta grande e feliz notícia que hoje recebemos verdadeiramente habita por primeiro os corações de todos os filhos da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que hoje eleva graças a Deus Ótimo e Máximo em favor da eleição do seu pastor, Dom Orani João Tempesta, O.Cist., para o Sacro Colégio dos Cardeais da Santa Igreja Romana. 

Assim nós, Apostolado Dominus Vobiscum, alegrando-nos grandemente com a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro porque hoje ascende com o seu pastor ao Sacro Colégio dos Cardeais, alegramo-nos também porque temos entre nós um filho e seminarista desta rejubilante Arquidiocese, o nosso caríssimo irmão Eraldo de Souza Leão Filho. 

Por isso, ao Neo-Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist., enviamos a nossa saudação por sua eleição e também elevamos a Deus as nossas orações em favor de seu profícuo cardinalato! Que Deus o abençoe nesta nova missão de auxílio ao Sumo Pontífice no governo da Santa Igreja.

No dia 12 do mês de janeiro - na Festa do Batismo do Senhor - no ano do Senhor 2014.

Sem. Anderson Barcelos.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Homilia do Papa na Missa do Galo






1. Esta profecia de Isaías não cessa de nos comover, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. E não se trata apenas dum facto emotivo, sentimental; comove-nos, porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: somos povo em caminho, e ao nosso redor – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz. Uma luz que nos faz refletir sobre este mistério: o mistério do andar e do ver.Andar. Este verbo faz-nos pensar no curso da história, naquele longo caminho que é a história da salvação, com início em Abraão, nosso pai na fé, que um dia o Senhor chamou convidando-o a partir, a sair do seu país para a terra que Ele lhe havia de indicar. Desde então, a nossa identidade de crentes é a de pessoas peregrinas para a terra prometida. Esta história é sempre acompanhada pelo Senhor! Ele é sempre fiel ao seu pacto e às suas promessas. «Deus é luz, e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas» (1 Jo 1, 5). Diversamente, do lado do povo, alternam-se momentos de luz e de escuridão, fidelidade e infidelidade, obediência e rebelião; momentos de povo peregrino e de povo errante. 

E, na nossa historia pessoal, também se alternam momentos luminosos e escuros, luzes e sombras. Se amamos a Deus e aos irmãos, andamos na luz; mas, se o nosso coração se fecha, se prevalece em nós o orgulho, a mentira, a busca do próprio interesse, então calam as trevas dentro de nós e ao nosso redor. «Aquele que tem ódio ao seu irmão – escreve o apóstolo João – está nas trevas e nas trevas caminha, sem saber para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos» (1 Jo 2, 11).

2. Nesta noite, como um facho de luz claríssima, ressoa o anúncio do Apóstolo: «Manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). 

A graça que se manifestou no mundo é Jesus, nascido da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho. Veio para nos libertar das trevas e nos dar a luz. N’Ele manifestou-se a graça, a misericórdia, a ternura do Pai: Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar inexoravelmente distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós. 

3. Os pastores foram os primeiros a ver esta «tenda», a receber o anúncio do nascimento de Jesus. Foram os primeiros, porque estavam entre os últimos, os marginalizados. E foram os primeiros porque velavam durante a noite, guardando o seu rebanho. Com eles, detemo-nos diante do Menino, detemo-nos em silêncio. Com eles, agradecemos ao Pai do Céu por nos ter dado Jesus e, com eles, deixamos subir do fundo do coração o nosso louvor pela sua fidelidade: 

Nós Vos bendizemos, Senhor Deus Altíssimo, que Vos humilhastes por nós. Sois imenso, e fizestes-Vos pequenino; sois rico, e fizestes-Vos pobre; sois omnipotente, e fizestes-Vos frágil. 

Nesta Noite, partilhamos a alegria do Evangelho: Deus ama-nos; e ama-nos tanto que nos deu o seu Filho como nosso irmão, como luz nas nossas trevas. O Senhor repete-nos: «Não temais» (Lc 2, 10). E vo-lo repito também eu: Não temais! O nosso Pai é paciente, ama-nos, dá-nos Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida. Ele é a luz que ilumina as trevas. Ele é a nossa paz. 

Amem.

"Urbi et Orbi" por ocasião do Natal!





Diante de uma multidão de mais de cem mil fiéis Sua Santidade, o Papa Francisco, concedeu nesta manhã sua primeira bênção Urbi et Orbe - para a cidade de Roma e para o Mundo - por ocasião da Natividade de Nosso Senhor.

Na ocasião, ao saudar o fiéis pelo Natal o Papa frisou que “a verdadeira paz não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela ‘fachada’, por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, que se realiza a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo”. 

A partir daí, disse Francisco, “pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!”. 

“Muitas vidas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária”. 

