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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Faleceu o Sr. Cardeal Glemp

 (18 de dezembro de 1929 - 23 de janeiro de 2013)

O cardeal Josef Glemp, que conduziu a Igreja Católica polonesa na transição do comunismo à democracia, faleceu em Varsóvia, aos 83 anos de idade, devido a um câncer no pulmão. Junto ao Beato João Paulo II, de saudosa memória, foi um dos homens que mais se levantou contra o mau do comunismo que imperava em sua terra patrícia. 
Glemp nasceu em Inowroclaw, na Polônia, em 18 de dezembro de 1929. Foi sequestrado durante a Segunda Guerra Mundial a fim de trabalhar forçadamente na Alemanha nazista, finda a guerra, ele continuou seus estudos e ingressou mais tarde no Seminário de Gniezno e foi ordenado sacerdote em 1956.
Após especializar-se em Direito Canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma em 1964, voltou à Polônia e deu aulas no próprio Seminário de Gniezno e na Academia de Teologia de Varsóvia.


De 1967 a 1979, Glemp foi, além de secretário pessoal do cardeal primaz Stefan Wyszynski, membro da Comissão para Revisão do Direito Canônico, capelão de diversos conventos e professor da Academia de Teologia Católica de Varsóvia.


A partir de 1979 foi bispo de Warmia, até que em 1981 passou a ser Arcebispo Metropolitano de Gniezno-Varsóvia e Primaz da Polônia, após o falecimento de Wyszinski. Dois anos depois foi criado cardeal pelo Beato papa João Paulo II, seu amigo pessoal.
Entre 1981 e 2004, também foi presidente da Conferência Episcopal polonesa, exercendo a condição de primaz da Polônia até 2009, quando tornou-se emérito.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


O Vaticano anunciou dia 22 de janeiro, duas importantes nomeações no campo das comunicações. Bento XVI designou opadre Dario Edoardo Viganó comodiretor do Centro Televisivo Vaticano(CTV), cargo até agora ocupado pelo diretor da Rádio Vaticano, o jesuíta padre Federico Lombardi.


O Santo Padre nomeou também o leigo Angelo Scelzo, atual vice-secretário do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais como vice-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Monsenhor Dario Edoardo Viganó, 51 anos, é natural do Rio de Janeiro, membro do clero da arquidiocese de Milão e professor do Instituto Pastoral “Redemptor Hominis” da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Ele detém o título da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém e é membro da Pontifícia Academia Teológica .

O Centro Televisivo Vaticano (CTV) foi criado em 1983 e tem como missãodifundir com imagens o Evangelho, o ministério pastoral do Pontífice e as atividades da Santa Sé. Programa uma média anual de 200 eventos ao vivo, entre celebrações na Praça São Pedro, na Basílica de São Pedro, na Sala Paulo VI, audiências públicas do Papa e Ângelus dirigidos pelo Pontífice.

Desde 2010 transmite integralmente em alta definição, medida adotada – segundo explicou padre Lombardi na época – para adequar-se aos tempos, pois “se não o fizéssemos, a imagem do Papa sairia gradualmente do mundo televisivo nos próximos anos”.



Padre Federico Lombardi, 70 anos, jesuíta, continua dirigindo a Sala de Imprensa da Santa Sé e a Rádio Vaticano.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Na memória de Santa Inês: a bênção dos cordeiros

Santa Inês (ou Agnes) de Roma, Século III
 Virgem e Mártir

Uma das mártires mais antigas e populares do Cânon da Igreja, Santa Inês (ou Agnes) é venerada de diferentes maneiras, conforme o costume dos povos devotos. No dia 21 de janeiro, data dedicada à memória da virgem e mártir, um costume muito antigo se repete ainda hoje: a benção dos cordeiros de Santa Inês, dada pelo Santo Padre.

Em Roma, o Papa Bento XVI participou da tradicional cerimônia, abençoando dois cordeirinhos brancos com menos de um ano de idade. Os animais são enfeitados de maneiras distintas: um deles é coberto com uma espécie de manto branco e tem sob a cabeça uma coroa de flores, também brancas, que simbolizam a virgindade da santa, enquanto o outro é enfeitado com um manto e flores vermelhas, fazendo memória ao martírio de Inês.

A cerimônia tem início na Basílica de Santa Inês Fora dos Muros, na via Nomentana, em Roma, onde acontece o tradicional rito de benção. Depois, alguns Sediários pontifícios levam os animais com um furgão ao Palácio Apostólico onde, na Capela de Urbano VIII, são abençoados pessoalmente pelo Papa.

Segundo o costume, a lã dos dois cordeiros abençoados será utilizada para a confecção dos pálios que serão impostos, pelo Papa, aos novos arcebispos metropolitanos, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, no dia 29 de Junho.

sábado, 19 de janeiro de 2013

A Cúria Romana


Por Seminarista Ânderson Barcelos Martins


A Cúria Romana é o conjunto de órgãos e pessoas que auxiliam o Papa no governo da Igreja, tanto na ordem espiritual quanto material. Este nome foi usado pela primeira vez no século XII, mas a sua realidade data dos primeiros séculos da Igreja. Já em meados do século III as crônicas relativas ao Papa Fabiano (236-250), mostram que ele tinha, como auxiliares, Bispos, presbíteros e diáconos.
No século XVI, em 1588, a Cúria foi estruturada na forma que tem hoje, sofrendo reformas com o passar do tempo.
Até 1870 havia o vasto território dos Estados Pontifício, então o Bispo de Roma necessitava de muitos colaboradores que exercessem a gestão temporal do estado.  Com a queda do Estado Pontifício sob os golpes do reino da Itália, alguns órgãos perderam a razão de ser, e a Cúria foi reformada pelo Papa São Pio X, através da Constituição Sapienti Consilio. Foram extintos todos os órgãos e Ofícios destinados a tratar de assuntos políticos do Vaticano
Em 1967, dois anos depois de encerrado o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI, através da Constituição Apostólica Regimini Ecclesiae Universae, reformou mais uma vez a Cúria, adaptando- as às novas exigências oriundas do Concílio.
Finalmente, em 1988, o Papa João Paulo II, através da Constituição Pastor Bônus, refez a organização da Cúria. Na ocasião, o Papa disse as palavras:
A Igreja hoje se vê diante de tarefas de extensão, importância e variedade talvez nunca atingidas outrora... Que a Cúria correspondesse fielmente à Eclesiologia do Concílio Vaticano II, fosse adaptada em tudo à missão pastoral da Igreja e capaz de ir ao encontro das necessidades concretas às sociedades religiosa e civil.
 A organização e o governo da Igreja são diferentes das organizações de demais governos dos outros países, pois a Igreja não é uma instituição apenas humana. Foi instituída por Cristo, que é a Sua Cabeça; logo, seu governo foi definido pelo próprio Senhor, que a quis governada por Pedro (Mt 16, 16-19; Lc 22, 31; Jô 21, 15-17), que goza da assistência do Espírito Santo (Jo 14, 26; Jo 16, 13 -15) para não permitir que o depósito da fé se corrompa com o erro.
A atual organização da Cúria Romana e dos Principais colaboradores de Bento XVI é assim:


Cardeal Tarcísio Bertone, SDB (Itália, 1934),
Secretário de Estado de Sua Santidade.


Arcebispo Giovanni Ângelo Becciu (Itália, 1947), 
Substituto da Secretaria de Estado. 


Arcebispo Dominique Mamberti (França, 1952),
Secretário para as Relações com os Estados.

Congregações:


Arcebispo Gerhard Ludwig Müller (Alemanha, 1948),
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.



Cardeal Leonardo Sandri (Argentina, 1943),

Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais.



Cardeal Antonio Cañizares Llovera (Espanha, 1945), 

Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a 

Disciplina dos Sacramentos.




Cardeal Ângelo Amato, SDB (Itália, 1938),

Prefeito da Congregação das Causas dos Santos.



Cardeal Marc Ouellet (Canadá, 1944),

Prefeito da Congregação para os Bispos.



Cardeal Fernando Filoni (Itália, 1946),

Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.



Cardeal Mauro Piacenza (Itália, 1944),

Prefeito da Congregação para o Clero.



Cardeal João Braz de Aviz (Brasil, 1947),

Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.



Cardeal Zenon Grocholewski (Polonia, 1939),

Prefeito da Congregação para a Educação Católica.