O Bispo de Roma se disse contente em saber que pessoas de diversas confissões religiosas se unem à súplica pela paz na Síria. 

Depois foi a vez do Papa lembrar a situação da República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens e “dilacerada por uma espiral de violência e miséria onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver”. 

Ainda no continente africano, o Papa pediu “concórdia no jovem Estado do Sudão do Sul e na Nigéria, países onde a convivência pacífica tem sido ameaçada por ataques que não poupam inocentes nem indefesos”. 

Como sempre, Francisco dedicou um pensamento aos deslocados e refugiados, especialmente no Chifre da África e no leste da República Democrática do Congo: 

“Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa”. 



Passando ao Oriente Médio, Francisco clamou pela “conversão do coração dos violentos, por um desfecho feliz das negociações de paz entre israelenses e palestinos e pela cura das chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados”. 

O Papa mencionou ainda outro tema que o preocupa: 

“Tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância”. 

Sempre sensível à questão ambiental e às consequências dos nossos maus comportamentos, o Pontífice chamou a atenção para “a ganância e a ambição dos homens e pediu proteção para as vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão”. 

Francisco terminou sua fala com uma mensagem de esperança: 

“Deixemos que o nosso coração se comova, se incendeie com a ternura de Deus; precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus”. 

Na sequência, o Papa Francisco fez votos de Feliz Natal aos fiéis reunidos na Praça e aos que estavam em conexão no mundo inteiro através dos meios de comunicação, invocando os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados. 

“Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; e sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal!”, concluiu o Papa, concedendo a bênção Urbi et Orbi. 


Fonte: Rádio Vaticana

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Apóstolo do Brasil será canonizado!

Por Ânderson Barcelos e Henrique Zimmer

Jubilosos recebemos a notícia de que Sua Santidade o Papa Francisco, através da Congregação para a Causa dos Santos, escreverá no roll dos Santos o Beato José de Anchieta, apóstolo da evangelização na Terra de Santa Cruz. 


A notícia nos chega através do Sr. Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Metropolitano de Aparecida (SP) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que segundo relatou a imprensa local recebeu um telefonema do próprio Pontífice, no qual Francisco assegurava a declaração de Anchieta como santo.


José de Anchieta nasceu na região espanhola das ilhas canárias. Ingressou na Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola para pregar missões e evangelizar os pagãos, em 1551.

Ao ser acolhido foi mandado para os estudos em Portugal , a fim de evitar que pudesse sofrer com a rigorosa Inquisição do Reino da Espanha, uma vez que possuía ascendência judaica pela parte materna.

De saúde frágil e débil foi enviado para o Brasil, recém descoberto pelos portugueses, ainda como noviço em 1553 para auxiliar no processo de colonização e cristianização da civilização indígena. Biógrafos contam que quando da partida seus superiores acreditavam que Anchieta nem atracaria em terras de Santa Cruz, antes, que morreria no caminho. 


O jovem missionário não só chegou com saúde como também se sentiu revigorado com os ares desta região. Em 15 de junho de 1553 iniciava a saga de Anchieta neste longínquo Brasil. 

Foi ordenado sacerdote aos 32 anos de idade, na época em que o Governador-Geral do Brasil, Mem de Sá, travava guerra para expulsar os franceses das terras brasileiras



Aqui catequizou e batizou os índios. Evangelizou os pagãos e converteu os pecadores. Anunciou o evangelho e promoveu a pessoa humana. 

Escreveu diversos poemas, contos e programou uma gramática tupi-guarani. Além de missionário incansável e fundador de cidades e povoados, o “Apóstolo do Brasil” foi teatrólogo, historiador, gramático e poeta. Anchieta escreveu em verso e prosa, seja em português, espanhol, latim ou tupi. Sua ação evangelizadora cruzou os umbrais da igreja, ainda nascente nestas terras, e se solidificou como princípio norteador e fonte basilar da sociedade civil brasileira. 


Em 24 de janeiro de 1554, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, Padre Anchieta fundava o Colégio de São Paulo, que foi o embrião da grande metrópole da cidade de São Paulo. Tantos anos depois, esta data nos chega pela carta escrita, de próprio punho, pelo jesuíta desbravador. Na carta, Anchieta narrava que na comunidade da redondeza havia 130 pessoas, das quais 36 já filhos de Deus, pelo sagrado batismo.

Durante sua vida apostólica, toda vivida no Brasil, desempenhou diversas funções para os jesuítas e na igreja local, entre elas a de Superior Geral da Companhia de Jesus nestas terras (1577-1587). 

Com a idade de 63 anos se retirou para Reritiba, hoje Anchieta, no Espírito-Santo. Lá, veio a falecer. Seu corpo foi sepultado em Vitória e o Brasil perdia o homem que por 43 anos se dedicou, de corpo e de alma, a ação evangelizadora na Terra de Santa Cruz. Anchieta é o baluarte da civilização brasileira. Do céu, olha por cada um de nós e por nossa nação. 


O Beato João Paulo II - a ser canonizado também em 2014 - beatificou José de Anchieta em em 22 de junho de 1980, no Vaticano. O processo de beatificaçao, iniciado ainda no século XVII, parece ter sido dificultado pela perseguição aos jesuítas, perpetrada pelo Marquês do Pombal, mas já em 1622, várias pessoas tinham sido ouvidas no processo, relatando milagres e grandes valores do padre jesuíta. Agora o Papa Francisco anuncia sua canonização, ainda sem data marcada. 

Aguardamos ansiosos a declaração que tornará o Apóstolo de nosso chão o mais novo santo da Igreja, e rogamos ao Bom Deus que muitas graças sejam derramadas sobre nossa nação, pela intercessão de "São" José de Anchieta, evangelizador do Brasil. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sentido teológico: Versus ad populum aut contra Deum?

Essa nos é uma pergunta constante, qual a razão de celebrar o sacrifício da Missa de costas para o povo? E por que se celebra de frente para o povo? Liturgicamente qual delas possui um significado teológico?


Essa pergunta e outras serão explicadas pelo Reverendíssimo Monsenhor Guido Marini - Mestre de Cerimônias da Liturgia Pontifícia.


O que se entende com "oração voltada para o oriente"? Entende-se o coração orante orientado para Cristo, do qual provém a salvação e para o qual todos tendem como para o Princípio e Termo da História. No Oriente nasce o sol. Ora, o sol é símbolo de Cristo, a luz que surge do Oriente. Lembre-se a propósito a passagem do cântico Benedictus : "O sol que surge no Oriente vem nos visitar"(Lc 1, 78).

Durante a celebração Eucarística o sacerdote nos convida a voltar os corações para o Senhor: "Sursum Corda", e todos respondem "Habémus ad Dóminum". Ora, se tal orientação deve ser sempre interiormente assumida por toda a comunidade cristã e recolhida em oração, essa atitude deve ser também expressa com sinal exterior. De fato, o sinal exterior há de ser sempre verdadeiro, de modo que torne manifesta a correta atitude espiritual.




Missa presidida por S.S. Papa Bento XVI

Então aí está o motivo da proposta do Cardeal Ratzinger, enquanto Pontífice Máximus da Igreja, que é mantida pelo então Cardeal Bergoglio - Papa Francisco: colocar o crucifixo no centro do altar, de maneira que todos, no momento da liturgia Eucarística, possam efetivamente voltar os olhos para o Senhor, orientando assim a própria oração e coração.

A Cruz permanece no centro do Altar

Vejamos o que disse o Papa Bento XVI, que escreve sua Opera omnia, dedicado à liturgia: " A ideia de que o sacerdote e povo deveriam, na oração, olhar um para o outro, surgiu apenas no cristianismo moderno e é completamente estranha no antigo. Sacerdote e povo certamente não rezam um para o outro, e sim para o único Senhor. Por isso na oração todos olham para mesma direção: ou para o Oriente como símbolo cósmico do Senhor que vem, ou, nos lugares onde isso não é possível, para uma imagem de Cristo na abside, para uma cruz, ou simplesmente para o céu,como fez o Senhor durante a oração sacerdotal da última noite antes da Paixão (Jo 17, 1).
E não se diga que a imagem do crucifixo obscurece a visão dos fiéis em relação ao celebrante. Os fiéis não devem olhar o celebrante, nesse momento litúrgico! Devem olhar para o Senhor! Assim aquele que preside a celebração deve poder olhar para o Senhor. A cruz não impede a visão; ao contrário, lhe abre o horizonte para o mundo de Deus, e a faz contemplar o mistério, a introduz no céu, de onde provém, a única luz capaz de dar sentido à vida neste mundo.
 Em nosso tempo entrou em voga a expressão "celebrar voltado para o povo". É aceitável dizer assim, quando a expressão entende descrever o aspecto topográfico, devido ao fato que hoje o sacerdote, pela colocação do altar, se encontra em posição frontal em relação à assembleia. Mas, não se poderia absolutamente aceitar, se tal expressão tivesse conteúdo teológico. De fato, a Missa, teologicamente falando, está sempre voltada para Deus, através de Cristo nosso Senhor, e seria grave erro imaginar que a orientação principal da ação sacrifical fosse a comunidade. Por isso, tal orientação- voltada para o Senhor- deve animar em cada um a participação litúrgica interior. E é igualmente importante que isso possa ser bem visível também no sinal litúrgico.

Missa presidida por S.S. Papa Francisco
                                               
   
Fonte: MARINI Guido, Liturgia Mistério da Salvação,  Ed. Paulus.