Tribunais:


Cardeal Manuel Monteiro de Castro (Portugal, 1938), 
Penitenciário Maior.



Cardeal Raymond Leo Burke (USA, 1948),

Prefeito do Tribunal Supremo da Assinatura Apostólica.


Monsenhor Vito Pio Pinto
Decano da Rota Romana

Conselhos Pontifícios:


Cardeal Stanislaw Rylko (Polônia, 1947),
Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos.



Cardeal Kurt Koch (Suiça, 1950),

Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da 
Unidade dos Cristãos.



Arcebispo Vincenzo Paglia (Itália, 1945),

Presidente do Pontifício Conselho para a Família.



Cardeal Peter Kodvo Appiah Turkson (Gana, 1948), 

Presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e Paz.






Cardeal Antonio Maria Veglió (Itália, 1938),

Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral dos Imigrantes e Itinerantes.


Cardeal Robert Sarah (Guiné Conacri, 1945),

Presidente do Pontifício Conselho "Cor Unum".



Arcebispo Zygmunt Zimowski (Polônia, 1949),

Presidente do Pontifício Conselho para a
 Pastoral dos Agentes Santiários.



Cardeal Francesco Coccopalmerio (Itália, 1938),

Presidente do Pontifício Conselho para a 
Interpretação dos Textos Legislativos.


Cardeal Jean-Louis Tauran (França, 1943),

Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso.
Cardeal-Protodiácono da Santa Igreja



Cardeal Gianfranco Ravasi (Itália, 1942),

Presidente do Pontifício Conselho da Cultura.



Arcebispo Claudio Maria Celli (Itália, 1941),

Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.



Arcebispo Rino Fisichella (Italia, 1951),

Presidente do Pontifício Conselho para a 
Promoção da Nova Evangelização.

Outros Cargos:


Cardeal Ângelo Sodano (Itália, 1927),
Decano do Sacro Colégio Cardinalício.



Cardeal Domenico Calcagno (Itália, 1943),

Presidente da Administração do Patrimônio da Sede Apostólica.


Cardeal Giuseppe Versaldi (Itália,1943),

Presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos da Santa Sé.



Arcebispo Jean-Louis Bruguès (França, 1943),

Arquivista e bibliotecário.



Cardeal Giuseppe Bertello (Itália, 1942),

Presidente do Governo da Cidade do Vaticano.



Cardeal Angelo Comastri (Itália, 1943),

Vigário Geral do Papa para o Estado e Cidade do Vaticano.



Arcebispo Nikola Eterovic (Croácia, 1951),

Secretário geral do Sínodo dos Bispos.


Arcebispo Georg Gänswein (Alemanha, 1956)

 Prefeito da Casa Pontifícia e 

Secretário Particular de Sua Santidade



Arcebispo Piero Marini (Italia, 1942),

Presidente do Comitê Pontifício para os Congressos Eucarísticos.


Monsenhor Guido Marini (Itália, 1965),

Mestre de Cerimônias litúrgicas do Santo Padre.


Padre Federico Lombardi, SJ (Itália, 1942),

Diretor da Sala de Imprensa do Vaticano.

Reino Unido é condenado por proibir uso de crucifixo



A Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) de Estrasburgo condenou nesta terça-feira, 15 de janeiro, o Reino Unido por ter proibido uma funcionária de uma companhia aérea de usar de modo visível um crucifixo durante sua hora de trabalho.  


Naida Eweida trabalhava na recepção de passageiros da British Airways. 
A companhia a proibiu de usar de modo visível seu crucifixo, e a Justiça britânica confirmou esta decisão.  

Para a CEDH, a Justiça concedeu "peso demais" ao pedido da companhia de viola a liberdade de religião.  

A British Airways alegou que esta é sua política de uso de uniforme e que não pretendia ir contra a fé dos cristãos.  

FONTE: http://www.padremarcelotenorio.com/2013/01/reino-unido-e-condenado-por-proibir-uso.html#comment-form

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Ateísmo é uma escolha racional?


Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. 
Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.
Fonte: http://www.zenit.org/article-32162?l=portuguese
A pergunta que colocamos aqui deve ser bem entendida: não perguntamos se os ateus são racionais, coisa que seria absurda; nem mesmo perguntamos se os ateus são inferiores aos teístas, ou se a crença em Deus “não necessariamente torna uma pessoa melhor”, como apareceu numa recente pesquisa no Brasil[1]. O que questionamos agora é se o ateísmo, enquanto sistema de pensamento seja coerente. Mais precisamente, nos perguntamos se é sensato afirmar a não existência de Deus e contemporaneamente o relativismo. Poderia ser verdade que não haja nenhuma verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que Deus não existe?


Talvez haja quem pense que a questão aqui proposta seja absurda. E pode vir à mente do leitor a recordação do jovem Ivan, personagem de Irmãos Karamázov, que defendia que se Deus e as religiões não existissem, tudo passaria a estar permitido. Aquele personagem manifestava assim o desejo de uma liberação: ao livrar-se da crença em Deus, o homem ficaria livre de todo dogmatismo, tanto teórico, quanto moral. A negação de Deus traria o fim da “lei natural” e do dever de amar o mundo e ao próximo. A mesma liberação quis experimentar F. Nietzsche ao declarar a morte de Deus, ou melhor, ao dizer que os homens o haviam assassinado. De modo que para eles a negação ou “morte” de Deus não estaria fundamentada no relativismo, mas seria a origem mesma do relativismo. A afirmação da não existência de Deus seria uma escolha, algo indiscutível e impossível de ser demonstrado a partir de verdades anteriores. E aceitá-lo seria assumir a crença num novo dogma que faria desmoronar todos os demais dogmas. O ateísmo fundaria assim o relativismo na moral e no conhecimento humano. 
Embora isso seja claro, é comum pensar que o relativismo funde o ateísmo; que as pessoas que não aceitam Deus, fazem-no porque não querem aceitar a existência da verdade, à qual deveriam se submeter. Isso é um absurdo. O ateísmo parte de uma afirmação que tem valor de verdade absoluta: Deus não existe. Se essa afirmação não fosse tomada pelos ateus como verdade, eles simplesmente deixariam de ser ateus. O relativismo para eles se dá somente nas “verdades” inferiores e todos deveriam se submeter ao imperativo único da nova moral: é proibido estabelecer regras morais.
O interessante é que F. Nietzsche e outros conhecidos filósofos ateus reconheceram que afirmar o relativismo cognoscitivo e o ateísmo é em si mesmo contraditório. O motivo seria que o relativismo implica a afirmação da não existência de verdades absolutas; mas isso se funda, por sua vez, numa verdade absoluta: a não existência de Deus.
Sendo assim, a afirmação da não existência de Deus implica a afirmação da sua existência. Outros pensadores ateus que perceberam bem as contradições do ateísmo contemporâneo foram M. Horkheimer e Th. Adorno. De fato, eles diziam numa obra conjunta, A Dialética do Iluminismo, citando a Nietzsche: «Percebemos “que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”. Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo»[2].
Esses autores, ateus e relativistas, que se reconhecem como “não conhecedores e antimetafísicos” alimentam a verdade de sua fé ateia naquela cristã, já presente em Platão: a fé na existência da verdade divina. De modo que só pode afirmar a não existência de Deus, quem aceita que há uma verdade absoluta, divina. Em outras palavras, só pode negar a Deus quem previamente o afirma. Por isso, o ateísmo, ao negar a Deus e a verdade das coisas (que é sempre relativa ao sujeito que a conhece e é progressiva), reinvindica para si mesmo o caráter absoluto, próprio do mesmo Deus[3], estabelecendo assim um novo dogmatismo. Portanto, o ateísmo não existe; nada mais é do que uma espécie de idolatria que consiste no colocar-se a si mesmo e as próprias convicções pessoais, por mais contraditórias que possam ser, no lugar de Deus, o único que garante toda a verdade. 

[1] Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1206138-tendencia-conservadora-e-forte-no-pais-diz-datafolha.shtml[2] Cfr. F. NIETZSCHE, La gaia scienza, Mondadori, Milano 1971, p. 197; M. HORKHEIMER e Th.ADORNO, Dialettica dell’illuminismo, Einaudi, Torino 1966, p. 125.[3] Para a elaboração do presente texto me foram úteis as reflexões presentes em: U. GALEAZZI, Il coraggio della ragione. Tommaso d’Aquino e l’odierno dibatitto filosofico, Armando, Roma 2012, pp. 22-38.